Império Aquemênida

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امپراتوری هخامنشی
(Emperâturi-ye Hakhâmaneshi)

Império Aquemênida
(Primeiro) Império Persa

Império

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550 a.C. – 330 a.C.Vergina sun.svg

Bandeira de Império Persa

Estandarte de Ciro, o Grande

Localização de Império Persa
Império Aquemênida em seu período de maior extensão, sob o reinado de Dario I.
ContinenteEurafrásia
CapitalPasárgada, Ecbátana, Persépolis, Susa e Babilônia
Língua oficialPersa antigo (idioma nativo), aramaico imperial (língua oficial e lingua franca,)[1] elamita, acádio[2]
ReligiãoZoroastrismo
GovernoMonarquia Absoluta
Reis da Pérsia
 • 559-530 a.C.Ciro, o Grande (primeiro)
 • 336-330 a.C.Dario III (ultimo)
Período históricoHistória antiga
 • 550 a.C.Conquista do Segundo Império Babilônico
 • 515 a.C.Construção de Persépolis
 • 525 a.C.Conquista do Antigo Egito por Cambises II
 • 498-448 a.C.Guerras Greco-Persas
 • 343 a.C.Reconquista do Egito por Artaxerxes III
 • 334-330 a.C.Derrota do Império Aquemênida por Alexandre, o Grande
 • 330 a.C.Morte de Dario III e conquista de Alexandre o Grande
 • 330 a.C.Dario III é assassinado por Besso
Área
 • 500 a.C.8,500,000 km2
MoedaDárico e o siglos

O Império Aquemênida (pt-BR) ou Aqueménida (pt) (em persa antigo: Parsā; em persa: هخامنشیان; transl.: Hakhāmanishiya ou دودمان هخامنشي, Dudmān Hakhâmaneshi; c. 550–330 a.C.), por vezes referido como Primeiro Império Persa, foi um império iraniano situado no Sudoeste da Ásia, e fundado no século VI a.C. por Ciro, o Grande, que derrubou a confederação médica. Expandiu-se a ponto de chegar a dominar partes importantes do mundo antigo; por volta do ano 500 a.C. estendia-se do vale do Indo, no leste, à Trácia e Macedônia, na fronteira nordeste da Grécia - o que fazia dele o maior império a ter existido até então.[3] O Império Aquemênida posteriormente também controlaria o Egito. Era governado através de uma série de monarcas, que unificaram suas diferentes tribos e nacionalidades construindo um complexo sistema de estradas. Denominando-se Parsa, do nome tribal ariano Parsua, os persas fixaram-se numa terra que também denominaram Parsua, que fazia fronteira a leste com o rio Tigre, e, ao sul, com o golfo Pérsico. Este tornou-se o centro nevrálgico do império durante toda a sua duração.[3] Foi a partir desta região que Ciro, o Grande partiu para derrotar os impérios Medo, Lídio e Babilônico, abrindo o caminho para as conquistas posteriores do Egito e Ásia Menor.

No ápice de seu poder, após a conquista do Egito, o império abrangia aproximadamente oito milhões de quilômetros quadrados[4] situados em três continentes: Ásia, África e Europa. Em sua maior extensão, fizeram parte do império os territórios atuais do Irã, Turquia, parte da Ásia Central, Paquistão, Trácia e Macedônia, boa parte dos territórios litorâneos do Mar Negro, Afeganistão, Iraque, o norte da Arábia Saudita, Jordânia, Israel, Líbano, Síria, bem como todos os centros populacionais importantes do Antigo Egito até às fronteiras da Líbia. É célebre na história ocidental como o tradicional inimigo das cidades-estado gregas[3] durante as Guerras Greco-Persas, pela emancipação dos escravos, incluindo o povo judeu, de seu cativeiro na Babilônia, e pela instituição de infra-estruturas como um sistema postal, viário, e pela utilização de um idioma oficial por todos os seus territórios. O império tinha uma administração centralizada e burocrática, sob o comando de um imperador e um enorme número de soldados profissionais e funcionários públicos, o que inspirou desenvolvimentos semelhantes em impérios posteriores.[5]

