Mahatma Gandhi

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Mahatma
Mohandas Karamchand Gandhi
>મોહનદાસ કરમચંદ ગાંધી
Nome completoMohandas Karamchand Gandhi
Pseudônimo(s)Mahatma Gandhi, Bapu ji, Gandhi ji
Conhecido(a) porMovimento de independência da Índia, resistência não violenta
Nascimento2 de outubro de 1869
Porbandar, Distrito de Kathiawar, Índia Britânica
Morte30 de janeiro de 1948 (78 anos)
Nova Deli, Deli, Domínio da Índia
NacionalidadeIndiano
ProgenitoresMãe: Putlibai Gandhi
Pai: Karamchand Uttamchand Gandhi
CônjugeKasturba Gandhi (1883–1944)
Filho(s)4
Alma materUniversity College London[1]
Inner Temple
Ocupação
Outras ocupaçõesPresidente do Congresso Nacional Indiano
Período de atividade1919–1948
Principais trabalhosThe Story of My Experiments with Truth
PrêmiosPessoa do Ano (1930)
Causa da morteAssassinato
Assinatura
Mohandas K. Gandhi signature.svg

Mohandas Karamchand Gandhi (2 de outubro de 1869 – 30 de janeiro de 1948) foi um advogado,[2] nacionalista, anticolonialista[3] e especialista em ética política indiano,[4] que empregou resistência não violenta para liderar a campanha bem-sucedida para a independência da Índia do Reino Unido,[5] e por sua vez, inspirar movimentos pelos direitos civis e liberdade em todo o mundo. O honorífico Mahātmā (sânscrito: "de grande alma", "venerável"),[6] aplicado a ele pela primeira vez em 1914 na África do Sul,[7] é agora usado em todo o mundo.

Nascido e criado em uma família hindu no litoral de Guzerate, oeste da Índia, e formado em direito no Inner Temple, Londres, Gandhi empregou pela primeira vez a desobediência civil não-violenta como advogado expatriado na África do Sul, na luta da comunidade indígena pelos direitos civis. Após seu retorno à Índia em 1915, ele começou a organizar camponeses, agricultores e trabalhadores urbanos para protestar contra o imposto sobre a terra e a discriminação excessiva. Assumindo a liderança do Congresso Nacional Indiano em 1921, Gandhi liderou campanhas nacionais para várias causas sociais e para alcançar o Swaraj ou o autogoverno.[8]

Gandhi levou os indianos a desafiar o imposto salino cobrado pelos ingleses com a Marcha do Sal, de 400 km, em 1930, e mais tarde pedindo aos britânicos que abandonassem a Índia em 1942. Ele foi preso por muitos anos, em várias ocasiões, na África do Sul e na Índia. Vivia modestamente em uma comunidade residencial auto-suficiente e usava o dhoti e o xale indiano tradicional, entrelaçados com fios feitos à mão em um charkha. Comia comida vegetariana simples e também realizou longos jejuns como um meio de auto-purificação e protesto político.

A visão de Gandhi de uma Índia independente baseada no pluralismo religioso foi desafiada no início da década de 1940 por um novo nacionalismo muçulmano que exigia uma pátria muçulmana separada da Índia.[9] Em agosto de 1947, o Reino Unido concedeu a independência, mas o Império Britânico da Índia[9] foi dividido em dois domínios, a Índia de maioria hindu e o Paquistão de maioria muçulmana.[10] Como muitos indianos, muçulmanos e sikhs deslocados chegaram às suas novas terras, a violência religiosa irrompeu, especialmente em Panjabe e em Bengala. Evitando a celebração oficial da independência em Delhi, Gandhi visitou as áreas afetadas, tentando proporcionar consolo. Nos meses seguintes, ele realizou várias greves de fome para deter a violência religiosa. O último deles, realizado em 12 de janeiro de 1948, quando tinha 78 anos, também teve o objetivo indireto de pressionar a Índia a pagar alguns ativos em dinheiro devidos ao Paquistão.[11] Alguns indianos pensavam que Gandhi era muito complacente com os muçulmanos.[11][12] Entre eles estava Nathuram Godse, um nacionalista hindu, que assassinou Gandhi em 30 de janeiro de 1948, disparando três vezes contra seu peito.[12]

O aniversário de Gandhi, 2 de outubro, é comemorado na Índia como Gandhi Jayanti, um feriado nacional e em todo o mundo como o Dia Internacional da Não-Violência. Gandhi é comumente, embora não formalmente considerado o Pai da Pátria indiana.[13][14] Gandhi também é chamado de Bapu[15] (Guzerate: carinho por pai,[16] papa[16][17]).

