República Rio-Grandense

Disambig grey.svg Nota: Não confundir com República do Rio Grande.



República Rio-Grandense
República Rio-Grandense

Reconhecido Unicamente Pelo Uruguai

Flag of Brazil (1822–1870).svg
 
Bandeira Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.svg
1836 – 1845Flag of Brazil (1870–1889).svg
 
Bandeira Província de São Pedro do Rio Grande do Sul.svg
FlagBrasão
BandeiraBrasão
Lema nacional
Liberdade, Igualdade, Humanidade
Localização de República Rio-Grandense
ContinenteAmérica do Sul
CapitalOficiais

Não-oficiais

Língua oficialPortuguês
ReligiãoCatolicismo Romano
GovernoRepública presidencialista
Presidente
 • 1836 - 1841Bento Gonçalves da Silva
 • 1841 - 1845José Gomes de Vasconcellos Jardim
História
 • 11 de setembro de 1836Proclamação da República Rio-Grandense
 • 24 de julho de 1839Confederação com a República Juliana (embora os poucos catarinenses que se encontravam no pequeno território catarinense tomado pelos revoltosos - o território compreendia somente a cidade de Laguna - não reconhecessem a República Juliana, além desta "república" ter durado apenas de 24 de julho a 15 de novembro de 1839)
 • 8 de fevereiro de 1843Constituição
 • 1 de março de 1845Tratado de Poncho Verde (que põe fim à Revolução Farroupilha e extingue a República Rio-Grandense)

A República Rio-Grandense, também conhecida como República de Piratini, foi um Estado-nação não-reconhecido formado no extremo sul do Império do Brasil, em território equivalente ao atual estado do Rio Grande do Sul. O período constituiu sendo a mais longa revolta brasileira da história.[1] Foi proclamada em 11 de setembro de 1836, pelo general Antônio de Sousa Neto, como consequência direta da vitória obtida por forças oligárquicas gaúchas na Batalha do Seival (1836), durante a Revolução Farroupilha (1835-1845).[2] No entanto, o objetivo principal nunca foi proclamar um estado-nação próprio separado do Estado brasileiro, mas sim mostrar ao Império do Brasil que as oligarquias gaúchas não estavam nem um pouco satisfeitas com os altos impostos.[1]

Os principais líderes sul-rio-grandenses eram estancieiros, que estavam insatisfeitos com os altos impostos sobre o charque e o couro, de modo que os mesmos produtos estrangeiros fossem mais baratos que os nacionais. A Constituição da República Rio-grandense foi aprovada em 1843, em Alegrete. No entanto, as oligarquias gaúchas se consideravam brasileiras, ainda que tivessem se rebelado por essa disparidade econômica. O mesmo acontecia com a população do Rio Grande do Sul, que também se considerava brasileira, ainda que tenham sido convencidos a lutar em favor dos estancieiros gaúchos, em função dos altos impostos sobre o charque e o couro, que prejudicavam diversos setores da economia local. Entre as principais cidades da então Província de São Pedro do Rio Grande do Sul que não aderiram aos revoltosos, está Porto Alegre, que por esse motivo recebeu do Império o título de "Leal e Valerosa Cidade de Porto Alegre", seu lema oficial até hoje.[1]

Essa " brasilidade" não era unânime, pois os riograndenses estavam em contato com os povos platinos, afeitos a uma liberdade sem serem sub-vircentes ao régio poder da corte do Rio de Janeiro, a ex província da Cisplatina era um exemplo que poderiam se livrar das amarras brasileiras. Quando o império perdeu a província da Cisplatina, tornando como nome a república da banda oriental do Uruguai, os riograndenses fizeram o maior esforço na Guerra da Cisplatina, sendo depois renegados pela perda dessa província rica em gado do qual alimentava as charqueadas no Rio Grande do Sul. É inegável a aproximação de amizade das autoridades uruguaias com os principais líderes riograndenses na guerra de independência do Rio Grande do Sul. Os " farroupilhas" eram, de fato, liberais exaltados e não toleravam uma regência centralista da corte do Rio de Janeiro, alheia às aspirações e interesses regionais.[3]