O ponto de vista tradicional é de que as vastas extensões e extraordinária diversidade etnocultural do Império Persa[6] acabaria por provocar a sua derrocada, à medida que a delegação de poder aos governos locais acabaria por enfraquecer a autoridade central do rei, fazendo com que muita energia e recursos tivesse de ser gastas nas tentativas de subjugar rebeliões locais.[3] Tal fato tem servido historicamente para explicar o porquê de Alexandre, o Grande (Alexandre III da Macedônia), ao invadir a Pérsia em 334 a.C., ter se deparado com um reino pouco unido, comandado por um monarca enfraquecido, facilmente destruído. Este ponto de vista, no entanto, vem sendo questionado por alguns estudiosos modernos, que argumentam que o Império Aquemênida não se encontrava em crise no período de Alexandre, e que apenas as disputas internas pela sucessão monárquica dentro da própria família aquemênida é que causavam algum enfraquecimento no império.[3] Alexandre, grande admirador de Ciro, o Grande,[7] acabaria por provocar o colapso do império e sua subsequente fragmentação, por volta de 330 a.C., gerando o Reino Ptolemaico, o Império Selêucida e diversos outros territórios de menor extensão, que à época também conquistaram sua independência. A cultura iraniana do planalto central, no entanto, continuou a florescer e voltou a conquistar o poder na região no século II a.C.[3]

O legado histórico do Império Aquemênida, no entanto, foi muito além de suas influências territoriais e militares, e deixou marcas importantes no cenário cultural, social, tecnológico e religioso da época. Diversos atenienses adotaram costumes aquemênidas em suas vidas diárias, numa troca cultural recíproca,[8] e muitos foram empregados ou aliados dos reis persas. O impacto do chamado Édito de Ciro, o Grande, foi mencionado nos textos judaico-cristãos, e o império foi fundamental na difusão do zoroastrianismo por grande parte da Ásia, até à China. Mesmo Alexandre, o Grande, o homem que acabaria por conquistar este vasto império, respeitou seus costumes e impôs o respeito aos reis persas (incluindo Ciro), e até mesmo adotou o costume real persa da prosquínese, apesar da forte desaprovação de seus compatriotas macedônios.[9][10] O Império Persa também daria a tônica da política, herança e história da Pérsia moderna (atual Irã).[11] A influência também se estendeu sobre antigos territórios da Pérsia que se tornaram conhecidos posteriormente como Grande Pérsia. Um dos feitos notáveis de engenharia do império é o sistema de gestão de água conhecido como Qanat, cuja seção mais antiga tem mais de 3000 anos e 71 quilômetros.[12] Em 480 a.C., estima-se que 50 milhões[13] de pessoas vivessem no Império Aquemênida,[14] cerca de 44% da população mundial da época, fazendo dele o maior império de todos os tempos em termos de porcentagem populacional.[15]

História

Origem

Ver artigos principais: Aquêmenes, Teispidas e Árvore genealógica aquemênida
Representação de Ciro II

"A nação persa contém diversas tribos, como listado aqui. [...]: os pasárgadas, maráfios, e máspios, de qual dependem todas as outras tribos. Destes, os mais importantes são os pasárgadas; eles contêm o clã dos aquemênidas, do qual vieram todos os reis pérseos. Outras tribos são os pantialeus, derúsios, germânios, todos estes fixos à terra, e o restante - os daios, mardos, drópicos, sagárcios, são nômades."

Heródoto, Histórias, 1.101, 125

O Império Persa recebeu seu nome da tribo indo-europeia chamada Parsua. O nome 'Pérsia' é uma latinização do nome deste povo, que dava o nome de Persis à região encerrada em suas fronteiras territoriais, uma área localizada a norte do Golfo Pérsico e a leste do rio Tigre, conhecida atualmente como a província iraniana de Pars.[16]

Apesar de seu rápido sucesso e expansão, o Império Aquemênida não foi o primeiro império iraniano, já que no século VI a.C. outro grupo de povos iranianos antigos já haviam fundado o Império Medo.[16] Os medos haviam sido originalmente o grupo iraniano dominante na região, conquistando o poder no final do século VII a.C. e incorporando os persas em seu império. Os povos iranianos chegaram na região por volta do ano 1 000 a.C.,[17] e haviam sido dominados inicialmente pelo Império Assírio (911-609 a.C.). Os medos e os persas, no entanto, juntamente com os citas e babilônios, tiveram um papel crucial na destruição da Assíria depois de uma sucessão de revoltas internas.

