Italianos
English: Italians

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População total

135 Milhões no Mundo(Italianos: c 60 milhões; Descendentes de Italianos : c 80 milhões)

Regiões com população significativa
 Itália55,818,099[1]
 Argentina25,000,000[2]
 Brasil22,573,000[2]
 Estados Unidos17,300,000[2]
 França1,903,890–5,000,000[2]
 Venezuela1,736,766[3]
 Canadá1,445,335[2]
Uruguai1,055,220[2]
 Austrália852,418[2]
 Alemanha695,160[2]
Suíça521,146[2]
 Bélgica376,091[2]
 Reino Unido255,403[2]
 Chile184,997[2]
África do Sul38,694[2]
Flag of Spain.svg Espanha77,400[2]
Outros países20,000
Línguas
Predominantemente italiano.
Religiões
Predominantemente católicos.

Os italianos são uma etnia da Europa Ocidental, primariamente associados à língua italiana. São um grupo étnico que vive predominantemente na Itália e, através da emigração italiana, em países como Brasil, Argentina, Estados Unidos, Chile, Alemanha, França, Uruguai, Canadá e Austrália.

A história genética dos italianos atuais foi muito influenciada pela geografia e pela história. Os ancestrais da maioria dos italianos são identificados como povos itálicos (dos quais os mais notáveis são os latinos e romanos, mas também os úmbrios, sabinos e outros) e é geralmente aceito que as invasões que se seguiram durante os séculos após a queda do Império Romano não alteraram significativamente a composição genética dos italianos, por causa do número relativamente pequeno de povos germânicos ou de outros migrantes, em comparação com a grande população que constituía a Itália romana.[4]


Origens

O italiano é, do ponto de vista genético, um dos povos mais diversos da Europa. Diferentes populações se estabeleceram no atual território italiano ao longo dos séculos: agricultores do Oriente Próximo, povos itálicos, lígures, etruscos, fenícios, gregos, celtas, godos, lombardos, bizantinos, francos, normandos, suevos, árabes, berberes, albaneses, austríacos entre outros. Todos eles deixaram seu legado genético na atual população italiana.[5]

Há uma notável diferença genética entre os sardos, os italianos do norte e os italianos do sul. As pessoas do norte parecem estar próximas da população francesa, enquanto as do sul aproximam-se às dos Bálcãs e de outras populações do sul da Europa.[6][7][8][9] No entanto, a distância genética entre os italianos do norte e do sul, embora grande do ponto de vista da “nacionalidade”, é aproximadamente igual à dos alemães do norte e do sul da Alemanha.[10] O fosso genético entre os italianos do norte e do sul é preenchido por um aglomerado intermediário do centro da Itália, criando uma linha contínua de variação na península e nas ilhas (com os sardos como isolados), que espelha a geografia.[11]

A antropologia molecular não encontrou evidências de um fluxo genético do norte significativo na península italiana, nos últimos 1.500 anos. Portanto, a maior parte da etnogênese italiana ocorreu antes das invasões germânicas ou não europeias. Estudos de DNA mostram que apenas a colonização grega da Sicília e do sul da Itália teve um efeito duradouro na paisagem genética local.[12][13]

Do Paleolítico ao Neolítico

A Europa vem sendo habitada por seres humanos há pelo menos 40.000 anos. Todas as populações humanas não africanas descendem de um único grupo que saiu da África há cerca de 100.000 anos e foi para a Ásia. Assim, africanos e asiáticos foram os responsáveis pelo povoamento do continente europeu, mesmo que essas migrações tenham ocorrido em momentos diferentes e talvez repetidamente.[14][15][16]

Durante a última era glacial, que durou aproximadamente entre 26.500 e 19.000 anos atrás, o norte e o centro da Europa estavam cobertos pelo gelo, tornando praticamente impossível a existência de vida humana. Assim, a Itália, com o seu clima mais ameno, tornou-se um dos refúgios para o homem de cro-magnon. Bem mais tarde, cerca de 8.000 anos atrás, agricultores neolíticos oriundos do Oriente Próximo chegaram à Itália. A agricultura surgiu no Levante há pelo menos 11.500 anos e lentamente se expandiu para a Anatólia e Grécia nos dois milênios subsequentes. Da Grécia, levou outro milênio para que agricultores neolíticos cruzassem o mar e atingissem as regiões italianas de Puglia, Calábria, Sicília e Sardenha e, de lá, penetrassem o interior e colonizassem o resto da península por outro milênio. Cerca de 7.000 anos atrás, toda a Itália já tinha adotado a agricultura.[5]

