Isatis tinctoria

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaIsatis tinctoria
pastel, pastel-dos-tintureiros
Isatis tinctoria em flor.
Isatis tinctoria em flor.
Classificação científica
Reino:Plantae
Divisão:Magnoliophyta
Clado:angiospérmicas
Clado:Eudicotyledoneae
Clado:Rosídeas
Classe:Magnoliopsida
Ordem:Brassicales
Família:Brassicaceae
Tribo:Isatideae
Género:Isatis
Espécie:I. tinctoria
Nome binomial
Isatis tinctoria
L., 1753[1]
Isatis tinctoria (ilustração).
Planta jovem (menos de 1 ano).
Folhas caulinares (aparecem apenas no segundo ano de crescimento).
Aspecto geral da inflorescência.
Isatis tinctoria (hábito da planta frutificada).
Siliquas de Isatis tinctoria (colecção do MHNT).
A caça ao unicórnio, tapeçaria tingida com lírio-dos-tintureiros (amarelo), ruiva-dos-tintureiros (vermelho) e pastel (azul).
Engenho de pastel (na Turíngia, 1752).
Corante comercial produzido com extracto de pastel.

Isatis tinctoria L., 1753 é uma espécie de plantas com flor da família Brassicaceae conhecida pelo nome comum de pastel.[2][3][4] É uma planta herbácea bienal, originária do sudoeste e centro da Ásia,[5] que em tempos foi muito cultivada nas regiões temperadas da Eurásia como planta tintureira e medicinal. Utilizada para pinturas corporais e para fins medicinais desde o Neolítico europeu, a planta foi intensamente comerciada na Europa durante a Idade Média e a Renascença para produção de corante azul para tinturaria e pintura. O corante, manufaturado a partir do extrato fermentado das folhas, caiu em desuso com a introdução do anil obtido do índigo tropical e, posteriormente, com a generalização do uso das anilinas e outros corantes de síntese. O nome comum «pastel» deriva do termo latino pasta, através do termo occitano pastèl,[6] aplicado porque durante o processo de fabrico do corante as folhas de Isatis tinctoria eram esmagadas por moenda em atafonas, conhecidas por engenhos de pastel, até formarem uma pasta que era deixada fermentar e secar.

Descrição e distribuição

O pastel é um hemicriptófito bienal, embora possa raramente ser perene de vida curta, em geral monocárpico (morre após a maturação das sementes), de raiz aprumada,[7] tetraploide[8] (número cromossómico 2n=4x=28), muito semelhante no hábito, ramificação e aspecto das folhas ao nabo silvestre e à couve. Em plena maturação forma uma planta robusta, que alcança 30–150 cm de altura, glabra a hirsuta, sub-glauca, erecta quando em flor, produzindo numerosas inflorescências ramificadas anteriormente.[2]

No primeiro ano após a germinação, a planta forma uma roseta de folhas basais com pecíolo curto (pecíolo com 0,5-5,5 cm de comprimento). As folhas são amargas e fortemente adstringentes, com coloração verde, ligeiramente glaucas na face superior, oblanceoladas, com 5–20 cm de comprimento e 1–3 cm de largura, muito variáveis em tamanho, geralmente muito maiores nas plantas cultivadas.[9] São estas as folhas colhidas para a extracção do pigmento. No primeiro ano a planta não floresce, podendo mesmo permanecer sem florir mais um ano, mantendo as folhas em roseta, se as condições ambientais forem desfavoráveis.

Geralmente no segundo ano após a germinação, e a partir de um pequeno tronco erecto que se prolonga até 4–5 cm acima do solo, a planta emite de um a cinco caules erectos, formando escapos robustos que podem chegar a 1,50 m de altura, nos quais surgem as folhas caulinares, com filotaxia alterna, sésseis, amplexicaules, com longas aurículas agudas na base, com 10–80 mm de comprimento, 5–25 mm de largura, linear-lanceoladas as mais próximas da base, lanceoladas as superiores. O tamanho das folhas, particularmente o seu comprimento, diminui progressivamente ao longo do caule, sendo as folhas superiores muito menores do que as mais próximas da roseta basal.[2] A folhas caulinares apresentam coloração verde brilhante ou verde azulado (consoante as variedades), com uma nervura central esbranquiçada, bem marcada e alargada na base da folha.[10] A pubescência é variável.

