Milagre

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Imagem com lágrimas escorrendo dos olhos: os crentes em milagres estão muito mais propensos a vê-los do que aqueles que lhes são céticos [Ref. 1].

Em acepção geralmente empregada, milagre ou miráculo[Ref. 2](do latim miraculum, do verbo mirare, "maravilhar-se") é um acontecimento dito extraordinário que, à luz dos sentidos e conhecimentos até então disponíveis, não possuindo explicação científica ainda conhecida, dá-se de forma a sugerir uma violação das leis naturais que regem os fenômenos ordinários [Ref. 3].

Para grande parte dos teístas, sua realização é atribuída à omnipotência divina, sendo considerado como um ato de intervenção direta de Deus (ou deuses) no curso normal dos acontecimentos. Geralmente os milagres têm, segundo esses, propósitos definidos, sendo o mais comum o de beneficiar, por mérito moral e ou de , adeptos de determinada crença em detrimento dos não adeptos, que permanecem sujeitos às leis regulares.

Para a ciência não há milagres até o momento corroborados; e a natureza rege-se, com base no que se tem ciência ao menos até hoje, por leis naturais inexoráveis. Para a ciência, caso afronte a realidade universal, a crença exacerbada em milagres pode, inclusive, implicar riscos de morte ou mesmo fatalidades que, à luz dos fatos, far-se-iam plenamente desnecessários. [Ref. 4][Ref. 5][Ref. 6]

Este verbete (milagre) também pode referir-se a uma forma de teatro religioso onde encenavam-se histórias atreladas às vidas dos anjos. Foram muito populares na Idade Média, e chegaram a fazer parte oficial dos ritos da Igreja Católica. Em tal acepção, o milagre ainda mostra-se importante em dias atuais, sobretudo na literatura [Ref. 7].

O Milagre e a Ciência

À luz da ciência, embora haja certamente muitas perguntas ainda sem resposta, situação plenamente coerente com o método científico e com o dinamismo e o ceticismo da ciência em sua definição moderna, não há milagres verificados. A busca científica por explicações para os fenômenos apoiados em fatos verificáveis - fatos científicos - tem historicamente conduzido a teorias científicas e explicações naturais para todos os fenômenos até então conhecidos. À luz da ciência, a natureza funciona conforme ela é, e não da forma como alguma deidade ou mesmos nós gostaríamos. Cabe-nos por tal entender as regras e utilizá-las a nosso favor; e não impô-las à natureza [Ref. 5][Nota 1]. Nas palavras de Jacob Bronowski: "O homem domina a natureza não pela força, mas pela compreensão. É por isto que a ciência teve sucesso onde a magia fracassou: porque ela não buscou um encantamento para lançar sobre a natureza" [Ref. 4]

O universo é, sob concepção científica, regido por regras naturais e não vontades sobrenaturais; e a crença exacerbada na não veracidade dessa afirmação pode implicar riscos significativos, incluso o risco de morte, não apenas para os demais seres vivos como também para a própria pessoa humana [Ref. 6].

Segundo um famoso biólogo inglês, "(...) a natureza não é cruel, apenas implacavelmente indiferente. Essa é uma das lições mais duras que se têm de aprender." [1]