Império Bizantino

Império Bizantino

Império Romano do Oriente
Βασιλεία ῬωμαίωνVasilía Roméon
Imperium Romanum

Império

395 — 1453 
Bandeira da dinastia paleóloga   Emblema imperial da dinastia paleóloga
Bandeira da dinastia paleóloga Emblema imperial da dinastia paleóloga
The Byzantine State under Justinian I-pt.svg
Império Bizantino em seu zênite sob Justiniano
Coordenadas de Constantinopla41° N 28° 58' E
ContinenteEurafrásia
RegiãoBacia do Mediterrâneo
CapitalConstantinopla

Idiomas oficiais
Religiões
Moedasoldo (+ outras)

Forma de governoAutocracia
Imperador
• 395–408  Arcádio
• 1449–1453 

Período histórico
• 11 de maio de 330  Fundação de Constantinopla
• 17 de janeiro de 395  Cisão do Império Romano
• 1054  Grande Cisma
• 1204  Queda de Constantinopla à Quarta Cruzada
• 1204–1261  Exílio (Império de Niceia)
• 1261  Reconquista de Constantinopla
• 29 de maio de 1453  Queda de Constantinopla

População
 • 565 26 000 000  (est.)
 • 780 7 000 000  (est.)
 • 1025 12 000 000  (est.)
 • 1143 10 000 000  (est.)
 • 1282 [♦] 5 000 000  (est.)

[♦] ^ Ver população do Império Bizantino para dados mais detalhados.

O Império Bizantino foi a continuação do Império Romano na Antiguidade Tardia e Idade Média. Sua capital, Constantinopla (atual Istambul), originalmente era conhecida como Bizâncio. Inicialmente parte oriental do Império Romano[1] (comumente chamada de Império Romano do Oriente no contexto), sobreviveu à fragmentação e ao colapso do Império Romano do Ocidente no século V e continuou a prosperar, existindo por mais de mil anos até sua queda diante da expansão dos turcos otomanos em 1453. Foi conhecido simplesmente como Império Romano (em grego: Βασιλεία τῶν Ῥωμαίων; transl.: Basileía tôn Rhōmaíōn; em latim: Imperium Romanum) ou România (em grego: Ῥωμανία; transl.: Rhōmanía) por seus habitantes e vizinhos.

Como a distinção entre o Império Romano e o Império Bizantino é em grande parte uma convenção moderna, não é possível atribuir uma data de separação. Vários eventos do século IV ao século VI marcaram o período de transição durante o qual as metades oriental e ocidental do Império Romano se dividiram.[2] Em 285, o imperador Diocleciano (r. 284–305) dividiu a administração imperial em duas metades. Entre 324 e 330, Constantino (r. 306–337) transferiu a capital principal de Roma para Bizâncio, conhecida mais tarde como Constantinopla ("Cidade de Constantino") e Nova Roma.[nt 1] Sob Teodósio I (r. 379–395), o cristianismo tornou-se a religião oficial do império e, com sua morte, o Estado romano dividiu-se definitivamente em duas metades, cada qual controlada por um de seus filhos. E finalmente, sob o reinado de Heráclio (r. 610–641), a administração e as forças armadas do império foram reestruturadas e o grego foi adotado em lugar do latim. Em suma, o Império Bizantino se distingue da Roma Antiga na medida em que foi orientado à cultura grega em vez da latina e caracterizou-se pelo cristianismo ortodoxo em lugar do politeísmo romano.[4][5][6][7]

As fronteiras do império mudaram muito ao longo de sua existência, que passou por vários ciclos de declínio e recuperação. Durante o reinado de Justiniano (r. 527–565), alcançou sua maior extensão após reconquistar muito dos territórios mediterrâneos antes pertencentes à porção ocidental do Império Romano, incluindo o norte da África, península Itálica e parte da Península Ibérica. Durante o reinado de Maurício (r. 582–602), as fronteiras orientais foram expandidas e o norte estabilizado. Contudo, seu assassinato causou um conflito de duas décadas com o Império Sassânida que exauriu os recursos do império e contribuiu para suas grandes perdas territoriais durante as século VII. Durante a dinastia macedônica (século X–XI), o império expandiu-se novamente e viveu um renascimento de dois séculos, que chegou ao fim com a perda de grande parte da Ásia Menor para os turcos seljúcidas após a derrota na Batalha de Manziquerta (1071).

