Varíola
English: Smallpox

Disambig grey.svg Nota: Se procura a doença não fatal causada pelo vírus Vaccinia, que acomete o gado e produtores rurais, veja Varíola bovina.
Varíola
Criança com Varíola (Bangladesh, 1973)
EspecialidadeInfectologia
SintomasIniciais: Febre, vómitos, úlceras na boca[1]
Tardios: Bolhas com líquido que evoluem para crostas[1]
ComplicaçõesCicatrizes na pele, cegueira[2]
Início habitual1 a 3 semanas após exposição[1]
DuraçãoCerca de 4 semanas[1]
CausasVariola major, Variola minor (transmitida entre pessoas)[2][3]
Método de diagnósticoBaseado nos sintomas e confirmado por RCP[4]
Condições semelhantesVaricela, impetigo, molusco contagioso, varíola dos macacos[4]
PrevençãoVacina contra a varíola[5]
TratamentoCuidados de apoio[6]
PrognósticoRisco de morte: 30%[1]
FrequênciaErradicada (último caso em 1977)
Classificação e recursos externos
CID-1003
CID-9050
DiseasesDB12219
MedlinePlus001356
eMedicineemerg/885
MeSHD012899
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Varíola foi uma doença infeciosa causada por uma de duas estirpes do vírus da varíola – variola major e variola minor.[3] O último caso natural da doença foi diagnosticado em outubro de 1977, o que levou a Organização Mundial de Saúde a certificar a erradicação da doença em 1980.[6] O risco de morte após contrair a doença era de cerca de 30%, sendo superior em bebés.[2][7] Entre os sobreviventes, as sequelas mais comuns eram a extensa cicatrização da pele e cegueira.[2]

Os sintomas iniciais mais comuns de varíola eram febre e vómitos.[1] Aos sintomas iniciais seguia-se a formação de úlceras na boca e erupções cutâneas na pele.[1] Após vários dias, as erupções cutâneas evoluíam para bolhas características, repletas de líquido e com uma depressão ao centro.[1] A determinado momento, as bolhas ganhavam crostas e desprendiam-se, deixando cicatrizes na pele.[1] A doença era transmitida diretamente entre pessoas ou através do contacto com objetos contaminados.[2][8] A prevenção era feita com a vacina contra a varíola.[5] Nos casos em que a doença já tinha sido contraída, podiam ser usados alguns antivirais.[5]

Desconhece-se a origem da varíola.[9] As primeiras evidências da doença encontram-se em múmias egípcias datadas do século III.[9] Ao longo da História a doença ocorreu em surtos.[6] Estima-se que no século XVIII morressem de varíola na Europa cerca de 400 000 pessoas por ano e que um terço dos casos resultasse em cegueira.[6][10] Entre as mortes causadas por varíola estão as de três monarcas reinantes e uma rainha consorte.[6][10] Estima-se que ao longo do século XX a varíola tenha causado entre 300 e 500 milhões de mortes.[8][11][12][13] Em 1967 ocorriam ainda 15 milhões de casos por ano.[6]

Em 1798, Edward Jenner descobriu que a vacinação era capaz de prevenir a varíola.[6] Em 1967, a Organização Mundial de Saúde intensificou as medidas para erradicar a doença.[6] A varíola é uma das duas doenças infeciosas erradicas até à data, a par da peste bovina, erradicada em 2011.[14][15]

Sinais e sintomas

Uma criança infectada com varíola.

Há dois tipos de varíola, a varíola maior (ou apenas varíola) e a varíola menor ou alastrim, com os mesmos sintomas mas muito mais moderados. O período de incubação é de cerca de doze dias. Os sintomas iniciais são semelhantes aos da gripe, com febre, mal-estar, mas depois surgem dores musculares, gástricas e vômitos violentos. Após infecção do tracto respiratório, o vírus multiplica-se nas células e espalha-se primeiro para os órgãos linfáticos e depois via sanguínea para a pele, onde surgem as pústulas típicas, primeiro na boca, depois nos membros e de seguida generalizadas.[carece de fontes?]