João Gonçalves Zarco

João Gonçalves Zarco
João Gonçalves Zarco, estátua da autoria de Francisco Franco no Funchal.
Conhecido(a) porPovoador do Arquipélago da Madeira
1º Capitão do donatário do Funchal
Nascimentocirca 1390
Portugal Continental
Morte21 de novembro de 1471
Funchal
ResidênciaFunchal
NacionalidadePortuguesa
CônjugeConstança Rodrigues
OcupaçãoNavegador
Capitão do donatário
TítuloCavaleiro fidalgo , recebido em 1415
Capitão do donatário do Funchal, recebido em 1450
COA - Câmara.png

Brasão dos Câmaras
Assinatura
ASS João Gonçalves Zargo.png

João Gonçalves Zarco (Portugal Continental, c. 1390Funchal, 21 de Novembro de 1471[1]]) foi um navegador português e cavaleiro fidalgo da Casa do Infante D. Henrique. Comandante de barcas, foi escolhido pelo Infante para organizar o povoamento e administrar por si a Ilha da Madeira, na parte do Funchal, a partir de cerca de 1425.

Antecedentes e origem do nome

Pouco ou nada se sabe de concreto sobre os antecedentes de Zarco, sendo provável que tenha estado na conquista de Ceuta em 1415, e que os bons serviços prestados então tenham sido decisivos para a sua escolha pelo Infante D. Henrique para liderar o seu projecto de colonização do Arquipélago da Madeira, já conhecido desde meados do século XIV[2], mas até então despovoado e apenas usado esporadicamente para aguada e descanso das tripulações de navios que ali eventualmente chegavam. Zarco até 1460 aparece documentado como João Gonçalves Zargo, assinando Zargo.[3] Zarco usou o nome e sempre assinou por ele[3], pelo que é possível que fosse realmente o seu apelido de família. Em 1460 o Rei D. Afonso V atribui armas e o apelido de família Câmara de Lobos a João Gonçalves Zarco[4], que passa a partir de então a designar-se por João Gonçalves de Câmara, nunca usando, no entanto, o apelido na sua forma composta original. A troca, a partir de 1460, do nome "Zargo" pelo "de Câmara", é uma forte evidência de que Zargo seria, de facto, o seu nome de família.

José Freire Monterroio Mascarenhas elaborou uma hipótese genealógica segundo a qual João Gonçalves Zarco poderia ser filho de Gonçalo Esteves Zarco, cavaleiro da casa d'el-rei D. João I, com moradia de 1950 libras, e de D. Beatriz, filha de João Afonso, de Santarém, vedor do mesmo rei e filho de Afonso Guilherme, também de Santarém. Gonçalo Esteves poderia ser filho de Estêvão Pires Zarco, ministro e procurador da Fazenda de D. Dinis, que se dizia Vogado da casa d'El-Rei, título com o qual assina uma escritura de doação feita em Santarém no último dia de Janeiro de 1323, assinando também a renovação das pazes com Castela em 1327. Estêvão Pires poderia ser filho de Afonso Zarco, Cavaleiro da Ordem de Santiago, Comendador de Ourique e um dos treze eleitores da mesma ordem no ano de 1311. Ainda segundo a mesma hipótese, Afonso Zarco poderia ser filho de Pedro Gonçalves Zarco, morador em Lisboa, neto de Estêvão Gonçalves Zarco, segundo parece morador na mesma cidade, o qual por sua vez poderia ser filho, dado o patronímico, apelido e cronologia, de Gonçalo Zarco, documentado em Tomar no reinado de D. Afonso Henriques.[5]