Reino de Alódia
English: Alodia

Reino de Alódia
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século VI — ca. 1500 
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Approximate extension of Alodia based on accounts of Ibn Hawqal.png
Extensão aproximada de Alódia no século X. Feixes brancos e pontos de interrogação simbolizam a propriedade incerta
RegiãoÁfrica
CapitalSoba
País atualSudão

Línguas oficiais
ReligiãoOrtodoxia copta

Forma de governoMonarquia
Rei

Período históricoIdade Média
• século VI  Citado pela primeira vez
• ca. 1500  Destruído

Alódia,[3] também chamado de Aluá (em árabe: علوة; transl.: Alwa) ou Árua (em grego medieval: Aρογα; transl.: Aroua), foi um reino núbio situado no centro-sul do Sudão. Sua capital era Soba, localizada perto da moderna Cartum, na confluência do Nilo Azul e Nilo Branco. Fundado em algum momento após o colapso do Reino de Cuxe, em cerca de 350, foi citado pela primeira vez em 569. Foi o último dos três reinos núbios a se converter ao cristianismo em 580 após Nobácia e Macúria. Possivelmente alcançou seu zênite nos séculos IX-XII, quando os registros mostram que controlou muito do centro-sul do Sudão.

Superou seu vizinho Macúria, com o qual mantinha íntimos laços dinásticos, em tamanho, poder militar e bonança econômica. Alódia, um grande estado multicultural, era administrado por um rei poderoso e governadores provinciais nomeados por ele. A capital Soba, dita como cidade de "moradias extensas e igrejas cheias de ouro e jardins",[4] prosperou como centro comercial. Os bens chegaram de Macúria, Oriente Médio, África Ocidental, da Índia e China. A alfabetização em núbio e grego floresceu.

A partir do século XII e, especialmente, do XIII, Alódia declinou, possivelmente por causa de invasões do sul, secas e mudança de rotas comerciais. No século XIV, pode ter sido devastado pela praga, enquanto tribos árabes começaram sua migração ao vale do Alto Nilo. Por volta de 1500, Soba caiu para os árabes ou para os funjes. Isso provavelmente marcou o fim de Alódia, embora algumas tradições orais sudanesas afirmassem que sobreviveu sob a forma do Reino de Fazogli dentro das fronteiras etíope-sudanesas. Após a destruição de Soba, os funjes estabeleceram o Sultanato de Senar, dando início a um período de islamização e arabização.

Fontes

Alódia é, de longe, o menos estudado dos três reinos núbios medievais,[5] daí a evidência escassa.[6] O que se sabe sobre ele vem principalmente de um punhado de historiadores árabes medievais. Os mais importantes são os geógrafos islâmicos Iacubi (século IX), ibne Haucal e ibne Selim de Assuã (século X), que visitaram-o, e o copta Abul Macarim[7] (século XII).[8] Eventos da sua cristianização no século VI foram descritos pelo bispo coetâneo João do Éfeso;[9] várias fontes sudanesas pós-medievais abordam sua queda.[10][11] ibne Selim observou que interagiu com um historiador núbio que era "bem familiarizado com o país de Alódia",[12] mas nenhuma obra historiográfica núbia medieval foi descoberta.[13]

Embora se conheça muitos locais alódios,[14] apenas Soba foi amplamente escavada.[15] Partes do local foram escavadas no início dos anos 50, com mais escavações ocorrendo nos anos 80 e 90.[16] Um novo projeto de pesquisa multidisciplinar está programado para começar no final de 2019.[17] Soba tem aproximadamente 2,75 quilômetros quadrados de tamanho e está coberta por numerosos montes de entulho de tijolos que antes pertenciam a estruturas monumentais.[16] As descobertas feitas até agora incluem várias igrejas, um palácio, cemitérios e numerosos pequenos achados.[18]