Com a chegada dos agricultores neolíticos, a maioria dos caçadores-coletores que anteriormente habitavam a Itália fugiram da península, com a exceção da Sardenha, onde houve a mistura dos grupos, provavelmente porque não havia como escapar da ilha.[5]

Povos itálicos

Na Idade do Bronze, chegaram à Europa povos proto-indo-europeus. Estes migraram do Norte do Cáucaso e da Estepe pôntica para os Bálcãs (cerca de 6.000 anos atrás). De lá, subiram o rio Danúbio e invadiram a Europa central e ocidental (a partir de 4.500 anos atrás). Acredita-se que um povo do ramo indo-europeu, falante de língua itálica, cruzou os alpes e invadiu a Itália há cerca de 3.200 anos. Eles estabeleceram a cultura de Villanova e substituíram ou expulsaram muitos dos habitantes nativos da Itália, que tiveram que fugir e buscar refúgio nos apeninos e na Sardenha. Essas tribos itálicas conquistaram toda a península, mas se estabeleceram principalmente no norte e no centro-oeste italianos, sobretudo ao longo do rio Pó e na Toscana. Durante o fim da Idade do Bronze e o começo da Idade do Ferro, outras tribos indo-europeias se estabeleceram no norte da Itália, tais como os lígures na Ligúria, os lepôncios e os gauleses-celtas no Piemonte e os vênetos no Vêneto.[5]

Etruscos, fenícios, gregos e romanos

Entre 1200 e 539 a.C., os fenícios construíram um vasto império comercial que se estendia do Oriente Médio, sua terra de origem, passando pelo sul do mar Mediterrâneo até atingir a Península Ibérica. Na Itália, eles tiveram colônias no oeste da Sicília e no sul e oeste da Sardenha.[5]

Outro povo que habitou a Itália foram os etruscos, que apareceram cerca de 750 a.C. A sua origem continua um mistério: alguns acreditam que eram originários da Anatólia (atual Turquia), mas ainda não há certeza quanto a isso. Os etruscos falavam uma língua que não era indo-europeia e que não tem nenhuma relação com nenhum outro idioma antigo à parte da língua rética falada nos alpes e da língua lemnia falada na região do mar Egeu. É provável que os etruscos vieram de algum lugar da região oriental do Mediterrâneo e impuseram seu idioma sobre as tribos itálicas que viviam na Toscana e ao longo do rio Pó.[5]

Mapa das línguas itálicas antes da expansão do latim.

No Sul da Itália, os gregos antigos também se estabeleceram. A partir do século VIII a.C, os gregos estabeleceram colônias por toda a costa de Campânia, Calábria, Basilicata, sul da Puglia e na Sicília (menos na ponta ocidental). Toda essa região ficou conhecida como Magna Grécia. Os gregos também colonizaram porções do norte italiano, especificamente a Ligúria, onde fundaram Gênova.[5] O impacto que os gregos tiveram na composição étnica do Sul da Itália é motivo de debate, com um estudo genético estimando que 37% da ancestralidade dos atuais sicilianos tem origem grega,[13] enquanto outro estudo estima que apenas poucos milhares de gregos e algumas centenas de gregas imigraram para a Itália e que os atuais italianos do Sul são geneticamente mais próximos dos gregos das ilhas do que dos do Continente.[17]

No século I, Roma se tornou a capital de um império vasto e cosmopolita. A imigração para Roma fez a cidade crescer de 400 000 habitantes no século III a.C. para um milhão entre 27 a.C. e 14 d.C. Como esses imigrantes vieram de todas as partes do império, é difícil estimar o impacto que tiveram na demografia de Roma e da península Itálica, mas foi considerável, pelo menos na região do Lácio.[5]

Godos, lombardos e bizantinos

Nos séculos IV e V, tribos germânicas e eslavas migraram para o sul e oeste e invadiram o Império Romano em busca de terras férteis. Os vândalos foram os primeiros a chegar à Itália. Eles imigraram para a Península Ibérica, depois rumaram para o Norte da África em 429, onde fundaram um reino que também englobava Sicília, Sardenha e Córsega. Em 475, várias tribos germânicas orientais depuseram o último imperador romano e criaram o primeiro reino da Itália (476-493). O reino foi tomado pelos ostrogodos, que reinaram sobre toda a Itália, exceto a Sardenha, até 553. Eles foram sucedidos pelos lombardos (568-774), que tiveram que lutar pelo controle da Itália com os bizantinos. Os lombardos se estabeleceram mais densamente no nordeste italiano e na Lombardia, que recebeu este nome por causa deles.[5]

Afresco da cena de um banquete, Pompeia.

