Saara Ocidental

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الصحراء الغربية

As-Ṣaḥrā' al-Ġarbiyyah
Saara Ocidental

Bandeira do Sara Ocidental
Brasão do Sara Ocidental
BandeiraBrasão
Gentílico: Saaráui[1]
Saariano[2]
Sariano[2]

Localização do Sara Ocidental

CapitalLaiune
Cidade mais populosaLaiune
Língua oficialÁrabe e espanhol
GovernoRepública nominal1
 - PresidenteBrahim Ghali
 - Primeiro-ministroMohamed Wali Akeik
Independênciada Espanha 
 - Data27 de fevereiro de 1976 (não reconhecida) 
Área 
 - Total266.719 km² (77.º)
 - Água (%)negligenciável - 0
População 
 - Estimativa para 2009513 000 hab. (168.º)
 - Densidade1.9 hab./km² (237.º)
IDH (2013)0,500 (199.º) – baixo[3]
MoedaDirrã (MAD)
Fuso horárioWET (UTC+0)
 - Verão (DST)WEST (UTC+1)
Cód. Internet.eh (reservado mas não usado)
Cód. telef.+212

Mapa do Sara Ocidental

1 O Governo da República Árabe Saaráui Democrática está exilado em Tindouf, Argélia. Controla a área este do Muro Marroquino, no Saara Ocidental, a que chama Zona Livre. Bir Lehlou, a capital temporária, está dentro desta área.

Saara Ocidental,[4] Sara Ocidental,[4] Sáara Ocidental[4] em árabe: الصحراء الغربية Aṣ-Ṣaḥrā’ al-Gharbīyah; em castelhano: Sahara Occidental; Berbere: Taneẓroft Tutrimt) é um território na África Setentrional, limitado a norte por Marrocos, a leste pela Argélia, a leste e sul pela Mauritânia e a oeste pelo Oceano Atlântico, por onde faz fronteira marítima com a região autónoma espanhola das Canárias. A sua capital é Laiune. O Saara Ocidental está na lista das Nações Unidas de territórios não autónomos desde a década de 1960. O controle do território é disputado pelo Reino de Marrocos e pelo movimento independentista Frente Polisário.

Em 27 de fevereiro de 1976, este movimento proclamou a República Árabe Saaraui Democrática (RASD, em árabe: الجمهورية العربية الصحراوية الديمقراطية; transl.: Al-Jumhūrīyyah Al-`Arabīyyah Aṣ-Ṣaḥrāwīyyah Ad-Dīmuqrāṭīyyah), um governo no exílio. A RASD é reconhecida internacionalmente por 50 estados e mantém embaixadas em 16 deles, sendo membro da União Africana desde 1984, carecendo no entanto de representação na ONU. O primeiro estado que reconheceu a RASD foi Madagáscar em 28 de Fevereiro de 1976.

História

Quando, em 1975, a Espanha abandonou a sua antiga colónia, deixou para trás um país sem quaisquer infra-estruturas, com uma população completamente analfabeta e desprovida de tudo. O vazio criado pela Espanha foi aproveitado pela Mauritânia (que assenhora-se de um terço do território) e por Marrocos (que fica com o restante) que, invocando direitos históricos, invadiram o território.

O governo no exílio do Saara Ocidental tem o nome de República Árabe Saaraui Democrática (RASD). Foi proclamado pela Frente Polisário em 27 de fevereiro de 1976. O primeiro governo da RASD formou-se em 4 de março daquele ano.

Muros marroquinos no território do Saara Ocidental. Em amarelo a zona ocupada pela Frente Polisário.

Os saaráuis haviam fundado a Frente Polisário, que iria expulsar do sul o pequeno exército da Mauritânia, forçando o país a abdicar seus direitos sobre o território em 1979. Frente a frente ficariam, nas areias do deserto, os guerrilheiros da Frente Polisário e as forças marroquinas de Hassan II. O exército marroquino retirou-se para uma zona restrita do deserto, mais próxima da sua fronteira e constituindo o chamado "triângulo de segurança", que compreende as duas únicas cidades costeiras e a zona dos fosfato. Aí a engenharia militar construiu um imenso muro de concreto armado, por trás do qual os soldados marroquinos vivem entrincheirados, protegendo a extração do minério.

Desde então, a guerra, vista do lado da Frente Polisário, resume-se a uma série de ataques esporádicos à zona dos fosfatos tentando interromper o seu escoamento.

Em 1987, uma missão da ONU visitou a região para averiguar a possibilidade da realização de um referendo sobre o futuro do território. Uma iniciativa difícil, dado que grande parte da população é nómada. Marrocos e a Frente Polisário selam um cessar-fogo em 1988. Um plebiscito é marcado para 1992, mas não acontece porque não há acordo sobre quem tem direito a votar: Marrocos quer que seja toda a população residente no Saara Ocidental, mas a Frente Polisário só aceita que sejam os habitantes contados no censo de 1974. [5] Isso impediria o voto dos marroquinos emigrados para a região em disputa depois de 1974. Até 1993, foi impossível realizar o referendo. Em 2001, a África do Sul torna-se o sexagésimo país a reconhecer a independência do Saara Ocidental. Marrocos protesta.

Marrocos e a Frente Polisário reiniciaram conversações em Agosto de 2007 na cidade nova-iorquina de Manhasset, com o patrocínio da ONU, para debater o estatuto do território.