Roma Antiga

Nota: Romano e romana redirecionam para este artigo. Para outros significados dos termos, veja Romanos e Romana (desambiguação).



Roma Antiga
753 a.C. – 476

Brasão de Roma Antiga

Brasão

Localização de Roma Antiga
Animação da evolução territorial do Estado romano.
ContinenteEurásia e África
CapitalRoma (753 a.C.-330)
Várias capitais (330–476)
Língua oficialLatim
GovernoReino (753-509 a.C.)
República (509-27 a.C.)
Império (27 a.C.-476 d.C.)
Período históricoAntiguidade
 • 753 a.C.Fundação de Roma
 • 509 a.C.Queda de Tarquínio, o Soberbo
 • 27 a.C.Otaviano proclamado Augusto
 • 476Queda do Império Romano do Ocidente

Roma Antiga foi uma civilização itálica que surgiu no século VIII a.C. Localizada ao longo do mar Mediterrâneo e centrada na cidade de Roma, na península Itálica, expandiu-se para se tornar um dos maiores impérios do mundo antigo,[1] com uma estimativa de 50 a 90 milhões de habitantes (cerca de 20% da população global na época[2][3]) e cobrindo 6,5 milhões de quilômetros quadrados no seu auge entre os séculos I e II.[4][5][6]

Em seus cerca de doze séculos de existência, a civilização romana passou de uma monarquia para a república clássica e, em seguida, para um império cada vez mais autocrático. Através da conquista e da assimilação, ele passou a dominar a Europa Ocidental e Meridional, a Ásia Menor, o Norte da África e partes da Europa Setentrional e Oriental. Roma foi preponderante em toda a região do Mediterrâneo e foi uma das mais poderosas entidades políticas do mundo antigo. É muitas vezes agrupada na Antiguidade Clássica, juntamente com a Grécia Antiga e culturas e sociedades semelhantes, que são conhecidas como o mundo greco-romano.

A sociedade romana antiga contribuiu para o governo, o direito, a política, a engenharia, as artes, a literatura, a arquitetura, a tecnologia, a guerra, as religiões, as línguas e as sociedade modernas. Como uma civilização altamente desenvolvida, Roma profissionalizou e expandiu suas forças armadas e criou um sistema de governo chamado res publica, a inspiração para repúblicas modernas,[7][8][9] como os Estados Unidos e a França. Conseguiu feitos tecnológicos e arquitetônicos impressionantes, tais como a construção de um amplo sistema de aquedutos e estradas, bem como a construção de grandes monumentos, palácios e instalações públicas. Até o final da República (27 a.C.), Roma tinha conquistado as terras em torno do Mediterrâneo e além: seu domínio se estendia do oceano Atlântico à Arábia e da boca do Reno ao norte da África. O Império Romano surgiu com o fim da República e da ditadura de Augusto. Os 721 anos de Guerras Romano-Persas começaram em 92 a.C. com a sua primeira guerra contra o Império Parta. Este se tornaria o mais longo conflito da história humana e teve grandes efeitos e consequências duradouros para ambos os impérios. Sob Trajano, o Império atingiu o seu pico territorial. Os costumes e as tradições republicanas começaram a diminuir durante o período imperial, com guerras civis tornando-se um prelúdio comum para o surgimento de um novo imperador.[10][11][12]

Estados dissidentes, como o Império de Palmira, iriam dividir temporariamente o império durante a crise do terceiro século. Atormentado pela instabilidade interna e atacado pelas invasões bárbaras, a parte ocidental do império fragmentou-se no século V, o que é visto como um marco pelos historiadores, que usam para dividir a Antiguidade Tardia da Idade das Trevas na Europa. A parte oriental do império permaneceu como uma potência durante toda a Idade Média, até a sua queda em 1453. Embora os cidadãos do império não fizessem tal distinção, o Império Oriental é mais comumente referido como "Império Bizantino" para diferenciá-lo do Estado da Antiguidade no qual ele nasceu.[13]

História

Ver artigo principal: História de Roma

Fundação

Ver artigo principal: Fundação de Roma
Loba capitolina: Segundo a lenda, o animal teria amamentado os gêmeos Rômulo e Remo

Os primeiros habitantes de Roma, os latinos e sabinos, integram o grupo de populações indo-europeias originárias da Europa Central que vieram para a península Itálica em ondas sucessivas em meados do milênio II a.C.; Velho Lácio (Latium Vetus) era o antigo território dos latinos, atualmente o sul do Lácio; em caso de perigo, as habitações latino-sabinas uniam-se em confederações para enfrentar seus inimigos.[b] As colinas de Roma começaram a ser ocupadas nos primórdios do milênio I a.C.; restos arqueológicos datados entre os séculos XIV-X a.C. são as primeiras evidências de habitação no monte Palatino.[14][15] Três recintos muralhados sucessivos sobrepostos foram datados no local, dois dos séculos VIII-VII a.C. e um dos séculos VII-VI a.C.[16]

