Universidade de São Paulo

Disambig grey.svg Nota: USP redireciona para este artigo. Para outros significados, veja USP (desambiguação).
Universidade de São Paulo
Brasão de armas
USP, USP
LemaScientia vinces
"Vencerás pela ciência"
Fundação11 de agosto de 1827 (191 anos) (Faculdade de Direito)
25 de janeiro de 1934 (84 anos) (Universidade)[1]
Tipo de instituiçãoPública Estadual
MantenedoraSecretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo
LocalizaçãoSão Paulo
Brasil (reitoria)
23° 33' 34" S 46° 43' 26" O
Docentes6 008[1]
Reitor(a)Vahan Agopyan[2]
Vice-reitor(a)Antonio Carlos Hernandes[2]
Funcionários técnicos administrativos17 450[1]
Total de estudantes96 364[1]
Pós-graduação30 000[1]
Campus
Cores da escola     Azul primário[3]
     Azul secundário[3]
     Amarelo[3]
AfiliaçõesABRUEM,[4] AULP,[5] CRUB,[6] RENEX[7] e Faubai.
Índice Geral de CursosNão possui (instituição não participante do ENADE)
Orçamento anual5 050 000 000,00 (2017)[8]
Webysther 20160310 - Logo USP.svg
[www.usp.br Website oficial]

Universidade de São Paulo (USP) é uma das quatro universidades públicas mantidas pelo governo do estado brasileiro de São Paulo, junto com a Universidade de Campinas (Unicamp), Universidade Estadual Paulista (UNESP) e a Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp). É a maior universidade pública brasileira e a universidade mais importante do país,[9] da Ibero-América[10] e uma das melhores e mais prestigiadas do mundo.[11][12][13] A USP é uma das maiores instituições de ensino superior na América Latina. São 42 unidades de ensino e pesquisa, distribuídos em dez campi: São Paulo (com três campi), Bauru, Lorena, Piracicaba, Pirassununga, Ribeirão Preto, Santos e São Carlos. O campus principal em São Paulo[14] é chamado Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, com uma área de 7 443 770 metros quadrados. A instituição está envolvida no ensino, pesquisa e extensão universitária em todas as áreas do conhecimento. Somando todos os Campi, a USP possui um total de 246 cursos de graduação, 229 cursos de pós-graduação, 5,8 mil professores e 93 mil alunos matriculados entre graduação e pós-graduação (2012).

Segundo o relatório mundial de 2012 (SIR World Report) da SCImago Institutions Rankings, a USP está classificada na oitava segunda posição mundial entre as 3 290 instituições de ensino e pesquisa internacionais classificadas.[15] No ano de 2018, de acordo com o University Ranking by Academic Performance (URAP),[16] a USP continua sendo a melhor universidade iberoamericana e está colocada na trigésima sexta posição no mundo. Em 2015 a USP foi apontada como a primeira universidade da América Latina.[17] A THE classificou a instituição como a 10ª melhor universidade dos BRICS e de outros países em desenvolvimento, em 2015.[18]

Entre as universidades públicas brasileiras tem o maior número de vagas de graduação e de pós-graduação, sendo responsável também pelo maior número de mestres e doutores do mundo,[19] bem como responsável por metade de toda a produção científica do estado de São Paulo e mais de 25% da brasileira.[20] Como o Brasil é responsável por cerca de 2% da produção científica mundial, pode-se dizer que a USP é responsável por 0,5% das pesquisas científicas do mundo.[19] Além disso, entre as pós-graduações no Brasil com conceitos 6 e 7 (os mais altos conceitos) da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior Capes, 25% estão na USP, chegando à porcentagem de 55% se considerado apenas o território paulista.[21]

Criada em 1934, a contribuição desta universidade para a história brasileira é bastante relevante: na instituição se formaram no ensino superior treze dos quarenta e três presidentes brasileiros,[22][23] como o sociólogo Fernando Henrique Cardoso e o advogado Jânio Quadros — este último e outros dez apenas na Faculdade de Direito, que também formou 53 ministros na história do Supremo Tribunal Federal (STF)[24] e cuja fundação precede em 108 anos a da própria universidade.

