Lista de monarcas de Portugal

Bandeira dos Reis de Portugal (séculos XVIII–XX)

Esta é uma lista de monarcas de Portugal desde o nascimento do conceito de Terra Portucalense como entidade semi-independente, sem no entanto retirar mérito à proclamação de 1139, que outorga definitivamente a Dom Afonso Henriques, então conde de Portucale, o título de primeiro rei de Portugal como Dom Afonso I. A lista segue até à Implantação da República Portuguesa, a 5 de outubro de 1910, que depôs o último rei português, Dom Manuel II.

As Presúrias Portucalenses

Ver artigos principais: Condado Portucalense e Condado de Coimbra

Condes presores do Porto

Ver artigo principal: Condado Portucalense

A reocupação e possível reconstrução ou fortificação de Portucale verificou-se após a presúria de Vímara Peres, em 868, vivendo, a partir de então, um próspero período da sua história: daí partiu toda a acção de reorganização, bem sucedida, em alguns casos de repovoamento, para além dos limites da antiga diocese nela sediada, quer ao norte do rio Ave, quer ao sul do rio Douro. Por esta altura, o território designava-se de Terra Portugalense ou Portugalia. Desta forma, o antigo burgo de Portucale deu o nome a um novo estado ibérico,[1] Na Galiza, as terras portugalenses encontrava-se definidas como as situadas a sul do rio Lima, segundo documentação galega.

Casa de Vímara Peres

Os condes da casa de Vímara Peres nem sempre se sucederam em linha reta, recorrendo por vezes à sucessão cognática. Eram uma família com bastante influência, tendo o seu apogeu no século X.

Nome Retrato Nascimento Início Governo Fim Governo Casamento (s) Morte Notas
Vímara Peres Porto, Portugal (10552325653).jpg c.820
Filho de Pedro Theon
868 873 Trudilde
Antes de 850
dois filhos
873
Guimarães
52-53 anos
Foi um dos responsáveis pela repovoação da linha entre os rios Minho e Douro e, auxiliado por cavaleiros da região, pela ação de presúria do burgo de Portucale (Porto), que foi assim definitivamente conquistado aos muçulmanos no ano de 868.[2] Nesse mesmo ano, tornou-se o primeiro conde de Portucale. Fundou Guimarães.
Lucídio
Vimaranes
c.850?
Guimarães
Filho de Vímara Peres e Trudilde
873 922 Gudilona Mendes de Coimbra
c.873
três filhos
922
Guimarães
71-72 anos
Apesar de ter tido filhos que lhe sobrevivessem, o seu sucessor foi o conde galego Mendo Gonçalves, o que prova que o condado não seria estritamente hereditário[3].
Hermenegildo Guterres Estacao de Rio Tinto Azulejo 07.jpg c.842
Filho de Guterre e Elvira[4]
912 Ermesinda Gatones de Bierzo
Entre 860 e 870[5]
sete filhos
depois de maio de 912
Guimarães
52-53 anos
Sendo a sua filha nora de Afonso III das Astúrias, à morte de Vímara Peres, terá sido nomeado conde de Portucale por este monarca, conjuntamente com Lucídio Vimaranes, filho de Vímara[6]. Hermenegildo surge na documentação leonesa como conde de Tui e Portucale [Porto][6].
Monio Guterres c.890
Filho de Guterre Mendes de Coimbra e Ilduara Eres de Lugo
912 922 Elvira Aires de Coimbra
sete filhos
c.959[7] Neto de Hermenegildo, governou com Lucídio Vimaranes após a morte do avô[6].
Mendo
Gonçalves I
c.900
Filho de Gonçalo Afonso Betote, Conde de Deza[8] e Teresa Eres de Lugo
922 c.943 Entre 915 e 920
seis filhos
c.943
c.42-43 anos
Provavelmente nomeado conde, dada a falta de parentesco com os condes anteriores. A sua nomeação estará possivelmente relacionada com o casamento da sua irmã Aragonta com Ordonho II de Leão. Há fontes que têm Mendo como morto em 928.[9]
Mumadona Dias Estátua a Mumadona Dias no Largo da Mumadona 04.JPG c.900
Filha do Conde Diogo Fernandes e Oneca de Pamplona
c.943 950 c.969?
Guimarães
c.68-69 anos
Viúva de Mendo Gonçalves, governa o Condado sozinha após a morte do esposo. Foi a mulher mais poderosa do seu tempo no noroeste da Península Ibérica. Edificou o primeiro castelo de Guimarães. A sua suposta abdicação em 950 pode levar a pensar se o seu governo não se tratou de uma regência, mas o facto não é consensual.
Gonçalo Mendes c.925[10]
Filho de Mendo Gonçalves I e Mumadona Dias[8]
950 997 Ilduara Pais de Deza
Entre 935 e 940
cinco filhos