O termo aquemênida é na realidade uma versão latinizada do antigo nome persa Haxāmaniš (um composto bahuvrihi que pode ser traduzido como "que tem uma mente de amigo"[18] ou "caracterizado pelo espírito de seguidor"), por intermédio do grego Ἀχαιμενίδαι, Akhaimenídai, "da família de Aquêmenes". Apesar da derivação do nome no grego, Aquêmenes em si foi um monarca menor do século VII, governante de Anshan (também Ansham ou Anšān), no sudoeste do atual Irã.[16] Apenas na época de Ciro, o Grande, um descendente de Aquêmenes, é que o Império Aquemênida desenvolveu seu prestígio imperial, e passou a incorporar os impérios já existentes no Oriente Médio, tornando-se a potência mencionada pelos textos antigos.

Em algum ponto em 550 a.C., Ciro, o Grande liderou uma rebelião contra o Império Medo, provavelmente devido à má administração feita pelos medos na Persis, derrotando-os e conquistando-os na sequência e criando o primeiro império persa. Ciro utilizou sua engenhosidade tática,[19] bem como sua compreensão das equações sócio-políticas que governavam seus territórios, para incorporar ao seu império os territórios vizinhos dos impérios lídios e neobabilônios, abrindo caminho para que seu sucessor, Cambises II, se aventurasse no Egito e derrotasse o Império Hitita e o Reino do Egito.

Ciro, o Grande daria amostras de sua perspicácia política na administração de seu império recém-formado, já que o Império Persa se tornou o primeiro a tentar governar diferentes grupos étnicos sob o princípio de responsabilidades iguais e direitos para todos os povos, contanto que os súditos pagassem seus impostos e mantivessem a paz.[20] Além disso, o monarca acabaria por concordar em não interferir com os costumes, religiões e intercâmbios comerciais locais dos estados que dominava,[20] uma qualidade única que acabaria por conquistar para Ciro o apoio dos babilônios. Este sistema de administração acabaria por se tornar um problema para os persas, uma vez que com um império maior também veio uma necessidade maior de ordem e controle, o que levou ao gasto de recursos e à mobilização permanente de tropas para lidar com rebeliões locais, enfraquecendo o poder central do monarca. Na época de Dario III, esta desorganização quase levou à fragmentação do reino.[3]

Os persas de quem Ciro descendia eram originalmente um povo de pastores nômades que habitavam o planalto iraniano ocidental, e que por volta de 850 a.C. chamavam-se a si mesmo de Parsa e seu território constantemente em alteração de Parsua, localizado aproximadamente ao redor da atual província de Pars.[3] À medida que os persas conquistaram poder, desenvolveram a infra-estrutura local para dar base à sua crescente influência, incluindo a criação de uma capital chamada Pasárgada e, posteriormente, uma cidade opulenta, chamada Persépolis.

Construída inicialmente durante o reinado de Dario, o Grande (Dario I), e terminada cerca de 100 anos mais tarde,[21] Persépolis foi um símbolo do império, servindo tanto como centro cerimonial quanto administrativo.[21] Tinha um conjunto especial de escadarias, chamado de "Todos os Países",[21] ao redor do qual estava uma decoração em relevos esculpidos que mostravam cenas de heroísmo, caça, temas naturais e a entrega de presentes aos reis aquemênidas por seus súditos durante o festival da primavera, Nowruz. Sua estrutura central era formada por uma infinidade de salas ou salões quadrangulares, dos quais o maior era conhecido como Apadana.[21] Colunas altas e decoradas davam as boas-vindas aos visitantes, impressionando-os com o tamanho da estrutura. Futuramente, Dario também utilizaria as cidades de Susa e Ecbátana como centros governamentais, permitindo que fossem desenvolvidas até atingir um status semelhante.

