Nova Caledónia
English: New Caledonia

Nouvelle-Calédonie
Nova Caledónia
Bandeira de Nova Caledónia
Brasão de Nova Caledónia
BandeiraBrasão de armas
Lema: Liberté, Égalité, Fraternité
(Francês: "Liberdade, Igualdade, Fraternidade")
Hino nacional: A Marselhesa
Gentílico: neocaledónio (português europeu)
neocaledônio (português brasileiro)

Localização de Nova Caledónia

Capital22° 16′ S, 166° 27′ L
Cidade mais populosaNouméa
Língua oficialfrancês mais 28 línguas não oficiais faladas por minorias étnicas
GovernoTerritório dependente
 - Presidente de FrançaEmmanuel Macron
 - Alto ComissárioLaurent Prévost
 - Presidente do GovernoThierry Santa
 - Coletividade francesa ultramarinadesde 1853 
Área 
 - Total18 575 km² (154.º)
 - Água (%)n/d
População 
 - Estimativa para 2017278 500[1] hab. (176.º)
 - Censo Aug./Sept. 2004230 789[2] hab. 
 - Densidade12,8 hab./km² (211.º)
PIB (base PPC)
 - TotalUS$ 8,85 bilhões USD(português brasileiro)
8,85 mil milhões USD[3] 
 - Per capitaUS$ 35 436 USD[3] 
IDH (2005)0,878 (34.º) – muito elevado
MoedaFranco CFP
Fuso horárioUTC (UTC+11)
Climatropical marinho
Cód. Internet.nc
Cód. telef.+687
Website governamentalhttp://www.gouv.nc/

Mapa de Nova Caledónia

Nova Caledónia (pt) ou Nova Caledônia (pt-BR) (em francês: Nouvelle-Calédonie, pronunciado: [nuvɛl kaledoni]) é um arquipélago da Oceania situado na Melanésia — alguns graus a norte do Trópico de Capricórnio. Trata-se de uma comunidade conhecida como sui generis, ou seja, de sua própria espécie, anexado à França e não um território de ultramar.[4][5] O Acordo de Nouméa, assinado em 1998, cria um estatuto especial para o território, além de prever para novembro de 2018 um referendo local sobre sua independência ou a manutenção do estatuto como parte da República Francesa (este último ganhou).[6] A Nova Caledónia é a porção de terra mais distante do seu respectivo país soberano, estando localizada a aproximadamente 16 000 km de distância da capital francesa Paris. Possui uma superfície de 18 575 km². Está situada no Oceano Pacífico, 1 500 km a leste da Austrália e 2 000 km a norte da Nova Zelândia. Seu código postal começa com 988. Tem o status de pays d'outre-mer (região ultramarina) desde 1998.

História

Imagem de satélite da Nova Caledónia.

Há 6 000 anos, habitantes do litoral sul da China, plantadores de milho e arroz, começaram a atravessar o Estreito de Taiwan. Por volta de 2000 a.C. as migrações partiam de Taiwan para as Filipinas. Novas migrações partem das Filipinas para as ilhas Celebes e de Timor, depois para outras ilhas do arquipélago indonésio. Em 1500 a.C. outro movimento migratório conduz-se das Filipinas para a Nova Guiné, e não apenas, mas para outras ilhas do Pacífico. Os austronesianos são, provavelmente, os primeiros navegadores da história da humanidade.

Como atestam fragmentos de cerâmica Lapita encontrados, os primeiros habitantes da Nova Caledónia teriam colocados os pés no território há cerca de 3 000 anos. Foram encontrados Lapita do período de 1300 a 200 a.C. Durante o período, tribos Naia oundjo e canaco (termo que vem da língua havaiana) dominam a arte de utilizar pedra polida e sua civilização é baseada na cultura da terra (principalmente no cultivo de batata doce e inhame). Durante rituais de guerra, as tribos praticavam canibalismo.

