Protestos em Hong Kong em 2019

Disambig grey.svg Nota: Para ver o projeto de lei de extradição, veja Projeto de lei de extradição de Hong Kong em 2019.
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Este artigo ou seção é sobre um evento atual. A informação apresentada pode mudar com frequência. Não adicione especulações, nem texto sem referência a fontes confiáveis. (editado pela última vez em 13 de setembro de 2019)
Protestos em Hong Kong em 2019
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Manifestação de 16 de junho
Período31 de março de 2019 – presente
(5 meses e 2 dias)
LocalVários distritos de Hong Kong e dezenas de outras cidades no exterior da China
Resultado
  • Lei indefinidamente suspensa em 15 de junho, declarada como "morta" em 9 de julho[1][2]
  • Lam anuncia em 4 de setembro que o projeto será retirado em uma futura sessão do governo[3]
  • Polícia retrai parcialmente a caracterização dos protestos como "tumulto"[4]
Causas
Objetivos
  • Retirada completa da proposta da lei de extradição do processo legislativo (em oposição à suspensão)
  • Retratação da caracterização dos protestos como "tumultos"
  • Liberação e exoneração de manifestantes presos
  • Estabelecimento de uma comissão independente de inquérito sobre o comportamento policial
  • Retrair a caracterização do protesto de 12 de junho como um tumulto
  • Renúncia de Carrie Lam
  • Sufrágio universal para as eleições do Conselho Legislativo e do Chefe do Executivo
CaracterísticasOcupações, protesto sentado, desobediência civil, manifestações móveis, ativismo na internet, greve em massa, protesto artístico, greve de fome, petição, boicote, protesto artístico, hacktivismo, bloqueios, black blocs, flash mobs, publicidade
Participantes do conflito
Protestantes

(sem liderança centralizada)

 Hong Kong
Apoiado por

 China


  • Grupos tríade (suspeitos)
    • 14K
    • Wo Shing Wo
Líderes
Protestantes

(sem liderança centralizada)

Governo
  • Carrie Lam
    Chefe do Executivo de Hong Kong
  • Matthew Cheung
    Secretário-Chefe da Administração
  • Teresa Cheng
    Secretário da Justiça
  • John Lee
    Secretário da Segurança
  • Lau Kong-wah
    Secretário da Justiça
  • Stephen Lo
    Comissário de Polícia
Lesões e prisões
Mortes: 9+
(todas suicídios)
(desde julho de 2019)[8][9][10][11]

Feridos: 2 100+
(desde 15 de agosto de 2019)[12]
Presos: 1 117
(desde 2 de setembro de 2019)[13]

Protestos em Hong Kong em 2019
Chinês tradicional: 反逃犯條例修訂運動
Chinês simplificado: 反逃犯条例修订运动
Protestos anti-repatriação
Chinês tradicional: 反送中運動
Chinês simplificado: 反送中运动

Os protestos em Hong Kong de 2019 são uma série de manifestações em Hong Kong e em outras cidades da China que começaram em 31 de março de 2019, exigindo a retirada do projeto de lei de extradição, proposto pelo Governo de Hong Kong. Teme-se que o projeto de lei faça com que a cidade se abra ao alcance da lei chinesa e que as pessoas de Hong Kong fiquem sujeitas a um sistema legal diferente, ou seja, se promulgada, a lei permitiria às autoridades locais deter e extraditar pessoas que são procuradas em territórios com os quais Hong Kong não possui acordos de extradição, incluindo a China continental e Taiwan.[14][15] Alguns temem que o projeto coloque os cidadãos de Hong Kong e visitantes sob jurisdição na China continental, prejudicando a autonomia da região e os direitos dos cidadãos.[16][17][18][19]

Vários protestos realizaram-se em Hong Kong pelo público em geral e pelas comunidades legais. Entre eles, o protesto realizado em 9 de junho pela Frente Civil de Direitos Humanos (FCDH), que a organização estima que teve a participação de 1.03 milhão de pessoas, ganhou grande cobertura em massa da mídia.[20] Protestos em outros lugares também aconteceram por pessoas estrangeiras de Hong Kong. Apesar das manifestações generalizadas, o governo insiste na aprovação do projeto, afirmando que a lei é urgente e que a "brecha" legal deve ser corrigida.[21]

