Jean-Andoche Junot

Biografia

Glória nacional: Jean-Andoche Junot

Jean-Andoche Junot nasceu em Bussy-le-Grand, Côte-d'Or, filho de Michel Junot (1739–1814, filho de François Junot, m. 1759, e esposa Edmée Laurain, nascida em 1703 e falecida em 1784) e esposa Marie Antoinette Bienaymé (1735–1806, filha de Guy Bienaymé e esposa Ursule Rigoley).

Iniciou os seus estudos em Châtillon. Seguiu direito em Paris, quando, ao eclodir a Revolução Francesa, alistou-se no Exército (1791) no batalhão de voluntários da Côte-d'Or, onde foi ferido por duas vezes e conseguiu a patente de sargento. Durante o cerco de Toulon de 1793 foi escolhido como ajudante-de-ordens de Napoleão Bonaparte[2], com quem faria carreira na Itália, no Egito (1798-1801), na Áustria (1805), na Guerra Peninsular (1807-1808, 1810) e na Campanha da Rússia (1813).

Marguerite Gérard - A duquesa de Abrantes e o general Junot.

Campanha da Itália

Tendo se distinguido na Campanha da Itália pela sua bravura, foi promovido a coronel. Recebeu um ferimento na cabeça em Lonato, que seus biógrafos acreditam tenham lhe causado permanentes transtornos de pensamento e de carácter, afetando-lhe a capacidade de julgamento e tornando-o impetuoso e temperamental. Mais tarde participou no golpe de 18 de brumário. Casa com Laure (Laurette) Martin de Permond em 1800.

Alcançou o posto de general de brigada durante a Campanha do Egito, mas, ferido em um duelo, foi capturado quando de seu retorno como inválido à França. Ao chegar, foi nomeado general de divisão e governador de Paris (1801). O próprio Napoleão o afastou do cargo, enviando-o para Arras como instrutor do novo Corpo de granadeiros.

O seu envolvimento com Portugal iniciou-se a partir de 1805, quando serviu um curto período como representante diplomático acreditado em Lisboa. De Portugal passou à Áustria, onde combateu na batalha de Austerlitz (2 de Dezembro de 1805). Nomeado governador-geral de Parma, no ano seguinte foi nomeado governador militar de Paris.

Guerra Peninsular

Portugal, então governado pela Casa de Bragança e sob a regência do príncipe D. João, recusava o pedido de Napoleão de participar no bloqueio comercial à Inglaterra. A 12 de Agosto Napoleão e o Carlos IV de Espanha pediram ao príncipe João que declarasse guerra à Inglaterra. Entretanto, os exércitos de Napoleão marchavam na fronteira com Espanha.[3] E em 1807, no comando do Corpo de Observação da Gironda, Junot comandou a invasão de Portugal, saindo em novembro de Salamanca, entrando em Portugal a 17 de Novembro por Segura, na Beira Baixa[4], capturando Lisboa no dia 30 desse mês ou nos primórdios de dezembro.

Indicado como governador-geral de Portugal, foi feito duque de Abrantes em Março de 1808. Os ingleses desembarcaram em Portugal a Agosto de 1808 e, diante da ofensiva de Arthur Wellesley (depois duque de Wellington), que bateu as tropas francesas na batalha da Roliça (17 de Agosto) e na batalha do Vimeiro (21 de Agosto), Junot propôs aos ingleses um armistício que lhe permitiu a retirada: a Convenção de Sintra, assinada a 30 de Agosto. Na retirada, levou com ele todas as "armas e bagagens" que pôde, tornando famosa essa expressão em Portugal. Levado pela Royal Navy para a França[5], quase não escapava à corte marcial. Em 1810 voltou à Península Ibérica com as tropas do general André Masséna, sendo gravemente ferido.

Anos seguintes

Durante a Campanha da Rússia (1812), Junot foi acusado de permitir a retirada do Exército russo após a batalha de Smolensk (17 de Agosto), embora tenha comandado competentemente o 8.º Corpo francês na batalha de Borodino (7 de Setembro).

Em 1813 foi feito governador da Ilíria, mas mostrando sinais de demência regressou à França, tentando cometer suicídio, atirando-se por uma janela. Fraturou a perna, e depois tentou amputar-se com uma faca de cozinha. Morre alguns dias mais tarde, a 29 de Julho de 1813, devido a complicações por infeção.