Universidade Federal do Rio de Janeiro

Universidade Federal do Rio de Janeiro
UFRJ
LemaA Universidade do Brasil
Nomes anterioresUniversidade do Rio de Janeiro
Universidade do Brasil
Fundação17 de dezembro de 1792 (225 anos) (Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho)
7 de setembro de 1920 (98 anos) (Universidade)
Tipo de instituiçãoPública
MantenedoraCoat of arms of Brazil.svg Ministério da Educação
LocalizaçãoRio de Janeiro, RJ
Reitor(a)Roberto Leher[1]
Vice-reitor(a)Denise Fernandes Lopez Nascimento [1]
Docentes3 821 (2012)[2]
Total de estudantes67 329 (2013)[3]
Graduação55 787 (2013)[4]
Pós-graduação11 542 (2013)[5]
Campus
Cores da escola         
AfiliaçõesANDIFES, CRUB e RENEX[6]
Orçamento anualR$ 3,1 bilhões (2013)[7]
Página oficialufrj.br

A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), também denominada Universidade do Brasil,[8] é a primeira e maior universidade federal do Brasil e um dos centros de excelência em ensino e pesquisa no país e na América latina. [9]

Em termos de produção científica, artística e cultural, é reconhecida nacional e internacionalmente, mercê do desempenho dos pesquisadores e das avaliações levadas a efeito por agências externas.[10] Em 2015 o QS World University Rankings classificou a UFRJ como a melhor universidade federal brasileira, bem como a terceira melhor universidade do país, a quinta entre as instituições da América Latina[11][12][13] e a 25ª melhor instituição universitária dos BRICS e de outros países em desenvolvimento.[14][15] O Ranking Universitário da Folha de S.Paulo de 2016 também a classificou como a melhor universidade brasileira e como a melhor federal do país.[16]

Primeira instituição oficial de ensino superior do Brasil,[17] possui atividades ininterruptas desde 1792, com a fundação da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho,[18] da qual descende a atual Escola Politécnica.[19] Por ser a primeira universidade federal criada no país em 1920, serviu como modelo para as demais.[20] Além dos 179 cursos de graduação e 345 de pós-graduação, compreende e mantém sete museus, com destaque para o Palácio de São Cristóvão, nove unidades hospitalares, uma editora, centenas de laboratórios e 43 bibliotecas. Sua história e sua identidade se confundem com o percurso do desenvolvimento brasileiro em busca da construção de uma sociedade moderna, competitiva e socialmente justa.[21]

A universidade está localizada principalmente na cidade do Rio de Janeiro, com atuação em outros dez municípios; incluíndo quatro campi físicos nas cidades de Angra dos Reis, Duque de Caxias, Itaperuna e Macaé. Seus principais campi são o histórico campus da Praia Vermelha e a Cidade Universitária, que abriga o Parque Tecnológico do Rio – um complexo de desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação. Há também diversas unidades isoladas na capital fluminense: a Escola Superior de Música, a Faculdade Nacional de Direito, o Instituto de Filosofia e Ciências Sociais e o Instituto de História.

História

Palácio Universitário, construído em 1842 no estilo neoclássico. Em destaque, a estátua da deusa Filofrósine, que remete à piedade com os doentes (o edifício foi construído, originalmente, para abrigar o Hospício Pedro II).

Criação

A Universidade Federal do Rio de Janeiro é descendente direta dos primeiros cursos de ensino superior do Brasil. Criada em 7 de setembro de 1920 através do Decreto 14 343 pelo então presidente Epitácio Pessoa, a instituição recebeu o nome de "Universidade do Rio de Janeiro".[22] Sua história, porém, é bem mais antiga e confunde-se com a própria história do desenvolvimento cultural, econômico e social brasileiro; muitos dos seus cursos vêm da época da implantação do ensino de nível superior no país.[23]

No início, ela reuniu a Escola Politécnica, que era oriunda da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho criada em 17 de dezembro de 1792 no reinado da rainha portuguesa Dona Maria I[24][nota 1], a Faculdade Nacional de Medicina, criada em 2 de abril de 1808 pelo príncipe regente Dom João VI com o nome de "Academia de Medicina e Cirurgia";[29] e a Faculdade Nacional de Direito, resultante da fusão da "Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais" com a "Faculdade Livre de Direito", ambas reconhecidas pelo Decreto 639, de 31 de outubro de 1891.[30][31]

