Marco Polo
English: Marco Polo

Disambig grey.svg Nota: Para outros significados, veja Marco Polo (desambiguação).
Marco Polo
Retrato póstumo feito em cerca de 1600, parte do acervo da Galleria de Monsignor Badia, em Roma
Nome completoMarco Polo
Nascimento1254
(supostamente)
Veneza, República de Veneza
Morte8 ou 9 de janeiro de 1324 (69–70 anos)
Veneza, República de Veneza
NacionalidadeVeneziano
ProgenitoresMãe: Nicole Anna Defuseh
Pai: Niccolò Polo
CônjugeDonata Badoer
Filho(s)Fantina Polo
Bellela Polo
Moretta Polo
OcupaçãoMercador, embaixador e explorador
Magnum opusAs Viagens de Marco Polo

Marco Polo (pronúncia italiana: [ˈmarko ˈpɔːlo]; c.12548 ou 9 de janeiro de 1324)[1] foi um mercador, embaixador e explorador veneziano[2][3][4][5] cujas aventuras estão registradas em As Viagens de Marco Polo, um livro que descreve para os europeus as maravilhas da China, de sua capital Pequim e de outras cidades e países da Ásia.

Aprendeu as negociações mercantis com seu pai e seu tio paterno, Niccolò e Matteo Polo, que também viajaram através da Ásia e conheceram Kublai Khan. Em 1269, Niccolò e Matteo Polo retornaram a Veneza, onde conheceram Marco, embarcando os três em uma grande jornada até a Ásia, e retornando a Veneza após 24 anos, onde se depararam com as guerras veneziano-genovesas. Marco foi preso e acabou ditando suas histórias para um companheiro de cela. Foi libertado em 1299, tornando-se um rico mercador. Casou-se com Donata Badoèr, de quem teve três filhas. Morreu em 1324, sendo enterrado na Igreja de San Lorenzo, em Veneza.

Embora Marco Polo não tenha sido o primeiro europeu a chegar à China, foi o primeiro a descrever detalhadamente suas experiências. Seu livro inspirou Cristóvão Colombo[6] e muitos outros viajantes. Existem várias produções literárias baseadas nos escritos de Marco Polo; também influenciou a cartografia europeia, sendo o ponto de partida de inspiração do mapa-múndi de Fra Mauro.

Vida

Origens familiares

Corte del Milion continua sendo o nome do palácio onde morou Polo, inspirado no seu apelido "Il Milione"

Marco Polo nasceu em 1254,[nota 1][7] na República de Veneza.[8] A data e localização exatas são desconhecidas.[9][10] Alguns historiadores mencionam que nasceu em 15 de setembro,[11] mas tal hipótese não é apoiada pela maioria dos acadêmicos. Veneza é geralmente considerada o local de nascimento de Marco Polo,[10][12] mas outras hipóteses sugerem Constantinopla[13][10] e a ilha de Korčula.[14][10][15][16] Existe uma disputa se a família de Marco era de origem veneziana, já que fontes históricas venezianas supostamente os apontariam como originários da Dalmácia.[7][10] [17][18] No entanto, até mesmo acadêmicos croatas consideram isto uma invenção.[19]

Primeiros anos e viagem para a Ásia

Mosaico de Marco Polo existente no Palazzo Doria-Tursi, em Gênova, Itália

Em 1168, seu tio-avô, igualmente chamado Marco Polo, arrendou e comandou um navio em Constantinopla.[20][21] Seu avô, Andrea Polo, da paróquia de San Felice, teve três filhos: Maffeo, outro Marco, e Niccolò, o pai do famoso viajante.[20] Esta genealogia, descrita por Ramusio, não é universalmente aceita e não existem evidências adicionais que a comprovem.[22][23]

Seu pai, Niccolò Polo, mercador, fez fortuna negociando com o Próximo Oriente, conquistando grande prestígio.[24][25] Niccolò e seu irmão Maffeo zarparam em uma viagem de negócios antes do nascimento de Marco.[7][25] Em 1260, residindo em Constantinopla, à época capital do Império Latino, prevendo uma reviravolta política, os dois liquidaram seus ativos em jóias e se mudaram.[24] De acordo com as As Viagens, se aventuraram no extremo oriente asiático, onde conheceram Kublai Khan, líder mongol e fundador da Dinastia Yuan.[26] A sua decisão de se mudar de Constantinopla veio a se mostrar correta. Em 1261, , líder do Império de Niceia, conquistou Constantinopla, queimando de imediato o quartel general veneziano e restabelecendo o Império Romano do Oriente. Os cidadãos venezianos que foram capturados acabaram cegados,[27] enquanto muitos que conseguiram escapar acabaram morrendo nos navios superlotados que fugiam para outras colônias venezianas no Mar Egeu.

