Leovegildo Lins da Gama Júnior

Júnior
Júnior
Informações pessoais
Data de nasc.29 de junho de 1954 (64 anos)
Local de nasc.João Pessoa (PB), Brasil
Nacionalidadebrasileiro
Altura1,72 m
Ambidestro
ApelidoMaestro, Capacete, Vovô-Garoto
Informações profissionais
Período em atividadeComo jogador: 1974–1993 (19 anos)
Como treinador: 1993–2003 (10 anos)
Equipa atualAposentado
Número5
PosiçãoLateral-esquerdo
FunçãoTreinador
Site oficialwww.maestrojunior.com.br
Clubes de juventude
1973–1974Brasil Flamengo
Clubes profissionais
AnosClubesJogos (golos)
1974–1984
1984–1987
1987–1989
1989–1993
Total
Brasil Flamengo
Itália Torino
Itália Pescara
Brasil Flamengo
0631 000(44)
0098 000(13)
0062 0000(6)
0244 000(33)
1035 000(96)
Seleção nacional
1979–1992
1994–2001
Brasil Brasil
Brasil Brasil - Beach Soccer
0088 0000(8)
000? 00(202)
Times/Equipas que treinou
1993–1994
1997
2003
Brasil Flamengo
Brasil Flamengo
Brasil Corinthians
0054
0023
0003
Última atualização: 12 de outubro de 2003

Leovegildo Lins da Gama Júnior, conhecido também por Júnior, Maestro Junior ou Junior Capacete (João Pessoa, 29 de junho de 1954) é um ex-futebolista, comentarista esportivo, escritor e cantor brasileiro.

Como jogador, Júnior era ambidestro e polivalente, bom marcador e grande distribuidor de jogadas, independente da posição. A facilidade para jogar bem com as duas pernas o permitiu atuar como volante, lateral-direito e esquerdo, e meio-campista. Jogador de extrema técnica e rara habilidade, tinha grande visão de jogo, precisão nos passes, e era ótimo cobrador de faltas e escanteios (tendo feito inclusive alguns gols olímpicos).

Fez fama atuando pelo Flamengo, onde jogou 865 partidas, sendo o jogador que mais vezes vestiu a camisa rubro-negra. Pelas contas do pessoal do Fla-Estatística, foram 876 jogos entre 06/11/1974, quando entrou no lugar de Humberto Monteiro em um amistoso contra o Operário-MT, e 19/08/1993, quando disputou dois amistosos de 45 minutos cada contra Zaragoza e Inter de Milão. Júnior participou de 508 vitórias, 212 empates e 156 derrotas, marcando 78 gols.[1]

Em 1981, foi eleito o 3º Maior Futebolista sulamericano do ano[2] e, pela Revista Italiana Guerin Sportivo, o 7º Maior Futebolista do Mundo no ano.[3]

Carreira

Como jogador

Nascido em João Pessoa, na Paraíba, Junior desembarcou na cidade Rio de Janeiro ainda quando criança, criando o hábito de jogar futebol na orla carioca.[4]

Foi assistindo a uma dessas peladas que o então técnico da base do Flamengo, Modesto Bria, convidou o ambidestro Júnior para testes entre os jovens rubro-negros.[4]

Neste meio tempo, porém, chegou a jogar futebol de salão no Sírio Libanês.

Flamengo

A habilidade e a visão de jogo apuradas fizeram com que ele fosse aceito. Nas categorias de base, atuava como volante.[5]

Em apenas um ano nas categorias de base, teve sua primeira oportunidade entre os profissionais. Atuando como lateral-direito, estreou em 1974, obtendo destaque logo de cara.[4]

O primeiro grande momento da carreira foi a reta final do Carioca de 1974. Na decisão do terceiro turno, vitória de 2×1 contra o América, gols de Zico e do lateral direito Júnior. No primeiro jogo do triangular decisivo, mais uma vitória por 2×1 contra o América, gols de Jaime e mais uma vez do lateral direito Júnior. Depois dessas duas vitórias, bastou, ao time e ao seu lateral direito artilheiro, empatar com o Vasco em 0×0 e conquistar seu primeiro título com a camisa rubro-negra.[1]

Em 1976, dois anos após sua profissionalização, uma mudança definitiva marcaria sua carreira. O treinador Cláudio Coutinho improvisou Júnior na lateral-esquerda, deixando no banco de reservas Wanderley Luxemburgo. Nesta posição, Junior se mostrou um jogador muito mais útil ao time.[4]

Em 1981, recebeu até propostas do Real Madrid, mas o coração falou mais alto.[6]

Em 1984, não teve jeito, Flamengo precisava de dinheiro, após 10 anos e 44 gols marcados, ele foi vendido para o Torino, da Itália.[7]

Os Anos no Futebol Italiano

Ficheiro:Junior Torino.jpg
Júnior com a camisa do Torino.