Ermesinda
c.983
sem filhos conhecidos[11]
c.997
Santiago de Compostela[12]
c.71-72 anos
O seu governo coincidiu com um período de turbulência no Ocidente Peninsular, marcado, não só por revoltas nobiliárquicas, mas também por ataques normandos e muçulmanos. Adversário dos reis Sancho I, e Ramiro III, foi um dos nobres que apoiaram e elevaram ao trono Ordonho IV e posteriormente Bermudo II. Em 997 intitulou-se magnus dux portucalensium.
Mendo
Gonçalves II
c.945?
Filho de Gonçalo Mendes e Ilduara Pais de Deza[13]
997 6 de outubro de 1008[14] Antes de 1008
nove filhos
6 de outubro de 1008[14]
c.62-63 anos?
Presença assídua na corte de Bermudo II, participou na educação do sucessor Afonso V e ainda na regência durante a menoridade deste, junto à rainha viúva, Elvira Garcia de Castela. Tornar-se-ia ainda sogro deste, pois casou uma sua filha com este monarca. Faleceu assassinado, possivelmente, por nobres revoltados. Apesar de, mais uma vez, ter descendência varonil, a sucessão não recaiu nos seus filhos.
Tutadona Moniz de Coimbra c.960?
Filha de Monio Froilaz de Coimbra e Elvira Pais de Deza
6 de outubro de 1008[14] 1025 1025
c.64-65 anos?
Viúva, sabe-se que governou o condado em conjunto com o sucessor do marido (Alvito Nunes)[15], provavelmente nomeado por Afonso V. Desconhece-se a razão deste governo conjunto.
Alvito Nunes c.985?
Filho de Nuno Alvites
1015 Gontinha
Antes de 1015
quatro filhos
1015
Castelo de Vermoim
c.29-30? anos
Bisneto paterno de Lucídio Vimaranes, é descendente em linha reta e por via agnática deste conde; a sua ascensão significou assim o regresso da família fundadora da presúria ao poder[16]. Governou em conjunto com Tutadona, a viúva do conde anterior[17]. Faleceu durante um ataque normando em Vermoim.
Nuno Alvites c.1000?
Filho de Alvito Nunes e Gontinha
1015 1028 Antes de 1028
três filhos
1028
c.27-28 anos?
Desposou Ilduara Mendes, filha de Mendo Gonçalves II; unem-se assim as duas principais linhagens da governação do condado.[18] Foi assassinado.
Ilduara Mendes c.1000?
Filha de Mendo Gonçalves II e Tutadona Moniz de Coimbra
1058
c.57-58 anos
Desposou Nuno Alvites, filho de Alvito Nunes; após o assassinato do seu marido, parece tomar a posição de regente durante a menoridade do filho[19][20] . Vive, no entanto, o suficiente para ver a morte do filho e regressar ao poder como regente do neto, também menor.
1028 (Regente) c.1043
1050 (Regente) 1058
Mendo Nunes[13] c.1020?
Filho de Nuno Alvites e Ilduara Mendes
c.1043 1050[21] Desconhecida[22]
Antes de 1050
três filhos
1050
c.29-30 anos?
O seu governo coincidiu com a inauguração de uma nova dinastia no Reino de Leão, e uma nova política de adminitração territorial; assim, Mendo será talvez o primeiro conde a perder autoridade no seu próprio condadoː Fernando Magno recorre a nobres de condição inferior (os infanções) para a administração das diferentes terras, como Gomes Echigues (em Guimarães) ou Godinho Viegas (como governador de Portugal)
Nuno Mendes c.1040?
Filho de Mendo Nunes
c.1058 28 de fevereiro e 1071 Gontinha
Antes de 1071
pelo menos um filho
28 de fevereiro de 1071
Mire de Tibães
c.30-31 anos?
As suas aspirações a uma maior autonomia dos portucalenses face ao Reino de Leão levaram-no a enfrentar Garcia II da Galiza em 1070,[23], confronto que culminou na desastrosa Batalha de Pedroso[13], a 18 de fevereiro de 1071, de onde Nuno não sai vivo[23][24]. A sua única filha, e última descendente de Vímara Peres, Loba Nunes, desposou o alvazil Sisnando Davides, conde de Coimbra.

