Mitologia nórdica

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Ilustração do deus Odin que é considerado a mais importante das divindades nórdicas. (1850)
Nota: Para a religião dos nórdicos antigos, ver Paganismo nórdico

Mitologia germânica, também chamada de mitologia nórdica, mitologia viking ou mitologia escandinava, é o nome dado ao conjunto de lendas pré-cristãs dos povos escandinavos, especialmente durante a Era Viking, cujo conhecimento chegou aos nossos dias principalmente através das Eddas islandesas do século XIII.[1][2][3]

O deus Thor em luta com os gigantes Jotun. Quadro de Mårten Eskil Winge (1872)
Freir - Deus da paz e da fertilidade, das colheitas e dos casamentos

Com a cristianização dos países nórdicos - Dinamarca, Noruega, Suécia e Islândia, as antigas religiões e mitologias foram sucessivamente substituídas e esquecidas. A exceção foi a Islândia, onde a nova religião substituiu a antiga, mas continuou todavia a ver a velha mitologia nórdica como uma herança cultural, transmitida oralmente e preservada em peças escritas.[4]

Na Islândia daquela época, foi redigida a maioria das fontes escritas sobre a mitologia nórdica. A narrativa mitológica islandesa é a versão mais bem conhecida da mitologia comum germânica antiga, que inclui também relações próximas com a mitologia anglo-saxônica. Por sua vez, a mitologia germânica evoluiu a partir da antiga mitologia indo-europeia.

A deusa Freia. Ilustração de Arthur Rackham (1910)

A mitologia nórdica é uma coleção de crenças e histórias compartilhadas por tribos do norte da Germânia (atual Alemanha), sendo que sua estrutura não designa uma religião no sentido comum da palavra, pois não havia nenhuma reivindicação de escrituras que fossem inspirados por algum ser divino. A mitologia foi transmitida oralmente principalmente durante a era Viquingue, e o atual conhecimento sobre ela é baseado especialmente nos Eddas[5][6] e outros textos medievais escritos pouco depois da cristianização.

No folclore escandinavo estas crenças permaneceram por mais tempo, e em áreas rurais algumas tradições são mantidas até hoje, recentemente revividas ou reinventadas e conhecidas como Ásatrú ou Odinismo. A mitologia remanesce também como uma inspiração na literatura, assim como no teatro, na música e no cinema.

A família é o centro da comunidade, podendo ser estreitamente relacionada com a fertilidade-fecundidade quanto com a agressividade de um povo hostil e habituado a guerras, em uma sociedade totalmente rural que visa a prosperidade e a paz para si. Deste modo, a religião é muito mais baseada no culto do que no dogmatismo ou na metafísica, uma religiosidade baseada em atos, gestos e ritos significativos, muitas vezes girando em torno de festividades a certos deuses, como Odim e Tîwaz (identificado por alguns estudiosos como predecessor de Odim).

Pode-se dizer que a religião viquingue não existia sem um ritual e abordava exclusivamente o culto aos ancestrais; era uma religião que ignorava o suicídio, o desespero, a revolta e mais do que tudo, a dúvida e o absurdo. Segundo alguns autores, era "uma religião da vida".[7]

Fontes

A maior parte desta mitologia foi passada adiante oralmente, sendo que grande parte dela foi perdida.
Alguns autores estrangeiros fornecem dados sobre a religião nórdica antiga - Tácito (98), Jordanes (500), Rimberto de Hamburgo (ca 870), ibne Fadalane (922), Adão de Bremen (1070). O dinamarquês Saxão Gramático , na sua obra Feitos dos Danos (século XII), descreve os deuses nórdicos em termos historicamente discutíveis.[8]

As principais fontes sobre a mitologia nórdica são todavia a duas Eddas:[9]

  • A Edda em prosa[5], escrita no início do século XIII. À primeira vista, ele parece um manual para aspirantes a poetas, que lista e descreve os contos tradicionais que deram forma à base de expressões poéticas padronizadas, tais como os kennings. O autor é reconhecido como sendo Snorri Sturluson, o renomado chefe, poeta e diplomata da Islândia.
  • A Edda em verso[6][10][11], escrita aproximadamente 50 anos mais tarde. Contém 29 poemas longos, sendo que 11 tratam sobre as divindades germânicas e o resto se referem aos heróis legendários como Sigurdo, da Saga de Volsunga (o Siegfried da versão alemã do poema Nibelungenlied). Embora os estudiosos acreditem que esta coleção de poemas tenha sido desenvolvida mais tarde do que a Edda em prosa, é creditado o nome de Edda antiga para esta obra por causa da antiguidade atribuída aos textos.

Além destas fontes, há diversas lendas que sobrevivem no folclore escandinavo, e há centenas de nomes de lugares na Escandinávia cuja origem se encontra nos deuses da mitologia nórdica. Algumas inscrições rúnicas, tais como Rök Runestone e o amuleto de Kvinneby, fazem referências a mitologia. Há também diversas imagens entalhadas na pedra que descrevem cenas da mitologia nórdica, tais como a viagem de pesca de Tor, cenas da saga de Völsunga, Odim e Sleipnir, Odim sendo devorado por Fenrir, e Hyrrokkin viajando ao funeral de Balder. Há também imagens menores, tais como os figuras que descrevem os deuses Odim (com só um olho), Thor (com seu martelo) e Freir.