Mito

Ver artigos principais: Eneias, Rômulo e Remo e Rômulo

Conforme a versão lendária da fundação de Roma, relatada em diversas obras literárias romanas, tais como a Ab Urbe condita libri (literalmente, "desde a fundação da Cidade"), de Tito Lívio, e a Eneida, do poeta Virgílio, Eneias, príncipe troiano filho de Vénus, fugindo de sua cidade, destruída pelos gregos, chegou ao Lácio e se casou com uma filha de um rei latino. Seus descendentes, Rómulo e Remo, filhos de Reia Sílvia, rainha da cidade de Alba Longa, com o deus Marte, foram jogados por Amúlio, rei da cidade, no rio Tibre. Mas foram salvos por uma loba que os amamentou, tendo sido, em seguida, encontrados por camponeses. Conta ainda a lenda que, quando adultos, os dois irmãos voltaram a Alba Longa, depuseram Amúlio e em seguida fundaram Roma, em [753 a.C. A data tradicional da fundação (21 de abril de 753 a.C.[17]) foi convencionada bem mais tarde por Públio Terêncio Varrão, atribuindo uma duração de 35 anos a cada uma das sete gerações correspondentes aos sete mitológicos reis. Segundo a lenda, Rômulo matou o irmão e se transformou no primeiro rei de Roma.[18]

Reino

Ver artigo principal: Reino de Roma

A documentação do período monárquico de Roma encontrada até hoje é muito precária, o que torna este período menos conhecido que os períodos posteriores. Várias dessas anotações registram a sucessão de sete reis, começando com Rômulo em 753 a.C., como representado nas obras de Virgílio (Eneida) e Tito Lívio (História de Roma). A região do Lácio foi habitada por vários povos. Além dos latinos, os etruscos tiveram um papel importante na história da monarquia de Roma, já que vários dos reis tinham origem etrusca.[19]

O último rei de Roma teria sido Tarquínio, o Soberbo (r. 534–509 a.C.) que, em razão de seu desejo de reduzir a importância do senado na vida política romana, acabou sendo expulso da cidade e também assassinado. Este foi o fim da monarquia em Roma. Durante esse período, o monarca (rei) acumulava os poderes executivo, judicial e religioso, e era auxiliado pelo senado, ou conselho de anciãos, que detinha o poder legislativo e de veto, decidindo aprovar, ou não, as leis criadas pelo rei.[19]

República

Busto associado a Lúcio Júnio Bruto, que liderou a revolta contra o último rei de Roma
Museus Capitolinos

De acordo com a tradição e escritores posteriores como Tito Lívio, a República Romana foi fundada por volta de 509 a.C.,[20] quando o último dos sete reis de Roma, Tarquínio, o Soberbo, foi deposto por Lúcio Júnio Bruto e um sistema baseado em magistrados eleitos anualmente e em várias assembleias representativas foi estabelecido.[21] Uma constituição estabeleceu uma série de pesos e contrapesos e a separação de poderes. Os magistrados mais importantes eram os dois cônsules, que juntos exerciam autoridade executiva, como o imperium, ou o comando militar.[22] Os cônsules tiveram que trabalhar com o senado, que inicialmente era um conselho consultivo da nobreza, ou patrícios, mas cresceu em tamanho e poder.[23]

Outros magistrados da república incluem tribunos, questores, edis, pretores e censores.[24] As magistraturas eram originalmente restritas a patrícios, mas depois foram abertas para pessoas comuns ou plebeus.[25] Assembleias republicanas de votação incluíam a assembleia das centúrias, que votava sobre assuntos de guerra e paz e elegia homens para os cargos mais importantes, e a assembleia tribal, que elegia cargos menos importantes.[26]

No século IV a.C., Roma havia sido atacada pelos gauleses, que agora estendiam seu poder na península Itálica além do vale do Pó e através da Etrúria. Em 16 de julho de 390 a.C., um exército gaulês sob a liderança de um chefe tribal chamado Breno encontrou os romanos às margens do rio Ália, a apenas 16 quilômetros ao norte de Roma. Breno derrotou os romanos e os gauleses marcharam diretamente para a cidade de Roma. A maioria dos romanos tinha fugido, mas alguns se trancaram no Capitólio para uma última resistência. Os gauleses saquearam e incendiaram a cidade, depois cercaram o monte Capitolino.[27]

Cícero denuncia Catilina, afresco que representa o senado romano reunido na Cúria Hostília
Palazzo Madama, Roma

O cerco durou sete meses, os gauleses concordaram em dar paz aos romanos em troca de 1.000 libras de ouro. Segundo uma lenda posterior, os romanos que supervisionavam a pesagem notaram que os gauleses estavam usando falsas escamas. Os romanos pegaram em armas e derrotaram os gauleses; seu general vitorioso, Marco Fúrio Camilo, comentou: "Com ferro, não com ouro, Roma compra sua liberdade".[27]

Os romanos gradualmente subjugaram os outros povos na península Itálica, incluindo os etruscos.[28] A última ameaça à hegemonia romana na Itália veio quando Tarentum, uma importante colônia grega, recrutou a ajuda de Pirro de Épiro em 281 a.C., mas este esforço também fracassou.[29][28] Os romanos garantiram suas conquistas fundando colônias romanas em áreas estratégicas, estabelecendo assim um controle estável sobre a região da Itália que já haviam conquistado.[28]