Biografia

Gandhi aos 7 anos, em 1876.

Juventude

Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade de Porbandar, na Índia ocidental, hoje estado de Gujarat. Seu pai era o primeiro-ministro do minúsculo principado,[18] e a mãe era uma devota vaisnava.

Como era costume em sua cultura nesta época, em maio de 1883, com a idade de 13 anos, a família de Gandhi realizou seu casamento arranjado com Kasturba Gandhi, de 14 anos,[18] através de um acordo entre as respectivas famílias.[19]

Formação na Inglaterra

Depois de um pouco de educação indistinta, foi decidido que ele deveria ir para a Inglaterra para estudar direito na University College London.[18] Ele ganhou a permissão da mãe, prometendo se abster de vinho, mulheres e carne, mas ele desafiou os regulamentos de sua casta, que proibiam a viagem para a Inglaterra. Cursou a faculdade de direito em Londres.[19]

Procurando um restaurante vegetariano, descobriu, na filosofia de Henry Stephens Salt, um argumento para o vegetarianismo e convenceu-se dessa prática. Ele organizou um clube vegetariano onde se encontravam teósofos e pessoas com interesses altruísticos.

Sua primeira leitura do Bhagavad-Gita[18] foi através de uma tradução poética para a língua inglesa de Edwin Arnold: A Canção Celestial. Esta escritura hindu e o "Sermão da Montanha", do Evangelho, se tornaram, mais tarde, suas "bíblias" e guias espirituais. Ele memorizou o Gita em suas meditações diárias, frequentemente recitando o texto original em sânscrito em suas orações.

Gandhi durante a juventude na Inglaterra, por volta de 1889.

A vida na África do Sul

Gandhi em seu escritório de advocacia na África do Sul.

Quando Gandhi voltou à Índia, em 1891, sua mãe havia falecido, e ele, devido à timidez, não obteve êxito na sua profissão legal de advogado. Assim, aproveitou a oportunidade que surgiu de ir para África do Sul, durante um ano, representando a firma hindu de Dada Abdulla em KwaZulu-Natal, em um processo judicial.[20]

Sua estadia na África do Sul, notório local de discriminação racial, despertou-lhe a consciência social. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ter notoriedade por sua atuação. Ele mesmo relata: "eu aprendi a descobrir o lado bom da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir partes separadas".[21]

Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar incriminar o inocente. Ao término do ano, durante uma festa de despedida, de retorno à Índia, Gandhi tomou conhecimento que uma lei estava sendo proposta para privar os hindus do voto. Os amigos dele insistiram: "fique e conduza a briga para os direitos de nossos compatriotas na África do Sul." Gandhi fundou, em KwaZulu-Natal, o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços foram uma vigorosa advertência para a imprensa.

Nessa época quando estava tentando organizar o Congresso Indiano de Natal e a comunidade indiana para protestar contra a discriminação racial e a legislação policial que infringiam suas liberdades civis, Gandhi conheceu Charles Freer Andrews, um missionário cristão. Andrews ficou profundamente impressionado com o conhecimento de Gandhi dos valores cristãos e sua adoção do conceito de ahimsa, não-violência - algo que Gandhi misturou com a inspiração de elementos do anarquismo cristão. Ele ajudou Gandhi a organizar um Ashram em Natal e publicar sua famosa revista, The Indian Opinion.

Gandhi e sua esposa Kasturba Gandhi em foto de 1902.

