Mali
English: Mali

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République du Mali (francês)
Mali ka Fasojamana (bambara)

República do Mali
Bandeira do Mali
Brasão de armas do Mali
Bandeira do MaliBrasão de armas do Mali
Lema: Un Peuple, Un But, Une Foi
(Francês: "Um Povo, Uma Meta, Uma Fé")
Hino nacional: Le Mali
Gentílico: maliano(a), malinês(a), malês(a)[1]

Localização República do Mali

Capital8° E
Cidade mais populosaBamaco
Língua oficialFrancês
Línguas nacionaisBambara, bomu, bozo, mamara, malinquê de Kita, soninquê, senara e outras
GovernoRepública semipresidencialista
 - PresidenteIbrahim Boubacar Keïta
 - Primeiro-ministroBoubou Cissé
Independênciada França 
 - Data22 de setembro de 1960 
Área 
 - Total1.240.192 km² (23.º)
 - Água (%)1,6
 FronteiraMauritânia (W e N), Argélia (N), Níger (E), Burkina Fasso (S), Costa do Marfim (S), Guiné (SW) e Senegal (W)
População 
 - Estimativa para 201517 963 218 [2] hab. (63.º)
 - Densidade14,46 hab./km² (185.º)
PIB (base PPC)Estimativa de 2007
 - TotalUS$ : 14,180 bilhões (130.º)
 - Per capitaUS$ : 1.031 (162.º)
IDH (2017)0,427 (182.º) – baixo[3]
Gini (2001)40,1[4]
MoedaFranco CFA (CFA)
Fuso horário(UTC+0)
ClimaÁrido, semiárido e tropical
Org. internacionaisONU, UA, Francofonia, CEDEAO
Cód. ISOMLI
Cód. Internet.ml
Cód. telef.+223

Mapa República do Mali

O Mali[5] ou Máli[6][7], oficialmente República do Mali, é um país africano sem saída para o mar na África Ocidental. O Mali é o sétimo maior país da África. Limita-se com sete países, a norte pela Argélia, a leste pelo Níger, a oeste pela Mauritânia e Senegal e ao sul pela Costa do Marfim, Guiné e Burkina Faso. O Mali tem uma área de 1 240 000 km² e a sua população é estimada em cerca de 19 milhões de habitantes. A capital do país é Bamaco.

Formado por oito regiões, o Mali tem fronteiras ao norte, no meio ao Deserto do Saara, enquanto a região sul, onde vive a maioria de seus habitantes, está próximo aos rios Níger e Senegal. Alguns dos recursos naturais no Mali são o ouro, o urânio e o sal.

O atual território do Mali foi sede de três impérios da África Ocidental que controlava o comércio transaariano: o Império do Gana, o Império do Mali (que deu o nome de Mali ao país), e o Império Songai. No final do século XIX, o Mali ficou sob o controle da França, tornando-se parte do Sudão Francês. Em 1960, conquistou a independência, juntamente com o Senegal, tornando-se a Federação do Mali. Um ano mais tarde, a Federação do Mali se dividiu em dois países: Mali e Senegal. Depois de um tempo em que havia apenas um partido político, um golpe em 1991 levou à escritura de uma nova Constituição e à criação do Mali como uma nação democrática, com um sistema pluripartidário. Quase a metade de sua população vive abaixo da linha de pobreza, com menos de 1 dólar por dia.

História

Ver artigo principal: História do Mali

O território do atual Mali foi sede grandes impérios da África Ocidental, que controlavam o comércio de sal, ouro, matérias prima alem de prata e bronze. Estes reinos careciam tanto de fronteiras geopolíticas quanto de identidades étnicas. Um destes grandes impérios foi o Império do Gana, fundada pelos soninquês, que falavam mandê.[8] O reino se expandiu por toda África Ocidental desde o século VIII até 1078, quando foi conquistado pelos almorávidas.[9]

A extensão do Império do Mali

O Império do Mali se formou na parte superior do Rio Níger e chegou à sua força máxima em meados do século XIV. Sob o reinado do Império do Mali, as antigas cidades de Djené e Tombuctu foram importantes centros de comércio e de aprendizagem islâmica. O reino entrou em declínio e, posteriormente, foi resultado de conflitos internos, e até ser substituído pelo Império Songai. O povo songai é originário do noroeste da atual Nigéria, cujo império tinha sido há muito tempo uma potência na África Ocidental sob o controle do Império de Mali.[9]

No final do século XIV, o Império Songai ganhou a independência do Império do Mali gradualmente, abrangendo a extremidade oriental deste império. Sua queda foi resultado de uma invasão berbere em 1591, marcando o fim do papel regional da encruzilhada comercial. Após o estabelecimento de rotas marítimas pelas potências europeias, a rotas comerciais transaarianas perderam sua importância.[9]

Na era colonial, Mali ficou sob o controle francês no fim do século XIX. Em 1905, toda a sua área estava sob controle da França, fazendo parte do Sudão Francês. No início de 1959, o Mali e o Senegal se uniram, formando a Federação do Mali, que conquistou a sua independência em 20 de agosto de 1960. A retirada da federação senegalesa permitiu que a ex-república sudanesa formasse a nação independente do Mali em 22 de setembro de 1960. Modibo Keita, que foi primeiro-ministro da Federação do Mali até sua dissolução, foi eleito o primeiro presidente. Keita estabeleceu o unipartidarismo, adotando, por sua vez, uma orientação africana independente e socialista de fortes laços com a União Soviética e realizou uma grande nacionalização dos recursos econômicos.[9]

Antiga cidade de Djenné, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco

Em 1968, como resultado de um crescente declínio econômico, o mandato de Keita foi derrubado por um golpe militar liderado por Moussa Traoré. O regime militar subsequente, de Traoré como presidente, teve a função de fazer reformas econômicas. Apesar disso, seus esforços foram frustrados pela instabilidade política e uma devastadora seca que ocorreu entre 1968 e 1974. O regime Traoré enfrentou distúrbios estudantis que começaram no final dos anos 70, como também ocorreram três tentativas de golpe de estado. No entanto, as divergências foram suprimidas até o final da década de 1980.[10]

O governo continuou a tentar implantar reformas econômicas, mas sua popularidade entre a população diminuiu cada vez mais. Em resposta à crescente demanda por uma democracia pluripartidária, Traoré consistiu uma liberalização política limitada, mas negou a marcar o início de um pleno sistema democrático. Em 1990, começaram a surgir novos movimentos de oposição coerentes, mas estes processos foram interrompidos pelo aumento da violência étnica no norte do país, devido ao retorno de muitos tuaregues ao país.[10]

Novos protestos contra o governo ocorreram em 1991 levaram a mais um golpe de estado, seguido de um governo de transição e a realização de uma nova constituição.[10] Em 1992, Alpha Oumar Konaré venceu as primeiras eleições presidenciais democráticas. Após sua reeleição em 1997, o presidente Konaré impulsionou reformas político-econômicas e lutou em combater a corrupção.[11] Em 2002, foi substituído por Amadou Toumani Touré, general que liderou um outro golpe de estado contra os militares e impôs a democracia. O Mali vinha sendo um dos países mais estáveis de África no âmbito político e social.[12] Entretanto, em 21 de março de 2012, um golpe militar derrubou o governo do presidente Touré.