Suazilândia
English: Eswatini

Kingdom of Eswatini (inglês)
Umbuso weSwatini (suázi)

Reino de Essuatíni / Reino da Suazilândia
Bandeira da Suazilândia
Brasão de armas da Suazilândia
BandeiraBrasão de armas
Lema: "Siyinqaba" ("Nós Somos a Fortaleza")
Hino nacional:
Nkulunkulu Mnikati wetibusiso temaSwati
"Ó Senhor, Nosso Deus dos Suázis"

Gentílico: Suázi, suazilandês(a),[1] essuatiniano(a)[2][3]

Localização de Reino de Essuatíni

CapitalMbabane (administrativa)
Lobamba (legislativa e sede da corte)
Cidade mais populosaMbabane
Língua oficialInglês e suázi
GovernoDiarquia absoluta
 - ReiMswati III
 - NndlovukatiRainha Ntombi
(Rainha Mãe)
 - Primeiro-ministroAmbrose Mandvulo Dlamini
(desde 27 de outubro de 2018)
Independênciado Reino Unido 
 - Data6 de setembro de 1968 
Área 
 - Total17.364 km² (153.º)
 - Água (%)0,9
 FronteiraÁfrica do Sul (N, S e W) e Moçambique (E)
População 
 - Estimativa para 20171 343 098[4] hab. (135.º)
 - Densidade67 hab./km² (101.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2007
 - TotalUS$ : 5,626 bilhões(português brasileiro) ou mil milhões (português europeu) (144.º)
 - Per capitaUS$ : 4.836 (106.º)
IDH (2017)0,588 (144.º) – médio[5]
Gini (2001)50,4[6]
MoedaLilangeni suázi (SZL)
Fuso horário(UTC+2)
 - Verão (DST)não observado (UTC+2)
ClimaTropical de altitude
Org. internacionaisONU, UA, SADC, Comunidade das Nações
Cód. ISOSWZ
Cód. Internet.sz
Cód. telef.+268
Website governamentalhttp://www.gov.sz/

Mapa de Reino de Essuatíni

Suazilândia ou Essuatíni[2][3] (em suázi: eSwatini; em inglês: Eswatini), oficialmente Reino de Essuatíni[2] (em suázi: Umbuso weSwatini; em inglês: Kingdom of Eswatini[7][8]) é um país da África Austral, limitado a leste por Moçambique e em todas as outras direções pela África do Sul. Suas capitais são Mbabane (administrativa) e Lobamba (legislativa).[9] O país e seu povo recebem seus nomes de Mswati II, um rei do século XIX cujo território da Suazilândia foi expandido e unificado em seu reinado.[10]

Esse pequeno e montanhoso país do sul da África, sem saída para o mar, é uma das poucas monarquias remanescentes no continente, sendo esta uma diarquia absoluta, governada conjuntamente pelo Ngwenyama ("Rei", o chefe de Estado administrativo) e pela Ndlovukati ("Rainha Mãe", a chefe de Estado nacional) desde 1986.[11][12] A atual constituição foi adotada em 2005.

Em seu território predominam os planaltos cobertos por savanas e pastagens. A sociedade, patriarcal e formada por clãs, admite a poligamia. A economia se baseia na agropecuária, mas o país não é autossuficiente na produção de alimentos, sendo exportador da cana-de-açúcar e abrigando importantes reservas de carvão mineral.

A Suazilândia é um país em desenvolvimento com uma economia pequena. Seu PIB per capita é de US$ 9.714, classificando a nação com renda média-baixa.[13] Como membro da União Aduaneira da África Austral e do Mercado Comum da África Oriental e Austral, o seu principal parceiro comercial local é a África do Sul (a fim de garantir a estabilidade econômica, a moeda suazilandesa, a lilangeni, está indexada ao rand sul-africano). Os principais parceiros comerciais no exterior são os Estados Unidos e a União Europeia.[14] A maior parte do emprego do país é fornecida pelos setores agrícola e manufatureiro. A Suazilândia é membro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral, da União Africana, da Commonwealth e das Nações Unidas.

