Quarta Internacional | decisão de formar a internacional

Decisão de formar a Internacional

No início dos anos 1930, Trotsky e seus partidários acreditavam que a influência de Stalin sobre a Terceira Internacional ainda podia ser combatida de dentro da organização. Em 1930, se organizaram na Oposição de Esquerda Internacional, que tinha o objetivo de ser um grupo de dissidentes anti-stalinistas dentro da Terceira Internacional. Os partidários de Stalin, que dominavam a Comintern, entretanto, não toleravam mais a dissidência. Todos os trotskistas, assim como os suspeitos de serem simpatizantes do trotskismo, foram expulsos da Internacional.[9]

De acordo com Trotsky, as políticas do Terceiro Período da Comintern – que proibia alianças dos comunistas com partidos de esquerda vistos como "burgueses" – contribuíram para a ascensão de Adolf Hitler na Alemanha. De maneira semelhante, ele criticou a política de incentivo à formação de frentes populares – que tinha como objetivo unir as forças antifascistas –, sendo esta em sua opinião semeadora de ilusões reformistas e pacifistas que "limpou o caminho para uma reviravolta fascista". Em 1935, ele alegou que a Comintern havia caído irremediavelmente nas mãos da burocracia stalinista.[10] Ele e seus partidários, expulsos da Terceira Internacional, participaram de uma conferência em Londres dos partidos socialistas que não integravam a Internacional Socialista e a Comintern. Três desses partidos se juntaram à Oposição de Esquerda na assinatura de um documento escrito por Trotsky conclamando para a criação de uma Quarta Internacional, que ficaria conhecido como a "Declaração dos Quatro".[11] Destes, dois logo se distanciaram do acordo, mas o Partido Revolucionário Socialista da Holanda trabalhou com a Oposição de Esquerda Internacional para criar a Liga Comunista Internacional.[12]

O POUM era visto por Trotsky como uma rendição ao centrismo.

Andreu Nin e alguns outros membros da Liga não apoiaram a convocação de uma nova Internacional. Este grupo priorizou o reagrupamento com outras oposições comunistas, principalmente a Oposição à Internacional Comunista (OIC), ligada à Oposição de Direita no Partido Comunista Soviético, um reagrupamento que eventualmente levou à formação do Bureau Internacional de Unidade Socialista Revolucionária. Trotsky considerou essas organizações como sendo centristas. Apesar da crítica de Trotsky, a seção espanhola da Liga se fundiu com a seção espanhola da OIC, formando o POUM. De acordo com Trotsky, a fusão era uma rendição ao centrismo.[13] O Partido Socialista Operário da Alemanha, uma cisão de esquerda do Partido Social-Democrata da Alemanha, fundada em 1931, colaborou com a Oposição de Esquerda Internacional brevemente em 1933, mas logo abandonou a ideia de convocar uma nova Internacional.

Em 1935, Trotsky escreveu sua "Carta Aberta para a Quarta Internacional", reafirmando a "Declaração dos Quatro" e documentando as trajetórias recentes da Internacional Comunista e da Internacional Socialista. Na carta, ele conclama para a formação urgente de uma Quarta Internacional.[12] A "Primeira Conferência Internacional para a Quarta Internacional" foi realizada em Paris em junho de 1936, devido a relatórios indicando a falta de segurança em Genebra, local onde seria realizada originalmente.[14] Durante a reunião, a Liga Comunista Internacional foi dissolvida, sendo fundado em seu lugar o Movimento pela Quarta Internacional, seguindo as perspectivas de Trotsky.

A fundação da Quarta Internacional foi vista como mais do que a simples mudança de nome de uma tendência internacional já existente. Argumentou-se que a Terceira Internacional havia se degenerado por completo e, portanto, deveria ser vista como uma organização contrarrevolucionária que, em tempo de crise, defendia o capitalismo. Trotsky acreditava que a vinda da Segunda Guerra Mundial produziria uma onda revolucionária de lutas de classe e nacionalistas, assim como a Primeira Guerra Mundial tinha feito.[1]

Stalin reagiu à crescente influência dos adeptos de Trotsky com um grande massacre político na União Soviética, além de patrocinar o assassinato de apoiadores e familiares de Trotsky que viviam em exílio no exterior.[15] Agentes do governo revisaram documentos históricos e fotografias na tentativa de apagar a memória de Trotsky dos livros de história.[16] De acordo com o historiador Mario Kessler, os partidários de Stalin recorreram ao antissemitismo para exaltar os ânimos contra Trotsky, de família judia.[17] De acordo com Svetlana Alliluyeva, filha de Stalin, a batalha de seu pai contra Trotsky lançou as bases para suas campanhas antissemitas posteriores.[18]