Moscovo

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Moscovo
Moscou

Москва
Flag of Moscow.svgBandeiraCoat of Arms of Moscow.svg
Lema:
Врагу никогда не добиться,
чтоб склонилась твоя голова!

(O inimigo jamais conseguirá abaixar a tua cabeça!)
Padroeiro: São Jorge
Cognome(s): A Terceira Roma, Primeiro Trono, Os Quarenta Fortes, Moskva City, O Porto dos Cinco Mares, A Cidade Áurea.[1]
MSK Collage 2015.png
Hino: Áudio)
RegiãoCentro
DistritoDistrito Federal Central
SubdivisãoMoscou
PrefeitoSerguei Sobianin
Área2.510 km²
População (2013)11 979 529 [2] habitantes
Densidade9.682 hab/km²
Altitude150 - 200 metros
Gentílicomoscovita
Fundação1147
Código telefônico+7 495, +7 499
Matrículas de automóveis77, 99, 97, 177
Websitemos.ru/
Localização
37° 40' E
Cidade da Rússia Rússia

Moscovo (português europeu) ou Moscou (português brasileiro) (em russo: Москва, transl. Moskva, lido MaskváAFI[mɐˈskva] ( ouvir)) é a capital, cidade e subdivisão federal mais populosa da Federação Russa. A cidade é um importante centro político, econômico, cultural, científico, religioso, financeiro, educacional e de transportes da Rússia e do continente. Moscou é a megacidade mais ao norte na Terra, a segunda cidade mais populosa da Europa, atrás de Istambul, e a sexta cidade mais populosa do mundo, ficando atrás somente de Xangai, Istambul, Pequim, Mumbai e Karachi. Sua população, de acordo com os resultados de estatísticas federais, já ultrapassou os 12 milhões.[2] Com base na lista de 2012 da Forbes, Moscou tem a segunda maior comunidade de milionários do mundo.[3]

Moscou está situada sobre o rio Moscova, no Distrito Federal Central da Rússia europeia. No curso de sua história, a cidade serviu como capital de diversos Estados, como da Moscóvia medieval, do subsequente Czarado da Rússia e da União Soviética. Durante a Guerra Fria, Moscou foi o centro do chamado Bloco do Leste. A capital também é a sede do Kremlin, uma antiga fortaleza que é hoje a residência do presidente russo e sede do poder Executivo do governo da Rússia. O Kremlin é também um dos vários Patrimônios da Humanidade na cidade. Ambas as câmaras do Parlamento russo, a Duma e o Soviete da Federação, também estão sediadas em Moscou.

A cidade é servida por uma extensa rede de trânsito, que inclui quatro aeroportos internacionais, nove terminais ferroviários e uma das maiores redes de metrô do mundo, e que perde apenas para Tóquio em termos de número de passageiros e reconhecido como um dos marcos da cidade devido à arquitetura rica e variada de suas 185 estações.

História

Origem

Cerco a Moscou em 1382
Kremlin de Moscou no século XVI

O nome da cidade vem do rio Moscova, um termo de origem incerta. A primeira referência à cidade data de 1147, quando Jorge I convidou o príncipe de Novgorod para a cidade de Moscou. O encontro ocorreu em 4 de abril de 1147. A cidade estava em festa, os príncipes das zonas vizinhas ofereciam presentes uns aos outros e fizeram um acordo de cooperação mútua. Nove anos mais tarde, Jorge I manda construir uma muralha de madeira, que é reconstruída com frequência para garantir a proteção da cidade que crescia em meio aos conflitos entre Jorge I e o príncipe de Chernigov. A cidade também era um ponto estratégico para os príncipes de Vladimir-Suzdal, na época uma importante província. O rio Volga também tinha grande influência nas trocas comerciais entre a cidade e os restantes principados, bem como outros reinos. Prova disso são as moedas árabes encontradas na cidade.[4]

Na altura, Moscou era mais uma cidade administrativa do que comercial, dado que a população que ali vivia era sobretudo camponesa. Nos anos seguintes, a cidade viria a ter metalúrgicos e pessoas ligadas a artesões. O rio Volga, o seu ponto estratégico e a crescente populações fizeram Moscou crescer nos séculos XII e XIII.[5][4]

Vista de Moscou no século XVII.