A essas unidades iniciais, progressivamente foram-se somando outras, tais como a Escola Nacional de Belas Artes, a Faculdade Nacional de Filosofia, e diversos outros cursos que sucederam àqueles pioneiros. Com isso, a Universidade do Rio de Janeiro representou papel fundamental na implantação do ensino de nível superior no país.[32] A criação da Universidade do Rio de Janeiro veio cumprir, pois, uma aspiração da intelectualidade brasileira desde os tempos da colônia.[33] A tradição de seus cursos pioneiros deu-lhe o papel de celeiro dos professores que implantaram os demais cursos de nível superior no Brasil.[34]

Diploma conferido em 1928 pela "Universidade do Rio de Janeiro"

Reestruturação

Após desvelada uma grande reestruturação promovida pelo ministro Gustavo Capanema em 1937, durante o governo Vargas, passou a ser chamada de Universidade do Brasil, com o objetivo do governo de controlar a qualidade do ensino superior no país e, dessa forma, padronizar o ensino, criando o padrão ao qual as outras universidades brasileiras deveriam ser adaptar.[35] Este fato demonstra a forte influência da concepção francesa de universidade, em que as escolas componentes são isoladas, tendo um caráter de ensino especialista e profissionalizante com forte controle estatal, ao contrário do modelo alemão, observado, por exemplo, na Universidade de São Paulo, criada em 1934.[36]

O início da segunda metade do século XX marcou a institucionalização da pesquisa na universidade, com a consequente implantação de institutos de pesquisa, docência em regime de tempo integral, formação de equipes docentes altamente especializadas e estabelecimento de convénios com agências financiadoras nacionais e internacionais.[23]

O prédio do atual Palácio Universitário no século XIX, período em que foi sede do Hospício Pedro II. O edifício foi doado somente em 1949 para a Universidade do Brasil.

O ano de 1958, do sesquicentenário do curso de medicina, encontrou a comunidade universitária com profundos e urgentes anseios de reforma estrutural que implicasse mais acentuada participação de docentes e discentes e aproveitamento mais racional de recursos. Iniciou-se um processo amplo de debates e consultas, consubstanciado no anteprojeto de reforma da Universidade do Brasil que, prontamente absorvido pela comunidade científica, serviu de base a projetos de instalação de novas universidades e atingiu os meios de comunicação e esferas decisórias governamentais.[37]

Em 1965, a universidade ganharia seu nome atual sob o governo de Castelo Branco, seguindo a padronização dos nomes das universidades federais de todo o país, ocasião em que adquiriu plena autonomia financeira, didática e disciplinar.[38][39]

Desencadeado o processo de reforma universitária, que teve seu marco mais significativo no Decreto 53, de 18 de novembro de 1966, a universidade teve aprovado seu plano de reestruturação, que visava à sua adequação às normas então editadas, aprovado por decreto de 13 de março de 1967.[40] Trata-se de uma situação auspiciosa, sob todos os aspectos, sobretudo considerando a ausência de tradição, absolutamente compreensível em países de história recente, como é o caso do Brasil.[41]

A Ponte do Saber é uma das principais formas de saída da ilha em que se encontra a Cidade Universitária

Atualidade

A universidade vem mantendo abertas suas portas aos estrangeiros que têm vindo trazer ou buscar ensinamentos, bem como proporcionando a seus docentes estágios em outros centros, em diferentes áreas. O acentuado intercâmbio com outras instituições possibilita a formação de tendências reformistas em perfeita coexistência com o peso de sua tradição.[42]

A universidade possui a deusa romana Minerva em sua identidade institucional,[43] considerada a deusa das artes e de todos os ofícios, também é associada como deusa da sabedoria e do conhecimento. Diversas esculturas deste símbolo podem ser vistas nas entradas dos centros e órgãos que compõe a universidade.[44]

No ano 2000, a reitoria entrou com um pedido na Justiça Federal com o objetivo de voltar a ter o direito da universidade chamar-se "Universidade do Brasil", pois esse nome havia sido modificado por um decreto emitido durante a Ditadura Militar. Esse pedido foi deferido e, atualmente, se é possível utilizar os dois nomes para designar a universidade.[8]

Existe um ambicioso programa de cursos de extensão através do qual o raio de ação foi ampliado consideravelmente por meio da educação permanente e da oferta de cursos à comunidade, envolvendo os mais diversos atores, dos mais diferentes níveis de escolaridade.[45] Além disso, cumpre destacar a notável contribuição da universidade à saúde do Rio de Janeiro, concretizada com o oferecimento de mil leitos hospitalares, em nove hospitais universitários, apoiando, decisivamente, a rede de atendimento em saúde no estado do Rio de Janeiro.[46]

Em 2010, a instituição obteve o conceito "muito bom", alcançando a nota máxima no Índice Geral de Cursos do Ministério da Educação.[47][48] É notável que, nesta universidade, tenha se difundido o célebre pensamento de um dos seus mais importantes pesquisadores, Carlos Chagas Filho:[49]