Reino da Galiza

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Reino da Galiza

Reino

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409 – 1833PortugueseFlag1095.svg
 
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FlagBrasão
BandeiraBrasão de armas
Lema nacional
Hoc hic misterium fidei firmiter profitemur
(latim, "Aquí está o mistério da fé que firmemente professamos")
Hino nacional
Antiga Marcha do Reino da Galiza


Localização de Reino da Galiza
Localização do Reino da Galiza e sua extensão no século XI (em vermelho). Continente europeu (em castanho claro e branco).
ContinenteEuropa
RegiãoPenínsula Ibérica
CapitalSantiago de Compostela, com anterioridade em Braga, Lugo
Língua oficiallatim vulgar e outras línguas desde o século V, galego-português desde o IX, e castelhano desde o XVI.
ReligiãoCatólica
GovernoMonarquia
Rei
 • 409Hermerico
 • 1230Fernando III de Leão e Castela
LegislaturaJuntas do Reino da Galiza
História
 • 409Fundação
 • 1833Dissolução
Atualmente parte de Galiza
Cronologia do Reino da Galiza
409Os suevos, encabeçados pelo rei Hermerico, pactuam um foedus com Roma e estabelecem-se formalmente na província romana da Galécia, que passa a ter rango de reino, com capital em Braga.
438O rei Réquila leva a cabo a expansão sueva pela Lusitânia e Bética
448Morre Réquila em Emerita Augusta, o seu filho Requiário herda o trono.
449O rei suevo Requiário converte o reino ao catolicismo.
456Tem lugar a batalha de Órbigo, onde uma coligação de romanos, visigodos e francos derrota os suevos acabando com a vida do rei Requiário.
457O hérulo Agiulfo proclama-se rei da Galiza.
457-463Guerra civil entre os diversos reis suevos que possuem o trono de Braga.
463Remismundo Consegue impor-se sobre os seus opositores e se coroa rei da toda a Galiza.
550Carriarico, rei da Galiza, converte o reino ao catolicismo.
561Celebra-se o Primeiro Concílio de Braga durante o reinado de Teodomiro
572Celebra-se o Segundo Concílio de Braga, auspiciado pelo rei Miro.
583Fracassa a aliança que o rei Miro mantinha com francos e bizantinos para intervir na guerra civil visigoda.
585O rei visigodo Leovigildo depõe o rei suevo Andeca, ficando deste jeito com o reino. Os visigodos governarão a Galiza até 711.
587É celebrado o III Concílio de Toledo, ao qual assistem bispos da Galiza, Hispânia e Septimânia.
698-702O príncipe visigodo Galiza com atribuição reais, desde a sua corte em Tui.
711Desembarca em Tarifa um contingente militar muçulmano em apoio dos filhos de Vitiza. Derrota e morte do rei visigodo Rodrigo.
714 e 719A Hispânia e a Septimânia são tomadas pelos exércitos muçulmanos. Fim da monarquia visigoda.
711-791A ausência da autoridade real, ocasiona que os nobres galaicos comecem a se disputarem controlo da Galiza. Período de formação de um novo reino cristão na Galiza.
791Afonso II fixa a capital do reino da Galiza na cidade asturiana de Oviedo.
794Bispos galegos acodem ao sínodo religioso celebrado em Francoforte.
818 - 847Descoberta dos restos atribuídos ao apóstolo Santiago Maior.
842Ramiro I derrota Nepociano e usurpa o trono de Oviedo.
910Afonso III é destronado pelo seu filho Garcia I que é coroado rei, e instala definitivamente na cidade de Leão a corte da Galiza.
997O general muçulmano Almançor saqueia a cidade de Compostela.
1027Morre o rei Afonso V de uma flechada durante o assédio a Viseu.
1037Morte de Vermudo III da Galiza na batalha de Tamarón, contra castelhanos e navarros.
1111Coroação de Afonso Raimundez como rei da Galiza na Catedral de Santiago de Compostela.
1128Afonso Henriques independiza o condado de Portugal do reino da Galiza.
1230Fernando III de Castela usurpa às suas irmãs os reinos da Galiza e Leão.
1296-1301O rei João I, restaura a independência galego-leonesa e se intitula rei da Galiza, Leão e Sevilha.
1369A vilas galegas proclamam como rei a Fernando I de Portugal, este consegue reinar apenas uns meses até que Henrique de Trastâmara ataca Portugal.
1386-1388Aliança entre nobres galegos e Inglaterra. João de Gante, duque de Lancaster é coroado rei na Galiza.
1467-1469Estoura a Grande Revolta Irmandinha.
1483Execução de Pero Pardo de Cela diante da Catedral de Mondonhedo por ordem do Governador dos Reis Católicos na Galiza.
1486Os Reis Católicos viajam ao reino para constatar a submissão de todos os nobres galegos.
1518Mobilização das cidades e vilas galegas para recuperar o seu voto legítimo nas Cortes.
1623O reino recupera o voto das cortes reais após pagar 100.000 ducados.
1808Formação da Junta Superior do Reino da Galiza com o fim de defender o reino perante os exércitos napoleônicos. Recuperação de atribuições de autogoverno extraordinárias.
1833A regente Maria Cristina de Bourbon assina o decreto da dissolução da Junta Superior do Reino da Galiza.

