Teoria da literatura

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Teoria da Literatura é a argumentação científica ou filosófica da interpretação literária, da crítica literária, da História da Literatura e do conceito de Literatura no geral (literariedade, poeticidade, o literário, a sua definição enquanto poesia, etc.)Outras áreas comuns na Teoria da Literatura são a Estética, a Poética, a Estilística Literária, a Retórica literária; também lhe pertencem a investigação da sua função social (Literatura e Sociologia), da sua função psicológica (Literatura e Psicologia) e da sua dependência em relação à antropologia (Literatura e Antropologia). .

Outros círculos temáticos são teorias do texto, do intertexto, do autor, do leitor (teoria da recepção), da época literária, do cânon, da influência, da narratologia, do mito, do meio literário, da função da crítica literária, do género, dos personagens, da relação da literatura com outras artes (comparação artística) e com as outras ciências, a ficcionalidade e a realidade, a didáctica da literatura.

A teoria da literatura é muitas vezes usada como sinónimo de Poética. Uma vez que as questões poetológicas podem elas próprias ser colocadas em questão, ser comparadas, sistematizadas e que estas práticas podem constituir, por outro lado, um fundamento teórico, faz mais sentido separar as duas áreas uma da outra. No mundo de língua inglesa a literary theory é muitas vezes colocada no mesmo patamar que literary criticism. O mesmo é válido para aqui: as tentativas de interpretação da Literatura podem elas próprias tornarem-se o objecto da teoria.

A teoria da literatura reflecte ainda criticamente sobre os Estudos de Literatura Comparada, funcionando como plataforma de problematização e discussão acerca dos processos, progressos e efeitos dos estudos literários nos meios académicos.

Porque a Literatura reflecte, antes de mais, sobre si própria, a Teoria da Literatura garante a existência de um espaço de questionamento do fenómeno literário. Essa é a razão pela qual, desde a Poética de Aristóteles, a Teoria (do mesmo verbo grego que designa o acto de ver; contemplar) é considerada uma inerência da Literatura. No limite, é possível afirmar, com alguns teóricos do século XX, que a Teoria da Literatura é, ela mesma, um género literário, graças à indissociabilidade entre esta e a prática que a funda.

Um pouco de História

É, no geral, difícil distinguir a História da Teoria da Literatura da Estética Filosófica, da Poética, Hermenêutica e da Retórica Filosófica. As questões teórico-literárias surgem muitas vezes no trilho das grandes unidades históricas de pensamento, mas pode ser-lhes abstraída. No geral, a teoria da literatura apoia-se na poética e na retórica clássica grega; especialmente em Gorgias, Platão e Aristóteles. Com certeza que as normas de interpretação religiosa de texto, no exemplo representante de Mischnah (Repetição) e Midrasch (Disposição) da Tora judaica, constituem raízes históricas importantes da Teoria da Literatura moderna.

  • Desde os gregos que se vem estudando literatura e os aspectos inerentes a ela. Platão, na República, e especialmente Aristóteles, na Poética, dedicaram-se a tais investigações e são hoje fonte primária para a teoria literária. A Poética de Aristóteles foi de influência até ao século XVIII. Até este ponto as poéticas são livros de regras. Só com a criação do pensamento de génio do século XVIII e os bens do pensamento idealista do Romantismo é que a arte poética deixou de ser vista como um conjunto de regras claras (poética normativa) e passou a ser vista como uma produção individual. Isso teve como consequência que a arte poética passasse a ser analisada não mais através da observação de aplicação das regras dadas.
  • Elementos de filosofia da literatura encontram-se em Cícero e Quintiliano.
  • A Arte Poética de Horácio debruça-se sobre a teoria dos géneros literários.
  • Na Idade Média domina a teoria ortodoxa da escrita dos sentidos quádruplos, a qual regulamenta uma afirmação da Bíblia: pode ser analisada do ponto de vista lexical, alegórico, moral e anagógico (interpretação mística dos livros sagrados).
  • Mas para muitos teóricos, a teoria da literatura só aparece no começo do século XX, com a Neo Crítica de um lado e o Formalismo Russo de outro.

A teoria da Literatura no sentido moderno é praticada apenas a partir de 1915 pelo Formalismo Russo, a primeira escola literária que questionou fortemente o que seria o literário num texto literário (literariedade), ao contrário de um texto comum. A partir de 1930 o Formalismo Russo desenvolveu-se, ao mesmo tempo que as correntes linguísticas de Ferdinand de Saussure colidiam com a filologia académica tradicional e o projecto estruturalista de investigação literária começava, o qual teve início com o Estruturalismo em Praga e obteve o seu ponto alto em França nos anos 50 e 60. Desde os anos 70 que autores como Michel Foucault, Jacques Derrida, Giles Deleuze, Paul de Man vêem uma crescente influência na teoria da literatura.

  • Vale sumariamente comentar as correntes anteriores à teoria literária. No classicismo houve uma veneração aos clássicos gregos e romanos, e as poéticas foram não apenas ressuscitadas como revalidadas e rescritas em diversos países e idiomas. Não se tratava de uma revisão da Poética clássica, e sim de uma adaptação para o mundo renascentista em formação. Pouco adiante, quando o humanismo torna-se a ideologia dominante, o indivíduo ganha força. Ou seja, passa a se valorizar o escritor enquanto artista, suas inovações e invenções são vistas como obras de gênio e a análise literária recorre às biografias desses gênios como forma de explicar seu texto. Era um ponto de vista humanístico que os oitocentos substituirão gradativamente por uma perspectiva científica. E o resgate histórico que o mundo oitocentista se permite fazer traz à tona a história literária como primeira investigação científica da literatura.
  • Aliado ao biografismo, a história literária procura no contexto social e político da época as explicações ou relações com a obra literária. Mais tarde este mesmo século XIX consolida o racionalismo Iluminista e a literatura aos poucos é vista como ciência. Já se fala em ciência da literatura. Os modelos metodológicos desta ciência seriam – alternadamente ou em combinação – (1) biográfico-psicológico, (2) sociológico, e (3) filológico.
  • O movimento que surgiria, com a Neo Crítica estadunidesne e o Formalismo Russo, é de rompimento com esta noção de que a literatura só pode ser analisada sob o prisma de outra ciência. Os novos estudiosos querem uma análise imanentista da literatura, uma análise dos sons e ritmos dos versos, das estruturas narrativas da prosa, enfim, de aspectos estritamente literários.