Condes presores de Coimbra

Ver artigo principal: Condado de Coimbra

Apenas dez anos decorridos sobre a reconquista definitiva de Portucale tivesse sido tomada a cidade de Coimbra e erigida em condado independente às mãos de Hermenegildo Guterres em 878; a sua posição de charneira entre os mundos cristão e muçulmano permitiu uma vivência de maior paz no Entre-Douro-e-Minho, se bem que a região era alvo de incursões normandas regulares. As campanhas do Almançor, em finais do século X, porém, fizeram recuar a linha de fronteira de novo até ao Douro e o condado de Coimbra é suprimido em 987.

Casa de Hermenegildo Guterres

Nome Retrato Nascimento Início Governo Fim Governo Casamento (s) Morte Notas
Hermenegildo Guterres Estacao de Rio Tinto Azulejo 07.jpg c.842
Filho de Guterre e Elvira[4]
878 912 Ermesinda Gatones de Bierzo
Entre 860 e 870[5]
sete filhos
depois de maio de 912
Guimarães
52-53 anos
Membro da Cúria régia do rei Afonso III, foi repovoador e conde de Coimbra,[25].
Aires Mendes Antes de 878
Filho de Hermenegildo Guterres e Ermesinda Gatones de Bierzo
912 924 Ermesinda Gondesendes
sete filhos
c.924 Dedicou-se, com o seu irmão Guterre, à fundação de mosteiros.
Monio Guterres c.890
Filho de Guterre Mendes e Ilduara Eres de Lugo
924 955[26] Elvira Aires de Coimbra
sete filhos
c.959[27] Sobrinho e genro do antecessor. O seu pai não está documentado como conde de Coimbra, mas é provável que Monio o fosse. Governou também o Condado de Portucale com Lucídio Vimaranes[6].
Gonçalo Moniz c.920?
Filho de Monio Guterres e Elvira Aires de Coimbra
955 982 Mumadona Froilaz de Coimbra
sete filhos
c.982[28] Enviou uma embaixada a Córdova. Poderá ter sido ele o autor do envenenamento de Sancho I de Leão, conspirando contra o filho deste, Ramiro III de Leão. Foi um dos nobre portucalenses que reconheceu Bermudo II de Leão como Rei da Galiza em 981.[29]
Monio Gonçalves c.960?
Filho de Gonçalo Moniz e Mumadona Froilaz de Coimbra
982 987 Não casou c.988[30] Em 987, as campanhas de Almançor conquistam Coimbra e a linha de defesa cristã recua até ao rio Douro. O condado desaparece.

Na segunda metade do século XI, reconstituiu-se ao sul o condado de Coimbra, que incluía ainda as terras de Lamego, Viseu e Feira, sendo entregue ao conde ou alvazil Sesnando Davides, que conquistara definitivamente a cidade , a 27 de dezembro de 1064. Este condado viria mais tarde a ser incorporado no Condado Portucalense.

Nome Retrato Nascimento Início Governo Fim Governo Casamento (s) Morte Notas
Alvazil
Sisnando Davides
?
Tentúgal
Filho de David e Susana
27 de dezembro de 1064 25 de agosto de 1091 Loba Nunes de Portucale
um filho
25 de agosto de 1091
Coimbra
52-53 anos
Moçárabe português, terá sido ele a convencer Fernando Magno para a reconquista de Coimbra[31]. Desposou a filha do último conde de Portucale, mas não reclamou este condado para si após a desastrosa Batalha de Pedroso.
Martim Moniz de Ribadouro Martin-Munoz-Burgos.jpg Antes de 1080
Filho de Monio Fromariques de Ribadouro e Elvira Gondesendes
25 de agosto de 1091 1093 Elvira Sisnandes de Coimbra
c.1080[32]
sem filhos
Depois de 1111 Genro do seu antecessor, acompanhou Afonso VI de Leão e Castela nas conquistas de Lisboa, Santarém e Sintra (que voltariam a cair em domínio muçulmano). Viu-se afastado do cargo de conde por este mesmo monarca.

Condes presores de Chaves

Ver artigo principal: Chaves

Além destas duas principais presúrias, há notícias de uma terceira, sediada em Chaves, criada em 872 e governada por um misterioso conde Odoário[33], que seria um capitão ou mesmo um irmão rebelde de Afonso III de Leão[34]. Esta presúria seria o ponto central de uma expansão para sul que alcançaria Lamego[35].

  • Odoário [Ordonhes] (872).