Em 12 de junho, os protestos do lado de fora do Conselho Legislativo acabaram em confrontos violentos entre a polícia e os manifestantes, com pelo menos 79 pessoas feridas e outra rodada de atenção internacional. Em 15 de junho, a executiva-chefe Carrie Lam anunciou que suspenderia a proposta de lei por tempo indefinido.[22] Outro protesto em massa, pedindo para o governo a retirar o projeto de lei e para Lam deixar o cargo de executivo-chefe, ocorreu em Victoria Park, em 16 de junho de 2019. Segundo os organizadores, estima-se que quase dois milhões de pessoas tenham participado dos protestos. Se a contagem for verdadeira, seria o maior protesto na história de Hong Kong.[23][24] Em 1 de julho, centenas de milhares de pessoas participaram das marchas anuais de julho.[25] Uma parte desses manifestantes se separou da marcha e invadiu o Complexo do Conselho Legislativo, vandalizando os símbolos do governo central.[26]

A presidente-executiva, Carrie Lam, que suspendeu o projeto de extradição em 15 de junho, disse que estava "morto" em 9 de julho, mas parou antes de uma retirada completa.[1] Lam condenou a invasão no Complexo do Conselho Legislativo como "extremamente violenta" e pediu que a população "volte à calma o mais rápido possível".[27] Os membros do Conselho Executivo de Regina Ip e Bernard Charnwut Chan disseram que o governo não pretende fazer novas concessões.[28]

Os protestos continuaram durante o verão, transformando-se em confrontos cada vez mais violentos, incluindo o ataque Yuen Long de 22 de julho de 2019, entre policiais, ativistas, membros da tríade pró-Pequim e moradores locais em mais de 20 diferentes bairros da região.[29] Enquanto as manifestações continuam, os protestantes pedem um inquérito independente sobre a brutalidade policial, a libertação de manifestantes presos, uma retratação da caracterização oficial dos protestos como "tumultos" e eleições diretas para escolherem os membros do Conselho Legislativo e o Chefe do Executivo.[30]

Contexto

O Projeto de Lei de Extradição foi proposto pela primeira vez pelo governo de Hong Kong em fevereiro de 2019 em resposta a um homicídio de 2018 envolvendo um casal de Hong Kong que foi tirar férias em Taiwan. O homem matou a sua namorada em Taiwan, voltou para Hong Kong e um mês depois confessou o crime.[31] No entanto, Hong Kong não podia mandá-lo de volta para Taiwan para ser acusado de assassinato pois não tinha um tratado de extradição com Taiwan e negociar um seria problemático, já que o governo da China não reconhece a Cap. 503, em Cap. 525, em inglês) que estabeleceria um mecanismo para transferências de fugitivos caso a caso, por ordem do Chefe do Executivo, a qualquer jurisdição com a qual a cidade não tenha um tratado formal de extradição.[19] Isso incluiu a extradição para a China continental.

A inclusão da China continental na emenda é motivo de preocupação para diferentes setores da sociedade de Hong Kong. Defensores pró-democracia temem que a jurisdição da cidade se funda com as leis chinesas do continente, administradas pelo Partido Comunista, corroendo assim o princípio "um país, dois sistemas" estabelecido desde a transferência de 1997. Os opositores do projeto atual pediram ao governo de Hong Kong que estabelecesse um acordo de extradição apenas com Taiwan, e que pusessem o acordo de lado imediatamente após a rendição do suspeito.[19] China e Hong Kong são dois lugares muito diferentes com um relacionamento político bastante complexo, o acordo de extradição ameaça dar a China mais poder sobre Hong Kong. Hong Kong faz parte da china mas opera como uma região autônoma.[31] Alguns manifestantes consideraram que os métodos pacíficos não eram eficazes e recorreram a métodos mais radicais para expressar sua opinião.[32]