O Reino da Galiza (em galego: Reino de Galicia ou Reino de Galiza; em latim: Galliciense Regnum; século V - 1833) foi uma entidade política surgida no noroeste da Península Ibérica no territorio da provincia romana da Gallaecia. A sua extensão territorial, inicialmente de proporções bastante maiores do que a actual Galiza, foi evoluindo ao longo dos séculos.

Território e conceito

A Galécia passou de ser uma província romana a albergar um reino pelas mãos dos suevos; autores coetâneos, no fim da dominação romana, falavam de uma Galécia que possuía proporções muito maiores do que a actual Galiza, cujos limites permaneceram praticamente intactos até ao século XII, momento no qual Portugal deixou de pertencer ao Reino de Leão para passar a ter personalidade própria.

O território da Galiza nesta época (séculos IV-V) aparece relatada por numerosos autores da época, assim o historiador e teólogo galaico-romano Paulo Orósio, em começos do século V, explica na sua obra Historiarum que Cantabri et Astures Gallaecie provinciae portio sunt[1], isto é, Cántabros e ástures fazem parte da província da Galiza, ideia que o cronista bracarense Idácio reflecte de igual modo na sua Crónica em meados do século V, onde denomina "Campo da Galécia" (Campus Gallaeciae) à grande planície conhecida hoje como Tierra de Campos, na actual Castela-Leão. Posteriores autores, como Isidoro de Sevilha no século VII, continuaram a fazer finca-pé na extensão da Galiza, já sob o domínio visigodo; assim, na sua obra Etymologiae, matiza que "Astúrias e Cantábria, são regiões sitas na Galiza", regiones partes sunt provinciarum (?) sicut in Gallicia; Cantabria, Asturia.[2]

Escudo do reino da Galiza ilustrado em L´armorial Le Blancq. Biblioteca Nacional de France. 1560

Os autores destacam a polissemia do conceito, por um lado uma Galiza ampla, uma província romana que incluía o território compreendido entre Fisterra até à actual La Rioja, onde se encontravam galaicos, ástures, cântabros, váceos e outros povos, e por outro lado a Galiza propriamente dita, o território que não sendo nem ástur nem cântabro, estava habitado (entre outros) pelos galegos, e que lhe daria o nome a todo o noroeste peninsular até ao século XII.

Com a chegada dos suevos desde a Europa central em 411 d.C.[3], a Galiza deixa de ser uma província romana (Galécia)[4], para se tornar finalmente num reino com a corte fixada em Braga, um reino que os suevos tentariam depressa acrescentar pelo sul à custa do Império Romano, incorporando ao seu domínio e de jeito permanente boa parte da parte da província romana de Lusitânia, chegando a fazer-se temporalmente com a capital, Emerita Augusta (Mérida)[5], que depois seria abandonada.

Após a batalha de Vouillé em 507, os visigodos são expulsos da Gália (excepto a Septimânia) pelos francos, sob o comando de Clóvis I.

Depois do século VI, o nome de Hispânia viria perder o significado geográfico que possuía até então, para designar o território governado pelos visigodos. Ao mesmo tempo, "Galécia" tornar-se-ia o nome do território governado pelos reis suevos. A Península Ibérica ficava repartida assim em duas entidades administrativas, Hispânia e Galécia, mantendo-se assim por mais de cinco séculos.

O fim das monarquias sueva e visigoda não mudou esta nomeação da Península Ibérica, que ficava partilhada assim em duas entidades geográficas, Hispânia e Galécia, mantendo-se assim por mais de cinco séculos. Eram usadas fórmulas tais como Galletiam et Ispaniam[6],Hispaniae et Galiiciae[7], Hispaniis et Gallicis regionibus[8], presentes ao longo de toda a Idade Média.[9].

No início do século XII, a Galiza começou a fragmentar-se, nomeadamente em 1108 com a independência de Portugal, e que acabaria por excluir Leão (com Astúrias, Estremadura) e Castela, da antiga demarcação galega, tornando-se reinos próprios num lento processo de particularização. Em finais do século XII, Galiza, Leão, Castela e Portugal eram já reinos diferentes com personalidade própria, apesar de por vezes terem tido monarcas compartilhados.