A planta produz entre maio e setembro abundantes flores hermafroditas amarelas, agrupadas em inflorescências do tipo racemo, com 30-80 flores em cada, formando panículas corimbiformes, ebracteadas, que se alongam até aos 10(-15) cm na maturação. As flores são pequenas, com 3–5 mm de diâmetro, de coloração amarela, inseridas em finos pedúnculo que atingem 5–10 mm de comprimento na fase de maturação do fruto. Os pedúnculos são tão finos e flexíveis que as flores são facilmente agitadas pela mais ténue brisa. A flor é formada por 4 sépalas, com 2-2,5 mm de comprimento, de coloração verde-amarelado. As 4 pétalas são amarelas, com 3-4,5 mm de comprimento, 1,5–2 mm de largura,[2][11] insertas em posição cruciforme alterna em relação às sépalas. As flores contêm 4 (+2) estames (tetradinâmicos, quatro com filetes compridos e dois curtos), nectários anulares, com 2 carpelos abertos e soldados pelos bordos.

As flores são polinizadas por insectos e as vagens amadurecem cerca de um mês após a polinização. A espécie é considerada uma planta melífera, sendo frequentemente visitada pelas abelhas.[12]

O fruto é uma siliqua pequena, embora muito variável em tamanho, com 10–20 mm de comprimento, 2,5–5 mm de largura, oblonga, pendente, estreitando-se em direcção à base, com ápice truncado a arredondado, geralmente mais largo na zona média (onde está o lóculo), glabras a escassamente pubescentes. Quando madura apresenta coloração castanho-escuro a negra. A semente, alada, tem 2–3 mm de comprimento, 1 mm de largura, com perfil elipsoidal alongado e coloração castanha.[2]

Isatis tinctoria apresenta grande polimorfia no que respeita à forma do fruto, à forma e ao tamanho das aurículas (lobos) da base das folhas caulinares e à quantidade de indumento.

A espécie é nativa das estepes e zonas semi-desérticas do Cáucaso e do oeste e centro da Ásia,[13] mas encontra-se naturalizada em quase todas as regiões temperadas e subtropicais da Eurásia, com maior prevalência no sueste e centro da Europa e no norte da China. O centro de diversidade (ou centro de Vavilov) situa-se na Ásia Central.[13]

A espécie espalhou-se por uma vasta região, tendo sido cultivada desde tempos muito remotos em toda a Europa, particularmente na Europa Ocidental e do Sul. Em consequência, a planta é considerada espontânea no Norte de África, na Europa (especialmente na região mediterrânica, sendo abundante na Córsega), na Ásia ocidental, sueste de Rússia e Ásia Central até à região de Xinjiang, no noroeste da China.[11]

A espécie está presente como naturalizada no território português, não se encontrando protegida por legislação portuguesa ou da União Europeia.[14] A espécie encontra-se também naturalizada no arquipélago da Madeira[15] e nos Açores.[16]

Em algumas regiões dos Estados Unidos, a espécie Isatis tinctoria é considerada como espécie invasora.[12][17]

Ocorre de preferência em solos secos a muito secos, em terrenos incultos ao longo de estradas, sobre afloramentos rochosas, sobre em rochas e em matagais e pastagens mediterrânicos. É considerada uma espécie termófila.

Pode ser cultivada em qualquer tipo de solo, embora prefira solos ligeiros. Necessita de elevada humidade para germinar e de boa exposição solar para atingir o máximo desenvolvimento, embora tolere algum ensombramento. O seu habitat preferido nas regiões de distribuição natural são as zonas declivosas e abertas com boa exposição solar. Nas regiões onde se naturalizou aparece frequentemente em zonas perturbadas de carácter ruderal e em falésias e outros locais bem drenados.