Imperatriz Leopoldinense

Imperatriz Leopoldinense
Bandeira do GRES Imperatriz Leopoldinense.jpg
Fundação6 de março de 1959 (60 anos) [1][2][3]
Escola-madrinhaImpério Serrano[1][2][3]
Cores
SímboloCoroa[1][2][3]
BairroRamos[1][2][3]
Desfile de 2020
EnredoSó dá Lalá (reedição do carnaval de 1981)
www.imperatrizleopoldinense.com.br

Grêmio Recreativo Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense (ou simplesmente Imperatriz Leopoldinense) é uma escola de samba da cidade do Rio de Janeiro, sediada no bairro de Ramos.[4][5] A escola foi fundada em 6 de março de 1959, pelo farmacêutico Amaury Jório juntamente a alguns sambistas da Zona da Leopoldina e remanescentes da extinta agremiação Recreio de Ramos.[6]

Seu nome faz referência à Estrada de Ferro Leopoldina - que cortava o bairro de Ramos - e que, por sua vez, recebeu esse nome em referência à Imperatriz Maria Leopoldina de Áustria. Suas cores foram escolhidas em referência à sua escola-madrinha, Império Serrano. Em seu pavilhão, onze estrelas simbolizam os bairros que compõem a Zona da Leopoldina: Bonsucesso, Brás de Pina, Cordovil, Manguinhos, Olaria, Parada de Lucas, Penha, Penha Circular, Vila da Penha, Ramos e Vigário Geral. A estrela que representa Ramos fica destacada, na parte de cima da bandeira, por representar o berço da escola. Sua quadra se localiza na Rua Professor Lacê, n.º 235, em Ramos, próximo à estação de trem do bairro.[3]

A Imperatriz Leopoldinense é detentora de oito títulos de campeã do grupo principal do carnaval carioca, conquistados em 1980, 1981, 1989, 1994, 1995, 1999, 2000 e 2001. Sendo que em 1980, 1989 e 2001 foi campeã obtendo nota máxima em todos os quesitos. Desfilou pela primeira vez em 1960, com um enredo em homenagem à Academia Brasileira de Letras. Porém, apenas em 1972 ganhou notoriedade, após fazer parte da novela "Bandeira 2", da Rede Globo. Naquele ano, apresentou o enredo "Martim Cererê", conquistando o 4.º lugar. O samba-enredo daquele ano foi o primeiro a ser incluído em uma trilha sonora de telenovela. Em 2012, outro samba da escola - "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!" - seria o primeiro samba-enredo utilizado como tema de abertura de uma telenovela. Nesse caso, na novela "Lado a lado".[7]

A escola foi pioneira ao implantar, no ano de 1967, um departamento especial para elaborar os seus desfiles.[1] O Departamento Cultural e de Carnaval da Imperatriz Leopoldinense visava organizar os carnavais da escola e desenvolver atividades culturais para os integrantes da mesma. Durante o seu período de atividade, o Departamento elaborou enredos de cunho nacionalista; sobre movimentos culturais ou sobre a história do Brasil. A maioria baseados em obras da literatura brasileira. No final da década de 1970, com a chegada de Luiz Pacheco Drummond à presidência da escola, o Departamento de Carnaval foi extinto e a Escola voltou a apostar na figura do carnavalesco como principal responsável pela confecção dos seus desfiles. Ainda assim, enredos sobre a História do Brasil ou elementos da cultura brasileira continuaram a ser tema principal na maioria dos desfiles da Imperatriz. Em 1980, com melhores condições financeiras, a escola contratou o carnavalesco campeão do ano anterior, Arlindo Rodrigues. No mesmo ano, com um enredo em homenagem a Bahia, a escola conquistou o seu primeiro título de campeã, dividido com Portela e Beija-Flor. No ano seguinte, dessa vez sozinha, conquistou o bicampeonato com o popular samba-enredo "O teu cabelo não nega" ("Nesse palco iluminado, só dá Lalá"). Em 1989, com "Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós!", o carnavalesco Max Lopes conquistou mais um título para a escola de Ramos, vencendo o famoso desfile "Ratos e urubus, larguem a minha fantasia" da Beija-Flor. A partir desse período, a Imperatriz se caracterizara por seus desfiles técnicos, elaborados exclusivamente para atender às obrigatoriedades dos quesitos julgados, o que lhe rendeu o apelido de "certinha de Ramos".[8] Utilizando-se dessa técnica, sob o comando da carnavalesca Rosa Magalhães, venceu os campeonatos de 1994, 1995, e nos anos de 1999, 2000 e 2001 conquistou o primeiro tricampeonato da "era Sambódromo".

Lugar de origem

Bairro de Ramos, sob a sombra da Igreja da Penha.

A Imperatriz Leopoldinense teve origem em Ramos, um dos bairros que compõem a Zona da Leopoldina, na zona norte da cidade do Rio de Janeiro.[9] A Zona da Leopoldina foi denominada em homenagem à Imperatriz Maria Leopoldina de Áustria por conta do eixo da estrada de ferro construída a seu pedido, e que, em um primeiro momento, tinha o objetivo de transportá-la junto ao seu séquito real. O caminho ligava o Palácio de São Cristóvão a Petrópolis.[10]

Durante o Século XVII, a região do bairro de Ramos integrava a Fazenda do Engenho da Pedra (mais tarde, Fazenda Nossa Senhora de Bonsucesso), que pertencia à sesmaria do Vale de Inhaúma. Em meados do século XIX, a fazenda foi comprada por Dona Leonor Mascarenhas de Oliveira, e mais tarde, herdada por João Torquato de Oliveira. Com a morte de João, em 1870, sua viúva, Francisca Hayden, vendeu ao Capitão Luiz José Fonseca Ramos as terras que abrangiam o Sítio dos Bambus.[11] Em 1868, com a inauguração da Estrada de Ferro Leopoldina, Capitão Ramos cedeu uma parte de seu sítio para passagem da ferrovia com a condição de se construir uma estação para a sua família em suas terras. Em 23 de outubro de 1886, mesma data de fundação do bairro, foi inaugurada a Estação de Ramos.[12] O bairro surgiu por obra da família Fonseca Ramos, e por isso, recebe seu nome em homenagem à família. A urbanização de Ramos teve início com o loteamento de suas terras pelo português Teixeira Ribeiro.[11][13]

No Século XX, o bairro se destacou como região de forte tradição no cenário cultural suburbano carioca, com a fundação do Social Ramos Clube, Cine Rosário, Recreio de Ramos, Bloco Cacique de Ramos e a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense.[14] Em meados da década de 1910, foram criados os primeiros clubes carnavalescos da região: Prontos de Ramos (Promptos de Ramos), Ameno Heliotropo e Endiabrados de Ramos. Com o passar do tempo, novos blocos surgiram: Sai como pode, Razão de Viver, Paixão de Ramos, Paz e Harmonia.[15]

O Recreio de Ramos teve entre seus frequentadores: Heitor Villa-Lobos, Pixinguinha, Mano Décio da Viola, Armando Marçal, Alcebíades Barcelos (Bide) e Heitor dos Prazeres.[9][16] Morador do bairro, Pixinguinha compôs o "Hino de Ramos" em 1965, para os festejos de 80 anos do bairro.[13] O Bloco Cacique de Ramos, fundado dois anos após a Imperatriz Leopoldinense, revelou artistas como Zeca Pagodinho, Arlindo Cruz, Jorge Aragão, o grupo Fundo de Quintal, entre outros. Também frequentavam o Cacique: Beth Carvalho, Almir Guineto, Sereno, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila - nascido em Ramos.[17][18]