Suicídio
English: Suicide

Suicídio
O Suicida de Édouard Manet 1877–1881
EspecialidadePsiquiatria
Início habitual>70 e 15–30 anos de idade[1]
Causasenforcamento, envenenamento com pesticidas, armas de fogo[2][3]
Fatores de riscoDepressão, perturbação bipolar, esquizofrenia, perturbações de personalidade, alcoolismo, abuso de substâncias[2][4]
PrevençãoRestringir o acesso a métodos de suicídio, tratamento de perturbações mentais e do abuso de substâncias, melhoria das condições económicas, tratamento adequado do tema nos meios de comunicação social[2]
Mortes828 000 / 1,5% (2015)[5]
Classificação e recursos externos
CID-106084
CID-9E950
DiseasesDB12641
MedlinePlus001554
eMedicinearticle/288598
MeSHD013405
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Suicídio é o ato intencional de matar a si mesmo.[6][7] Os factores de risco incluem perturbações mentais e/ou psicológicas como depressão, perturbação bipolar, esquizofrenia ou abuso de drogas, incluindo alcoolismo e abuso de benzodiazepinas.[2][4][8] Outros suicídios resultam de actos impulsivos devido ao stress e/ou dificuldades económicas, problemas de relacionamento ou bullying.[2][9] As pessoas com antecedentes de tentativas de suicídio estão em maior risco de vir a realizar novas tentativas.[2] As medidas de prevenção do suicídio passam pela restrição do acesso a métodos de suicídio, como armas de fogo, armas brancas, drogas ou venenos, pelo tratamento de perturbações mentais e da toxicodependência, por noticiar de forma correta os casos de suicídio na imprensa e pela melhoria das condições económicas da população.[2] Embora seja comum a existência de linhas telefónicas de prevenção do suicídio, não existem dados suficientes que comprovem a sua eficácia.[10]

Os métodos de suicídio mais comuns diferem de país para país e estão em parte relacionados com a disponibilidade de meios.[11] Os métodos mais utilizados incluem enforcamento, envenenamento por pesticidas e recurso a armas de fogo.[2][3] Em 2015, suicidaram-se em todo o mundo 828 000 pessoas, um ligeiro aumento face aos 712 000 suicídios em 1990.[5][12] Em 2015, o suicídio foi a décima principal causa de morte em todo o mundo.[4][13]

A cada ano morrem por suicídio 0,5% a 1,4% das pessoas, ou 12 em cada 100 000 pessoas.[13][14] Três quartos dos suicídios ocorrem nos países em desenvolvimento.[2] As taxas de suicídios consumados são geralmente mais elevadas nos homens do que nas mulheres. Em países em desenvolvimento suicidam-se 1,5 vezes mais homens do que mulheres e em países desenvolvidos suicidam-se 3,5 vezes mais homens do que mulheres.[1] Na generalidade dos países, o suicídio é mais comum entre os maiores de 70 anos. No entanto, em alguns países o grupo etário de maior risco é aquele com idades compreendidas entre os 15 e 30 anos.[1] Estima-se que em todo o mundo haja anualmente entre 10 a 20 milhões de tentativas de suicídio não fatais.[15] As tentativas de suicídio – gestos auto-destrutivos não fatais – podem provocar lesões e incapacidade a longo prazo. No mundo ocidental, as tentativas são mais comuns nos jovens e pessoas do sexo feminino.[14]

Os pontos de vista sobre o suicídio têm sido influenciados por temas existenciais como religião, filosofia, psicologia, honra e o sentido da vida.[16][17] As religiões abraâmicas, por exemplo, consideram o suicídio uma ofensa contra Deus devido à crença religiosa na santidade da vida.[18] Durante a era samurai no Japão, existia uma forma de suicídio conhecido como seppuku (harakiri) que era respeitada como uma forma de expiação do fracasso ou como uma forma de protesto ou pena de morte frente à desonra por um crime, delito ou por outro motivo que os envergonhasse.[19] O sati é uma antiga prática proibida pelo Raj Britânico, no qual a viúva se autoimola na pira funerária do seu marido, seja voluntariamente ou por pressão da família e/ou das leis do país.[20] O suicídio e o suicídio tentado, apesar de anteriormente ter sido considerado ilegal, hoje já não o é na maioria dos países ocidentais,[21] embora nalgumas jurisdições ainda possa ser considerado crime.[22] Nos séculos XX e XXI, o suicídio foi usado em raras ocasiões como forma de protesto, ou na forma de kamikaze e de atentados suicidas como uma táctica militar ou terrorista.[23] O termo tem origem no latim, suicidium[24]