Quando Gandhi retornou à África, após buscar a esposa e filhos na Índia em janeiro de 1897, os sul-africanos tentaram interromper suas atividades de maneiras sórdidas. Uma delas foi a tentativa de subornar e ameaçar o empresário Dada Abdulla Sheth; mas Dada Abdulla era cliente de Gandhi e, finalmente, depois de um período de quarentena, Gandhi recebeu permissão para aterrissar. A turba de espera reconheceu Gandhi e começou a espancá-lo até que a esposa do Superintendente Policial veio ao salvamento dele. A turba ameaçou linchá-lo, mas Gandhi escapou usando um disfarce.

Gandhi com o "Indian Ambulance Corps" durante a "Segunda Guerra dos Bôeres" (1899-1900).

Depois, ele se recusou a processar os que o haviam espancado, permanecendo firme no princípio de controle do egoísmo com respeito à pessoa infratora; além de que tinham sido os líderes da comunidade e do governo de Natal que haviam causado o problema.[19]

Entre 11 de outubro de 1899 até 31 de maio de 1902, foi travada a Segunda Guerra dos Bôeres. Em Natal, Gandhi incentivou os britânicos a recrutar indianos.[22] Ele argumentou que estes deveriam apoiar os esforços de guerra, a fim de legitimar suas reivindicações à cidadania plena.[22] Os britânicos aceitaram a oferta de Gandhi de liderar um destacamento de 20 voluntários indianos como um corpo padioleiro para tratar dos soldados feridos. Esse corpo foi comandado por Gandhi e operou por aproximadamente dois meses.[23] A experiência ensinou-lhe que era impossível desafiar diretamente o poder militar do exército britânico e que este só poderia ser combatido de uma forma não violenta.[24]

Gandhi acabou permanecendo vinte anos na África do Sul defendendo a minoria hindu, liderando a luta de seu povo pelos seus direitos.[25] Ele experimentou o celibato durante trinta anos de sua vida e, em 1906, retomou o juramento de Brahmacharya até o fim da vida.

De acordo com uma biografia recente bastante polêmica, Gandhi separou-se em 1908, quando já tinha quatro filhos, para viver com Hermann Kallenbach, um fisiculturista alemão de origem judaica que emigrara para a África do Sul e viria a tornar-se um de seus discípulos mais próximos. Viveram sob o mesmo teto por dois anos, separando-se quando Gandhi retornou à Índia em 1914.[26]

Satyagraha, a força da verdade

Caricatura de Gandhi representando o potencial explosivo junto à opinião pública mundial de sua desobediência civil contra o registro imposto pelo governo sul-africano.

O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906. O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Os hindus formaram uma massa que se encontrou no Teatro Imperial de Joanesburgo;[19] eles estavam furiosos com a ordem humilhante, e alguns ameaçaram exercer uma resposta violenta à ordem injusta.

Porém, eles decidiram, em grupo, se recusar a obedecer às providências de inscrição; havia unanimidade, e apenas alguns poucos se registraram. Gandhi decidiu chamar esta técnica, de se recusar a se submeter à injustiça, de Satyagraha, que quer dizer, literalmente: "força da verdade". Uma semana depois de desobediência, as mulheres Asiáticas foram dispensadas do registro.[20] Quando o governo de Transvaal finalmente pôs em prática o "Ato de Inscrição Asiático" em 1907, Gandhi e vários outros hindus foram presos.

A pena dele foi de dois meses sem trabalho duro, dedicando-se durante esse período à leitura. Durante a vida, Gandhi passaria um total de mais de seis anos como prisioneiro. Enquanto lia na prisão, Gandhi travou contato, por carta, com Leon Tolstoi, um de seus ídolos. O escritor russo, com suas ideias libertárias, influenciou o indiano. Ele também indicou, a este, a leitura de Henry David Thoreau. Gandhi descobriu, então, a desobediência civil. Também teve, papel importante sobre o pensamento de Gandhi, a obra do pensador anarquista Piotr Kropotkin. Logo, ele começou a perceber, cada vez mais, as possibilidades infinitas do "amor universal".