Pouco se sabe sobre a infância de Marco Polo até a idade de quinze anos, exceto que provavelmente teria passado parte da sua infância em Veneza.[28][29][21] Ao morrer sua mãe, Marco acabou sendo adotado por sua tia e tio.[25] Recebeu uma educação privilegiada, aprendendo técnicas mercantis, incluindo conhecimentos sobre moedas estrangeiras e funcionamento dos navios,[25] mas aprendendo quase nada, ou nada, de latim.[24] Seu pai mais tarde se casaria com Floradise Polo.[23]

Em 1269, Niccolò e Maffeo retornaram a suas famílias em Veneza, se encontrando com o jovem Marco pela primeira vez.[28] Em 1271, durante o reinado do Doge Lorenzo Tiepolo, Marco Polo, então com dezessete anos de idade, juntamente com seu pai e tio zarparam para a Ásia em uma série de aventuras que Marco posteriormente viria a descrever em seu livro.[30] Retornaram a Veneza em 1295, com muitas riquezas e tesouros, tendo viajado quase 24 000 km.[25]

Cativeiro genovês e últimos anos

Igreja de San Lorenzo na sestiere de Castello (Veneza), onde Polo foi enterrado. A foto mostra a igreja atualmente, após a reforma de 1592

Marco Polo retornou a Veneza em 1295, trazendo consigo uma fortuna sob a forma de gemas. Naquela época, Veneza encontrava-se em guerra com a República de Gênova.[31] Marco equipou uma galé com trabucos, com o fim dese juntar à guerra.[32]

Terá sido capturado pelos genoveses provavelmente em 1296, em uma escaramuça perto da costa da Anatólia, entre Adana e o Golfo de İskenderun.[33] A alegação de que a captura teria ocorrido durante a Batalha de Curzola, em setembro de 1269, perto da costa da Dalmácia,[34] provém de tradição tradição tardia, do século XVI, registrada por Giovan Battista Ramusio.[35][36] Passou vários meses na prisão, ditando detalhes sobre a sua viagem para um companheiro de cela, Rusticiano de Pisa,[25] o qual também acrescentou histórias de suas viagens além de anedotas coletadas de outros relatos e de notícias de sua época sobre a China. O livro rapidamente se espalhou pela Europa como manuscrito, tornando-se conhecido como As Viagens de Marco Polo. Ao retratar as jornadas de Marco pela Ásia, fornecia aos europeus o primeiro relato detalhado sobre o Extremo Oriente, incluindo a China, a Índia e o Japão.[37]

Marco Polo foi libertado do cativeiro em agosto de 1299,[25] retornando a Veneza, onde seu pai e tio tinham comprado um pallazo em uma região chamada contrada San Giovanni Crisostomo (Corte del Milion).[38] Em suas aventuras, a família Polo provavelmente terá investido em fundos de negócios, e até mesmo em gemas que trouxeram do Oriente.[38] o grupo continuou suas atividades, e Marco rapidamente se tornou um mercador rico. Embora Polo e seu tio Maffeo tenham financiado outras expedições, provavelmente nunca mais teriam deixado a província veneziana, não retornado mais à Rota da Seda nem à Ásia.[39] Seu pai Niccolò morreu cerca de 1300,[39] e no mesmo ano Marco se casou com Donata Badoèr, filha de Vitale Badoèr, um mercador.[40] Tiveram três filhas: Fantina, que casou com Marco Bragadin, Bellela, que casou com Bertuccio Querini, e Moreta.[41][42]

Em 1305, Polo é mencionado em documento veneziano entre governantes locais, cobrando o pagamento de impostos.[23] A relação do famoso explorador com um certo Marco Polo, citado em 1300 em rebeliões contra o governo aristocrático local, escapando da pena de morte, assim como de rebeliões em 1310 lideradas por Bajamonte Tiepolo e Marco Querini, onde entre os rebeldes se encontravam Jacobello e Francesco Polo, pertencentes a outro ramo da família Polo, é incerta.[23] Em 1337, Marco Polo é novamente claramente citado no testamento de Maffeo, redigido entre 1309 e 1310, assim como em um documento de 1319, indicando que se tinha tornado dono de algumas propriedades de seu falecido pai, e em 1321, quando comprou parte das propriedades da família de sua esposa Donata.[23]

Morte

Em 1323, Marco adoeceu, ficando confinado à cama.[43] Em 8 de janeiro de 1324, apesar dos esforços dos médicos, Marco encontrava-se em seu leito de morte.[44] Para registrar e certificar sua vontade, sua família requisitou a vinda de Giovanni Giustiniani, um padre de San Procolo. Sua esposa Donata, tal como suas três filhas, também foram chamadas para certificar seu testamento.[44] A Igreja tinha direito por lei a parte de suas propriedades; Marco aprovou isso, ordenando que a maior parte fosse paga para o convento de San Lorenzo, lugar onde desejava ser enterrado.[44] Também libertou Pedro, seu escravo tártaro, que o havia acompanhado pela Ásia,[45] concedendo-lhe 100 denários venezianos.[46]

Dividiu o resto de suas posses, incluindo várias propriedades, entre indivíduos, instituições religiosas, e cada guilda e irmandade a que tinha pertencido.[44] Também quitou várias dívidas, incluindo 300 liras que devia a sua cunhada, e outras tantas ao convento de San Giovanni Grisostomo, de Chiesa di San Polo, e para um clérigo chamado Frade Benvenuto.[44] Ordenou que 220 soldos fossem pagos a Giovanni Giustinian, por seu trabalho como tabelião.[47]

O testamento não foi assinado por Marco, mas validado pelo processo chamado " signum manus", onde bastava o testador tocar o documento para torna-lo legalmente válido.[46][48] Devido a uma lei veneziana que determinava que o dia terminava ao pôr do sol, a data exata da morte de Marco Polo não pode ser definida. No entanto, de acordo com alguns acadêmicos, teria sido entre o pôr do sol de 8 de janeiro de 1324 e o dia seguinte.[49] A Biblioteca Marciana, que possui a cópia original do testamento, data a certificação do mesmo de 9 de janeiro de 1323, datando a morte de junho de 1324.[48]