Os Maias | o papel das mulheres nas obras
English: Os Maias

O papel das mulheres nas obras

Não só os Maias mas também em outros livros de Eça de Queiroz, como o Primo Basílio e O Crime do Padre Amaro, as personagens femininas representam o pecado da luxúria, da perdição. Os historiadores tentam explicar este facto com base na rejeição materna que Eça sofreu.

Eça nasceu filho de uma relação não-marital. Embora os seus pais tivessem casado e tido mais filhos posteriormente, Eça de Queiroz foi batizado como filho natural de José Maria d'Almeida de Teixeira de Queiroz e de Mãe incógnita.[2] Eça foi criado com a avó, depois com uma ama e, mais tarde num colégio. Os historiadores tentam estabelecer um paralelo entre o que a mãe de Eça representou para ele e a caracterização das mulheres na obra de Eça.

Em Os Maias, várias mulheres têm relações amorosas fora do casamento. A primeira é Maria Monforte, a Negreira, que foge com o napolitano Tancredo, levando consigo a filha e originando a intriga principal. Raquel Cohen não resiste aos encantos de Ega, e amantiza-se com ele, mesmo sendo casada. O mesmo acontece entre Carlos da Maia e a condessa de Gouvarinho. Maria Eduarda não era casada, mas apresenta-se em Lisboa com o apelido do acompanhante, ao passo que toda a sociedade lisboeta pensasse que este fosse seu marido. Ainda assim (e, aos olhos de Carlos, casada) envolve-se num romance com Carlos, que os leva a cometer o incesto.

Todas são caracterizadas como seres fúteis e envoltas num ambiente de insatisfação - Maria Monforte (enquanto casada com Pedro da Maia), a Gouvarinho e Raquel Cohen - e mesmo de degradação (imagem que é dada de Maria Monforte no seu apartamento de Paris).

Ao passo que Maria Monforte e Maria Eduarda se inserem das tramas secundária e principal, respectivamente, as duas outras personagens são personagens-tipo, que caracterizam a sociedade e os costumes da época.