Luís IX de França

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São Luís IX
Rei da França
Reinado8 de novembro de 1226
a 25 de agosto de 1270
Coroação29 de novembro de 1226
Antecessor(a)Luís VIII
Sucessor(a)Filipe III
RegenteBranca de Castela (1226–1234)
 
EsposaMargarida da Provença
DescendênciaIsabel, Rainha de Navarra
Luís de França
Filipe III de França
João Tristão, Conde de Valois
Pedro, Conde de Perche e Alençon
Branca de França
Margarida, Duquesa de Brabante
Roberto, Conde de Clermont
Inês, Duquesa da Borgonha
CasaCapeto
Nascimento25 de abril de 1214
 Poissy, França
Morte25 de agosto de 1270 (56 anos)
 Tunes, Haféssida
EnterroBasílica de Saint-Denis,
Saint-Denis, França
PaiLuís VIII de França
MãeBranca de Castela
ReligiãoCatolicismo

Luís IX (Poissy, 25 de abril de 1214Tunes, 25 de agosto de 1270), mais conhecido como São Luís, foi o Rei da França de 1226 até sua morte e um santo da Igreja Católica. Era filho do rei Luís VIII e da rainha Branca de Castela, que governou o reino como regente até São Luís adquirir a maioridade. Foi o 42º rei da França, a contar de Clóvis I, e o nono rei da dinastia capetiana a ocupar o trono da França.

Era um homem de alto porte, de grande beleza, muito imponente. Ele atraía, incutia profundo respeito e suscitava grande amor. Tinha o todo de um guerreiro terrível na hora do combate, mas era o Rei mais pomposo e mais decoroso do seu tempo[1].

Quando adulto, Luís enfrentou conflitos recorrentes com poderosos nobres, consolidando a supremacia real levada a cabo por seu avô Filipe Augusto, além de ter derrotado o rei Henrique III de Inglaterra em suas tentativas de restaurar o Império Plantageneta. Após anexar a maior parte das antigas terras inglesas na França, assinou o Tratado de Paris (1259) com a Inglaterra colocando fim aos cem anos de rivalidade franco-inglesa.

Foi um rei reformador e lançou as bases da justiça real francesa, na qual o rei era o juiz supremo a quem qualquer pessoa era capaz de apelar para buscar a emenda de um julgamento. Ele proibiu julgamentos por provação, tentou impedir as guerras privadas que estavam assolando o país e introduziu a presunção de inocência no processo criminal. Era admirado por seus súditos e por toda a Europa como um rei extremamente justo. Chegava a ficar várias vezes na semana sob um carvalho no Castelo de Vincennes ouvindo os apelos e pedidos de seus súditos de todas as classes.

Suas ações foram inspiradas nos valores cristãos, sendo ele um homem extremamente devoto da fé católica, punindo a blasfémia, jogos de azar, empréstimos de interesse e prostituição, comprando relíquias de Cristo para construir a Sainte-Chapelle e tentando converter os judeus franceses. Construiu inúmeros hospitais, leprosários, orfanatos e escolas e era notadamente conhecido pela sua caridade e cuidado com os pobres e doentes. [2]

Casou-se com a rainha Margarida da Provença em 1234 e com ela teve onze filhos, dentre os quais o rei Filipe III de França, que o sucedeu. Através de sua vasta prole, os descendentes de São Luís chegaram a quase todos os tronos da Europa e América, incluídas as dinastias posteriores que reinaram na França, Espanha, Áustria, Sacro Império Romano-Germânico, Alemanha, Inglaterra, Escócia, Suécia, Noruega, Dinamarca, Hungria, Portugal, Bélgica, Grécia, Bulgária, Itália, Holanda, Polônia, Romênia, Rússia, México e Brasil, sendo todos os atuais monarcas europeus descendentes seus.

Em todas as épocas posteriores da história da França, marcada por conflitos, guerras e revoluções, seu governo foi lembrado com nostalgia pelos franceses como "o bom tempo de Meu Senhor São Luís" ou como o "século de ouro de São Luís", deixando uma imagem imensamente positiva aos olhos da história e do imaginário popular francês.[3]

Morreu no norte da África em 25 de agosto de 1270 e foi canonizado como santo pelo Papa Bonifácio VIII em 11 de julho de 1297.

Infância

Luís nasceu no castelo de Poissy, a 30 quilómetros de Paris, a 25 de abril de 1214, dia de procissões solenes do dia de São Marcos. Na mesma época, Filipe Augusto venceu a célebre batalha de Bouvines, contra uma aliança do imperador romano-germânico Otão IV com João de Inglaterra e com nobres da Flandres.

Tradicionalmente, depois de Filipe I de França, os reis capetianos baptizavam os seus primogénitos com o prenome do avô. Luís IX foi o quinto filho de Luís VIII de França e Branca de Castela, sendo o seu irmão Filipe o herdeiro da coroa até à morte deste em 1218.

Sua infância seria influenciada pela figura de seu pai, que, unindo o zelo pela religião à bravura marcial que lhe valeu o cognome de "o Leão", subjugou os cátaros do sul da França. Particularmente zelosos da sua educação, os pais de Luís IX deram-lhe bons preceptores: Mateus II de Montmorency, Guilherme des Barres, conde de Rochefort, e Clemente de Metz, marechal da França, inspiraram-lhe os sentimentos de um rei cristianíssimo e filho da Igreja.

Da mesma forma, mais tarde Luís viria a interessar-se pela educação, particularmente a religiosa, de seus filhos. Ensinar-lhes-ia orações, a necessidade de assistir à missa e de fazer penitência. Conta-se também, por exemplo, que às sextas-feiras não permitia que usassem qualquer ornamento na cabeça, por ter sido o dia da coroação de espinhos de Jesus Cristo.