História

Após o revés sofrido por São Paulo na Revolução Constitucionalista de 1932, o estado viu-se ante a necessidade de formar uma nova elite, capaz de contribuir para o aperfeiçoamento das instituições, do governo e da melhoria do país. Com esse objetivo, nasceram duas instituições distintas: em 1933, um grupo de empresários fundou a Escola Livre de Sociologia e Política (ELSP), hoje Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Em 1934, o então interventor de São Paulo, cargo que atualmente corresponde ao de governador, Armando de Salles Oliveira, criou a Universidade de São Paulo (USP).[25][26] Nas palavras de Sergio Milliet:

A ELSP assumiu o objetivo de formar elites administrativas para um novo modelo que vinha se configurando em que se notava uma atuação crescente do Estado, enquanto a USP voltou-se a formar professores para as escolas secundárias e especialistas nas ciências básicas. O modelo sociológico norte-americano constituiu o exemplo para ELSP, enquanto que o mundo acadêmico francês foi a principal fonte de inspiração para a USP.[25][26]

Professores estrangeiros tais como Claude Lévi-Strauss, Fernand Braudel, Roger Bastide, Emilio Willems, Donald Pierson, Pierre Monbeig e Herbert Baldus difundiram nas duas instituições novos padrões de ensino e pesquisa, formando as novas gerações de cientistas sociais no Brasil.

A aula inaugural da USP em seu segundo ano, deu-se em 11 de março de 1935, no anfiteatro da Faculdade de Medicina às 21:00 horas.[28]

Origem

A USP surgiu da união da recém-criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) com as já existentes Escola Politécnica de São Paulo, Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", Faculdade de Medicina, Faculdade de Direito e Faculdade de Farmácia e Odontologia.[25][26]

A FFCL surgiu como o elemento de integração da universidade, reunindo cursos nas diversas áreas do conhecimento. Ainda em 1934 havia sido criada a Escola de Educação Física do Estado de São Paulo, primeira faculdade civil de educação física no Brasil e que viria a ser incorporada pela USP anos depois. Na sequência foi criada a Escola de Engenharia de São Carlos - EESC (1948) e a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- FMRP (1951) e outras várias unidades foram sendo criadas pela universidade nos anos seguintes, e nos anos 1960 a universidade foi gradualmente transferindo as sedes de suas unidades para a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira, em São Paulo.[25][26]

Além do político Armando de Salles Oliveira, um outro homem de grande importância na fundação da USP foi o jornalista Júlio de Mesquita Filho.[26] A instituição recebeu inúmeros professores estrangeiros nesse período.

Ditadura militar

Durante a década de 1970 e parte da de 1980, alguns críticos[quem?] acreditam que a USP tenha passado por um esvaziamento intelectual, tanto do ponto de vista da produção do conhecimento quanto do da qualidade dos recursos humanos. Durante as décadas anteriores, a universidade serviu de palco para a discussão de um novo projeto de país, reunindo diversos intelectuais de esquerda (como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni, Marialice Mencarini Foracchi, Luiz Pereira, Maria Sylvia de Carvalho Franco, Paula Beiguelman, José Arthur Gioanotti, Francisco Weffort, Azis Simão, Ruy Coelho, Eunice Ribeiro Durham, Ruth Cardoso, Ruy Fausto, Bóris Fausto, Paul Singer, Antonio Candido, Roberto Schwarz, Gioconda Mussolini entre outros) em suas várias unidades (especialmente na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras). Com a limitação das liberdades democráticas promovida pelo regime militar brasileiro (que passava por seus anos mais rígidos), vários professores da USP são cassados (e diversos deles são obrigados a sair do país), assim como vários outros alunos, especialmente do curso de Psicologia, envolvem-se na luta armada contra a ditadura, o que gerou afastamentos compulsórios de suas faculdades.[25]