Por aproximadamente 2 milhões de dólares, o Torino adquiriu o lateral brasileiro, de 30 anos, para ser a principal peça de seu time.[4]

Com uma idade mais avançada, Junior pediu para ser deslocado para atuar mais avançado, preservando-se mais para poder continuar sua carreira por mais tempo. Passou a ser chamado também de Leo Junior.

E foi assim, atuando no meio de campo, que logo no ano de sua estréia, conduziu o time de Turim ao vice-campeonato italiano.[4] Ele marcou sete gols e foi, ao lado do meio-campista Giuseppe Dossena, o maestro do time treinado por Luigi Radice. Não a toa ele foi eleito o melhor jogador daquele campeonato, que contava com jogadores do quilate de Maradona, Platini, Rummenigge, Falcão e Zico (os dois brasileiros já de despedida).[8]

O primeiro ano de Júnior na Itália, apesar da idolatria da torcida do time de Turim, teve também algumas turbulências sérias. Ele sofreu racismo em duas oportunidades. O primeiro caso aconteceu em um duelo contra o Milan, onde foi insultado diante toda a partida no San Siro, sendo ainda alvo de mais xingamentos e cusparadas quando saía do estádio ao lado de seus parentes.[4] Na outra ocasião, sofreu com torcedores da Juventus que levaram ao dérbi faixas ofensivas ao jogador, mencionando principalmente a cor de sua pele.[9] Como resposta, a torcida do Torino levou cartazes de apoio, com os dizeres "Melhor negro do que juventino".

Em seu segundo ano pelo clube, Júnior manteve seu futebol de alto nível, sendo novamente a principal peça de um Torino que chegou ao quarto lugar da Serie A.[4]

Em 1987, alguns desentendimentos com o treinador Luigi Radice o fizeram ser negociado com o Pescara, que havia acabado de subir para a Serie A. Junior tornou-se, assim, o primeiro estrangeiro a vestir a camisa do clube.[8]

Ganhou logo de cara a faixa de capitão e ajudou o clube a manter-se na 1a divisão.[4]

Em seu segundo ano no Pescara, apesar de não ter conseguido ajudar a equipe a manter-se na 1a divisão, ele foi eleito o segundo melhor estrangeiro da Serie A, ficando à frente de nomes como Careca, Gullit, Rijkaard, van Basten e Maradona, perdendo apenas para Matthäus, que levou a Inter a um scudetto cheio de recordes.[4]

Em sua despedida do futebol italiano, ele recebeu uma bela homenagem do Pescara: uma partida entre as seleções de Brasil e Itália da Copa do Mundo de 1982.[4]

Em junho de 1991 (já vestindo novamente a camisa do flamengo) foi emprestado por alguns dias pelo Fla ao Torino para disputar a Copa Mitropa, vencida pelo time grená sobre o Pisa.[4]

Em 2006, no centenário do Torino, mostrando toda a idolatria do clube para com a sua pessoa, Junior foi homenageado.

Retorno ao Flamengo

Em 1989, aos 35 anos e a pedido de seu filho, que nunca o vira jogar pelo Flamengo, Júnior voltou para comandar a equipe rubro-negra nas conquistas da Copa do Brasil de 90, o Campeonato Estadual de 91 e o Brasileirão de 92.

Em 1992, atuando como meia, liderou o Flamengo ao título brasileiro, no Brasileirão daquele ano. Tal fato é considerado um feito, tendo em vista a idade avançada do então meia, com 38 anos. Neste último foi um autêntico maestro, pois de seus pés surgiriam as jogadas que surpreenderiam os rivais na reta final daquele campeonato. Júnior, aliás, marcou gols nos dois jogos decisivos: 3 a 0 e 2 a 2. O "Vovô-Garoto", como ficou conhecido na segunda fase em que esteve no time rubro-negro, viveu muitos dias de glória no clube, fazendo 77 gols ao todo com a camisa rubro-negra.

Júnior encerrou sua carreira futebolística em 93. Chegou a receber propostas para defender outras equipes, entre elas o Botafogo, mas não desistiu de sua aposentadoria.

Seleção Brasileira

Júnior começou a escrever seu nome com a camisa canarinho a partir de 1976. Inicialmente, o craque disputou as olimpíadas de Montreal, em 1976.

Depois dos Jogos Olímpicos, integrou uma lista da CBD com 72 jogadores que seriam observados por Cláudio Coutinho durante o Campeonato Brasileiro de 1977, tendo vista a Copa do Mundo da Argentina no ano seguinte. Foi preterido pelo técnico, que preferiu improvisar o zagueiro Edinho como lateral na Copa.

A partir de 1979, porém, Júnior passou a ser nome certo nas convocações da Seleção Brasileira.