Relatos sobre a linhagem ancestral dos reis persas da dinastia aquemênida podem ser extraídos tanto dos documentos gregos e romanos ou dos documentos persas existentes, como aqueles que foram encontrados na Inscrição de Behistun. No entanto, a maior parte dos relatos sobre este vasto império se encontra na obra de historiadores e filósofos gregos, e como a maior parte dos documentos originais persas se perderam - e os pontos de vista acadêmicos sobre a origem e as possíveis motivações por trás destes textos gregos são muito variados - é difícil criar uma lista definitiva e completamente objetiva. Ainda assim, parece claro que Ciro, o Grande e Dario, o Grande, foram cruciais para a expansão do império. Acredita-se que Ciro tenha sido filho de Cambises I, neto de Ciro I, pai de Cambises II e parente de Dario por um ancestral em comum, Teispes. Ciro também teria sido parente (possivelmente neto) do rei medo Astiages, através de sua mãe, Mandana da Média. Uma minoria de estudiosos argumenta que Aquêmenes pode ter sido uma criação posterior de Dario, o Grande, para fortalecer uma associação sua a Ciro, o Grande, após conquistar o poder.[16]

Os autores gregos fornecem algumas informações lendárias sobre Aquêmenes, chamando sua tribos de 'pasárgadas' (Pasargadae), e afirmando que ele teria sido "criado por uma águia". Platão, ao escrever sobre os persas, identificou Aquemênes com Perses, ancestral dos persas na mitologia grega.[22] De acordo com Platão, Aquêmenes seria a mesma pessoa que Perses, filho da rainha etíope Andrômeda e do herói grego Perseu, e neto de Zeus. Autores posteriores, no entanto, acreditavam que Aquêmenes e Perses eram pessoas diferentes, e que Perses seria ancestral do rei.[23] Esta versão parece confirmar que Aquêmenes poderia mesmo ter sido um líder importante de Anshan, ancestral de Ciro. A despeito da veracidade da lenda, tanto Ciro quanto Dario, o Grande foram reis importantes do Império Persa, e durante seus reinados o império se expandiu a ponto de englobar boa parte do mundo antigo.

Formação e expansão

Sepultura de Ciro, o Grande, fundador do Império Aquemênida, no atual Irã
Ciro, o Grande libertou os hebreus exilados na Babilônia para que repovoassem e reconstruissem Jerusalém, o que lhe garantiu um lugar de honra no judaísmo

O império assumiu sua forma unificada com uma administração centrada em torno de Pasárgada, cidade construída por Ciro, o Grande. Posteriormente, conquistou o Império Medo e ampliou ainda mais seu território, adicionando às suas fronteiras o Egito e a Ásia Menor. Durante o reinado de Dario I e seu filho, Xerxes I, envolveu-se em conflitos militares com algumas das principais cidades-estado da Grécia Antiga, e embora tenha chegado muito perto de derrotar o exército grego, esta guerra acabou por levar o império à sua derrocada.[24]

A história do chamado Império Aquemênida remonta a pelo menos 559 a.C., ano em que Cambises I, rei de Anshan, morreu e foi sucedido por seu filho, Ciro II. Ciro II sucedeu também Arsames - que ainda estava vivo - como rei () da Pérsia, unindo assim os dois reinos. Ciro é considerado o primeiro monarca legítimo do Império Persa, já que seus antecessores eram vassalos dos medos. Ciro conquistou a Média, Lídia e a Babilônia. Politicamente astuto, Ciro modelou sua imagem para se tornar um "salvador" das nações que conquistou, frequentemente permitindo o retorno às suas terras de povos que haviam sido deportados, e dando a seus súditos a liberdade de praticar os costumes locais. Para reforçar essa imagem, instituiu políticas de liberdade religiosa, reconstruindo templos e a infra-estrutura local nas cidades recém-conquistadas (principalmente entre os habitantes judeus da Babilônia, como foi registrado no Cilindro de Ciro e no Tanakh). Como resultado de suas políticas de tolerância, passou a ser conhecido entre os judeus como "ungido do Senhor".[25][26]

Seus sucessores imediatos foram menos bem-sucedidos. O filho de Ciro, Cambises II, conquistou o Egito em 525 a.C., porém morreu em julho de 522 a.C., como resultado de um ferimento causado acidentalmente em si mesmo,[27] durante uma revolta liderada por um clã sacerdotal que havia perdido o poder após a conquista da Média por Ciro. De acordo com Heródoto, Cambises II tinha se aventurado no Egito para se vingar de um truque do faraó Amásis, que havia enviado um esposa egípcia falsa, cuja família tinha sido assassinada por ele,[28] no lugar de sua própria filha, para se casar com Cambises. Além disso, relatos negativos de maus-tratos causados por Amásis, feitos por Fanes de Halicarnasso, um conselheiro sábio que servia a Amásis, ajudaram a encorajar Cambises a invadir o Egito. Amásis morreu antes que ele pudesse confrontá-lo, no entanto, porém seu sucessor, Psamético III, foi derrotado por Cambises na Batalha de Pelúsio.

