Papa Pio XII
English: Pope Pius XII

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Venerável Pio XII
Papa da Igreja Católica
260° Papa da Igreja Católica
Atividade Eclesiástica
DioceseDiocese de Roma
Eleição2 de março de 1939
Entronização12 de março de 1939
Fim do pontificado 9 de outubro de 1958 (19 anos)
PredecessorPio XI
SucessorSão João XXIII
Ordenação e nomeação
Ordenação presbiteral2 de abril de 1899
Roma
por Dom Francesco di Paola Cassetta
Nomeação episcopal23 de abril de 1917
Ordenação episcopal13 de maio de 1917
Roma
por Papa Bento XV
Nomeado arcebispo23 de abril de 1917
Cardinalato
Criação16 de dezembro de 1929
por Papa Pio XI
OrdemCardeal-presbítero
TítuloSão João e São Paulo
Brasão
Coat of arms of Eugenio Maria Pacelli.svg
Papado
Brasão
Coat of arms of Pope Pius XII.svg
Lema OPUS IUSTITIAE PAX
(A paz é obra da justiça)
ConsistórioConsistórios de Pio XII
Dados pessoais
Nascimento2 de março de 1876
Roma, Itália
Morte9 de outubro de 1958 (82 anos)
Castelgandolfo, Lácio, Itália
NacionalidadeItaliano
Nome nascimentoEugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli
Assinatura
SepulturaBasílica de São Pedro
dados em catholic-hierarchy.org
Categoria:Igreja Católica
Categoria:Hierarquia católica
Projeto Catolicismo
Lista de Papas

Pio XII, (em italiano: Pio XII, em latim: Pius PP. XII); O.P., nascido Eugenio Maria Giuseppe Giovanni Pacelli; (Roma, 2 de março de 1876Castelgandolfo, 9 de outubro de 1958) foi eleito Papa no dia 2 de março de 1939 até a data da sua morte. Foi o primeiro Papa Romano desde 1724.

Foi o único Papa do século XX a exercer o Magistério Extraordinário da Infalibilidade papal – invocado por Pio IX – quando definiu o dogma da Assunção de Maria em 1950 na sua encíclica Munificentissimus Deus. Ao todo criou 57 cardeais em dois consistórios, considerado pelos que seguem a posição sedevacantista.

Biografia

Início

Pacelli no dia da sua ordenação presbiteral.

Pacelli, primogênito de família da nobreza italiana, era neto de Marcantonio Pacelli, que foi subsecretário do Ministério das Finanças Papais[1] e foi secretário do Interior sob o pontificado de Pio IX a partir de 1851 a 1870 e foi o fundador do jornal oficial do Vaticano, L'Osservatore Romano, em 1861.[2] Seu pai, Filippo Pacelli (1837-1916), é advogado da Rota Romana e depois advogado consistorial, mostra-se desfavorável à integração entre os Estados Papais e o Reino da Itália. Sua mãe, Virgínia Graziozi (1844-1920) vem de uma família distinguida pelos seus serviços prestados à Santa Sé. Finalmente, seu irmão, Francesco Pacelli, médico e advogado, doutor em direito canónico para a Santa Sé, será um dos negociadores dos acordos Latrão, em 1929.

Eugenio Pacelli foi educado no Liceu Visconti, uma instituição pública. Em 1894 começou a estudar teologia na Universidade Gregoriana, como pensionista do Colégio Capranica. A partir de 1895 a 1896, faz um ano de filosofia na Universidade La Sapienza de Roma. Em 1899, ingressa no Instituto Apollinare da Pontifícia Universidade Lateranense, onde obteve três licenças, uma de teologia e outro em utroque jure (em "dois direitos", isto é, direito civil e direito canônico). No seminário, por motivos de saúde é autorizado a pernoitar na casa dos pais. Iniciou os seus trabalhos apostólicos na igreja de Santa Maria Vallicella integrando um grupo de jovens. Foi ordenado sacerdote em 2 de abril de 1899 pelo bispo Monsenhor Francesco di Paola Cassetta, um amigo da família.[3]

Serviço na Cúria

Pacelli, o Cardeal Secretário de Estado Merry del Val e o Cardeal Nicola Canali com representantes sérvios por ocasião da assinatura da concordata, sob o quadro de Pio X, em 1914.

Depois de dois anos como cura da Chiesa Nuova, onde fora sacristão, em 1901,[3] ingressou na Congregação dos Assuntos Eclesiásticos Extraordinários, responsável pelas relações internacionais do Vaticano, por recomendação do cardeal Vincenzo Vannutelli. Pacelli assistiu o conclave de agosto de 1903, quando vê um Imperador, Francisco José I da Áustria, opor pela última vez um "veto" à eleição de um cardeal a papa, seria contra o Cardeal Rampolla.

