Jacquerie
English: Jacquerie

Na fortaleza de Meaux, Gastão Fébus e João III de Grailli contra-atacam os Jacques, em defesa da família do Delfim. Miniatura. Chroniques de Jean Froissart. Século XV.

A Jacquerie, ou revolta dos Jacques, foi uma insurreição camponesa que teve lugar no Norte de França, entre 28 de maio e 9 de julho de 1358, durante a Guerra dos Cem Anos.[1] A designação deriva de Jacques Bonhomme, expressão idiomática francesa, de conotação paternalista, que designava genericamente um camponês e que posteriormente foi usada pejorativamente, equivalendo a "joão-ninguém".

Jacques Bonhomme foi o apelido dado pelo cronista medieval Jean Froissart a Guillaume Cale (também chamado Guillaume Caillet, Karle ou Cale), o líder da revolta.

A revolta iniciou-se de forma espontânea, refletindo a sensação de desespero em que viviam as camadas mais pobres da sociedade, depois da Peste Negra, numa altura em que a França se encontrava num vazio de poder e à mercê das companhias livres, bandos de mercenários renegados que vagueavam pelo país.

As elites acabaram por esmagar a revolta em menos de um mês, matando, no processo, cerca de vinte mil homens, o que viria a contribuir para o agravamento do problema demográfico do país.

Etimologia

A palavra "Jacquerie" passou a ser sinônimo de rebelião camponesa e, por séculos, a nobreza viveu sob o temor de uma repetição do episódio. Na memória popular, a "Jacquerie" é vista como uma série de massacres feitos pelos camponeses contra a nobreza.[1] Na realidade, porém, os servos rebeldes estavam mais preocupados com a pilhagem, a comida e a bebida dos castelos do que com o assassinato de seus ocupantes. Frequentemente, se esquece que padres, artesãos e pequenos mercadores ocasionalmente se juntaram aos camponeses durante estas rebeliões.