O movimento de protesto em prol da conquista dos direitos para os indianos na África do Sul continuou crescendo; em um certo ponto, foram presos 2 500 indianos dos 13 000 existentes na província, enquanto 6 000 fugiram do Transvaal.

Durante a desobediência civil, Gandhi desenvolveu o uso de ahimsa que significa "sem dor" e que, normalmente, é traduzido como "não violência". Gandhi seguiu o preceito de "odiar o pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa é atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas. Assim, ahimsa é a base da procura pela verdade".

Fazenda Tolstoi em 1910.

Gandhi também foi atraído para a vida agrícola simples. Ele começou duas comunidades rurais de Satyagrahis: "Fazenda Fênix" e "Fazenda Tolstoi". Escreveu e editou o diário "Opinião indiana", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Três assuntos foram abordados e questionados: os direitos dos hindus na África do Sul; a proibição de imigrantes Asiáticos; e, por fim, o invalidamento de todos casamentos não Cristãos.

Gandhi sendo confrontado por um policial ao liderar os mineradores hindus em greve de Newcastle ao Transvaal em protesto contra o "Ato da Imigração" em 1913.
Gandhi vestido como satyagrahi, ativista da não violência, em 1913.

Em novembro de 1913, Gandhi conduziu uma marcha com mais de duas mil pessoas. Gandhi foi preso e solto após pagar fiança. Logo após, o prenderam novamente e o libertaram, e novamente foi preso depois de quatro dias de liberdade. Foi, então, condenado ao trabalho forçado durante três meses, mas as greves continuaram, envolvendo aproximadamente 50 000 operários, e milhares de indianos foram presos.

Finalmente, através de negociação, os assuntos foram resolvidos. Todos os matrimônios, independente de qual fosse a religião, se tornaram válidos; os impostos em atraso foram cancelados, e os operários, contratados; e foi concedida mais liberdade aos indianos.

Gandhi constatou o poder do método de Satyagraha e profetizou que ele poderia transformar a civilização moderna. "É uma força que, se se tornasse universal, revolucionaria ideais sociais e anularia o despotismos e o militarismo."

Enquanto isso, a Índia ainda estava sofrendo debaixo das regras coloniais britânicas. Gandhi sugeriu que a Índia podia ganhar sua independência por meios não violentos e por via da autoconfiança. Gandhi rejeitou a força bruta e a opressão e declarou que a força da alma ou amor é que mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.

Seguindo o conselho de vários líderes do Congresso indiano e do diretor Susil Kumar Rudra, do St. Stephen's College, C. F. Andrews foi fundamental para persuadir Gandhi a retornar à Índia em 1915.

Retorno à Índia

Gandhi em 1918, quando liderou os satyagrahi de Kheda, no Gujarate, contra as taxações injustas.

De volta à Índia em 1915, Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana sobre a luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não violência. O uso da não violência, por sua vez, baseava-se no uso da desobediência civil.

Gandhi estava pronto para morar nas ruas sujas com os intocáveis se necessário, mas um benfeitor anônimo doou dinheiro suficiente para um ano. Gandhi passou então a ajudar os necessitados e as crianças carentes.

Em 1917, Gandhi ajudou as pessoas que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários sobre esses trabalhadores. Ele foi detido, mas logo perceberam que o Mahatma era o único que poderia controlar as multidões.

Em 1918, Andrews discordou das tentativas de Gandhi de recrutar combatentes para a Primeira Guerra Mundial, acreditando que isso era inconsistente com seus pontos de vista sobre a não-violência. Nas Ideias de Mahatma Gandhi, Andrews escreveu sobre a campanha de recrutamento de Gandhi: "Pessoalmente, nunca fui capaz de conciliar isso com sua própria conduta em outros aspectos, e é um dos pontos em que me encontrei em dolorosa discordância".[27]

Reformas foram ganhas novamente por meio da desobediência civil. Os trabalhadores têxteis de Ahmedabad também eram economicamente oprimidos. Gandhi sugeriu uma greve e, como os trabalhadores temiam as consequências dela, ele fez um jejum para encorajar a continuação da greve.