Em 1904, foi nomeado pelo Cardeal Pietro Gasparri secretário da Comissão para a codificação do direito canônico, tornou-se também camareiro de Sua Santidade, sinal de confiança do papa. Publicou um estudo sobre "A Personalidade e territorialidade das leis, especialmente no direito canónico", em seguida, publicou um "Livro Branco" sobre "A separação entre Igreja e Estado na França". Pacelli declina do convite para lecionar em inúmeras cadeiras de Direito Canônico, bem como no "Apollinaire" e na Universidade Católica de Washington. Aceita, no entanto, ensinar na Pontifícia Academia Eclesiástica, sementeira da Cúria Romana. Em 1905, foi promovido a "prelado doméstico" de Sua Santidade.[3]

Foi escolhido pelo papa Leão XIII para apresentar as condolências em nome do Vaticano a Eduardo VII do Reino Unido pela morte da Rainha Vitória.[4] Em 1908 representou o Vaticano no Congresso Eucarístico Internacional em Londres[4] onde esteve com Winston Churchill.[5] Em 1911, representou a Santa Sé nas cerimônias de coroação de George V[6] e foi nomeado Subsecretário para Assuntos Eclesiásticos Extraordinários; em 1912, foi nomeado Secretário-Adjunto e então Secretário em 1 de fevereiro de 1914, sucedendo a Gasparri que fora nomeado Secretário de Estado.

É mantido neste posto durante todo pontificado de Bento XV, como secretário conclui a concordata com governo da Sérvia quatro dias antes (24 de junho de 1914) do assassinato do Arquiduque da Áustria Francisco Ferdinando em Sarajevo[7] em seguida assume a missão de promover a política papal durante a Primeira Guerra Mundial, em particular, ela visa dissuadir a Itália para ir à guerra.

Em 1915, viaja para Viena e trabalha em colaboração com Monsenhor Scapinelli di Leguigno, então núncio apostólico em Viena, para convencer o Imperador Francisco José a ser mais paciente nas suas relações com a Itália. Desta forma, a Itália, não faria guerra contra os Impérios Centrais (Áustria-Hungria e Alemanha).

Núncio Apostólico

Cardeal Pacelli, núncio apostólico na Alemanha, numa cerimônia em Rüsselsheim, 1928.

Foi nomeado Núncio Apostólico na Baviera pelo Papa Bento XV em 20 de abril de 1917, três dias depois é nomeado arcebispo in partibus de Sardes, a sua ordenação se dá na Capela Sistina, pessoalmente pelo próprio papa, no dia 13 de maio de 1917, data das aparições da Virgem de Fátima, em plena Primeira Guerra Mundial. Começa o trabalho no momento da recepção da nota de 1 de agosto de 1917, de Bento XV, trabalhará tendo a paz e o auxílio às vítimas do conflito como principal objetivo, mas só obtém resultados decepcionantes. Esforça-se por conhecer bem a Igreja Católica na Alemanha, visita as dioceses e frequenta os principais eventos católicos como o Katholikentag. Tomou ao seu serviço a alemã irmã Pasqualina, que se tornou a sua governanta até final de sua vida.

Desde 1919, a Nunciatura na Baviera foi reconhecida como competente para toda a Alemanha. Em 23 de junho de 1920 é criada uma nunciatura na Alemanha (República de Weimar), Pacelli é então acreditado em Berlim ao mesmo tempo que recebe a Nunciatura da Prússia, tarefa que desempenhou até 1929. Nesta época toma conhecimento das discussões entre o Vaticano e a União Soviética. Em 1926, ordena bispo o jesuíta D'Herbigny, encarregado de constituir um clero na Rússia. As tentativas de negociação do Núncio em Berlim com emissários soviéticos, com a finalidade de garantir condições mínimas de sobrevivência para a Igreja na União Soviética, que tiveram início em 1924 e se prolongaram por mais de três anos resultaram em insucesso.

Para regularizar as relações da Santa Sé com outros Estados e defender as atividades católicas nestes países, exerce uma atividade diplomática intensa, assistiu e assinou várias concordatas com vários Estados: Letônia em 1922, Baviera em 1924, Polônia em 1925, Romênia em 1927, Prússia em 1929. Tais concordatas permitiam a Igreja Católica organizar grupos de jovens, fazer nomeações eclesiásticas, construir e manter escolas, hospitais e instituições de caridade, ou mesmo realizar serviços religiosos. Também asseguravam que o direito canónico seria reconhecido dentro de algumas áreas (por exemplo, decretos da Igreja na área de nulidade do casamento, etc.).[8]

O Cardeal Secretário de Estado

Ver artigo principal: Cardeal Secretário de Estado
Pacelli e o Papa Pio XI por ocasião da inauguração da Rádio Vaticano, 1931.

Exerce a nunciatura na Alemanha até ser criado cardeal em 16 de Dezembro de 1929 pelo Pio XI, com o título de Cardeal-presbítero de "São João e São Paulo". Em 8 de Fevereiro de 1930 é nomeado Secretário de Estado - por coincidência no mesmo dia que, em 1901, sem ter completado ainda vinte e cinco anos, atravessou pela primeira vez os umbrais da Secretaria de Estado - o cardeal Pacelli recebeu da Bulgária votos especiais, formulados por um idoso monge que invocava para ele a docilidade de David e a sabedoria de Salomão, quem escrevia ao futuro Papa Pio XII era aquele que lhe sucederia com o nome de João XXIII.[9]

Por nove anos foi fiel e principal colaborador de Pio XI, numa época marcada pelo totalitarismo: os fascistas, nazistas e os comunistas soviéticos foram condenados, respectivamente, nas encíclicas Non abbiamo bisogno, Mit Brennender Sorge (Com profunda preocupação) e Divini Redemptoris e pela encíclica Firmissimam constantiam criticou as sangrentas perseguições do laicismo maçônico contra os católicos do México.

