Jornalismo | gêneros
English: Journalism

Gêneros

Fotojornalistas fotografando o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em novembro de 2013.
Fotojornalistas e radiojornalistas entrevistando o funcionário do governo após um colapso do edifício em Dar es Salaam, Tanzânia, em março de 2013.
Redação do The New York Times

Existem várias formas diferentes de jornalismo, todas com audiências diversas. O jornalismo é dito para servir o papel de um "quarto poder", agindo como um cão de guarda do funcionamento do governo. Uma única publicação (como um jornal) contém muitas formas de jornalismo, cada uma das quais pode ser apresentada em diferentes formatos. Cada seção de um jornal, revista ou site pode atender a diferentes públicos.[8][9]

Alguns gêneros jornalísticos incluem:

  • Advocacia jornalística - escrever para defender pontos de vista particulares ou influenciar as opiniões do público.
  • Jornalismo de radiodifusão - jornalismo escrito ou falado para rádio ou televisão.
  • Jornalismo cidadão - jornalismo participativo.
  • Jornalismo de dados - a prática de encontrar histórias em números e usar números para contar histórias.
  • Jornalismo drone - uso de drones para capturar imagens jornalísticas.[10]
  • Jornalismo gonzo - defendido pela primeira vez por Hunter S. Thompson, é um "estilo altamente pessoal de relatar".[11]
  • Jornalismo interativo: um tipo de jornalismo on-line que é apresentado na web
  • Jornalismo investigativo: relatórios aprofundados que revelam problemas sociais, muitas vezes leva a grandes problemas sociais a serem resolvidos.
  • Fotojornalismo: a prática de contar histórias verdadeiras através de imagens.
  • Jornalismo sensorial: o uso de sensores para apoiar a investigação jornalística.
  • Jornalismo tabloide - escrita que é alegre e divertida, mas menos legítima do que o jornalismo convencional.
  • Jornalismo marrom (ou sensacionalismo) - escrita que enfatiza alegações ou rumores exagerados.
  • Jornalismo de precisão: conjunto de métodos científicos com base na jornalismo.[12] Trabalha com o valor fundamental da exatidão e de "relatar exatamente o que aconteceu" em uma perspectiva precisa[12].

A recente ascensão das mídias sociais resultou em argumentos para reconsiderar o jornalismo como um processo, em vez de atribuí-lo a determinados produtos de notícias. Nesta perspectiva, o jornalismo é participativo, um processo distribuído entre múltiplos autores e envolvendo jornalistas e o público socialmente mediador.[13]

Campo acadêmico

Os estudos do jornalismo vêm se desenvolvendo desde antes da criação dos cursos de Mestrado e de Doutorado nos Estados Unidos do século XX. Os Estados Unidos contam com uma forte tradição na pesquisa acadêmica no campo do Jornalismo, sendo as primeiras investigações sobre o assunto em solo americano foram iniciadas ainda na década de 60.[14] A configuração do campo de estudos tem relação com questões como o papel do jornalismo na sociedade, a constituição das notícias e a figura do jornalista. Assim, as pesquisas do campo estão, em sua maioria, relacionadas com a prática da profissão, o que envolve também descrições das rotinas de produção do Jornalismo.[15]

Apesar do desenvolvimento de diversos estudos relativos à área, que permitiram a elaboração de explicações e teorias, o estabelecimento do campo epistemológico do jornalismo enfrenta dificuldades devido à forma como as pesquisas são feitas. Não há distinção entre campo jornalístico e campo profissional, o que impede que se alcance efetivamente uma análise e crítica dos fenômenos em estudo. Para isso, faz-se necessária também uma separação entre o jornalista profissional e o pesquisador jornalista, o que inclui as práticas textuais da profissão (como imparcialidade).[16]

Além disso, o objeto de estudo do Jornalismo é fragmentado, visto que não há distinção de categorias de temas ou estabelecimento de metodologias próprias, o que dificulta a compreensão dos problemas de pesquisa típicos do campo.[16]