Gandhi jejuando, foto da década de 1920. A criança ao lado é Indira Gandhi, filha de Nehru e futura Primeira-Ministra da Índia.

O primeiro desafio de Gandhi ao governo britânico na Índia foi em resposta aos poderes arbitrários do "Rowlatt Act" de 1919. A Índia tinha cooperado com a Inglaterra durante a guerraː no entanto, lhe estavam sendo reduzidas as liberdades civis.

Guiado por um sonho ou experiência interna, Gandhi decidiu pedir um dia de greve geral. Porém, a filosofia de Mahatma não foi bem entendida pelas massas, e violências estouraram em vários lugares. O Mahatma se arrependeu declarando que tinha feito "um erro de cálculo", e cancelou a campanha.

Gandhi fundou e publicou dois semanários sem anúncios - a "Índia Jovem" em inglês e o "Navajivan" em Gujarati. Em 1920, Gandhi iniciou uma campanha de âmbito nacional de não cooperação com o governo britânico que, para o camponês, significou o não pagamento de impostos e nenhuma compra de bebida alcoólica, pois o governo ganhava toda a renda de sua venda.

Gandhi realizou várias viagens ao longo de todo o território hindu, com a função de conseguir a conscientização em massa de todas as pessoas, mostrando a necessidade da prática da desobediência civil e do uso da não violência. Durante finais dos anos 1920, Gandhi escreveu uma autobiografia retratando suas experiências vividas. Nesse livro, descreveu os erros cometidos, e o esforço de os superar.

Apelo de Gandhi ao povo de Bombaim, publicado em 1919 no semanário "Índia Jovem" ("Young India").

Em suas falas, ele exibe, através dos dedos da mão, seu programa de cinco pontos:

Esses cinco pontos, os cinco dedos representando o sistema, estavam conectados ao pulso, simbolizando a não violência.

Gandhi com Nehru em 1929, época em que este assumiu a presidência do congresso.

Finalmente em 1928, ele anunciou uma campanha de Satyagraha em Bardoli contra o aumento de 22% em impostos britânicos. As pessoas se recusaram a pagar os impostos, sendo repreendidas pelo governo britânico. No entanto, os indianos continuavam não violentos. Finalmente, após vários meses, os britânicos cancelaram os aumentos, libertaram os prisioneiros, e devolveram as terras e propriedades confiscadas; e os camponeses voltaram a pagar seus tributos.

Ainda nesse ano, o Partido do Congresso Nacional Indiano quis a autonomia da Índia e considerou a guerra aos ingleses para conseguir esse fim. Gandhi se recusou a apoiar uma atitude como esta, porém declarou que, se a Índia não se tornasse um Estado independente ao final de 1929, então ele exigiria sua independência.

A "Marcha do Sal"

Por conseguinte, em 1930, Mahatma Gandhi informou, ao vice-rei, que a desobediência civil em massa iniciaria-se no dia 11 de março. "Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não violência, e, assim, lhes fazer ver o mal que fizeram para a Índia.[28] Eu não busco prejudicar as pessoas." Gandhi decidiu desobedecer as "Leis do Sal" que proibiam os hindus de fazer seu próprio sal;[28] este monopólio britânico golpeou especialmente os pobres.

Começando com setenta e oito participantes, Gandhi iniciou uma marcha de 124 milhas para o mar que duraria mais de vinte e quatro dias. Milhares tinham se juntado no começo, e vários milhares uniram-se durante a marcha.[20] Primeiro, Gandhi e, então, outros, juntaram um pouco de água salgada à beira-mar em panelas, deixando-as ao sol para secar. Em Bombaim, o Partido do Congresso Nacional Indiano colocou panelas no telhado; 60 000 pessoas juntaram-se ao movimento, e foram presas centenas delas. Em Karachi, onde 50 000 assistiram ao sal sendo feito, a multidão era tão espessa que impedia a polícia de efetuar alguma apreensão. As prisões estavam lotadas com pelo menos 60 000 transgressores. Incrivelmente, lá "não havia praticamente nenhuma violência por parte da população; as pessoas não queriam que Gandhi cancelasse o movimento."[28]

A "Marcha do Sal" em 1930.