Guerras Púnicas

Ver artigo principal: Guerras Púnicas

No século III a.C., Roma enfrentou um novo e formidável adversário: Cartago, uma rica e próspera cidade fenícia que pretendia dominar a região do mar Mediterrâneo. As duas cidades eram aliadas nos tempos de Pirro, que era uma ameaça para ambas, mas com a hegemonia de Roma na Itália continental e a talassocracia cartaginesa, essas cidades se tornaram as duas maiores potências no Mediterrâneo Ocidental e sua disputa pela região levou ao conflito. A Primeira Guerra Púnica começou em 264 a.C., quando a cidade de Messana pediu a ajuda de Cartago em seus conflitos com Hierão II de Siracusa. Após a intercessão cartaginesa, Messana pediu a Roma para expulsar os cartagineses. Roma entrou nessa guerra porque Siracusa e Messana estavam muito próximas das recém-conquistadas cidades gregas do sul da Itália e Cartago agora podia fazer uma ofensiva através do território romano; junto com isto, Roma poderia estender seu domínio sobre a Sicília.[30] Embora os romanos tivessem experiência em batalhas terrestres, para derrotar este novo inimigo, batalhas navais eram necessárias. Cartago era uma potência marítima e a falta de navios de experiência naval entre os romanos tornariam o caminho da vitória longo e difícil para a República Romana. Apesar disto, depois de mais de 20 anos de guerra, Roma derrotou Cartago e um tratado de paz foi assinado. Entre as razões para a Segunda Guerra Púnica[31] estavam as reparações de guerra subsequentes em que Cartago aceitou no final da Primeira Guerra Púnica.[32]

Aníbal e seus homens cruzando o rio Ródano.

A Segunda Guerra Púnica começou com a audaciosa invasão da Hispânia por Aníbal, o general cartaginês que liderara as operações na Sicília na Primeira Guerra Púnica. Aníbal, filho de Amílcar Barca, rapidamente marchou através da Hispânia para os Alpes italianos, causando pânico entre os aliados italianos de Roma. A melhor maneira encontrada para derrotar o propósito de Aníbal de causar os italianos a abandonar Roma foi para atrasar os cartagineses com uma guerra de atrito, uma estratégia proposta por Fábio Máximo, que seria apelidado Cunctator ( "retardado", em latim). Devido a isso, o objetivo de Aníbal foi inalterado: ele não poderia fazer com que cidades itálicas em número suficiente se revoltassem contra Roma e reabastecer seu exército cada vez menor, sendo assim, ele não tinha as máquinas e os recursos humanos para sitiar Roma. Ainda assim, a invasão de Aníbal durou mais de 16 anos, devastando a Itália. Finalmente, quando os romanos perceberam que os suprimentos de Aníbal estavam acabando, eles enviaram Cipião Africano, que havia derrotado o irmão de Aníbal, Asdrúbal, na Hispânia, para invadir o interior cartaginês desprotegido e forçar Aníbal a voltar para defender Cartago. O resultado foi o final da Segunda Guerra Púnica pela famosa e decisiva Batalha de Zama, em outubro de 202 a.C., que deu a Cipião seu agnome Africano. A grande custo, Roma obteve ganhos significativos: a conquista da Hispânia por Cipião e de Siracusa, o último reino grego na Sicília, por Marcelo.[33]

Quando em 151 a.C., a Numídia, um Estado cliente de Roma, invadiu Cartago, a cidade pediu intercessão romana. Embaixadores foram enviados para Cartago, entre eles Marco Pórcio Catão, que depois de ver que Cartago poderia voltar a recuperar sua importância política e militar, passou a terminar todos os seus discursos, não importa qual assunto fosse, dizendo: Ceterum censeo Carthaginem esse delendam ("Além disso, acho que Cartago deve ser destruída"). Como Cartago lutou contra a Numídia sem o consentimento romano, a Terceira Guerra Púnica começou quando Roma declarou guerra em 149 a.C.. Cartago resistiu bem no primeiro ataque, com a participação de todos os habitantes da cidade. No entanto, ela não suportou ao ataque de Cipião Emiliano, que destruiu inteiramente a cidade e suas muralhas, escravizou e vendeu todos os cidadãos e ganhou o controle daquela região, que se tornou a província da África Proconsular. Todas essas guerras resultaram nas primeiras conquistas ultramarinas de Roma (Sicília, Hispânia e África) e a ascensão de Roma como uma potência imperial significativa, o que deu início ao fim da democracia.[34][35]

César e Primeiro Triuvirato

Ver artigos principais: Júlio César e Primeiro Triunvirato

Depois de derrotar os impérios Macedônio e Selêucida no século II a.C., os romanos se tornaram o povo dominante do mar Mediterrâneo.[36][37] A conquista dos reinos helenísticos aproximou as culturas romana e grega e a elite romana, antes rural, tornou-se luxuosa e cosmopolita. Naquela época, Roma era um império consolidado - na visão militar - e não tinha grandes inimigos. O domínio estrangeiro levou a conflitos internos. Os senadores ficam ricos às custas das províncias; os soldados, na maioria agricultores de pequena escala, estavam fora de casa por mais tempo e não podiam manter suas terras; e o aumento da dependência de escravos estrangeiros e o crescimento dos latifúndios reduziram a disponibilidade de trabalho remunerado.[38][39]

