Ordem de Santiago

Ordem de Santiago
Cruz Sant'Iago da Espeda.png

Santa Sé
Emblem of the Papacy SE.svg
Status:Extinta como ordem eclesiástica. Ativa como ordem honorífica
Chefe:Grão-Mestre Marcelo Rebelo de Sousa (Portugal) e Felipe VI (Espanha)
Instituição:Espanha, 15 de Março de 1319
Fundador:Afonso VIII de Castela
Lema:
Classes:Grande-Colar (GColSE), Grã-Cruz (GCSE), Grande-Oficial (GOSE), Comendador (ComSE), Oficial (OSE) e Cavaleiro (CvSE) / Dama (DmSE)

A Ordem Militar de Santiago é uma ordem religiosa-militar de origem castelhano-leonesa, atualmente Ibérica, instituída por Afonso VIII de Castela e aprovada pelo Papa Alexandre III, mediante bula papal outorgada em 5 de Julho de 1175. A Ordem foi fundada com o propósito de lutar contra os invasores muçulmanos na Espanha, bem como proteger os peregrinos do Caminho de Santiago.[1]

História

A Ordem fora fundada por volta de 1164, sob a denominação de Ordem de Cáceres (freyles de Cárceres, em espanhol), tendo alterado para Ordem de Santiago em 1 de agosto de 1170,[2] quando, após encontro com o arcebispo de Santiago de Compostela, colocaram-se sob a vassalagem do Apóstolo Tiago.[3]

Embora tenha sido fundada na Espanha, mais precisamente em Castela, mais tarde veio a ser desmembrada, a pedido do rei Dom Diniz em 1288, e atendido pelo papa Nicolau IV, para ser considerada como ordem portuguesa. Contudo, a bula do papa Nicolau IV obrigava os cavaleiros portugueses prestarem obediência ao mestrado de Castela. Em 1320, o papa João XXII determinou a separação definitiva a ramificação portuguesa da espanhola.[4]

Mosteiro de Uclés; primeira sede da Ordem

A milícia, então emergente, começou a ganhar adeptos, entre eles, D. Fernando II, que lhes concedeu a vila de Cárceres.[5] Em 3 de janeiro de 1174, o rei Afonso VIII deu a cidade espanhola de Uclés aos cavaleiros, onde estabeleceram seu principal mosteiro.[6]

A Ordem rapidamente chega a Portugal, por volta de 1172/1173, onde recebe a vila de Arruda, os castelos de Monsanto, Abrantes, seguindo-se a doação de Alcácer e Palmela.[7]

Os Cavaleiros de Santiago, chamados Santiaguistas ou Espatários (por ser o seu símbolo uma espada em forma crucífera – ou uma cruz de forma espatária, dependendo do ponto de vista), fizeram votos de pobreza, de obediência e "castidade conjugal". Seguindo a regra de Santo Agostinho ao invés da de Cister, os seus membros não eram obrigados ao voto de castidade de per se, e podiam como tal contrair matrimónio (alguns dos seus fundadores eram casados).[8]

Os Espatários participaram na reconquista de Teruel e Castellón e combateram na batalha de Navas de Tolosa (1212). Os monarcas, primeiro de Leão, depois de Castela, concederam-lhe inúmeros privilégios, para além de lhe darem a posse de extensas regiões, com o intuito de as repovoar, na Andaluzia e em Múrcia.

Convento santiaguista em Calera de León

Durante o século XV, a ordem transferiu o seu campo de actuação para a Serra Morena, e os seus mestres tomaram como residência a povoação de Llerena (Badajoz), proporcionando um grande crescimento na região. Por volta do ano 1493, a Ordem de Santiago possuía cerca 700 mil membros e uma renda anual de 60 mil ducados.[1]

Com o passar do tempo e o fim da Reconquista, a Ordem de Santiago viu-se implicada nas lutas internas de Castela. Ao mesmo tempo, devido aos seus inúmeros bens, teve que, por várias vezes, sustentar as pretensões da Coroa. Por outro lado, sendo o cargo de Grão-Mestre de tamanha importância, eram frequentes as lutas entre grandes famílias para alcançar essa dignidade.

Devido a todos estes problemas, após a morte do Grão-Mestre Alonso de Cárdenas em 1493, os Reis Católicos pediram à Santa Sé que providenciasse uma forma de acabar com os problemas na administração da ordem, reservando para si mesmos o mestrado da ordem – medida que era ao mesmo tempo uma necessidade e uma recompensa pelos serviços prestados pelos reis de Castela e Aragão ao serviço da fé católica (em 1492 fora conquistado o último reduto muçulmano da Península IbéricaGranada). Assim, por uma bula de 1493, o papa concedeu aquela dignidade aos Reis Católicos.

Após a morte de Fernando, o Católico, tornou-se grão-mestre da Ordem Carlos I de Espanha; volvidos sete anos, em 1523, o Papa Adriano VI uniu para sempre à coroa de Espanha os grão-mestrados das Ordens de Santiago, Calatrava e Alcântara, tornando-se este um mero título hereditário dos reis de Espanha. Até então, o Grão-Mestre de Santiago era eleito pelo Conselho dos Treze, assim chamado por estarem presentes treze cavaleiros designados de entre os governadores e comendadores provinciais da Ordem.