Tal situação levou a uma menor produção de conhecimento, ainda que certos avanços, especialmente do ponto de vista tecnológico (que chegou a ser financiado pelo governo) tenham sido obtidos. Promoveu-se também um aumento sistemático do número total de vagas de graduação, incentivado pelo governo do Estado. Este fato é apontado por alguns críticos como uma resposta ao movimento estudantil anterior à sua politização, quando ele mobilizava-se apenas pelas questões educacionais.[25]

O vazio causado pelo afastamento dos professores e alunos perseguidos pelo Regime Militar interrompeu-se com a campanha de anistia política, já no início dos anos 1980. Em diversas unidades da USP, a volta de professores cassados foi celebrada, embora muitos deles tenham sido recontratados em condições precárias (antigos professores catedráticos assumiram cargos de auxiliares de ensino).[25]

Redemocratização e expansão de unidades

O edifício da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), localizada no campus Leste.

Paralelamente ao esvaziamento intelectual decorrente da repressão política, ocorreu na USP nas décadas de 1960, 70 e 80 um processo de fragmentação de suas unidades: foram criadas novas faculdades e novos institutos, o que resultou em novos cursos de graduação, novas linhas de pesquisa e programas de pós-graduação. A dissolução da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFCL) costuma ser apontada como um símbolo paradigmático deste processo.[25]

Originalmente pensada como o núcleo acadêmico da universidade, reunindo em si os vários campos do conhecimento puro, a FFCL, com o tempo, viu seus departamentos ganharem autonomia e se transformarem em unidades plenas (autônomas e administrativamente separadas de sua unidade original). O Instituto de Física foi o primeiro departamento a desvincular-se da FFCL, seguido igualmente de outros departamentos ligados às ciências exatas e biológicas. Desta forma, com a permanência apenas dos cursos ligados às humanidades, ocorreu uma reforma interna na unidade e ela passou a se chamar Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

Em 2001, foi criado e começou a ser construído a área 2 do Campus de São Carlos, para desenvolvimento da Engenharia Aeronáutica, Engenharia de computação, Engenharia Ambiental e expansão dos institutos.

Em 2005, foi construído na Zona Leste de São Paulo o campus USP Leste, que atualmente abriga a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), tendo alguns cursos que fogem à tradição universitária brasileira e visam à diversificação das áreas consolidadas da instituição.[29] Em 2013 o Conselho Universitário aprovou a instalação do curso Engenharia da Computação: ênfase em sistemas corporativos da Escola Politécnica campus Leste. Em 21 de março de 2006, a USP aprovou a incorporação da Faculdade de Engenharia Química de Lorena (FAENQUIL) e passou com isso a ter uma unidade no Vale do Paraíba, com cerca de 1.600 alunos no total, sendo 1.200 na graduação.[30]

Ocupação da reitoria em 2011

Assembleia na Faculdade de Direito em 2012.

No dia 8 de novembro de 2011, o edifício sede da reitoria da universidade foi ocupado por centenas de estudantes descontentes com o alegado autoritarismo da gestão do reitor João Grandino Rodas (segundo colocado em uma lista tríplice e escolhido pelo então governador José Serra, do PSDB) e a outorga de um convênio ampliando a atuação da PM no campus Butantã da Universidade de São Paulo.[31][32]

No dia 8 de novembro, mais de 400 policiais da tropa de choque, cavalaria, GOE, GATE e até helicópteros cercaram a reitoria da USP e detiveram mais de 70 pessoas no prédio.[33][34] À noite, a Assembleia Geral dos Estudantes foi convocada e, com cerca de 4 mil alunos, votou por uma greve geral, revertida apenas no começo de 2012.[31] Os estudantes reivindicavam o fim do convênio com a PM no campus, a criação de um grupo para discutir um outro programa de segurança, a renúncia do reitor João Grandino Rodas e a não punição administrativa dos estudantes.[31]