A renda do espólio de guerra, o mercantilismo nas novas províncias e a criação de impostos criaram novas oportunidades econômicas para os ricos, formando uma nova classe de comerciantes, chamada de ordem equestre.[40] A lex Claudia proibiu os membros do senado de se engajarem no comércio e, apesar dos equestres teoricamente poderem se juntar ao senado, eles eram severamente restringidos do poder político.[40][41] Gangues violentas de desempregados urbanos, controladas por senadores rivais, intimidavam o eleitorado por meio da violência. A situação chegou ao auge no final do século II a.C. sob os irmãos Gracos, um par de tribunos que tentaram aprovar uma legislação de reforma agrária que redistribuiria as principais propriedades patrícias entre os plebeus. Ambos os irmãos foram mortos e o Senado aprovou reformas revertendo as ações deles.[42]

Em meados do século I a.C., a política romana estava inquieta. As divisões políticas em Roma eram identificadas em dois grupos, populares (que esperavam o apoio do povo) e os optimates (os "melhores", que queriam manter o controle aristocrático exclusivo). Sula derrubou todos os líderes populistas e suas reformas constitucionais removeram poderes (como os do tribuno da plebe) que apoiaram abordagens populistas. Enquanto isso, os estresses social e econômico continuaram a crescer; Roma havia se tornado uma metrópole com uma aristocracia super-rica, aspirantes endividados e um grande proletariado, frequentemente de fazendeiros empobrecidos. Os últimos grupos apoiaram a Conspiração Catilinária - um fracasso retumbante, já que o cônsul Marco Túlio Cícero rapidamente prendeu e executou os principais líderes da conspiração.[43]

Sobre esta cena turbulenta surgiu Caio Júlio César, de uma família aristocrática de riqueza limitada. Sua tia Júlia era a esposa de Caio Mário[44] e César identificou-se com os populares. Para alcançar o poder, César reconciliou os dois homens mais poderosos de Roma: Marco Licínio Crasso, que financiara grande parte de sua carreira anterior, e o rival de Crasso, Gneu Pompeu Magno (ou Pompeu), com quem sua filha se casou. Ele os formou em uma nova aliança informal, que incluía ele mesmo e era chamada de Primeiro Triunvirato ("três homens"). Isso satisfez os interesses de todos os três: Crasso, o homem mais rico de Roma, tornou-se ainda mais rico e finalmente alcançou o alto comando militar; Pompeu passou a exercer mais influência no senado; e César obteve o consulado e o comando militar na Gália. Enquanto pudessem concordar, os três eram os governantes de facto de Roma.[45]

A Morte de César
Vincenzo Camuccini, 1805

Em 54 a.C., a filha de César, esposa de Pompeu, morreu no parto, desvendando um elo da aliança. Em 53 a.C., Crasso invadiu o Império Arsácida e foi morto na Batalha de Carras. O triunvirato desintegrou-se com a morte de Crasso, que atuava como mediador entre César e Pompeu. Sem ele, os dois generais passaram a atacar um ao outro pelo poder. César conquistou a Gália, obtendo imensa riqueza, respeito em Roma e a lealdade de legiões endurecidas pela batalha. Ele também se tornou uma clara ameaça para Pompeu e era detestado por muitos optimates. Confiante de que César poderia ser impedido por meios legais, o partido de Pompeu tentou tirar de César suas legiões, um prelúdio para o julgamento, o empobrecimento e o exílio de César.[46]

Para evitar esse destino, César atravessou o rio Rubicão e invadiu Roma em 49 a.C.. Pompeu e seu grupo fugiram da Itália, perseguidos por César. A Batalha de Farsalos foi uma brilhante vitória para César e nesta e em outras campanhas ele destruiu todos os líderes dos optimates: Metelo Cipião, Catão, o Jovem, e o filho de Pompeu, Cneu Pompeu. Pompeu foi assassinado no Egito em 48 a.C.. César era agora dominante sobre Roma, o que atraiu a amarga inimizade de muitos aristocratas. Ele recebeu muitos cargos e honras. Em apenas cinco anos, ele obteve quatro consulados, duas ditaduras comuns e duas ditaduras especiais: uma por dez anos e outra pela perpetuidade. Ele foi assassinado em 44 a.C., nos idos de março pelos Liberatores.[47]

Otaviano e Segundo Triunvirato

A República Romana em 44 a.C.

