Judaísmo messiânico

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Beit Ohel David - Sinagoga Messiânica no Paraná no Brasil.

Judaísmo Messiânico é o nome pelo qual é conhecido a vertente que crê em Yeshua (Jesus) e guarda os princípios da fé judaica, não compartilhando assim como fazem os cristãos, da crença no dogma católico trinitariano.

São comunidades religiosas formadas por judeus, não judeus e prosélitos que tem por característica principal a crença em Jesus, como o Mashiach ("Messias") prometido ao povo judeu. Como não há uma organização que centralize essas comunidades, comumente acontecem divergências de opiniões que acabam por fazer com que isolem-se uma das outras.

Os rabinos messiânicos não tem formação rabínica, tampouco passam por um Beit Din (Tribunal Rabínico). Os judeus messiânicos tem uma visão mais liberal do que os judeus ortodoxos. Ao contrário do judaísmo ortodoxo, que só aceita judeus filhos de mães judias, no judaísmo messiânico judeus por parte de pai também são aceitos.[1]. No entanto, salvo exceções de algumas comunidades, os judeus messiânicos guardam as mitzvot de Israel, como circuncisão de seus filhos, as 613 Mitzvot (obviamente, aqueles que são passíveis de serem cumpridos atualmente), observando as festas tradicionais e a Kashrut, professam os treze princípios da fé judaica, formulados por Maimônides, no século XII,[2] atendem ao Tzahal (quando vivendo em Israel). Enfim, vivem como judeus normais.[3]

Pode-se distinguir dois tipos de messianismo deste tipo:

  • Nos primeiros séculos na seita dos nazarenos, conforme o Livro de Atos, e na dos ebionitas, mais posteriormente, eram onde se concentravam a maioria dos judeus que aceitavam a crença em Jesus como Messias. Os Ebionitas, diferentmente dos Nazarenos, não criam na divindade de Jesus. Criam que os gentios (não judeus) que se convertessem deveriam aceitar as tradições religiosas judaicas. Porém, a entrada cada vez maior de prosélitos de origem não judaica acabou por desencadear o processo que separaria de vez a seita dos nazarenos do judaísmo, separação esta concretizada definitivamente com o Primeiro Concílio de Niceia (325).
  • O moderno judaísmo messiânico é um movimento surgido no século XX nos Estados Unidos, originado do hebreu-cristianismo nascido na Inglaterra no século XIX. A grande maioria dos modernos judeus messiânicos aceita as diversas tradições do judaísmo, julgando-as, no entanto, incompletas em seu significado, de certa maneira. O significado completo, segundo eles, só pode ser obtido a partir do entendimento e aceitação de Jesus como sendo o Messias.

O judaísmo em geral rejeita o judaísmo messiânico/nazareno como sendo um ramo do judaísmo, embora, em sua origem no século I, tenha sido considerado como tal. Ao mesmo tempo, a despeito de ser considerado apenas como uma ramificação cristã com o propósito de converter judeus ao Cristianismo, como por exemplo a organização Ministério Ensinando de Sião [4] a CINA Congregação Israelita da Nova Aliança [5] e diversas outras comunidades existentes tanto no Brasil quanto no restante do mundo, até mesmo em Israel, onde essas comunidades estão ganhando cada vez mais força,[6] os convertidos ao judaísmo messiânico, não usufruem da Aliá (Lei de Retorno). A posição oficial do Estado de Israel atualmente reconhece para a Lei do Retorno apenas judeus que possam comprovar sua ascendência judaica.[7]

História do judaísmo messiânico

Origens do messianismo judaico

No Tanakh (Antiga Aliança) que ficou conhecido como Antigo Testamento, a palavra Messias (do hebraico משיח Māšîªħ, Mashiach ou Moshiach, "Ungido", através do aramaico e transliterado, no grego do "Novo Testamento" como Μεσσιας) referia-se ao "ungido por D'us", o rei ou governante de Israel.[8]

Nos tempos após o Cativeiro Babilônico, o termo passou a ser usado como ha-Kohen ha-Mashiaḥ, ou o sacerdote ungido, se referindo ao Sumo Sacerdote de Israel.[8] Ciro, o Grande também foi chamado de "messias" ("ungido por Deus") porque Deus fez ele ser vitorioso para que libertasse os judeus exilados.[8]

Um conceito do judaísmo refere-se, principalmente, à crença do Judaísmo posterior na futura vinda de um descendente do rei David que iria reconstruir a nação de Israel e restaurar o reino de David, trazendo, desta forma, a paz ao mundo.

