Península Ibérica

Península Ibérica
Imagem de satélite da Península Ibérica.
Iberia (orthographic projection).svg
PaísPortugal Portugal Gibraltar
Flag of Spain.svg Espanha  Andorra
Mar(es)Mar Mediterrâneo, Oceano Atlântico

A Península Ibérica está situada no sudoeste da Europa.[1] É dividida na sua maior parte por Portugal e Espanha, mas também por Andorra, Gibraltar, e pequenas frações do território de soberania francesa nas vertentes ocidentais e norte dos Pirenéus, até ao local onde o istmo está situado.[nota 1] Com uma área de cerca de 580 000 km², é a segunda maior península da Europa, ultrapassada apenas pela península Escandinava em dimensão, e em população pela Península Balcânica.[2]

É a mais ocidental das três grandes penínsulas da Europa Meridional, formando quase um trapézio, a península liga-se ao resto do continente europeu pelo istmo constituído pela cordilheira dos Pirenéus, sendo rodeada a norte, oeste e parte do sul pelo Oceano Atlântico, e a restante costa sul e leste pelo mar Mediterrâneo. Os seus pontos extremos são a ocidente o Cabo da Roca, a oriente o Cabo de Creus, a sul a Ponta de Tarifa e a norte a Estaca de Bares.[3]

Com uma altitude média bastante elevada, apresenta predomínio de planaltos rodeados por cadeias de montanhas, e que são atravessados pelos principais rios, de entre os quais o rio Tejo é o mais comprido, com um percurso de cerca de mil quilómetros.[4]

A montanha mais alta da Península Ibérica é o Mulhacén (na serra Nevada) com 3 478,6 metros de altitude. As elevações mais importantes são a Cordilheira Cantábrica, no norte; o sistema Penibético (serra Nevada) e o sistema Bético (serra Morena), no sul; e ainda a Cordilheira Central (serra de Guadarrama), de que a serra da Estrela é o prolongamento ocidental.[5] Muitíssimo povoada no litoral, a Península Ibérica tem fraca densidade populacional nas regiões interiores, com exceção da Comunidade de Madrid, extremamente populosa.[6]

Nomenclatura alternativa

"Península Ibérica" é o termo atual com que se designa a península. No passado a mesma possuía outras designações, atribuídas pelos diversos povos que a habitaram: [7]

Europa segundo o geógrafo e filósofo grego Estrabão.
  • Ibéria, (Grego: Iberia) nome grego da Península, com origem no rio Ebro (Iberus);
  • Hispânia, (Latim: Hispania) nome romano da Península, de etimologia ainda em estudo;
  • Al-Andalus, (Árabe: الأندلس) nome árabe dos territórios muçulmanos da Península Ibérica, de etimologia ainda em estudo;
  • Sefarad, (Hebraico: ספרד) nome hebraico atribuído pelos sefarditas à Península.


De demarcação geográfica a entidade geopolítica

O termo Hispania (ou Hispaniae, Hispaniarum, Yspania, Spania, Hespanha) continuará a determinar por alguns séculos os habitantes da Península Ibérica e é sem surpresa que a obra Os Lusíadas de Luís Vaz de Camões menciona os portugueses como "Uma gente fortíssima de Hespanha" (canto I, verso 31), ou "a nobre Espanha" (canto III, verso 17) composta por várias nacionalidades, onde se incluem, entre outras, Castela (atual Espanha) e o Reino lusitano (Portugal) (canto III, versos 19 e 20).[8] O nome "Espanha" é utilizado por Camões de forma puramente geográfica, como sinónimo de "Península Ibérica", um uso comum na época derivado do latim Hispania.

Aquando da formação da Monarquia Católica, segundo relata a Crónica dos Reis Católicos de Fernando del Pulgar em 1479, já teria sido colocada a questão quanto ao título dos novos monarcas, tendo sido apreciada a hipótese de poder vir a ser "Reis de Espanha". Concluiu o Conselho Real que não o deveriam fazer porque ainda não controlavam a totalidade da Península Ibérica: "os votos de alguns do Conselho era que tomassem por direito o título de reis de Espanha, porque sendo agora os sucessores dos reinos de Aragão, eram senhores da maioria dela [da Península Ibérica]. Mas resolveram não o fazer (...)".[9]

Começa a notar-se apenas a partir do domínio castelhano[nota 2] (Filipe II e I de Portugal, coroa-se "rei de todas as Espanhas", ou seja, de todos os reinos da Península Ibérica), e posterior Restauração da Independência portuguesa, no século XVII, a designação de "Espanha" ou "Espanhas"[nota 3][10] dirigida apenas a uma das nações da Península. [11] Esta tendência associada a um manifesto conteúdo político continuará a acentuar-se após a Guerra da Sucessão e os Decretos do Novo Plano.

Ainda assim, no "Vocabulário portuguez e latino" (1712-1728) de Raphael Bluteau, o primeiro dicionário da língua portuguesa, continua a não ser clara uma diferenciação entre os diversos conceitos. Refere que "a Lusitânia fazia parte da Hespanha e particularmente do Reyno de Portugal", mas definindo "hespanhol" expõe que "os portuguezes ou lusitanos não estavam compreendidos debaixo do nome geral de hespanhoes":[12] a assunção que existe uma diferença clara num espaço geográfico que não é políticamente homogéneo, cujos habitantes podem ter diferentes nacionalidades, e por conseguinte, outros gentílicos.

Já no século XIX, as cortes de Cádiz de 1812, durante a Guerra Peninsular, aprovam a sua primeira constituição auto-denominando-se "Espanha".[13] A coluna vertebral do governo até então, o Conselho de Castela, é dissolvido primeiro em 1812, novamente reativado, e só depois cessado definitivamente em março de 1834, nascendo em sua substituição o Tribunal Supremo de Espanha e das Índias, assumindo as funções judiciais, e o Conselho Real de Espanha e das Índias como órgão consultivo. [14] A até então "Monarquia Católica" passa a denominar-se de forma oficial "Monarquia Espanhola". [nota 4]

O afastamento físico de Portugal e Espanha, caracterizado pelas péssimas rotas de comunicação nas zonas de fronteira terrestre até meados do século XIX, aliado à negativa carga semântica que as possíveis denominações da Península, não raras vezes usadas de forma política, como Ibéria, Iberismo ou hispanidade, foram tema de múltiplos e acirrados debates intelectuais que só cristalizaram já no início do século XX. [15][16]

No caso da Península Itálica o Risorgimento no séc. XIX levou à unificação de toda a Península sob o mesmo nome de Itália, mas com uma diferença fundamental da Península Ibérica: passou a existir apenas um único Estado.

Atualmente o Estado Espanhol festeja o seu dia nacional[17] desde 1958[nota 5] como Dia da Hispanidade (também conhecido por "Dia de Colombo" nos Estados Unidos), instaurado por decreto do ditador Francisco Franco nesse ano,[18] deixando para trás a denominação xenófoba "Dia da Raça" que tinha desde 1918.[19] Como uma força centrípeta que promove o integracionismo hegemónico, a significação de Hispanidade no Franquismo teve como fim sublimar a frustração imperial, sendo de novo a origem de um Nacionalismo espanhol expansivo.[20]