Marxismo e religião

O fundador do marxismo, o pensador alemão Karl Marx, tinha uma atitude negativa para com a religião, vendo-a essencialmente como "o ópio do povo", que foi usado pelas classes dominantes para dar à classe trabalhadora uma falsa esperança por milênios, e, ao mesmo tempo, reconhecendo-a como uma forma de protesto das classes trabalhadoras contra suas más condições econômicas.[1] No fim, Marx rejeita a religião.[2]

Na interpretação marxista-leninista do marxismo, desenvolvida primeiramente pelo revolucionário russo Vladimir Lênin, a religião é vista como um atraso no desenvolvimento humano e, de fato, os estados socialistas que seguem uma linha de pensamento marxista-leninista são ateus, explicitamente antirreligiosos. Devido a isso, uma série de governos marxista-leninistas no século XX, tais como a União Soviética e a República Popular da China, implementou leis introduzindo o estado ateu. No entanto, vários grupos comunistas religiosos efetivamente existem e o comunismo cristão foi importante no desenvolvimento inicial do comunismo.

Marx e a religião

A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo. A abolição da religião, enquanto felicidade ilusória dos homens, é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.

A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem os suporte sem fantasias ou consolo, mas para que lance fora os grilhões e a flor viva brote. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em tomo de si mesmo.[3]