Ainda que a tradição religiosa judaico-cristã diga que o Messias já era uma profecia predita desde os tempos dos Patriarcas, este ensino veio a tomar mais forma após a destruição do Templo de Jerusalém. O retorno do cativeiro, aliado a eventos históricos serviu para o aumento de um nacionalismo judaico, despertando uma esperança judaica pela reconstrução de sua nação e pelo governo de um rei levantado por Deus, que submeteria todos os povos à legislação da Torá.

Esta esperança messiânica aumentou ainda mais com o domínio romano sobre a judeia no primeiro século. As diversas ramificações judaicas, pacíficas ou revolucionárias (como os zelotes), pretendiam obter sua independência do domínio romano, e inspirados pelo ideal da independência, acabaram por desenvolver ainda mais a crença no Messias libertador.

Os antigos nazarenos e o surgimento do cristianismo

De acordo com a "tradição cristã" geralmente aceita, Jesus de Nazaré seria o Messias esperado pela tradição profética judaica (Mateus 2:1-6, Lucas 2:1-32, os dois trechos baseando-se, entre outros, no texto de Miqueias 5:2). Teria sido crucificado, ressuscitou e foi elevado aos céus (Mateus 28: 7:, Atos 2:22-34, Atos 4:10, Atos 5:30). Inicialmente, seus seguidores foram de fato judeus que não abandonaram suas tradições religiosas judaicas, mas as praticavam acrescentando-lhes a crença em Jesus como Messias (Atos 20:7-8; Atos 21:20). Estes eram chamados de notzrim ("nazarenos") devido à cidade de origem de Jesus, ou de "cristãos", pelo público gentio.

No entanto, com a difusão dos ensinamentos de Jesus, muitos gentios passaram a aceitar e acreditar nestas doutrinas. Daí surgiu a primeira crise entre os seguidores de Jesus: os gentios que acreditavam em Jesus deveriam ou não ser submetidos às leis de Moisés? Os judeus acreditavam que Jesus não teria vindo abolir a Torá. Desta forma, pregavam que tanto judeus como gentios convertidos deveriam seguir os mandamentos da Torá. No entanto se acreditarmos no sucesso inicial do movimento de Jesus dentro da religião judaica, deve-se crer que o ensino original não tenha sido muito diferente disto.

Paulo de Tarso (um fariseu, circunciso e que respeitava os preceitos da Torá), defendia que Jesus viera trazer salvação de Deus à humanidade e que a Torá não poderia ser imposta aos gentios porque a salvação se daria por intermédio da fé. O choque entre os dois grupos, "circuncisos" e "incircuncisos", já é aparente no livro de Atos, onde a discussão entre eles obriga à convocação da assembleia dos apóstolos (Atos 15). Tiago (judeu e circunciso), guiado pelo Espírito Santo deu seu ponto de vista, apoiado pelo apóstolo Pedro: aqueles que eram gentios não precisavam submeter-se de forma obrigatória às leis de Moisés e aqueles que eram judeus poderiam prosseguir com a lei desde que não impusessem seu modo de viver aos gentios («...mas escrever-lhes que se abstenham das viandas oferecidas aos ídolos, da fornicação, dos animais sufocados e do sangue. Pois Moisés, desde tempos antigos, tem em cada cidade homens que o pregam nas sinagogas, onde é lido todos os sábados.» (Atos 15:20-21) (comparar com as Leis de Noé). Os gentios poderiam aprender a Torá, que é santa, boa e justa (Romanos 7:12), a cada Shabat, mas isso não deveria ser imposto aos gentios.