Principado de Kiev e Vladimir-Suzdal

Ver artigos principais: Principado de Kiev e Vladimir-Suzdal

No inverno de 1278, os mongóis capturaram a cidade e assassinaram o comandante da armada, bem como praticamente toda a população. Esses saques, ligados diretamente à história da Rússia, foram um desastre à composição do território russo. Posteriormente, os moscovitas puderam regressar às suas casas expulsando os inimigos. Contudo, ao contrário do que se passava na cidade, o resto do sul do território havia sido totalmente destruído, e muitas das cidades não recuperaram, provocando grandes ondas de imigração para norte, onde se localizava Moscou. Isso influenciou a cidade, que viu a sua população crescer.[4]

Depois dos saques e das carnificinas provocados pelos tártaros, Moscou volta a recuperar e, em 1327, a cidade torna-se a capital do principado de Vladimir-Suzdal. A sua boa localização em relação ao rio Volga permitiu um desenvolvimento estável, atraindo milhares de refugiados provenientes de todo o território russo devido às grandes invasões dos tártaros, estabelecendo o poderoso Estado da Moscóvia.[4]

Sob o poder de Ivan I da Rússia, Moscou substitui definitivamente Tver como o centro político de Vladimir-Suzdal. A partir daí, a cidade cresce a uma velocidade ainda maior. Ao contrário dos outros principados do mundo, a Moscóvia não era dividida em zonas para serem governadas pelos filhos, mas sim herdada inteiramente pelos descendentes. A revolta de Moscou contra a dominação estrangeira aumentava cada vez mais.[4]

Em 1380, Demétrio, príncipe de Moscou, ganhou uma importante batalha que permitiu acabar com o poder dos tártaros, a batalha de Kulikovo. Com isso, a Rússia, através de Moscou, torna-se livre de todo o domínio estrangeiro. A cidade torna-se num grande centro de poder, que, com o passar dos anos, viria a tornar-se a capital de um grande Império com grande importância mundial. Com isto, Kiev perde o seu estatuto de poder que antes tivera como Rússia Kievana.[4]

Czarado e Império

Ver artigos principais: Czarado da Rússia e Império Russo
O incêndio de Moscou, durante a invasão francesa da Rússia em 1812.

Em 1571, tártaros da Crimeia atacaram e saquearam Moscou, poupando apenas o Kremlin. O século XVII seria marcado por um grande crescimento populacional e por certas revoluções, como o fim da invasão da Polônia e Lituânia em 1612 e a revolta de Moscou em 1682. Em 1712, após Pedro, o Grande fundar São Petersburgo às margens do Neva, em 1703, Moscou perde a condição de capital. As razões foram o contato com o mar que São Petersburgo propiciava, a localização estratégica para as trocas comerciais e a própria defesa da Rússia.[4]

O ano de 1812 é, sem dúvida, a data mais conhecida da história da Rússia, pois marca a invasão das tropas de Napoleão Bonaparte. Ao saber que Napoleão chegara às fronteiras da Rússia, os moscovitas elaboraram uma emboscada previamente definida. Quando os franceses chegaram à cidade, em 14 de setembro, o seu assustador exército encontrou uma cidade abandonada e completamente queimada. Sem nada para comer e com o terrível frio russo, as tropas viram-se obrigadas a bater em retirada. A imensa maioria morreu no regresso a França, fazendo com que Napoleão fosse perseguido pelos russos. Este acontecimento é dramatizado na obra Guerra e Paz, de Leão Tolstoi, e na Abertura 1812 de Tchaikovsky, que retrata todos estes acontecimentos.[4]

União Soviética

Forças soviéticas durante a Segunda Guerra Mundial
Ver artigo principal: União Soviética

Depois da vitória, Moscou continua crescendo a um ritmo bastante elevado. Em 1918, durante a Guerra Civil, Moscou serviu de quartel-general do Exército Vermelho, com um número aproximado de 178.500 soldados. Com o grande feito da Revolução de Outubro, a cidade torna-se capital da União Soviética, em 12 de Março de 1918.[4]

Em novembro de 1941, a cidade volta a ser atacada, desta vez pela Alemanha Nazi, durante a Segunda Guerra Mundial. Moscou é evacuada e decretada como campo de batalha. Ao passo que a cidade era bombardeada, eram construídos diversos armamentos para combater os tanques. Nessa altura, e devido aos riscos, o líder soviético da época, Joseph Stálin, é aconselhado a abandonar a cidade e evacuar o resto da população que lá permanecia. A proposta, entretanto, foi recusada pelo líder. Em meio à invasão, a cidade dava continuidade à construção do metrô iniciada em 1930 que, ironicamente, foi beneficiada pelos bombardeamentos, que permitiram a expansão rápida das linhas.[4]

Posteriormente, Moscou recebeu as Olimpíadas de 1980, que foram boicotados pelos Estados Unidos e outras nações ocidentais como protesto contra a Invasão soviética do Afeganistão.

Federação Russa

Em 1991, a URSS é dissolvida e, com Boris Iéltsin no poder, Moscou cresce exponencialmente. A cidade passa a ser a capital da Federação Russa, onde fica o poder central, a Duma. No fim da década de 1990, a cidade cresce, aumenta suas linhas de metrô e moderniza a sua arquitetura, gerando críticas à demolição desmedida de prédios históricos para dar lugar aos grandes arranha-céus. Moscou transforma-se numa cidade cosmopolita cheia de história, cultura e vivacidade, mas também com problemas como o crime organizado e a pobreza.[4]