Língua mirandesa

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Língua mirandesa (Lhéngua mirandesa)
Falado em:Portugal Portugal
Região: concelhos de Miranda do Douro,Vimioso, Bragança e Mogadouro
Total de falantes:15 000
Família:Indo-europeia
 Itálica
  Românica
   Ítalo-ocidental
    Românica ocidental
     Galo-ibérica
      Ibero-românica
       Ibero-ocidental
        Asturo-leonês
         Língua mirandesa
Regulado por: Anstituto de la Lhéngua Mirandesa
Códigos de língua
ISO 639-1:--
ISO 639-2:mwl
ISO 639-3: mwl
Asturllionés en Tierra de Miranda.png
Placa de informação, na Sé de Miranda, com o texto em mirandês
Placa de identificação de arruamento, em Genísio, com o nome da rua em mirandês e em português

A língua mirandesa (lhéngua mirandesa, mirandés) é o nome oficial que recebe o asturo-leonês em território português. Não existem dados que permitam quantificar com precisão o número atual de falantes, pelo que os números apontados variam entre 8 000[1] a 20 000[2] falantes distribuídos principalmente por uma área de 550 km²,[3] conhecida como Terra de Miranda[4] e formada pelo concelho de Miranda do Douro e freguesias de Angueira e Vilar Seco, no concelho de Vimioso.[5] A inclusão de Caçarelhos na área de domínio linguístico mirandês é defendida por autores como Amadeu Ferreira[6].

O mirandês tem três subdialetos (central ou normal, setentrional ou raiano, meridional ou sendinês) e está dotado de um dicionário, gramática e ortografia próprios; os seus falantes são em maior parte bilíngues, trilíngues ou até mesmo quadrilingues falando muitos deles o mirandês, o português e o castelhano, e até por vezes o galego.[carece de fontes?] Associações como a SIL International outorgam um código próprio à língua, enquanto que a UNESCO a enquadra no contexto do asturo-leonês.[7]

Os textos recolhidos em mirandês mostram a envolvência de traços fonéticos, sintácticos ou vocabulares das diferentes línguas; o português é mais cantado pelos mirandeses, porque é considerado língua culta, fidalga, importante.

Situação actual

A língua mirandesa, tal como já foi referida anteriormente, é falada por, sensivelmente, 7 000 a 10 000 pessoas no extremo nordeste de Portugal, sendo desde 1999 a segunda língua oficial do país. A preservação da língua mirandesa deve-se à geografia e ao isolamento das designadas Terras de Miranda. Os rios ou cordilheiras são muitas vezes factores cruciais para a criação de uma "fronteira linguística". No caso das Terras de Miranda, o rio Sabor teve uma influência, que convém realçar, isolando a área da influência da língua portuguesa. Outro factor para a preservação da língua é a proximidade e a acessibilidade a Espanha, tendo assim um comércio virado para o turismo espanhol, uma actividade crucial na cidade de Miranda do Douro. Convém realçar que Miranda do Douro tem uma grande vertente comercial destinada aos espanhóis que outrora faziam parte do Reino de Leão, isto é, que ainda, muitos deles, falam o asturiano, língua de origem do mirandês. Isto fez com que o mirandês chegasse aos nossos dias quase intacto, a acessibilidade e o contacto constante a uma Espanha que fala, essencialmente, o asturiano e um isolamento face ao português. Havia muitos anos que o mirandês não era falado no coração da comarca, Miranda do Douro, mas, nos últimos anos, a deslocação das pessoas das aldeias para a cidade trouxe o mirandês de volta, porque nas aldeias era onde se conservava o mirandês e este êxodo rural trouxe a língua mirandesa novamente à cidade. A língua mirandesa está numa situação de diglossia, isto é, quando duas línguas coexistem mas uma prevalece sobre a outra, por razões extralinguísticas. Neste caso o português tem conquistado os habitantes das Terras de Miranda pelo seu prestígio e difusão global. A atitude dos falantes em relação à sua língua autóctone também leva a uma relação de diglossia. Como exemplo, tem-se "Lição de Mirandês: You falo como bós i bós nun falais como you" de Manuela Barros Ferreira (do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa) em que é evidente a desvalorização da língua mirandesa face ao português. Segundo os entrevistados (pp. 150), não falam o mirandês quando estão em situações formais, como por exemplo, na relação professor-aluno (como é o caso do entrevistado) é, duma forma geral, a língua portuguesa que prevalece. Há também alguns complexos com a língua, reservando-a a contextos mais familiares, do quotidiano ou mesmo contextos de extrema intimidade. Todos estes factores levam a língua a uma situação de diglossia.[8][9]