Gandhi foi preso, mas o amigo dele, Sarojini Naidu, conduziu 2 500 voluntários e os advertiu a não resistir às interferências da polícia. De acordo com uma testemunha ocular, o repórter Miller de Webb, eles continuaram marchando até serem detidos por quatrocentos policiais, mas eles não tentaram lutar.

Tagore declarou que a Europa tinha perdido a moral e o prestígio na Ásia. Logo, mais de 100 000 hindus estavam na prisão, incluindo quase todos os seus líderes.

Gandhi foi chamado a uma reunião com o vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada; foram libertados os prisioneiros;[28] a fabricação de sal foi permitida na costa; e os líderes do Partido do Congresso Nacional Indiano assistiriam à próxima conferência de mesa-redonda em Londres. Para participar desta conferência, Gandhi viajou novamente a Londres, onde conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw e Maria Montessori, entre outros.[28] Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não violenta é um modo mais consistente, humano e digno. Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor.

Retrato de Gandhi em 1931.

Enquanto preso em 1932, Gandhi entrou em um jejum em nome dos Harijans porque, a eles, tinha sido determinado que formassem um eleitorado separado. Poderia ser um jejum até a morte, a menos que ele pudesse despertar a consciência hindu. O assunto foi resolvido, e até mesmo templos hindus destinados aos "intocáveis" foram abertos pela primeira vez.[28] No próximo ano, Gandhi fez um jejum de vinte e um dias para purificação, e os funcionários britânicos, amedrontados de que ele pudesse morrer, colocaram-no na prisão. Gandhi anunciou que não se ocuparia da desobediência civil até que sua oração fosse completada.

Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi confirmou seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não violência contra Mussolini, e ele a recomendou para os Tchecos e para os chineses. "Se é valente, como é, morrer, a um homem que luta contra preconceitos, é ainda valente se recusar a briga e ainda recusar se render ao usurpador".

Gandhi oferecendo 15 minutos de massagem diária a um leproso no ashram Sevagram em 1940.

Já em 1938, ele exortou os judeus a defender os seus direitos e, se necessário, morrer como mártires. "Uma caçada humana degradante pode ser transformada em uma postura tranquila e determinada, oferecendo-se, aos homens e mulheres desarmados, a força dada a eles por Jehovah." Mahatma recomendou o uso de métodos não violentos aos britânicos para combater Hitler, já que não podia dar seu apoio a qualquer tipo de guerra ou matança.

O Partido do Congresso Nacional Indiano prometeu, a Gandhi, que ele ficaria fora da prisão, mas outros 23 223 indianos foram presos, inclusive Vinoba Bhave, Jawaharlal Nehru e Patel. Em 1942, Gandhi sugeriu modos para resistir não violentamente aos japoneses. Ele propôs, às pessoas japonesas, a causa da "federação mundial da fraternidade, sem a qual não poderia haver nenhuma esperança para a humanidade".

Gandhi orando em um encontro em 1946.

Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia e, em 1942, ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou sobre a necessidade de "uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações". Nos últimos anos de sua vida, ele havia dito: "violência é criada por desigualdade, a não violência pela igualdade".

Ele foi a uma peregrinação para Noakhali para ajudar aos pobres. A independência para a Índia era agora iminente, mas Jinnah, o líder muçulmano, estava exigindo a criação de um estado separado: o Paquistão. Gandhi pregou em favor da unidade e tolerância, até mesmo lendo, às reuniões, o Alcorão.

Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigiram, dele, a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Mais uma vez, ele jejuou até que os líderes da comunidade assinaram um acordo para manter a paz. Antes de que eles assinassem, ele os advertiu de que, se se rebelassem, ele jejuaria até a morte. Gandhi, em janeiro de 1948, fez muito para acalmar os conflitos entre hindus e muçulmanos, permitindo a divisão da Índia em dois países.