História

A economia da então província de São Pedro do Rio Grande do Sul do Império do Brasil era voltada principalmente para a produção de charque e couro. A província voltava a sua produção para o mercado interno, do qual dependia inteiramente. Mas com o câmbio sobrevalorizado e os benefícios tarifários então oferecidos, o charque importado tinha um custo inferior ao nacional. Assim sendo, os estancieiros da região iniciaram uma rebelião contra o Império do Brasil, e, no dia 10 de setembro de 1836, ocorreu a Batalha do Seival. Com a fulminante vitória dos revoltosos, liderados por Antônio de Sousa Neto, a ideia separatista tomou forma. No dia seguinte, em 11 de setembro, o general Souza Neto proclamou a República Rio-Grandense.[4][5]

Outro líder separatista, Bento Gonçalves, então preso por forças imperiais na província da Bahia, foi aclamado presidente em 6 de novembro de 1836, junto com quatro vice-presidentes: Antônio Paulino da Fontoura, José Mariano de Matos, Domingos José de Almeida e Inácio José de Oliveira Guimarães.[5]

Parreiras, Antônio (1915). Proclamação da República Piratini. [S.l.: s.n.] .

Como Bento Gonçalves estava preso, foi necessário eleger um novo presidente, José Gomes de Vasconcelos Jardim, que imediatamente nomeou para seu o ministério da república:[4]

Ao longo da guerra foram nomeados como generais da república: João Manuel de Lima e Silva, Bento Gonçalves, Antônio de Sousa Neto, Bento Manuel Ribeiro, Davi Canabarro e João Antônio da Silveira.[6]

A primeira capital da nova república foi a cidade de Piratini.[4] Em 1839, forças lideradas pelo revolucionário italiano Giuseppe Garibaldi e pelo gaúcho Davi Canabarro proclamaram a República Juliana na província de Santa Catarina, tomando a cidade de Laguna. A nova república formou uma confederação com a Rio-Grandense mas não durou muito, pois não conseguiu tomar a capital provincial de Nossa Senhora do Desterro, posteriormente renomeada para Florianópolis.[4]

A República Rio-Grandense foi dissolvida em 1 de março de 1845, pelo Tratado de Poncho Verde, que manteve em vigor algumas leis derivadas da constituição rio-grandense. Teve ao todo seis capitais durante os seus nove anos de existência: Piratini, Caçapava do Sul, Alegrete e São Gabriel (capitais oficiais), Bagé (somente por duas semanas) e São Borja. Os seus presidentes foram Bento Gonçalves e Gomes Jardim.[7]

Bandeira

Bandeira usada pelos farrapos durante a revolta (1835-1845).

A bandeira oficial da República Rio-Grandense era composta pelas cores verde, amarelo e vermelho. Há duas versões para o motivo da composição da bandeira: uma versão explica que seriam as cores-símbolos do Brasil, o verde-amarelo, com o vermelho, que simboliza a república, entrecortando as mesmas; outra versão explica que o verde representava a mata dos pampas, o vermelho o ideal revolucionário, e o amarelo as riquezas do território gaúcho; e uma outra versão diz tratar-se o verde da bandeira portuguesa e o amarelo da bandeira espanhola (respectivamente, o mais importante colonizador e o segundo mais importante colonizador do território do estado do Rio Grande do Sul), entrecortados pela listra vermelha em vertical que seria símbolo de federação na região platina desde a época de José Gervásio Artigas (1764-1850).[7]

No entanto, o verde só seria adicionado à bandeira portuguesa em 1910, sessenta e cinco anos depois do término da Revolução Farroupilha, o que descarta esta última versão. Da mesma forma, a atual bandeira do estado do Rio Grande do Sul vem a ter as mesmas cores, tendo sido adicionado o brasão da República Rio-Grandense no meio da bandeira.[7]