Os godos se originaram na Suécia. Porém, antes de chegar à Itália, eles desceram para a atual Polônia e atingiram o mar Negro, onde se misturaram com a população local. Depois, migraram para os Bálcãs no século III, onde permaneceram por 200 anos, havendo também mistura com os locais. Assim, quando invadiram a Itália, os godos não apenas trouxeram sua ascendência germânica, mas também eslava e balcânica. Igualmente, os vândalos, antes de atingirem a Itália, já haviam se estabelecido na Polônia, constituindo uma tribo heterogênea. Por outro lado, os lombardos, após saírem da Escandinávia, passaram pelas atuais Alemanha, Áustria e Eslovênia, algumas poucas décadas antes de invadirem a Itália. Portanto, estes trouxeram uma maior contribuição germânica para a Itália que os outros dois povos.[5]

De qualquer maneira, os invasores germânicos chegaram em número pequeno à Itália e se dispersaram geograficamente a fim de governar e administrar o reino. Em consequência, foram rapidamente diluídos dentro da população local. Algumas regiões da Itália nunca estiveram sob domínio lombardo, incluindo Sardenha, Sicília, Calábria, sul da Puglia, Nápoles e Lácio.[5]

No Sul da Itália, a chegada dos bizantinos só fez aumentar a contribuição étnica greco-anatólica que já predominava na região desde os tempos da Magna Grécia. No Norte da Itália, por outro lado, que nunca foi colonizado pelos gregos (exceto a Ligúria), os bizantinos introduziram novos elementos étnicos, particularmente na Emília-Romanha, nas Marcas e no litoral do Vêneto e da Ligúria.[5]

Francos, árabes e normandos

Os francos conquistaram o Reino Lombardo em 774. Ao contrário de outros povos germânicos, a intenção dos francos não era encontrar uma nova pátria. Em consequência, eles não imigraram em massa para a Itália, limitando-se a trazer soldados e administradores, que não eram necessariamente de ascendência franca, mas também galo-romana. O seu impacto étnico na Itália foi, portanto, pouco expressivo.[5]

Logo após a chegada dos francos, os sarracenos, de origem árabe, invadiram a Sicília e o Sul da Itália, onde estabeleceram um emirado (831-1072). A maioria desses muçulmanos saiu da Itália após a conquista normanda no século XI. Os normandos, descendentes de viquingues da Dinamarca, invadiram a Sicília em 1061 e conquistaram toda a ilha em 1091.[5]

Características físicas

Sardos em trajes típicos.

A maioria dos italianos, em todas as regiões do país, tem cabelos e olhos escuros. Segundo uma pesquisa, realizada no século XIX com milhares de italianos, a cor do cabelo da população italiana foi assim descrita:[18]

  • 60,14% tem cabelos castanhos
  • 31,06% tem cabelos pretos
  • 8,21% tem cabelos loiros
  • 0,57% tem cabelos ruivos

Existe, contudo, variação regional. A proporção de pessoas com cabelos escuros vai aumentando do Norte para o Sul. Assim, no Vêneto (norte), 12,56% da população tem cabelos loiros, 61,73% castanhos e 24,93% pretos. Por outro lado, na Ilha da Sardenha (sul), apenas 1,72% tem cabelos loiros e 43,39% castanhos e 54,64% pretos.

No tocante à cor do olhos, a distribuição na Itália foi a seguinte:

  • 60,30% tem olhos castanhos
  • 20,61% tem olhos cinza
  • 10,36% tem olhos azuis ou verdes
  • 8,74% tem olhos pretos.

Em relação à cor da pele, um estudo comparou quatro populações europeias, oriundas de Dublin (Irlanda), Varsóvia (Polônia), Roma (Itália) e Porto (Portugal). Nessa amostra, os irlandeses tinham o tom de pele mais claro, seguidos pelos poloneses. Portugueses do Porto apresentaram pele mais clara que italianos de Roma. No tocante à cor dos olhos, novamente irlandeses apresentaram proporção maior de olhos claros, seguidos pelos poloneses. Porém, italianos apresentaram maior incidência de olhos claros que portugueses.[19]