Na Copa do Mundo de 1982, fez parte do que é considerado um dos maiores times que o futebol já produziu. Na partida contra a Argentina, fez seu único gol em Copas do Mundo. Ao receber um belo passe de Zico, o camisa 6 surgiu como surpresa, invadiu a área e bateu rasteiro, tirando do alcance do goleiro Fillol. A seleção brasileira bateu o time do novato Diego Armando Maradona por 3 a 1.

Participou também da Copa do Mundo de 1986.

Pela Seleção Brasileira Principal, Júnior jogou 88 partidas entre os anos de 1979 e 1992, registrando oito gols. Sua maior conquista com a amarelinha foi o vice-campeonato da Copa América de 1983. Azar do Futebol... Porém, todo o encantamento que ele trouxe junto com toda aquela geração só pode ser comparada às seleções de 58/62 e 70.

Trabalhos Após a Aposentadoria no Campo

Treinador e Manager

Encerrou a carreira de jogador em 1993 e no mesmo ano assumiu a função de treinador do time substituindo Evaristo de Macedo e ficou no clube até 1994. Retornou ao clube em 1997 no lugar de Joel Santana.[11]

Nestas 2 oportunidades, ele levou o clube ao vice-campeonato carioca em 94, e totalizou 35 vitórias, 21 empates e 20 derrotas em 76 partidas.

Período como técnico do Flamengo
Início Fim Primeiro Jogo Último Jogo
18/09/1993 13/05/1994 18 de Setembro de 1993 (Flamengo 2x1 Cruzeiro)
16/01/1997 13/04/1997 13 de Abril de 1997 (Flamengo 1x1 Madureira)
Partidas Vitórias Empates Derrotas Aproveitamento
67 33 18 16 58,20%

Foi ainda técnico do Corinthians em 2003, mas após 3 rodadas, entregou o cargo.

Em 2004 assumiu a função de gerente de futebol do Flamengo ficando na função até o final daquele ano.

Futebol de Areia

Depois de sua aposentadoria dos campos, Júnior partiu para uma grande empreitada: a de alavancar o até então incipiente futebol de areia à condição de esporte reconhecido e sucesso de público. Participou das primeiras grandes conquistas da seleção brasileira de Beach Soccer, tendo depois a companhia de outros grandes craques do campo, como Zico e Cláudio Adão.

É considerado por muitos o maior jogador da história do Beach Soccer

Como Cantor e Sambista

Júnior também fez sucesso fora dos gramados e areias como cantor. O que pouca gente sabe é que sua formação como sambista começou cedo, logo aos oito anos, quando aprendeu a tocar pandeiro observando as rodas de samba que o tio promovia no Rio de Janeiro.[12]

Em 1982, poucos meses antes da Copa do Mundo da Espanha, Júnior gravou um compacto com a música Povo Feliz, que ficou mais conhecida como "Voa, Canarinho". A música virou a trilha sonora da Seleção Brasileira naquela Copa e o compacto vendeu mais de 800 mil cópias. O lado B deste compacto tem a música "Pagode da Seleção", que não obteve tanta repercussão.[13]

Meses antes da gravação deste compacto, Júnior já havia gravado o LP "Júnior", pela RCA Victor, registrando os sambas "Tenha dó" e "Ser Mangueira (É ser feliz)".[14]

Em 1986, Júnior gravou em compacto simples, o samba "Vibrar de novo", que mais tarde também seria incluído na coletânea "As 17 melhores músicas para a seleção na Copa de 90", da Som Livre.[14]

Em 1995, ano do centenário do Flamengo, gravou o CD comemorativo do clube, com participações dos músicos Bebeto e Moraes Moreira.

Torcedor declarado da Estação Primeira de Mangueira, Junior todo ano desfila pela escola no Carnaval.

Além disso, Junior tem um projeto na cidade do Rio que se chama "Samba da Sopa Junior", onde ele sempre leva um convidado do samba. Ele toca de 15 em 15 dias, e cobra somente o couvert artístico.[15]

Trabalhos Atuais

Júnior em 2011.

Um convite de Carlos Alberto Parreira, então técnico da seleção, para ser observador na Copa de 1994, o fez descobrir uma nova vocação."Era uma oportunidade de participar de uma Copa em outra função e adorei. E acho que foi aí que surgiu a vontade de ser comentarista."[16]

Seus primeiros trabalhos como comentarista foram nos canais SporTV e PFC, onde trabalhou de 1998 a 2003. Em 2005, ele assinou contrato com a Rede Record de Televisão em 2005. Ficou um ano na emissora da Barra Funda e depois voltou a comentar pela Rede Globo de Televisão.[17] Desde então ele trabalha para a equipe de esportes da Rede Globo, sendo o comentarista titular dos jogos de times do Rio de Janeiro. Como comentarista dos canais da Globo, participou de todas as Copas do Mundo desde 1998.[16]

Além disso, desde 2012 é membro do Conselho Fiscal da AGAP - Associação de Garantia ao Atleta Profissional do Rio de Janeiro (Mandato 2012/2016).

Outros Trabalhos