No século XII, durante a Restauração Comnena, o império recuperou parte do território perdido e restabeleceu sua dominância. No entanto, após a morte de Andrônico I Comneno (r. 1183–1185) e o fim da dinastia comnena no final do século XII, o império entrou em declínio novamente. Recebeu um golpe fatal em 1204, no contexto da Quarta Cruzada, quando foi dissolvido e dividido em reinos latinos e gregos concorrentes. Apesar de Constantinopla ter sido reconquistada e o império restabelecido em 1261, sob os imperadores paleólogos, o império teve que enfrentar diversos estados vizinhos rivais por mais 200 anos para sobreviver. Paradoxalmente, este período foi o mais produtivo culturalmente de sua história.[1] Sucessivas guerras civis no século XIV minaram ainda mais a força do já enfraquecido império e mais territórios foram perdidos nas guerras bizantino-otomanas, que culminaram na Queda de Constantinopla e na conquista dos territórios remanescentes pelo Império Otomano no século XV.

Nomenclatura

A designação do império como "bizantino" surgiu na Europa Ocidental em 1557, quando o historiador alemão Hieronymus Wolf publicou sua obra Corpus Historiæ Byzantinæ, uma coleção de fontes bizantinas. "Bizantino" em si vem de "Bizâncio" (uma cidade grega, fundada por colonos de Mégara em 667 a.C.), o nome da cidade de Constantinopla antes de se tornar a capital do império sob Constantino. Este antigo nome da cidade raramente seria utilizado a partir daquele evento, exceto no contexto poético ou histórico. A publicação, em 1668, de Bizantino du Louvre (Corpus Scriptorum Historiæ Byzantinæ), e em 1680 da História Bizantina de Du Cange popularizou o uso de Bizantino em autores franceses, como Montesquieu.[8] Contudo, só em meados do século XIX é que o termo entrou em uso geral no mundo ocidental.[9]

O império era conhecido por seus habitantes como Império Romano (em latim: Imperium Romanum; em grego: Βασιλεία τῶν Ῥωμαίων; transl.: Basileía tôn Rhōmaíōn)[10] ou Império dos Romanos (em latim: Imperium Romanorum; em grego: Αρχη τῶν Ῥωμαίων; transl.: Arche tôn Rhōmaíōn), România (em latim: Romania;em grego: Ῥωμανία; transl.: Rhōmanía),[nt 2] República Romana (em latim: Res Publica Romana; em grego: Πολιτεία τῶν Ῥωμαίων; transl.: Politeίa tôn Rhōmaíōn),[16] Graikia (em grego: Γραικία),[17] e também Rhōmais (Ῥωμαΐς).[18]

Por boa parte da Idade Média, os bizantinos identificaram-se como romaioi (em grego: Ρωμαίοι , "romanos", ou seja, cidadãos do Império Romano), um termo que, em língua grega, tornou-se sinônimo de grego cristão.[19][20] Também chamavam-se graikoi (em grego: Γραικοί , "gregos"),[21][22][23][24][25] embora este etnônimo nunca foi usado na correspondência política oficial antes de 1204.[26] O antigo nome "heleno" era popularmente considerado um sinônimo para pagão e foi readotado como um etnônimo no período médio bizantino,[nt 3] mais precisamente no século XI.[30]

Embora o império tivesse caráter multiétnico em boa parte de sua história[31][32] e mantém as tradições romano-helênicas, [33] era geralmente conhecido pela maioria dos seus contemporâneos ocidentais e do norte como o "Império dos Gregos" (em latim: Imperium Graecorum)[nt 4] devido ao crescente predomínio do elemento grego.[4][34][35][36][37][38][39][40][41][42] O uso ocasional do termo "Império dos Gregos" para referir o Império Romano do Oriente e "Imperador dos Gregos" (em latim: Imperator Graecorum) [43] para o imperador bizantino reflete o desejo dos novos reinos do Ocidente de separá-lo do Império Romano, pois rejeitavam a afirmação imperial de descendência.[nt 5]

A reivindicação do Império Oriente da herança romana foi ativamente disputada no Ocidente durante o reinado da imperatriz Irene de Atenas (r. 797–802), depois da coroação de Carlos Magno como imperador do Sacro Império no ano 800 pelo papa Leão III, que, precisando de ajuda contra os lombardos em Roma, considerou vago o trono do Império Romano por não haver um ocupante do sexo masculino no trono. O papa e os governantes do ocidente sempre utilizaram o nome "romano" para referirem-se aos imperadores do oriente, todavia preferiram o termo Imperator Romaniæ ("imperador da România"), em vez de Imperator Romanorum ("imperador romano"), um título que os ocidentais mantiveram apenas para Carlos Magno e seus sucessores.[nt 6] Essa distinção não existiu nos mundos persa, islâmico e eslavo, nos quais o império era visto como uma continuação do Império Romano. No mundo islâmico, era conhecido principalmente como روم (Rûm, "Roma").[46][47]