Mercúrio (mitologia)

Disambig grey.svg Nota: Mercurius redireciona para este artigo. Para o santo de mesmo nome, veja São Mercúrio.
Mercúrio
Mercúrio, por Artus Quellinus, identificado por seu chapéu, bolsa fechada por um fio, caduceu, sandálias aladas, galo e bode, no Amsterdam Town Hall, hoje Royal Palace
Grego equivalenteHermes

Mercúrio, na mitologia romana, associado ao deus grego Hermes, é um mensageiro e deus da venda, lucro e comércio, o filho de Maia, também conhecida como Ops, a versão romana de Reia, e Júpiter. Seu nome é relacionado à palavra latina merx ("mercadoria"; comparado a mercador, comércio). Em suas formas mais antigas, ele aparenta ter sido relacionado ao deus etrusco Turms, mas a maior parte de suas características e mitologia são emprestadas do deus grego, Hermes.

Mercúrio é o deus romano encarregado de levar as mensagens de Júpiter, sendo filho de Júpiter e de Bona Dea e nasceu em Cilene, monte de Arcádia. Os seus atributos incluem uma bolsa, umas sandálias e um capacete com asas, uma varinha de condão e o caduceu. Quando Proserpina foi raptada, tentou resgatá-la dos infernos sem muito sucesso. É o deus da eloquência, do comércio e dos viajantes, a personificação da inteligência. Como seu correspondente grego é o protetor dos rebanhos, dos viajantes e comerciantes: muito rápido, é o mensageiro. O planeta Mercúrio provavelmente recebeu este nome porque se move rapidamente no céu.

Mercúrio influenciou o nome de uma série de coisas em vários campos da ciência, tais como o planeta Mercúrio e o elemento mercúrio.

A palavra mercurial é geralmente usada para se referir a algo ou alguém errático, volátil ou instável, derivado da rapidez dos voos de Mercúrio de um lugar a outro. O termo vem da astrologia e descreve o comportamento esperado de alguém sob a influência do planeta Mercúrio.

Adoração

Mercúrio não aparece entre os numinosos di indigetes da antiga religião romana. Especialmente, ele incluía o antigo Dei Lucrii quando a religião romana foi sincretizada com a religião grega durante o tempo da República Romana, iniciando-se pelo século IV a.C. No princípio, Mercúrio tinha essencialmente os mesmos aspectos que Hermes, vestindo os sapatos alados talaria e uma petasos alada, e carregando um caduceu, uma baqueta heráldica com duas cobras entrelaçadas que foi o presente de Apolo a Hermes. Ele é frequentemente acompanhado de um galo jovem, mensageiro do novo dia, de um carneiro ou bode, simbolizando fertilidade, e de uma tartaruga, referindo-se à legendária invenção de Mercúrio da lira a partir do casco de uma tartaruga. Como Hermes, ele foi também um mensageiro dos deuses e um deus de mercantilismo, particularmente do mercado de grãos. Mercúrio também foi considerado um deus de abundância e sucesso comercial, particularmente na Gália. Ele foi também, como Hermes, o psicopompo romano, conduzindo almas recém falecidas à vida após a morte. Adicionalmente, Ovídio escreveu que Mercúrio carregou os sonhos de Morfeu do vale de Somno aos humanos dormentes.

O templo de Mercúrio no Circo Máximo, entre os montes Aventino e Palatino, foi construído em 495 a.C. Esse era um local adequado para adorar um deus rápido do comércio e viagem, já que ele era um grande centro de comércio assim como uma pista de corrida. Já que ele ficava entre a fortaleza dos plebeus no Aventino e o centro patrício no Palatino, isso também enfatizava Mercúrio como um mediador.

Pelo fato de Mercúrio não ser uma das divindades antigas sobrevivendo no Império Romano, a ele não foi atribuído um flâmine ("sacerdote"), mas ele tinha uma festividade maior em 15 de maio, a Mercurália. Durante a Mercurália, os mercadores aspergiam em suas cabeças a água da sua fonte sagrada próxima a Porta Capena.