Língua protoindo-europeia

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Estudos indo-europeus

A língua protoindo-europeia (PIE) é o ancestral comum hipotético das línguas indo-europeias, tal como era falado há cerca de 5000 anos, pelos indo-europeus, provavelmente nas proximidades do mar Negro, cuja denominação original era Ponto Euxino.

A postulação de uma descrição plausível dos contornos desta protolíngua, através da observação das similaridades e diferenças sistemáticas das línguas indo-europeias entre si, foi uma das grandes realizações dos linguistas a partir do início do século XIX.

A aquisição da capacidade de fala pela humanidade deu-se milhares de anos antes do período da protolíngua indo-europeia. A denominação da língua reconstruída como "protolíngua indo-europeia" não implica portanto, de forma alguma, que a língua tenha sido em qualquer sentido "arcaica" ou "primitiva". Da mesma forma, sua reconstrução tampouco se trata de uma tentativa de encontrar a chamada língua primordial da humanidade.

Descoberta e reconstrução

Periodicização

Há várias hipóteses concorrentes sobre quando e onde o PIE era falado. A única coisa conhecida com certeza é que a língua deve ter se diferenciado em dialetos não conectados na metade do terceiro milênio a.C.

Estimativas de tendência predominante do tempo entre o PIE e os mais antigos textos atestados (c. século XIX a.C.; ver textos de Kültepe) estão entre 1500 e 2500 anos, com as propostas extremas divergindo 100% para cada lado:

Três estudos genéticos recentes, de 2015, deram apoio à teoria de Marija Gimbutas de que a difusão das línguas indo-europeias teria se dado a partir das estepes russas (hipótese Kurgan). De acordo com esses estudos, o Haplogrupo R1b (ADN-Y) e o Haplogrupo R1a (ADN-Y) - hoje os mais comuns na Europa e sendo o R1a frequente também no subcontinente indiano - teriam se difundido, a partir das estepes russas, junto com as línguas indo-europeias; tendo sido detectado, também, um componente autossômico presente nos europeus de hoje que não era presente nos europeus do Neolítico, e que teria sido introduzido a partir das estepes, junto com as linhagens paternas (haplogrupo paterno) R1b e R1a, assim como com as línguas indo-europeias.[2][3][4]

Assim como Marija Gimbutas, David Anthony associa a domesticação do cavalo a essa expansão.[5]

História

A fase clássica da linguística comparativa indo-europeia engloba o período entre o lançamento da Comparative Grammar ("Gramática Comparativa) (1833) de Franz Bopp e do Compendium ("Compêndio") (1861) de August Schleicher até o lançamento do Grundriss ("Esboço da Gramática Comparativa das Línguas Indo-europeias") de Karl Brugmann e Berthold Delbrück, publicado na década de 1880. A reavaliação do campo da nova gramática e o desenvolvimento da teoria laríngea de Ferdinand de Saussure devem ser consideradas como o início dos estudos indo-europeus modernos.

O PIE como descrito no começo do século XX ainda é geralmente aceito atualmente; os trabalhos subsequentes são majoritariamente de refinamento e sistematização, assim como a incorporação de novas informações, especialmente nos ramos anatólio e tocariano, desconhecidos no século XIX.

Notavelmente a teoria laríngea, em suas formas iniciais discutidas desde a década de 1880, tornou-se a tendência predominante após a descoberta em 1927 por Jerzy Kuryłowicz da sobrevivência de pelo menos alguns daqueles fonemas hipotéticos em anatólio. O Indogermanisches Etymologisches Wörterbuch ("Dicionário Etimológico Indo-europeu") (1959) de Julius Pokorny forneceu uma visão geral do conhecimento léxico acumulado até o começo do século XX, mas desprezou tendências contemporâneas de morfologia e fonologia, e ignorou amplamente o anatólio e o tocariano.

A geração de indo-europeanistas ativos no último terço do século XX (como Calvert Watkins, Jochem Schindler e Helmut Rix) desenvolveu uma melhor compreensão da morfologia e, seguindo a Apophonie ("Apofonia") (1956) de Kuryłowicz, a compreensão da apofonia. A partir da década de 1960, o conhecimento do anatólio tornou-se exato o bastante para se estabelecer sua relação com o PIE.

Método

Não há evidência direta do PIE porque ele nunca foi escrito. Todos os sons e palavras do PIE são reconstruídos a partir das línguas indo-europeias posteriores usando o método comparativo e o método de reconstrução interna. O asterisco é usado para sinalizar as palavras reconstruídas do PIE, como em *wódr̥ "água", *ḱwṓn "cão" ou *tréyes "três" (masculino). Muitas das palavras nas línguas indo-europeias modernas parecem ter derivado de tais "protopalavras" através de mudanças sonoras regulares (tal como a lei de Grimm).

Como a língua protoindo-europeia se dividiu, seu sistema sonoro também divergiu, de acordo com várias leis sonoras nas línguas descendentes. São notáveis entre estas leis a lei de Grimm e a lei de Verner no protogermânico, a perda da pré-vocálica *p- no protocéltico, redução para h da pré-vocálica *s- no protogrego, a lei de Brugmann e a lei de Bartholomae no protoindo-iraniano e a lei de Grassmann independentemente no protogrego e no protoindo-iraniano.

Relação com outras famílias de línguas

Muitas relações de alto nível entre o PIE e outras famílias de línguas têm sido propostas. Mas estas conexões especulativas são altamente controversas. Talvez a proposta mais amplamente aceita é a de uma família indo-urálica, abrangendo o PIE e o urálico. As evidências usualmente citadas em favor disto é a proximidade dos Urheimaten destas duas famílias, a similaridade tipológica entre as duas línguas e vários morfemas aparentes compartilhados. Frederik Kortland, mesmo defendendo uma conexão, afirma que "a lacuna entre o urálico e o indo-europeu é enorme", enquanto Lyle Campbell, uma autoridade em urálico, nega que a relação exista.

Outras propostas, voltando muito no tempo (e por isso menos aceitas), colocam o PIE como um ramo do indo-urálico com um substrato caucasiano; ligam o PIE e o urálico com o altaico e com outras famílias asiáticas, como o coreano, o japonês, as línguas chukotko-kamchatkanas e as línguas esquimo-aleutianas (são propostas representativas o nostrático e o eurasiático de Joseph Greenberg); ou ligam algumas de todas estas ao afro-asiático, ao dravídico, etc., e, em último caso a uma única protolíngua (hoje em dia muito associada a Merritt Ruhlen). Várias propostas, com vários níveis de cepticismo, também existem e juntam alguns subsistemas das supostas famílias de línguas eurasiáticas e/ou algumas das famílias de línguas caucasianas, tais como as línguas uralo-siberianas, uralo-altaicas (que foi amplamente aceita mas agora é desacreditada), protopôntico e assim por diante.