O assassinato de César causou tumulto político e social em Roma; sem a liderança do ditador, a cidade era governada por seu amigo e colega, Marco Antônio. Logo depois, Otaviano, a quem César adotou por sua vontade, chegou a Roma. Otaviano (historiadores consideram Otávio como Octaviano devido às convenções de nomenclatura romana) tentou se alinhar com a facção cesariana. Em 43 a.C., junto com Antônio e Marco Emílio Lépido, o melhor amigo de César,[48] ele estabeleceu legalmente o Segundo Triunvirato. Esta aliança duraria cinco anos. Após sua formação, 130 a 300 senadores foram executados e suas propriedade foram confiscadas, devido ao suposto apoio aos Liberatores.[49]

Em 42 a.C., o senado deificou Júlio César como "Divino Júlio"; Otaviano tornou-se assim Divino Filho,[50] o filho do deificado. No mesmo ano, Otaviano e Antônio derrotaram os assassinos de César e os líderes dos Liberatores, Marco Júnio Bruto, o Jovem e Caio Cássio Longino, na Batalha de Filipos. O Segundo Triunvirato foi marcado pelas proibições de muitos senadores e equestres: depois de uma revolta liderada pelo irmão de Antônio, Lúcio Antônio, mais de 300 senadores e equestres envolvidos foram executados no aniversário dos Idos de Março, embora Lúcio tenha sido poupado.[51] O triunvirato proscrevia vários homens importantes, incluindo Cícero, a quem Antônio odiava;[52] Quinto Túlio Cícero, o irmão mais novo do orador; e Lúcio Júlio César, primo e amigo do aclamado general, por seu apoio a Cícero. No entanto, Lúcio foi perdoado, talvez porque sua irmã Júlia tenha intervido por ele.[53]

A família flaviana representada em Triunfo de Tito
Lawrence Alma-Tadema, 1885

O triunvirato dividiu o império entre os triúnviros: Lépido foi encarregado da África, Antônio das províncias orientais e Otaviano permaneceu na Itália e controlava a Hispânia e a Gália. O Segundo Triunvirato expirou em 38 a.C., mas foi renovado por mais cinco anos. No entanto, a relação entre Otaviano e Antônio se deteriorou e Lépido foi forçado a se aposentar em 36 a.C., depois de trair Otaviano na Sicília. No final do triunvirato, Antônio vivia no Egito ptolomaico, um reino independente e rico governado por sua amante, Cleópatra VII. O caso de Antônio com Cleópatra era visto como um ato de traição, já que ela era rainha de outro país. Além disso, Antônio adotou um estilo de vida considerado muito extravagante e helenista para um estadista romano.[54]

Após as Doações de Alexandria feitas por Antônio, que deram a Cleópatra o título de "Rainha dos Reis" e aos filhos de Antônio e Cleópatra os títulos régios dos recém-conquistados territórios orientais, eclodiu a guerra entre Otaviano e Antônio. Otaviano aniquilou as forças egípcias na Batalha de Ácio em 31 a.C.. Antônio e Cleópatra se suicidaram, o Egito havia sido conquistado pelo Império Romano e, para os romanos, uma nova era havia começado.

Império

Ver artigo principal: Império Romano

Em 27 a.C. e com a idade de 36 anos, Otaviano era o único líder romano. Naquele ano, ele tomou o nome de Augusto. Esse evento é geralmente considerado pelos historiadores como o início do Império Romano - embora Roma fosse um estado "imperial" desde 146 a.C., quando Cartago foi arrasada por Cipião Emiliano e a Grécia foi conquistada por Lúcio Múmio. Oficialmente, o governo era republicano, mas Augusto assumiu poderes absolutos.[55][56] Sua reforma do governo provocou um período de dois séculos coloquialmente referido pelos romanos como Pax Romana.[57]

Dinastia júlio-claudiana

Ver artigo principal: Dinastia júlio-claudiana

A dinastia júlio-claudiana foi estabelecida por Augusto. Os imperadores desta dinastia foram: Augusto, Tibério, Calígula, Cláudio e Nero. A dinastia é assim chamada devido às gente Júlia, a família de Augusto, e as gente Cláudia a família de Tibério. Os júlio-claudianos iniciaram a destruição dos valores republicanos, mas, por outro lado, impulsionaram o estatuto de Roma como a principal potência do mundo antigo.[58]

Enquanto Calígula e Nero são geralmente lembrados como imperadores disfuncionais na cultura popular, Augusto e Cláudio são lembrados como imperadores que tiveram sucesso na política e nas forças armadas. Esta dinastia instituiu a tradição imperial em Roma[59] e frustrou qualquer tentativa de restabelecer a República.[60]

Dinastia flaviana

Ver artigo principal: Dinastia flaviana

Os flavianos foram a segunda dinastia a governar Roma. Por volta do ano 68, ano da morte de Nero, não houve chance de retorno à antiga e tradicional República Romana, assim um novo imperador teve que se levantar. Após o tumulto no Ano dos Quatro Imperadores, Tito Flávio Vespasiano (ou Vespasiano) assumiu o controle do Império e estabeleceu uma nova dinastia. Sob o domínio dos flavianos, Roma continuou sua expansão e o Estado permaneceu seguro.[61][62]

Dinastia nerva-antonina

Império em seu auge sob Trajano em 117
Ver artigo principal: Dinastia nerva-antonina

A dinastia nerva-antonina, que governou entre 96 a 192, foi o domínio dos imperadores Nerva, Trajano, Adriano, Antonino Pio, Marco Aurélio, Lúcio Vero e Cômodo. Durante seu governo, Roma atingiu seu apogeu territorial e econômico. Este foi um momento de paz para Roma. Os critérios para escolher um imperador eram as qualidades do candidato e não mais laços de parentesco; Além disso, não houve guerras civis ou derrotas militares neste período.[63]

