Quarta Internacional | terceiro congresso

Terceiro Congresso

Durante o Terceiro Congresso Mundial, realizado em 1951, ficou determinado que as economias dos Estados do Leste Europeu, assim como seus respectivos regimes políticos, tinham se tornado cada vez mais semelhantes à URSS. Esses Estados foram, naquela ocasião, descritos como "estados operários deformados" numa analogia ao estado operário degenerado na Rússia. O termo "deformado" foi usado no lugar de "degenerado" porque estes Estados não foram fundados através de revoluções operárias.[48]

O Terceiro Congresso Mundial previu a possibilidade real de uma "guerra civil internacional" num futuro próximo.[49] Argumentou-se que partidos comunistas de massas "poderiam, sob condições favoráveis, ultrapassar os objetivos definidos para eles pela burocracia soviética e projetar uma orientação revolucionária". Dada a proximidade da suposta guerra, a QI defendia que os partidos comunistas e social-democratas seriam a única força significativa capaz de defender os trabalhadores contra o imperialismo naqueles países onde tais partidos possuíam ampla representatividade junto à massa trabalhadora.[50]

Em consonância com esta perspectiva geopolítica, Pablo defendia que a única maneira dos trotskistas evitarem o isolamento era se as várias seções da Quarta Internacional se infiltrassem a longo prazo nos partidos comunistas ou social-democratas de massas.[51] Essa tática ficou conhecida como entrismo sui generis, nome dado para diferenciá-la das infiltrações táticas de curto prazo empregadas antes da Segunda Guerra Mundial. Isso significava, por exemplo, que o projeto de construção de um partido trotskista independente na França seria deixado de lado, uma vez que este não era considerado politicamente viável; ao contrário, os membros da QI deveriam se infiltrar no Partido Comunista Francês.

Esta perspectiva foi aceita dentro da Quarta Internacional, mas lançou as bases para a dissolução da organização em 1953. No Terceiro Congresso Mundial, as seções concordaram que havia a possibilidade de uma guerra civil internacional irromper. Entretanto, a seção francesa não concordou com a tática de entrismo sui generis e considerou que Pablo estava subestimando o papel independente dos partidos de classe operária membros da Quarta Internacional. Os líderes das maiores organizações trotskistas na França, Bleibtreu Marcel e Pierre Lambert, se recusaram a seguir a linha da Internacional. A direção da Internacional os substituiu por um grupo minoritário, levando a uma divisão permanente na seção francesa.[52]

Na sequência do Congresso Mundial, a linha de ação determinada pela direção da Internacional foi, em grande parte, aceita pelos grupos trotskistas em todo o mundo, incluindo o SWP norte-americano, cujo líder, James Patrick Cannon, trocou cartas com os franceses dissidentes para demonstrar seu apoio à tática do entrismo sui generis.[52] Àquela altura, no entanto, Cannon, Gerry Healy e Ernest Mandel demonstraram estar profundamente preocupados com a evolução na linha de pensamento político de Pablo. Cannon e Healy também ficaram alarmados com a intervenção de Pablo na seção francesa, o que lhes pareceu ser um indicativo de que ele poderia usar a autoridade da Internacional para intervir em outras seções da Quarta Internacional que não concordassem que o entrismo sui generis era uma tática de ação apropriada para seus países. Em particular, as tendências minoritárias na Grã-Bretanha (liderada por John Lawrence) e nos Estados Unidos (liderada por Bert Cochran), que apoiaram o entrismo sui generis, deram a entender que o apoio de Pablo à posição delas indicava que a Internacional poderia exigir dos trotskistas em ambos os países a adotar a tática.[53]