Lampião

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Lampião
Nome completoVirgulino Ferreira da Silva
Nascimento4 de junho de 1898
Serra Talhada, Pernambuco
Morte28 de julho de 1938 (40 anos)
Poço Redondo, Sergipe
Nacionalidadebrasileiro
CônjugeMaria Bonita
OcupaçãoCangaceiro

Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião (Serra Talhada, 4 de junho de 1898[nota 1]Poço Redondo, 28 de julho de 1938), foi um cangaceiro brasileiro, que atuou no Nordeste do Brasil — exceto no Piauí e no Maranhão —,[1] ficando conhecido como Rei do Cangaço, por ser o mais bem sucedido líder cangaceiro da história. Ganhou seu apelido devido a sua capacidade de disparar consecutivamente, iluminando a noite.[2]

Entrou definitivamente para o cangaço em 1921, após seu pai ter sido morto a tiros pela polícia. Em 1922, tornou-se líder do bando até então comandado por Sinhô Pereira em Pernambuco. No mesmo ano matou o informante que entregou seu pai à polícia, e realizou o maior assalto da história do cangaço àquela altura, contra a Baronesa de Água Branca em Alagoas. Em 1929 se juntou a Maria Bonita na Bahia, e em 1930 apareceu no jornal The New York Times pela primeira vez. O bando de Lampião foi cercado na fazenda de Angicos, atual município de Poço Redondo em Sergipe, no ano de 1938. Os cangaceiros foram decapitados e suas cabeças foram fotografadas na cidade alagoana de Piranhas, e expostas em diversas cidades do Nordeste como Maceió e Salvador.[2]

Biografia

Nascimento

Há grande controvérsia sobre a data de nascimento de Lampião. As mais citadas são:

  • 4 de junho de 1898:[3] é a data citada em sua Certidão de Batismo,[4] uma das mais citadas na literatura de cordel. Este dia é geralmente aceito por muitos[5]:p.44 [4][3] devido ao costume das regiões do semiárido de primeiro batizar as crianças e registrá-las tempos depois, devido a um misto de religiosidade e desconfiança em relação ao poder civil constituído e a um "enquadramento administrativo" por parte deste.[5]:p.44
  • 12 de fevereiro de 1900:[5]:p.44 data dada segundo Antônio Américo de Medeiros pelo próprio Lampião em entrevista ao escritor cearense Leonardo Mota, em 1926, em Juazeiro do Norte.[6]

A questão de sua data de nascimento torna-se ainda mais relevante no contexto em que se instituem datas comemorativas em seu nome (18 de julho),[5]:p.350 e 7 de julho, que corresponde ao dia do seu registro civil, como o "Dia do Xaxado", pelo projeto da Câmara Municipal de Serra Talhada.[7][4]

Vida

Lampião, ao centro, e sua esposa, Maria Bonita, a direita.
Lampião, Maria Bonita e grupo de cangaceiros

Nascido na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, no semiárido do estado de Pernambuco, foi o terceiro filho de José Ferreira dos Santos e Maria Sucena da Purificação. Sendo seus padrinhos: Manoel Freire Lopes e Maria José da Solidade. Neto paterno de: Antônio Ferreira de Barros e Maria Francisca da Chaga. Neto materno: Manoel Pedro Lopes e Jacosa Vieira do Nascimento. Testemunhas: Antônio Francisco de Souza e José Bernardino de Souza.

O seu nascimento só foi registrado no dia 12 de agosto de 1900. Até os 21 anos de idade ele trabalhava como artesão, era alfabetizado e usava óculos para leitura, características bastante incomuns para a região sertaneja e pobre onde ele morava. Uma das versões a respeito de seu apelido é que sua capacidade de atirar seguidamente, iluminando a noite com seus tiros, fez com que recebesse o apelido de lampião.[8]

Sua família travava uma disputa com outras famílias locais, geralmente por limites de terras, até que seu pai foi morto em confronto com a polícia em 1919. Virgulino jurou vingança, e junto de mais dois irmãos, passou a integrar o grupo do cangaceiro Sinhô Pereira.[8] Durante os 20 anos seguintes (começou aos 21 anos), Lampião viajou com seu bando de cangaceiros, que nunca ultrapassou o número de 50 homens, todos a cavalo e em trajes de couro, chapéus, sandálias, casacos, cintos de munição e calças para protegê-los dos arbustos com espinhos típicos da vegetação caatinga. Para proteger o "capitão", como Lampião era chamado, todos usavam sempre um poder bélico potente. Como não existiam contrabandos de armas para se adquirir, em sua maioria eram roubadas da polícia e de unidades paramilitares. A espingarda Mauser e uma grande variedade de pistolas semiautomáticas e revólveres também eram adquiridos durante confrontos. A arma mais utilizada era o rifle Winchester. O bando chamava os integrantes das volantes de "Macacos" - uma alusão ao modo como os soldados fugiam quando avistavam o grupo de Lampião: "pulando".[9]

Lampião foi acusado de atacar pequenas fazendas e cidades em sete estados além de roubo de gado, sequestros, assassinatos, torturas, mutilações, estupros e saques. Entretanto, também foi muito relatado que Lampião era como um Robin Hood do sertão brasileiro, que frequentemente roubava de fazendeiros, políticos e coronéis para dar aos pobres miseráveis, que passavam fome e lutavam para sustentar famílias.

Era devoto de Padre Cícero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, no ano de 1926, em Juazeiro do Norte.

Sua namorada, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, juntou-se ao bando em 1930 e, assim como as demais mulheres do grupo, vestia-se como um cangaceiro e participou de muitas das ações do bando. Virgulino e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira, nascida em 13 de setembro de 1932. Há ainda a informação controversa de que eles tiveram mais dois filhos: os gêmeos Ananias e Arlindo Gomes de Oliveira, mas nunca foi comprovada a verdade dos fatos. O casal teria tido ainda dois natimortos.