Em 4 de Setembro de 1774, James Colnett avistou uma terra desconhecida no horizonte. A bordo do navio estava o navegador e explorador inglês James Cook. Cook nomeou a terra como New Caledonia em homenagem à Escócia. Na verdade, disseram que o aspecto da costa os teria lembrado desta região do atual Reino Unido. Caledônia é, em latim antigo, correspondente à Escócia.

É provável que em 1788 a expedição francesa liderada por La Pérouse tenha reconhecido a costa ocidental da ilha, a bordo do L'Astrolabe e do La Boussole, pouco antes de um naufrágio sobre o recife Vanikoro nas Ilhas Salomão. Em 1793, o contra-almirante francês Antoine Bruny d'Entrecasteaux, que partiu em 1791 a pedido de Luís XVI de França para encontrar La Pérouse, passou ao largo da Nova Caledónia, reconhecendo a costa oeste da Grande Terre, incluindo as Ilhas Lealdade. No entanto, a recente descoberta foi atribuída ao explorador francês Jules Dumont d'Urville, em 1827, que foi o primeiro a localizá-las com precisão num mapa.

A partir de 1841, missionários começam a se instalar no local. Sobre o lado católico, Irmãos Maristas, liderados pelo Monsenhor Douarre, que é nomeado vigário apostólico da Nova Caledónia, se instalam em 1843, mas rapidamente os missionários foram expulsos em 1847.

Mapa histórico da Nova Caledónia encontrado na enciclopédia alemã Meyers Konversations-Lexikon.

Em 1851 os maristas da França e os protestantes do Reino Unido regressam ao arquipélago, agora com ajuda de seus respectivos países e conquistam um lugar definitivo nas ilhas.

A Nova Caledônia é finalmente proclamada colônia francesa em 24 de Setembro de 1853 pelo contra-almirante francês Febvrier-Despointes.

Em 25 de Junho de 1854, militares franceses fundaram a sudoeste da Nova Caledónia a base de Port-de-France para servir como principal cidade na colônia. Simples guarnição que rapidamente se torna uma cidade pequena e leva o nome de Nouméa, aportuguesado para Numeá, em 2 de Junho de 1866.

Depois da Comuna de Paris, a Nova Caledónia serve como um local de deportação para muitos velhos comunistas condenados pelo conselho de guerra criado pelo Governo de Defesa Nacional.

No final do século XIX e início do século XX diversas tentativas de colonização fracassam.

Em 1931, um grupo de canacos são expostos como canibais dentro de caixas, no jardim de aclimatação do Bosque de Bolonha, por ocasião da Exposição Colonial Internacional (1931) de Paris.[7]

Durante a Segunda Guerra Mundial, em 1940, a Nova Caledónia oficializa seu apoio à França Livre e torna-se, a partir de 12 de março de 1942, uma base importante na guerra contra o Japão.

Depois da guerra, a França abandona o termo colônia e suprime o código de cidadania. Em paralelo, o território está experimentando rápido e importante crescimento econômico graças a exploração do "ouro verde", e também graças ao boom do níquel, do qual a Nova Caledónia passaria a ser o terceiro maior produtor mundial.

O ano de 1980 viu tensões entre opositores e partidários da independência alcançar seu clímax. Confrontos aumentaram após revoltas quase generalizadas durante o período conhecido como "Eventos" (1984–1988). A violência atingiu um ponto culminante em 1988 com a Tomada de Reféns de Ouvéa.

Este episódio empurra os dois lados, e seus dirigentes, para negociar a assinatura do Acordo de Matignon em 26 de Junho de 1988, que prevê a criação de um estatuto transitório de 10 anos e a organização de um referendo sobre a autodeterminação, para que os neocaledónios se pronunciem a favor ou contra a independência. Este acordo é complementado pelo Acordo de Nouméa em 5 de maio de 1998, que prevê o estabelecimento de uma forte autonomia. O último referendo sobre a questão do futuro institucional (ou manutenção da autonomia dentro da República Francesa) foi realizado em 2018.[8] Porém, um novo referendo será realizado em novembro de 2020.[9]