Língua árabe

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Árabe (العربية)
Pronúncia:/alˌʕa.raˈbij.ja/
Falado em:Arábia Saudita, Argélia, Bahrein, Catar, Chade, Comores, Djibuti, Egito, Emirados Árabes Unidos, Eritreia, Iêmen, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Mauritânia, Omã, Síria, Somália, Sudão, Tunísia, Palestina, Saara Ocidental
Total de falantes:402 milhões de falantes (nativos e não-nativos)[1]
Posição: [2][3]
Família:Afro-asiática
 Semítica
  Semítica ocidental
   Central
    Árabe
Escrita: Alfabeto árabe
Estatuto oficial
Língua oficial de: Arábia Saudita
 Argélia
 Bahrein
 Catar
Chade
Comores
Djibouti
 Egito
 Emirados Árabes
Iêmen
 Israel
 Iraque
Jordânia
Kuwait
Líbano
 Líbia
 Marrocos
Mauritânia
Omã
 Palestina
 Síria
Somália
Sudão
 Tunísia
 Saara Ocidental

Organismos internacionais:
Liga Árabe
União Africana
Organização para a Cooperação Islâmica

Regulado por: المجلس الدولي للغة العربية
(Conselho Internacional da Língua Árabe)

Egito: مجمع اللغة العربية بالقاهرة (Academia da Língua Árabe)
Códigos de língua
ISO 639-1:ar
ISO 639-2:ara
ISO 639-3: ara
Dispersión lengua árabe.png
Distribuição da língua árabe.
Arabic albayancalligraphy.svgEste artigo contém texto em árabe, escrito da direita para a esquerda. Sem suporte multilingual apropriado, você verá interrogações, quadrados ou outros símbolos em vez de letras árabes.

O árabe (العربية, transl. al-ʻarabiyyah ) é uma língua semita central, parente próximo do hebraico e das línguas neo-aramaicas. Pertence a família das línguas semíticas, que por sua vez, compõem o tronco linguístico das afro-asiáticas (ou camito-semitas). A língua árabe tem mais falantes do que qualquer outro idioma na família linguística semita, e é falada por mais de 280 milhões de pessoas como língua materna,[1] no Oriente Médio, Sudoeste Asiático e Norte da África. É idioma oficial de 26 países, número atrás apenas do inglês e francês,[4] e a língua litúrgica do islamismo, por ser o idioma no qual o Corão, o livro sagrado islâmico, foi escrito. Falada em 58 países, só é menos difundida no mundo do que o inglês (106).[3]

O árabe é responsável pelo empréstimo de diversas palavras a outros idiomas falados no mundo islâmico, como o turco, o persa e o urdu. Durante a Idade Média o árabe foi um importante veículo de cultura na Europa, especialmente na ciência, matemática e filosofia, e como tal acabou por influenciar igualmente diversas línguas faladas naquele continente. A influência árabe pode ser vista especialmente nos idiomas falados em torno do Mediterrâneo, como o espanhol, o siciliano e um pouco no português, tanto devido à proximidade geográfica dos povos árabes com estas regiões como por consequência dos 700 anos de domínio árabe na Península Ibérica (Al-Andalus). A influência árabe existe também na península Balcânica, incluindo grego, que através do contato com os turcos otomanos adquiriu muitos dialetos árabes. Por sua vez, o árabe incorporou palavras emprestadas de diversos idiomas, como o hebraico, o persa e o siríaco em seus primeiros séculos, o turco no período medieval, e diversos idiomas europeus no período atual.

O árabe tem diversas variantes, distribuídas geograficamente por diversos locais, muitas das quais são mutuamente inteligíveis.[5] Entre elas, o Árabe Egípcio e o mais falado, com 89 milhões de falantes nativos.[6] O árabe padrão moderno (por vezes chamado de árabe literário) é a versão amplamente ensinada em escolas e universidades, e utilizada em ambientes de trabalho, órgãos governamentais e na mídia. O árabe padrão moderno é derivado do árabe clássico, único sobrevivente do grupo dialetal conhecido como árabe antigo setentrional, cuja existência é atestada em inscrições árabes pré-islâmicas que datam do século IV d.C..[7] O árabe é escrito no alfabeto arábico, com o sistema abjad, da direita para esquerda, embora algumas variantes utilizem o Alfabeto Árabe de Chat, da esquerda para direita, como forma padrão.

Árabe clássico, moderno e falado

O termo árabe costuma designar uma das três principais variantes do idioma: árabe clássico, árabe moderno padrão, e árabe coloquial ou dialetal.

O árabe clássico (فصحى fuṣḥā) é a língua usada no Corão, e utilizada a partir do período da Arábia pré-islâmica até o Califado Abássida. O árabe clássico é considerado normativo; autores modernos tentam seguir as normas sintáticas e gramáticas definidas pelos gramáticos clássicos, como Sibawayh, e usar o vocabulário definido nos dicionários clássicos, como o Lisān al-Arab.

Árabe coloquial ou dialetal se refere às diversas variantes nacionais ou regionais que formam a língua oral. O árabe coloquial é composto por estas diversas variantes, que por vezes são diferentes a ponto de serem mutualmente ininteligíveis, e muitos linguistas as consideram idiomas distintos.[8] Estas variantes quase nunca costumam ser escritas, e são utilizadas na mídia falada informal, como telenovelas e talk shows,[9] bem como em algumas formas de mídia escrita, como poesia ou publicidade. A única variante do árabe moderno a ter adquirido status oficial é o maltês, falado na ilha predominantemente católica de Malta, e escrita com o alfabeto latino; o maltês descende do árabe clássico através do sículo-árabe, e não é mutualmente inteligível com as outras variedades do idioma. A maior parte dos linguistas o classifica como um idioma separado, e não como um dialeto do árabe. Historicamente, o árabe argelino era ensinado na Argélia francesa, com o nome de darija.

Bandeira da Liga Árabe, usada em alguns casos para representar a língua árabe.
Bandeira utilizada ocasionalmente para representar a língua árabe.

Como outros idiomas, o árabe padrão moderno continua a evoluir.[10] Destaca-se, no entanto, que durante todo o período evolutivo da língua, não houve mudanças na morfologia e nem na sintaxe. Por se tratar de uma língua litúrgica, sagrada para a religião islâmica, não são admitidas alterações na estrutura morfossintática. As mudanças ocorreram apenas no vocabulário e no estilo. Diversos termos modernos passaram a ser usados comumente, muitas vezes extraídos de outros idiomas modernos (por exemplo فيلم, film, "filme"), ou cunhados a partir dos recursos léxicos já existentes (como por exemplo هاتف, hātif, "telefone" <"aquele que grita", "aquele que chama"). A influência estrutural de idiomas estrangeiros ou das variantes coloquiais também afetou o árabe moderno padrão. Por exemplo, textos no árabe padrão moderno por vezes usam o formato "A, B, C e D" quando listam coisas, enquanto o árabe clássico prefere "A e B e C e D", e orações iniciadas pelo sujeito são mais comuns no árabe padrão moderno que no clássico.[10]