Lei de Say

Jean-Baptiste Say

A Lei de Say também conhecida como Lei de mercados de Say ou Lei da preservação do poder de compra [1] decorre do modelo que mantém oferta e demanda em identidade. Foi popularizada pelo economista francês Jean-Baptiste Say com sua explicação sobre o funcionamento dos mercados.

Trata-se a Lei de Say, no fim das contas, de uma tautologia, deduzida do princípio da Contabilidade Social de que Produto é igual à Renda que é igual ao Dispêndio (Produto = Renda = Despesa)[2][3][4]; id est, pelo princípio de tudo o que é consumido ser, previamente, produzido -- de modo que não se pode consumir o que não se foi produzido -, por conseguinte, sendo o consumo igual à produção (seja este consumo de curto ou de longo prazo), é certo que, com efeito, a soma das rendas (os salários dos trabalhadores, os aluguéis, juros e lucros), a soma dos custos de produção, e o valor final do produto equivalem-se. Cada um destes métodos é, na Contabilidade Social, uma ótica pela qual se calcula, por exemplo, o total de riqueza produzia num país, a modo que se chega, por cada uma delas, no mesmo resultado[2][3].

Dessarte, todo bem produzido produz alguma renda, isto é, para se produzir um produto é necessário distribuir o preço final daquele bem entre fatores de produção: a Terra, o Trabalho e o Capital - a modo que o preço final flutuará de acordo à sua oferta e à demanda dos agentes que detém a renda por tal bem provida. Por exemplo, para se produzir pães, é necessário contratar trabalhadores e comprar matéria prima; esta, por sua vez, utiliza-se da terra; ambos do capital. Somado os custos e os salários dos trabalhadores mais o lucro, dá-se o preço final; ora, o preço final não é coisa alguma senão a soma destes componentes, de modo que haverá sempre no mercado renda capaz de comprá-la: a questão é que esta renda é decerto distribuída entre os fatores de produção, coisa da qual se admite a possível deficiência na demanda, mas somente na condição de outros mercado terem demanda em excesso[5].

Deste raciocínio, conclui-se que há sempre renda disponível no mercado (concentrada ou desconcentrada em relação ao que é requerido de um produto) com a qual se pode comprar os bens produzidos[5].

A expressão didática para se referir ao princípio e que sintetiza o significado da lei, "a oferta cria sua própria demanda", teria sido difundida em Cambridge antes de 1936. Ela foi usada por Keynes na Teoria Geral em sua crítica ao modelo econômico que a adotava. [6]

Karl Marx contestou o uso de nome de Say para a lei, afirmando que a concepção original teria sido de James Mill quando aquele afirmara haver um "equilíbrio metafísico entre vendedores e compradores". Adam Smith também usara a ideia básica antes. Schumpeter discordou alegando que o escrito de Mill fora publicado em 1808 enquanto a primeira edição do livro de Say, Traité d'Economique Politique, saiu em 1803. Mas ressalve-se que o autor francês aprofundou o conceito apenas na segunda edição (de 1814) [1].

Pela teoria de Say, não existem as chamadas crises de "superprodução geral", uma vez que tudo o que é produzido pode ser consumido já que a demanda de um bem é determinada pela oferta de outros bens, de forma que a oferta agregada é sempre igual a demanda agregada. Say aceitava ser possível que certos setores da economia tivessem relativa superprodução em relação aos outros setores, que sofressem de relativa subprodução. Também segundo a lei não existiria o entesouramento pois o dinheiro não gasto por um produtor (poupança) será repassado a outro através de empréstimo.

Formulação

Say afirmou que "produtos se pagam com produtos" (1803: p. 153) ou "um excedente pode ocorrer apenas quando muitos meios de produção forem aplicados a um determinado produto em detrimento de outro" (1803: p. 178-9). A "lei" está expressa pelo autor nessa passagem de sua obra, em tradução livre do inglês:

"É de se ressaltar que um produto tão logo seja criado, nesse mesmo instante, forma um mercado para outros produtos adequado ao próprio valor. Quando o produtor finaliza a produção, fica ansioso para vendê-la imediatamente pois quer evitar que a mesma se deprecie em suas mãos. E não ficará menos ansioso para aplicar o dinheiro que ganhará com a venda, pois o valor do dinheiro também poderá se depreciar. Mas o único modo de aplicar o dinheiro é trocá-lo por outros produtos. Assim, a mera circunstância da criação de um produto imediatamente abre um mercado para outro produto" (J. B. Say, 1803: pp.138–9)[7].

Ele também escreveu que não é o dinheiro em abundância mas os produtos em abundância que em geral facilitarão as vendas:

"O dinheiro tem sua função mas é uma momentânea nesse mercado de troca; e quando a transação for finalmente fechada, e sempre será, aquela determinada mercadoria criará mercado para outra" [8].