República da Irlanda | demografia

Demografia

Dublin, capital e maior cidade da Irlanda

A população total da ilha da Irlanda é pouco mais de 6 milhões de habitantes (2006), dos quais 4 239 848 residem na República da Irlanda[30] (1,7 milhões de habitantes residem na Área Metropolitana de Dublin),[31] e 1,7 milhões de habitantes na Irlanda do Norte[32] (600 000 dos quais a residir na Área Metropolitana de Belfast[33] que corresponde à população total das cidades de Belfast, Castlereagh, Carrickfergus e Lisburn). Em 1841, a população era de 6,5 milhões de habitantes,[33] e caiu para 5,1 milhões em 1850 após a Grande Fome Irlandesa, com a emigração em massa. A população continuou a descer até aos anos da década de 1960, como indicado em dados relativos a 1901, onde a população era de 3,2 milhões de habitantes, contrapondo os 2,8 milhões de 1961, mas a partir dessa altura, tem vindo a aumentar novamente.[33] Na década de 1990, e ainda mais na de 2000, a imigração tem vindo a aumentar.

A Irlanda tem sido habitada há pelo menos 9000 anos, embora pouco se saiba sobre as pessoas da era do Paleolítico e do Neolítico que habitaram a ilha. Os registos históricos e genealógicos revelam a existência de diversos povos (Cruithne, Atácotos, Conmaicne, Eóganachta, Érainn, Soghain, e outros). Durante os últimos 1000 anos, foram influenciados pelos viquingues, que fundaram vários portos, incluindo o de Dublin, e também pelos Normandos. No entanto, a maioria (80%) da população é descendente de que os primeiros habitantes da ilha tenham a habitando a partir do final da Idade do Gelo. Muitos, na Irlanda do Norte, são descendentes dos colonos de Inglaterra, especialmente dos da Escócia.

Depois de Dublin (com 1.661.185 habitantes na área metropolitana), as maiores cidades da Irlanda são Cork (380.000 habitantes na área metropolitana), Limerick (93.321 habitantes na área metropolitana), Galway (71.983 habitantes na cidade) e Waterford (45.775 habitantes na cidade).

Composição étnica

Evolução da população irlandesa ao longo do século XX
Representação gráfica dos grupos populacionais imigrantes na Irlanda, com mais de 10 mil pessoas, em 2006

De acordo com um estudo genético de 2015, a população irlandesa descende, em sua quase totalidade, de movimentos migratórios durante a idade do Bronze. Essa ancestralidade é composta de dois componentes: um componente do Neolítico (descendente de agricultores do Oriente Médio que se deslocaram para a Europa à época do Neolítico ), majoritário; e um outro, de pastoralistas das estepes russas, o qual estaria relacionado com as línguas indo-europeias, e, por conseguinte, com as línguas célticas, línguas faladas na Irlanda antes da introdução do inglês.[34]

A atual composição étnica é a seguinte:[35] europeus: 96,0% (88,8% irlandeses + 7,2% de outros países europeus); asiáticos: 1,1% (principalmente chineses); africanos: 0,8% (na maioria nigerianos); americanos: 0,5% (na maioria estadunidense); australianos e neozelandeses: 0,1%; outros: 1,5%.

Imigração

Após séculos de apenas emigração líquida para quase todos os continentes do mundo, com excepção da "plantação" de protestantes em resultado da conquista da Irlanda por Oliver Cromwell, o bom desempenho económico dos últimos quinze anos tem vindo a inverter esta situação, transformando-a numa imigração líquida. Segundo o último censo de 2006, aproximadamente 10% da população era de origem estrangeira. Mais de 112 000 são britânicos, que é a maior nacionalidade estrangeira na Irlanda, representando mais de 25% de todos os estrangeiros. Existem ainda 63 000 da Polónia, 25 000 da Lituânia, 13 000 da Letónia e 10 000 da Alemanha. Além disso, cerca de 52 000 habitantes são provenientes do resto dos países da União Europeia, e mais de 24 000 dos restantes países da Europa. Cerca de 35 000 são provenientes de outros países, nomeadamente de África. Destes, 16 000 são naturais da Nigéria. Cerca de 11 000 vêm da China e 38 000 do resto dos países da Ásia. Mais de 12 000 são dos Estados Unidos e 9 000 de outros países da América.[36]

Desde a entrada da Polónia na União Europeia, os polacos foram a maior fonte de migrantes provenientes da Europa Central,[37] seguido por outros migrantes da Lituânia, República Checa e Letónia. A economia estável, os altos salários e a elevada qualidade de vida, atrai muitos novos imigrantes provenientes dos países da União Europeia: a Irlanda registou um significativo número de migrantes provenientes da Roménia na década de 1990. Nos últimos anos, os chineses também migraram para a Irlanda em números significativos. Os nigerianos, juntamente com pessoas de outros países africanos, fazem parte de um grande número de imigrantes de países que não pertencem à União Europeia.

Língua

As línguas oficiais são o irlandês, a língua celta nativa, e o inglês, que constitucionalmente é descrito como uma língua oficial secundária. Aprender irlandês é obrigatório no ensino do país, mas o inglês é amplamente prevalente. A sinalética é geralmente bilíngue, que também existe na mídia nacional irlandesa. As pessoas pertencentes à comunidades de língua predominantemente irlandesa (o Gaeltacht) existem principalmente na costa ocidental da ilha.[38]

Religião

Religião na Irlanda
Catolicismo romano
  
78,3%
Sem religião
  
10,1%
Protestantismo
  
4,2%
Islamismo
  
1,3%
Outras
  
6,1%
Fonte: Censo de 2016[39]

Na República da Irlanda, 78,3% da população é Católica,[39] religião introduzida por São Patrício, mas tem havido um enorme declínio na participação em serviços religiosos.[40] Entre 1996 e 2001, a presença regular na missa, já em declínio anteriormente, havia diminuído de 60% para 48% (em 1973 excedeu os 90%), existindo apenas dois seminários em todo o país.[41] A imagem da Igreja também foi danificada na década de 1990 por causa de uma série de escândalos sexuais e encobrimentos dentro da própria hierarquia.[42]

Nos últimos anos, a imagem da Irlanda como um país devotamente católico tem sido modificada, porquanto a influência da Igreja é cada vez menor.[43] Em 1995, na sequência de um embargo de cerca de 60 anos, os eleitores irlandeses escolheram voltar a legalizar o divórcio na República, em votação apertada, com 50,28% de votos favoráveis.[44] Por sua vez, em referendo de 2015, os irlandeses votaram pela legalização do casamento gay, com 62,1% de votos favoráveis. Foi a primeira vez no mundo que o casamento gay foi legalizado por voto popular.[45] Em referendo de 2018, o aborto foi legalizado no país, com 66,4% da população votando favoravelmente.[46]

A segunda igreja cristã com maior número de praticantes, é a Igreja da Irlanda, que, depois de experimentar uma queda durante a maior parte do século XX, tem vindo a crescer o seu número de participantes, de acordo com o censo de 2002, como já tem acontecido com outras religiões cristãs e islâmicas. Algumas comunidades judaicas viviam na Irlanda durante a Idade Média e uma comunidade de sefarditas fixou-se em Dublin em 1660.

De acordo com o censo de 2016, o número de pessoas que afirmaram não pertencer a nenhuma religião foi de 468.400 (10,1% da população).[39]