Juntamente com os Cardeais alemães Adolf Bertram, Michael von Faulhaber e Karl Joseph Schulte e os dois bispos alemães mais contrários ao regime, Clemens von Gallen e Konrad von Preysing e com a intervenção decidida do Cardeal Pacelli e dos seus auxiliares alemães Mons. Ludwig Kaas e dos jesuítas Robert Leiber e Augustin Bea chegou-se à encíclica Mit brennender Sorge que, ainda em 1937, condenou os erros do nazismo e sua ideologia racista e pagã.[10]

Em 1935 foi nomeado Cardeal Camerlengo. Promove, ainda, a celebração de concordatas com a Áustria (1933), Alemanha (1933), Iugoslávia (1935) e Portugal (Concordata entre a Santa Sé e Portugal de 1940). Fez ainda visitas diplomáticas na Europa e América, incluindo uma longa visita aos Estados Unidos em 1936 onde se encontrou com Charles Coughlin e Franklin D. Roosevelt, que enviou interlocutores à Santa Sé em dezembro de 1939 para restabelecer relações diplomáticas que haviam sido rompidas desde 1870 quando o papa havia perdido o poder temporal.[11] Os tratados de Latrão de 1929 foram concluídos antes de Pacelli se tornar Secretário de Estado.

Em abril de 1935, em resposta à nota da Embaixada da Espanha do dia 15 comunicando a proclamação da República naquele país o Cardeal Secretário de Estado, depois de ouvida a Congregação para os Assuntos Eclesiásticos Extraordinários e obtida a aprovação de Pio XI emitiu nota diplomática do seguinte teor: A Santa Sé - disse Pacelli - toma em consideração esta comunicação. Ela está disposta a secundar o Governo provisório na obra de manutenção da ordem, confiante de que também o Governo por seu lado respeitará os direitos da Igreja e dos católicos numa nação na qual a quase totalidade da população professa a Religião católica. Esta nota diplomática foi o ato formal de reconhecimento por parte da Santa Sé do Governo provisório da Segunda República espanhola.[12]

Ainda em 1935, a 6 de dezembro, recebe o hábito dominicano, tornando-se membro da Ordem Terceira de São Domingos, em virtude da sua grande «grande admiração pela doutrina e santidade dos exímios doutores da Ordem, Tomás de Aquino e Alberto Magno, tomou para a sua vida dominicana o nome de ambos, querendo ficar-se chamando «Tomás-Alberto».[13]

As "folhas de audiência"

O Arquivo Secreto do Vaticano publicou em 2010 I "flogli di udienza" del cardinale Eugenio Pacelli segretario di Stato. Pacelli, durante o período que vai de 8 de fevereiro de 1930 a 10 de fevereiro de 1939 começou a tomar notas dos encontros com o Papa Pio XI, e depois também daqueles com os diplomatas e eclesiásticos, com uma frequência que se manteve quase cotidiana durante um decênio, até poucas horas antes da morte de Pio XI. Estas anotações foram conservadas pelo autor depois da eleição papal, contendo 2.627 folhas e documentam 1956 audiências. São apontamentos destinados ao trabalho da Secretaria de Estado e da Cúria romana e eram até agora uma fonte desconhecida de interesse para a história contemporânea.[9]

No Brasil

O Cardeal Pacelli, com Getúlio Vargas e Antônio Carlos no Palácio Itamaraty, Rio de Janeiro, 1934, de passagem para a Argentina

Nos dias 20 e 21 de outubro de 1934, o governo brasileiro recebeu a visita do Cardeal Eugenio Pacelli, que foi hospedado no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, na época capital da República, e visitou o monumento do Cristo Redentor. Para comemorar o evento foi determinada uma emissão de selos que foi confiada à Tipografia Alexandre Ribeiro & Cia, empresa local, que os imprimiu em curto espaço de tempo, para coincidir o seu lançamento com a chegada do cardeal ao país. Estes selos ficaram conhecidos na filatelia brasileira como os "selos Pacelli" e foram emitidos no valor de 300 Réis e 700 Réis.[14]

O Conclave

Ver artigo principal: Conclave de 1939

Em 2 de março de 1939, quando já se podia antever a nova conflagração mundial, no dia de seu 63.º aniversário, na terceira votação, Pacelli tornou-se o primeiro Secretário de Estado, desde o Papa Clemente IX em 1667, a ser eleito Papa; escolheu o nome de Pio XII, na continuidade do pontificado precedente, Pacelli foi ainda o primeiro Camerlengo desde Leão XIII em 1878, o primeiro membro da Cúria desde o Papa Gregório XVI (1831), e o primeiro romano desde o Papa Clemente X em 1670 a ser eleito papa.