Universidade de Oxford

Universidade de Oxford
Fundação1096
Tipo de instituiçãoUniversidade descentralizada, universidade pública, instituição de ensino superior
LocalizaçãoOxford, Oxfordshire
Reino Unido
51° 45' 18" N 1° 15' 18" O
Total de estudantes19 791
CampusOxford
Oxford-University-Circlet.svg
Website oficial

Universidade de Oxford, Universidade de Oxónia (pt) ou Universidade de Oxônia (pt-BR) [1] (do inglês: University of Oxford) é uma instituição de ensino superior pública situada na cidade de Oxford. É a mais antiga universidade do mundo anglófono e a segunda mais antiga da Europa.[2] Sem data certa de fundação, existem evidências de ensino no local desde o ano de 1096.[3]

A partir de 1167, quando o rei Henrique II proibiu os estudantes ingleses de frequentar a Universidade de Paris, ocorreu uma rápida expansão da Universidade de Oxford.[3] Após várias disputas entre os estudantes e os habitantes da cidade de Oxford, em 1209 alguns académicos decidiram mudar-se para Cambridge onde criaram o que se tornaria a Universidade de Cambridge.[4] As duas "universidades antigas" são frequentemente apelidadas de "Oxbridge" e têm uma longa história de rivalidade.

A universidade é composta por várias instituições, incluindo 38 faculdades e uma grande variedade de departamentos académicos organizados em quatro divisões.[5] Todas as faculdades têm administrações próprias que controlam a sua estrutura e atividades internas.[6] Uma vez que a universidade se encontra numa cidade, não possui um espaço central, mas antes vários edifícios espalhados pelo centro da cidade.

A Universidade de Oxford é membro do Grupo Russell, que reúne dezenove universidades de investigação intensiva. Também é integrante do grupo Golden Triangle de universidades britânicas de elite, em conjunto com a Universidade de Cambridge, University College London, Imperial College London, e London School of Economics.[7] É membro do Grupo Coimbra, uma rede das principais universidades europeias e do LERU (Liga de Universidades Europeias de Pesquisa). Também faz parte do Europaeum. A universidade opera a maior editora universitária do mundo[8] e tem o maior conjunto de bibliotecas[9] do Reino Unido. Entre os seus ex-alunos, a Universidade de Oxford conta com 50 vencedores do prémio Nobel, 27 Primeiros-Ministros Britânicos (a mais recente é Theresa May) e vários Chefes-de-Estado estrangeiros.[10]

História

Fundação

Desconhece-se o ano da fundação da Universidade de Oxford, mas já existia ali uma instituição de ensino em 1096.[3] Quando Henrique II de Inglaterra proibiu alunos ingleses de estudarem na universidade de Paris, em 1167, Oxford começou a crescer rapidamente.[3] O historiador Giraldus Cambrensis deu aulas a esses alunos pelo menos desde 1201 e o primeiro aluno estrangeiro conhecido, Emo de Friesland, iniciou os seus estudos em 1190. A universidade recebeu autorização real em 1248 durante o reinado de Henrique III[11].

Após várias disputas (que resultaram no assassinato de dois estudantes acusados de estupro) em 1209, alguns académicos fugiram da violência para Cambridge, onde mais tarde criaram a Universidade de Cambridge.[4]

A fundação dos primeiros halls de residência, que, mais tarde, tornaram-se faculdades, datam desse período. Os estudantes juntaram-se de acordo com as suas origens geográficas e deram origem a duas "nações" que representavam o norte (Nortenhos ou Boreais, que incluía ingleses originários do norte do Rio Trent e escoceses) e o sul (Sulistas ou Austrais, que incluía pessoas originárias do sul do Rio Trent e galeses)[12].

Séculos mais tarde, as origens geográficas continuaram a influenciar as afiliações dos estudantes quando se tornou hábito tornar-se membro de uma faculdade ou hall. Além disso, quando membros de várias ordens religiosas, incluindo dominicanos, franciscanos, carmelitas e agostinianos, se mudaram para Oxford em meados do século XIII, ganharam bastante influência e geriam os halls para estudantes[13].

Em 1333-34, alguns académicos insatisfeitos de Oxford tentaram criar uma nova universidade em Stamford, Lincolnshire. A tentativa foi bloqueada pelas universidade de Oxford e de Cambridge através de uma petição enviada ao rei Eduardo III[14]. A partir de aí e até à década de 1820, não era permitida a criação de novas universidades em Inglaterra. Assim, as universidades de Oxford e de Cambridge tiveram um duolópio durante vários séculos, o que era pouco comum nos países da Europa ocidental[15].