Após o assassinato de Domiciano, o Senado rapidamente nomeou Nerva para manter a dignidade imperial. Esta foi a primeira vez que os senadores escolheram o imperador desde que Otaviano foi honrado com os títulos de príncipe e Augusto. Nerva tinha uma ascendência nobre e servira como conselheiro de Nero e dos flavianos. Seu governo restaurou muitas das liberdades assumidas por Domiciano e iniciou a última era de ouro de Roma.[64]

Dinastia severa

Ver artigo principal: Dinastia severa

Cômodo foi morto por uma conspiração envolvendo Quinto Emílio Leto e sua esposa Marcia no final de 192. O ano seguinte é conhecido como o Ano dos Cinco Imperadores, durante o qual Públio Hélvio Pertinax, Dídio Juliano, Pescênio Níger, Clódio Albino e Septímio Severo mantiveram a dignidade imperial. Pertinax, um membro do Senado que havia sido um braço direito de Marco Aurélio, foi a escolha de Leto e ele governou de forma vigorosa e judiciosa. Leto logo ficou com ciúmes e instigou o assassinato de Pertinax pela guarda pretoriana, que então leiloou o império para o maior lance, Dídio Juliano, por 25 000 sestércios por homem.[65]

O povo de Roma ficou horrorizado e apelou às legiões de fronteira para salvá-lo. As legiões de três províncias fronteiriças - Britânia, Panônia Superior e Síria - ressentiam-se de serem excluídas do "donativo" e respondiam declarando que seus generais individuais eram imperadores. Lúcio Septímio Severo Geta, o comandante da Panônia, subornou as forças adversárias, perdoou os guardas pretorianos e instalou-se como imperador. Ele e seus sucessores governaram com o apoio das legiões. As mudanças nas cunhagens e nos gastos militares foram a raiz da crise financeira que marcou a crise do terceiro século.[65]

Crise do terceiro século

As divisões internas do Império Romano formaram o Império de Palmira (em amarelo) e o Império das Gálias (em verde)

Um cenário desastroso surgiu após a morte de Alexandre Severo: o Estado romano foi atormentado por guerras civis, invasões externas, caos político, pandemias e depressão econômica.[66][34] Os antigos valores romanos haviam entrado em decadência e o mitraísmo e o cristianismo começaram a se espalhar pela população. Os imperadores não eram mais homens ligados à nobreza; eles geralmente nasceram em classes baixas de partes distantes do Império. Esses homens alcançaram proeminência através das fileiras militares e tornaram-se imperadores através de guerras civis.[67]

Houve 26 imperadores em um período de 49 anos, um sinal de instabilidade política. Maximino Trácio foi o primeiro imperador da época e governou por apenas três anos. Outros governaram apenas por alguns meses, como Gordiano I, Gordiano II, Balbino e Hostiliano. A população e as fronteiras foram abandonadas, uma vez que os imperadores estavam mais preocupados em derrotar seus rivais e em estabelecer seu domínio. A economia também sofreu durante essa época. Os enormes gastos militares do Severo causaram uma desvalorização das moedas romanas. A hiperinflação veio também nesse momento. A Praga de Cipriano estourou em 250 e matou uma grande parte da população.[68][69]

Em 260, as províncias da Síria Palestina, Ásia Menor e Egito separaram-se do resto do Estado romano para formar o Império Palmirense, governado pela rainha Zenóbia e centrado na cidade de Palmira. Nesse mesmo ano, o Império Gálico foi criado por Póstumo, mantendo controle sobre a Britânia e a Gália.[70] Estas regiões do império separaram-se de Roma depois da captura do imperador Valério pelos sassânidas da Pérsia, o primeiro governante romano a ser capturado por seus inimigos; foi um fato humilhante para os romanos.[68] A crise começou a retroceder durante os reinados de Cláudio Gótico (268-270), que derrotou os invasores godos, e Aureliano (271-275), que reconquistou os Impérios Gálico e Palmirensee.[71][72] A crise foi superada durante o reinado de Diocleciano.[67]

Dominato

Ver artigo principal: Dominato
Diocleciano

Em 284, Diocleciano foi saudado como imperador pelo exército oriental. Diocleciano resolveu a crise através de mudanças políticas e econômicas. Uma nova forma de governo foi estabelecida: a Tetrarquia. O Império foi dividido entre quatro imperadores, dois no Ocidente e dois no Oriente. Os primeiros tetrarcas foram Diocleciano (no Oriente), Maximiano (no Ocidente) e dois imperadores júnior, Galério (no Oriente) e Flávio Constâncio (no Ocidente). Para ajustar a economia, Diocleciano fez várias reformas tributárias.[73]

Diocleciano expulsou os persas que saquearam a Síria e conquistaram algumas tribos bárbaras com Maximiano. Ele adotou muitos comportamentos de monarcas orientais, como usar pérolas, sandálias e vestes douradas. Qualquer um na presença do imperador tinha agora que se prostrar[74] - um ato comum no Oriente, mas nunca praticado em Roma antes. Diocleciano não usou uma forma disfarçada de República, como os outros imperadores desde Augusto fizeram.[75] Entre 290 e 330, meia dúzia de novas capitais haviam sido estabelecidas pelos membros da Tetrarquia, oficialmente ou não: Antioquia, Nicomédia, Tessalônica, Sírmio, Mediolano (atual Milão) e Augusta dos Tréveros (atual Tréveris).[76]