A saúde pública enfrenta uma catástrofe, com um terço da população adulta sendo portadora do vírus da AIDS (uma das mais altas taxas de contaminação do mundo).[15][16][17][18][19] O país possui a décima segunda menor expectativa de vida do mundo, sendo a mesma de 58 anos.[20]

A população suazi é bastante jovem, com uma idade média de vinte anos e pessoas com catorze anos ou menos, que constitui 37% do seu total de habitantes. A taxa atual de crescimento populacional no país é de 1,2%.[21]

Em abril de 2018, o país mudou o seu nome de Reino da Suazilândia para Reino de eSwatini, que significa "terra dos suazi" na língua suázi, durante os eventos de comemoração dos 50 anos de independência do país.[22]

História

Ver artigo principal: História da Suazilândia

Segundo a tradição, a origem dos suázis data do século XVI e resultou de um grupo que, sob a hegemonia do clã Dlamini, se separou do conjunto de bantos que então migravam para o sul, ao longo da costa de Moçambique. O grupo se fixou numa região entre Pongola e o rio Usutu. O rei Sobhuza I morreu em 1836, acredita-se que seu sucessor, Mswati (Mswazi) II, deu seu próprio nome à tribo. Os suázis continuaram a migrar para o norte e conquistaram muitas das tribos que encontraram no caminho. A expansão branca na região, porém, levou o rei ceder as terras ao norte do rio dos Crocodilos à República do Lydenburg, em 1846. Nessa época o rei Mswazi foi forçado a buscar ajuda britânica contra os zulus.

A partir de 1880, a penetração branca resultou em numerosas concentrações de terras, minérios, pastagens e até estradas de ferro e iluminação pública, facilitadas pelo rei Mbandzeni. Em 1888, os suázis consentiram no estabelecimento de um governo local provisório, formado por representantes do governo britânico, sul-africano e suázi, mas em 1893 recusaram uma proposta para instituir ali uma administração sul-africana. No ano seguinte, no entanto, foi assinado um acordo que estabelecia a administração sul-africana em anexação do território suázi.

Após a Guerra dos Bôeres e a instituição do controle britânico sobre Transvaal em 1903, os suázis passaram a ser administrados pelo governador do Transvaal e, em 1906, pelo alto comissário britânico para a Basutolândia, Bechuanalândia e Suazilândia. Os britânicos negaram, em 1949, o pedido de incorporação da Suazilândia pela União-Sul-Africana. Em 1963 promulgou-se na Suazilândia uma constituição que concedia aos suázis uma autonomia limitada. Quatro anos depois, foi proclamado o Reino da Suazilândia sob proteção britânica. Finalmente em 6 de setembro de 1968, o país conquistou plena independência.

Em 1973 e novamente em 1977 o rei Sobhuza II dissolveu o Parlamento e aboliu a constituição, que, em ambas as ocasiões, foi substituída por uma nova num prazo de dois anos. Após a morte do monarca, em 1982, seu filho adolescente Makhosetive foi nomeado príncipe herdeiro e coroado como o rei Mswati III apenas em 1986. Sob sua liderança o país ingressou numa fase de relativo progresso econômico, com um importante incremento dos investimentos estrangeiros e da atividade turística. Pressionado pela oposição, o rei iniciou um processo de democratização no país, com uma série de alterações no sistema eleitoral. Em 1993, realizaram-se as primeiras eleições pluripartidárias do país.

Em 1996, uma conflituosa greve geral exigiu o fim da monarquia absolutista. Mswati III nomeou como primeiro-ministro Barnabas Dlamini e instalou um Comitê de Revisão Constitucional (CRC). Em novembro de 2000, mais uma greve geral por democracia foi duramente reprimida pela polícia. A oposição rejeitou, em janeiro de 2001, o projeto de reformas elaborado pelo CRC. Em maio, o governo proibiu a circulação de duas publicações independentes. A decisão é considerada ilegal pela Alta Corte de Justiça, que a anula. Em junho, decreto real concede poderes ao governo para proibir livros, jornais e revistas. A medida provoca fortes reações contrárias, e o governo dos Estados Unidos ameaçou retirar a ajuda econômica ao país. Em julho, o primeiro-ministro anunciou a revogação do decreto.

Em 2002, Mario Masuku, líder da oposição, foi inocentado da acusação de incentivar rebelião contra o Estado. A Alta Corte de Justiça ordenou sua libertação, após dois anos preso. Na sequência, o Parlamento derrotou a proposta de compra de um jato de 45 milhões de dólares para o rei. O valor era mais que o dobro do orçamento nacional de saúde. Em 2003, os sindicatos chamam greve geral pela redução dos poderes do rei.

Em julho de 2005, o rei assinou a nova Constituição, que entrou em vigor em fevereiro do ano seguinte. O texto mantém a proibição de partidos e impede processos contra a monarquia. Em setembro de 2005, Mswati escolhe uma moça de 17 anos para ser sua 13º mulher. Poucas semanas antes, ele havia anulado a proibição de prática de sexo por mulheres de menos de 18 anos, vigente por quatro anos no país para combater a AIDS.

Em 19 de abril de 2018, Mswati oficialmente mudou o nome da Suazilândia para Essuatíni durante as comemorações do quinquagésimo aniversário da independência do país.[23] O novo nome, Essuatíni, significa "terra dos suázis" em suázi.[24]