O brasão de armas da Universidade de Oxford.

Renascimento

A nova onda de aprendizagem do Renascimento teve uma grande influência na Universidade de Oxford a partir do século XV. Entre os académicos da universidade da época encontram William Grocyn, que contribuiu para a revitalização dos estudos la língua grega e John Colet, um notável estudioso da Bíblia.

Com a Reforma Protestante e o afastamento da igreja católica, vários académicos recusantes saíram de Oxford e foram para a Europa continental. Uma grande parte foi para a Universidade de Douai.

Em 1636, o reitor William Laud, Arcebispo da Cantuária, codificou as regras da universidade. Grande parte destas regras ficou em vigor até meados do século XIX. William Laud também foi responsável pela concessão de uma carta que assegurava privilégios para a editora da universidade e contribuiu significativamente para a Bodleian Library, a biblioteca mais importante da universidade.

Desde a criação do Anglicanismo e até 1866, os estudantes estavam obrigados a seguir esta religião para conseguirem uma licenciatura.

Idade contemporânea

O sistema de faculdades com disciplinas distintas foi implementado em 1802 com faculdades de Matemática e de Humanidades[16]. Em 1853 foram acrescentadas faculdades de Ciências Naturais, Direito e História Moderna[16]. Em 1872, esta última dividiu-se nas faculdades de Jurisprudência e de História Moderna. Teologia tornou-se na sexta faculdade[17]. Para além destas licenciaturas, foi criada uma pós-graduação em Direito Civil que ainda se encontra disponível nos dias de hoje[17].

As reformas administrativas do século XIX incluíram a substituição de exames orais por testes escritos no processo de candidatura à universidade, uma maior tolerância religiosa e a criação de quatro faculdades para mulheres. Neste século a ênfase da universidade nos estudos clássicos foi mudando gradualmente com a introdução de cursos científicos e de medicina. Apesar disso, até 1920, os candidatos eram obrigados a saber Grego Antigo e até 1960, Latim para conseguirem um lugar na universidade.

As decisões do Conselho Privado ao longo do século XX (como por exemplo, o fim da obrigatoriedade da presença em serviços religiosos diários) afastaram o ensino da crença religiosa.

Em meados do século XX, a universidade recebeu vários académicos eminentes da Europa continental que fugiram do nazismo e do comunismo.

A lista de ex-alunos da Universidade de Oxford com destaque na sociedade é longa e inclui várias pessoas que fizeram grandes contributos para a política, ciência, medicina e literatura no Reino Unido. Mais de 50 vencedores do prémio Nobel e mais de 50 líderes mundiais estudaram nesta universidade[10].

Inclusão de mulheres

Somerville College, uma das duas primeiras faculdades de mulheres em Oxford

A universidade aprovou um estatuto em 1875 que autorizava os seus delegados a criar exames para mulheres. Porém, estes exames não concediam qualquer tipo grau académico[18]. As primeiras quatro faculdades para mulheres foram criadas em consequência do ativismo da Associação de Promoção do Ensino Superior para as Mulheres. A primeira faculdade feminina foi a Lady Margaret Hall (1878)[19], em 1879 seguiu-se a Somerville College[20]. As primeiras 21 estudantes da Lady Margaret Hall e Somerville College tinham aulas em salas que ficavam por cima de uma padaria em Oxford[18]. Nos anos seguintes foram criadas mais três faculdades femininas: St. Hugh's (1886)[21], St. Hilda's (1886)[22] e St. Anne's (1952)[23].

No início do século XX, as universidades de Oxford e de Cambridge eram vistas como bastões do privilégio masculino. Só em 7 de outubro de 1920 é que as mulheres receberam o mesmo estatuto de alunas da universidade que os homens e tiveram acesso a graus académicos. Em 1927 foi criada uma quota que limitava o número de mulheres estudantes para um quarto do número total de homens. Esta quota foi abolida em 1957[18]. Porém, antes da década de 1970, as faculdades estavam divididas por sexo, o que fazia com que o número de vagas para mulheres fosse limitado. As faculdades femininas só receberam o mesmo estatuto das masculinas em 1959.

Em 1974, as faculdades até aí masculinas de Brasenose, Jesus, Wadham, Hertford e St. Catherine tornaram-se as primeiras a aceitar mulheres[24].

Em 2008, a última faculdade exclusivamente feminina, St. Hilda, aceitou o seu primeiro homem. Assim, hoje em dia todas as faculdades são mistas. Em 1988, 40% dos estudantes da Universidade de Oxford eram do sexo feminino. Em 2012, a proporção era de cerca de 46% 54% a favor dos homens.