Diocleciano também foi responsável por uma significativa perseguição aos cristãos. Em 303, ele e Galério iniciaram a perseguição e ordenaram a destruição de todas as igrejas e proibiram o culto cristão.[77] Diocleciano abdicou em 305 juntamente com Maximiano, assim, ele foi o primeiro imperador romano a renunciar ao cargo. Seu reinado terminou a forma tradicional de governo imperial, o Principado (de príncipe) e iniciou o Dominato (de Dominus, "Mestre").[78]

Constantino e Cristianismo
Maquete de Roma durante o reinado de Constantino (306-337)

Constantino assumiu o império como um tetrarca em 306. Ele conduziu muitas guerras contra os outros tetrarcas. Em primeiro lugar, ele derrotou Maxêncio em 312. Em 313, ele emitiu o Edito de Milão, que concedia liberdade para os cristãos professarem sua religião. Constantino foi convertido ao cristianismo, reforçando a fé cristã. Ele começou a cristianização do Império e da Europa - um processo concluído pela Igreja Católica durante a Idade Média.[79][80]

Ele foi derrotado pelos francos e pelos alamanos entre 306 e 308. Em 324, ele derrotou outro tetrarca, Licínio, e passou a controlar todo o império, como era antes de Diocleciano. Para celebrar suas vitórias e a relevância do cristianismo, ele reconstruiu Bizâncio e renomeou-a como a Nova Roma; mas a cidade logo ganhou o nome informal de Constantinopla ("Cidade de Constantino").[81][82]

Bizâncio serviu como uma nova capital para o Império, sendo que Roma havia perdido sua importância central desde a crise do terceiro século - Mediolano foi a capital ocidental de 286 a 330, até o reinado de Honório, quando Ravena foi transformada em capital, no século V.[83] As reformas administrativas e monetárias de Constantino, que reuniram o Império sob um imperador e reconstruíram a cidade de Bizâncio, mudaram o mundo antigo.[80]

Colapso

O Saque de Roma em 410, perpetrado pelos visigodos. Foi a primeira vez em 800 anos que a capital romana caiu para um inimigo estrangeiro.

Sob os últimos imperadores da dinastia constantiniana e da dinastia valentiniana, Roma perdeu batalhas decisivas contra o Império Sassânida e os bárbaros germânicos: em 363, o imperador Juliano, o Apóstata, foi morto na Batalha de Samarra contra os persas e a desastrosa Batalha de Adrianópolis custou a vida do imperador Valente (364-378); os vitoriosos godos nunca foram expulsos nem assimilados pelo Império.[84] O imperador seguinte, Teodósio I (379-395), deu ainda mais força à fé cristã e, após sua morte, o Império foi dividido em Império Romano do Oriente, governado por Arcádio, e o Império Romano do Ocidente, comandado por Honório, ambos dos quais eram filhos de Teodósio. No final dos séculos IV e V, o Império Romano do Ocidente entrou em um estágio crítico que culminou em seu colapso.[85]

A situação tornou-se mais crítica em 408, após a morte de Estilicão, um general que tentou reunir o Império e repelir a invasão bárbara nos primeiros anos do século V. O exército profissional entrou em colapso. Em 410, a dinastia teodosiana viu os visigodos saquearem Roma.[86] Durante o século V, o Império do Ocidente experimentou uma redução significativa de seu território. Os vândalos conquistaram o norte da África, os visigodos reivindicaram a Gália, a Hispânia foi tomada pelos suevos, a Britânia foi abandonada pelo governo central e o Império sofreu ainda mais com as invasões de Átila, líder dos hunos.[87][88][89][90][91][92]

O general Orestes recusou-se a atender às exigências dos "aliados" bárbaros que agora formavam o exército e tentou expulsá-los da Itália. Infeliz com isso, seu chefe Odoacro derrotou e matou Orestes, invadiu Ravena e destronou Rômulo Augusto, filho de Orestes. Este evento, ocorrido em 476, geralmente marca o fim da Antiguidade Clássica e início da Idade Média na Europa.[93][94]

Após cerca de 1200 anos de independência e quase 700 anos como uma grande potência, o governo de Roma no Ocidente acabou.[95] Várias razões para a queda de Roma foram propostas desde então, incluindo o fim do republicanismo, a decadência moral, a tirania militar, a guerra de classes, a escravidão, a estagnação econômica, as mudanças ambientais, o surgimento de pandemias e o declínio do povo romano, assim como o inevitável fluxo e refluxo que todas as civilizações da história já experimentam. Na época, muitos pagãos argumentavam que o cristianismo e o declínio da religião romana tradicional eram os responsáveis pelo colapso do império; alguns pensadores racionalistas da era moderna atribuem a queda a uma mudança de uma religião marcial para uma religião mais pacifista, que diminuiu o número de soldados disponíveis; enquanto cristãos, como Agostinho de Hipona, argumentavam que a natureza pecaminosa da própria sociedade romana tinha sido a culpada pelo declínio.[96]