Classificação

Automutilação

Ver artigo principal: Automutilação

A automutilação não é uma tentativa de suicídio; no entanto, tempos atrás as lesões autoprovocadas eram erroneamente classificadas como uma tentativa de suicídio. Existe uma correlação não-causal entre a automutilação e o suicídio: ambos são mais comumente um efeito da depressão.[25]

Eutanásia e suicídio assistido

Ver artigo principal: Eutanásia
Máquina de eutanásia inventada por Philip Nitschke e disponível no Museu de Ciências de Londres.

Indivíduos que desejam pôr termo à sua própria vida podem recorrer ao auxílio de outra pessoa para atingir a morte. A outra pessoa, geralmente um membro da família ou um médico especializado, podem ajudar a praticar o ato, se o indivíduo não tem capacidade física para fazê-lo mesmo com os meios fornecidos. O suicídio assistido é uma questão moral e politicamente controversa em muitos países, como no caso do Dr. Jack Kevorkian, um médico que apoiava a eutanásia, afirmando ter ajudado 130 pacientes a terminarem suas próprias vidas, mas que passou 8 anos na prisão por isto. Apelidado de Doutor Morte, ele se candidatou ao Congresso dos Estados Unidos em 2008 defendendo a legalização da eutanásia.[26]

Ortotanásia

Ver artigo principal: Ortotanásia

É quando não se tomam medidas para prolongar artificialmente a vida de uma pessoa com uma doença letal, restringindo a fazer um tratamento paliativos para aliviar a dor e permitir uma morte digna. No Brasil essa prática está sendo discutida no Congresso Nacional. Em 2010, o PLS 116/2000 foi aprovado pelo Senado e em seguida remetido à Câmara dos Deputados, onde aguarda votação.[27][28]

Homicídio suicídio

Trata-se do ato no qual um indivíduo mata uma ou várias outras pessoas imediatamente e comete suicídio em seguida.

Geralmente feito por vingança ou/e passional. Exemplos incluem o caso de Francisco Hyalisson Gonzaga que atirou na ex-namorada, Luana Kalyev Almeida e em seguida atirou na própria cabeça[29] e o de Edwin Valero, campeão mundial de boxe venezuelano acusado de enforcar a própria mulher.[30]

Ataque suicida

Um ataque suicida é quando um atacante comete um ato de violência contra outros (geralmente um grande número de pessoas), normalmente para atingir um objetivo militar ou político, que resulta em sua própria morte. Os atentados suicidas são muitas vezes consideradas como um ato de terrorismo. Os exemplos históricos incluem o assassinato do Czar Alexandre II, o Bombardeamento do Hotel Shamo, o Atentado suicida do Dizengoff Center, os ataques kamikazes por pilotos aéreos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial e os Ataques de 11 de setembro de 2001. Entre 2000 e 2007 ocorreram 140 ataques suicidas em Israel que mataram 542 pessoas e feriram milhares.[31]

Suicídio em massa e pacto suicida

Ver artigo principal: Suicídio coletivo

Certos suicídios são realizados sob pressão social ou de um grupo. Os suicídios coletivos ou em massa, podem ocorrer apenas entre duas pessoas, como um "pacto suicida", ou com um número muito maior. Um exemplo é o suicídio em massa que ocorreu por membros do Peoples Temple, uma seita estadunidense liderada por Jim Jones em 1978 na Guiana que levou a morte de 918 pessoas incluindo 270 menores de idade.[32]

Outro exemplo ocorreu em janeiro de 2012, na China.[33][34] Trezentos funcionários da Foxconn, fabricante do Xbox 360, ameaçaram um suicídio coletivo se as reivindicações do grupo não forem atendidas.[35] O protesto terminou com um acordo entre a empresa e os funcionários.[36]