No Brasil destaca-se a atuação de Danton Jobim que em 1948, participa como docente fundador do Curso de Jornalismo da Universidade do Brasil, hoje UFRJ. a primeira faculdade publica de Jornalismo no Brasil.[7]

Caráter ativo

Ver artigos principais: Jornalismo cidadão e Jornalismo cívico

O "caráter ativo" do jornalismo refere-se à tendência da mídia de intervir na vida política, de se envolver partidariamente, ou de tentar influenciar os acontecimentos políticos.[17] Ele age forma flexível e instável e não necessariamente ligada a uma corrente de valores políticos ideológicos.[18]

A relação entre mídia e política tem sido alvo de longa discussão no meio acadêmico. Uma das variáveis mais utilizadas para comparar a intervenção política do jornalismo é o chamado paralelismo político. O termo surgiu em 1974, no livro "The Political Impact of Mass Media", de Colin Seymour-Ure, mas ganhou popularidade em 2004, quando Hallin e Mancini, produziram uma pesquisa empírica comparativa em 18 países da América do Norte e da Europa Ocidental. Na definição clássica, paralelismo político envolve a percepção do grau de “convergência de objetivos, meios e enfoques entre veículos da mídia e partidos políticos”.[19]

Contudo, o pesquisador brasileiro Afonso de Albuquerque, em contribuição para o livro Comparing Media Systems Beyond the Western World, avalia que essa variável apresenta severas limitações para comparações fidedignas à complexidade e à diversidade dos sistemas mediáticos. Na sua visão, o termo se aplica a contextos onde existem relações estáveis entre veículos de comunicação e elites políticas. Essa variável seria, portanto, débil para identificar e analisar o caráter ativo que a imprensa pode assumir de modo flexível e instável.[19]

 A noção de “caráter ativo” das práticas jornalísticas tem sido conceituada de diversas formas, não havendo consenso sobre sua descrição. Ela não necessariamente liga a imprensa a uma ideologia política de esquerda ou direita, mas a flexibiliza e a torna participante do debate, ou seja, ela não toma partidos, mas discute as ações realizadas pelos agentes políticos.[18]

A prática jornalística brasileira foi utilizada como exemplo para a análise de Albuquerque, pois ela interviria na política em relação ao jogo político, em nome do próprio interesse público. Desta forma, o sistema midiático assumiria o papel de árbitro nas disputas políticas setoriais vinculadas a ideologias partidárias ou instituições do poder político, encontrando na concepção de “poder moderador” ou “quarto poder” uma linha de continuidade histórica para intervenção nesse meio. Ele define o caráter ativo nos seguintes termos:

  1. tomada de posições políticas;
  2. foco da atenção mais direcionada ao presidente do que à política partidária;
  3. fornecimento de interpretação e informação.[18]

Alguns autores, porém, oferecem uma definição alternativa à de Albuquerque. Donsbach e Patterson afirmam que existem múltiplas dimensões de intervenção do jornalismo, que são sobrepostas na proposição de Albuquerque. Nesse sentido, eles sustentam que a noção de um "jornalismo ativo" deve ser mantida separada da compreensão de um "jornalismo advocatício", por serem dimensões diferenciadas e independentes da intervenção política realizada pelas práticas jornalísticas.[18]

Jornalismo Ativo e Jornalismo Advocatício

O jornalismo ativo, na definição de Donsbach e Patterson, seria “aquele que atuaria mais plenamente como um participante do debate, enquadrando, interpretando ou investigando os assuntos políticos”.[18] É ele que revela informações, que de outro modo, não viriam à esfera pública. Trazendo publicidade para questões políticas por meio de informações de bastidores ou denúncia de escândalos. Esse caráter investigativo não pode, entretanto, ser diretamente vinculado à tomada de posicionamento político.

Já o jornalismo advocatício (ou militante) é “aquele que atua com base em posicionamentos políticos na forma correspondente a de um ator político”,[20] emitindo opinião ou juízo de valor, de forma “consistente, substancial e agressiva”.[17]