Império do Oriente (ou Bizantino)

Ver artigo principal: Império Bizantino
O Império Bizantino em seu auge no ano de 555, durante o período de Justiniano

O Império do Oriente teve um destino diferente. Ele sobreviveu por quase 1000 anos após a queda de sua contraparte ocidental e se tornou o reino cristão mais estável da Idade Média.[97] O Oriente foi poupado das dificuldades enfrentadas pelo Ocidente no século V, em parte devido a uma cultura mais urbana e a mais recursos financeiros[98] que lhe permitiram evitar invasões pagando tributos e contratando mercenários estrangeiros. Teodósio II (r. 408–450) comissionou em Constantinopla as muralhas que levaram seu nome (408–413),[99] o que deixou a cidade imune à maior parte dos ataques; as muralhas mantiveram-se inexpugnáveis até 1204.[100] Com o fim da ameaça huna, o Império do Oriente viveu um período de paz, enquanto o Império do Ocidente continuou seu lento declínio em decorrência da expansão dos povos germânicos: por esta altura muitos de seus antigos territórios já haviam sido perdidos, terminando por ser completamente conquistado em 476 pelo oficial de origem germânica Odoacro, que forçou o imperador Rômulo Augusto (r. 475–476) a abdicar.[101][102]

Em 480, o imperador Zenão I (r. 474–491) aboliu a divisão do império, tonando-se imperador único. Odoacro (r. 476–493), agora governando a Itália como rei, foi nominalmente subordinado de Zenão, mas atuou com completa autonomia e acabou por apoiar uma rebelião contra o imperador.[103] Para recuperar a Itália, Zenão negociou a reconquista com o rei ostrogótico da Mésia, Teodorico, o Grande (r. 474–526), a quem enviou como mestre dos soldados da Itália, a fim de depor Odoacro. Ele foi assassinado por Teodorico durante um banquete em 493 e Teodorico fundou o Reino Ostrogótico, do qual tornou-se rei (493–526),[104] embora nunca tenha sido reconhecido como tal pelos imperadores orientais.[103] Em 491, Anastácio I (r. 491–518), um oficial civil de origem romana, tornou-se imperador. No âmbito militar foi bem sucedido em suprimir, em 497, uma revolta isaura que havia eclodido em 492,[105] bem como numa guerra contra o Império Sassânida. Atualmente desconhecem-se os termos do tratado de paz que terminou este último conflito.[106][107] No âmbito administrativo mostrou-se um reformador enérgico e um administrador competente — aperfeiçoou o sistema de cunhagem de Constantino, através do estabelecimento definitivo do peso do fólis, a moeda utilizada na maioria das transações diárias,[108] e reformou o sistema tributário, abolindo permanentemente o imposto Crisárgiro. O Tesouro do Estado dispunha da enorme quantia de 150 000 quilos de ouro quando ele morreu em 518.[109]

Animação da evolução territorial do Estado romano até a Queda de Constantinopla em 1453.

Durante o século VI, Justiniano reconquistou o norte da África e a península itálica. Mas poucos anos após a morte de Justiniano, as possessões bizantinas na Itália foram bastante reduzidas pelos lombardos, que se estabeleceram na região.[97] No leste, parcialmente devido ao efeito enfraquecedor da Praga de Justiniano, os bizantinos foram ameaçados pela ascensão do islã. Seus seguidores rapidamente provocaram a conquista da Síria, a conquista da Armênia e a conquista do Egito durante as guerras bizantino-árabes, e logo representaram uma ameaça direta a Constantinopla.[110][111] No século seguinte, os árabes também capturaram o sul da Itália e a Sicília.[112]

Os bizantinos, no entanto, conseguiram impedir novas expansões islâmicas em suas terras durante o século VIII e, a partir do IX, recuperaram partes das terras conquistadas.[110][113] Em 1000, o Império do Oriente estava no auge: Basílio II reconquistou a Bulgária e a Armênia, período em que a cultura e o comércio floresceram.[114] No entanto, logo depois, esta expansão foi abruptamente interrompida em 1071 com a derrota bizantina na Batalha de Manziquerta. As consequências dessa batalha levaram o império a um longo período de declínio.[110]

Colapso

Ver artigo principal: Queda de Constantinopla

Duas décadas de lutas internas e invasões turcas acabaram levando o imperador Aleixo I Comneno a enviar um pedido de ajuda aos reinos da Europa Ocidental em 1095.[110] O Ocidente respondeu com as Cruzadas, o que eventualmente resultou no saque de Constantinopla pelos participantes da Quarta Cruzada. A conquista de Constantinopla em 1204 fragmentou o que restou do Império em Estados sucessores; o vencedor final foi o Império de Niceia.[115] Após a reconquista de Constantinopla pelas forças imperiais, o Império Bizantino era pouco mais que um Estado grego confinado à costa do mar Egeu. O Império entrou em colapso quando Maomé II, o Conquistador, tomou a cidade Constantinopla em 29 de maio de 1453.[116]