Enquanto Cambises II estava no Egito, os sacerdotes zoroastristas, chamados por Heródoto de 'magos', usurparam o trono e instalaram nele um dos seus, Gaumata, que fingiu ser o irmão mais jovem de Cambises II, Esmérdis, que havia sido assassinado três anos antes. Devido ao governo firme de Cambises II, especialmente sua postura a respeito de impostos,[29] e sua longa estadia no Egito, "todo o povo, persas, medos, e membros de todas as outras nações", reconheceram o usurpador, especialmente depois de ele conceder uma remissão nos impostos por três anos.[30] O próprio Cambises II, no entanto, não teria sido capaz de debelar os impostores, já que veio a morrer devido a um ferimento acidental no retorno do Egito.

A afirmação de que Gaumata teria personificado Bardiya (Esmérdis) vem de Dario, o Grande e de seus registros na Inscrição de Behistun. Os historiadores se dividem quanto à possibilidade de que a história do impostor tenha sido inventada por Dario como justificativa para seu golpe.[31] Dario fez uma alegação semelhante quando conquistou, posteriormente, a Babilônia, anunciando que o rei babilônio não era, na realidade, Nabucodonosor III, mas sim um impostor chamado Nidintu-bel.[32]

De acordo com a Inscrição de Behistun, Gaumata governou por sete meses antes de ser derrubado, em 522 a.C., por Dario (no persa antigo, Dāryavush ou Darayarahush, "aquele que segura firmemente o bem"). Os magos, embora perseguidos, continuaram a existir, e no ano seguinte à morte do primeiro pseudo-Esmérdis (Gaumata), ainda viram um segundo pseudo-Esmérdis (chamado Vahyazdāta) tentar um novo golpe que, embora inicialmente tenha sido bem-sucedido, acabou por fracassar.[33]

Segundo Heródoto,[34] a liderança nativa teria debatido a melhor forma de governo para o império, e chegado a conclusão que uma oligarquia lhes colocaria uns contra os outros, enquanto uma democracia levaria a uma eventual oclocracia, que poderia resultar no surgimento dum líder carismático que daria um fim à monarquia. Assim, decidiu-se que um novo monarca deveria ser instaurado, especialmente tendo em vista que eles estavam em condição de escolhê-lo. Dario I, primo de Cambises II e Esmérdis, e supostamente descendente de Ariaramnes, foi escolhido dentre os líderes.

Os aquemênidas consolidaram seu controle então as outras regiões do império. Tanto Ciro, o Grande quanto Dario, o Grande, através de um planejamento administrativo previdente, manobras militares brilhantes e uma visão de mundo humanista, estabeleceram a grandeza dos aquemênidas e, em menos de trinta anos, elevou-os da condição de uma tribo obscura a uma potência mundial. Foi durante o reinado de Dario que Persépolis foi construída (518-516 a.C.), servindo como capital por diversas gerações de reis aquemênidas. Ecbátana (Hagmatāna, "cidade de reuniões", atual Hamadan), na Média, também foi expandida enormemente durante este período, e serviu como capital de verão.

Dario eventualmente atacou a Grécia continental, que estava apoiando as colônias gregas revoltosas sob sua égide; porém, como resultado de sua derrota na Batalha de Maratona, foi obrigado a recuar os limites de seu império para a Ásia Menor. Alguns estudiosos afirmam que, no contexto da história do Oriente Médio do primeiro milênio, Alexandre, o Grande pode ser considerado o "último dos aquemênidas".[35] Isto pode ser atribuído ao fato de Alexandre ter mantido, em maior ou menor escala, as mesmas estruturas políticas e fronteiras que os reis aquemênidas que o antecederam.

Guerras Greco-Persas

Ver artigo principal: Guerras Persas
Soldados medos (esquerda) e persas (direita)

No século V a.C., os reis da Pérsia dominavam territórios que equivalem aproximadamente aos atuais Irã, Iraque, Armênia, Azerbaijão, Paquistão, Afeganistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Quirguistão, Geórgia, Macedônia, Uzbequistão, Turquia, Bulgária, Chipre, Kuwait, Egito, Síria, Jordânia, Israel, Líbano, bem como diversas partes da Grécia, Líbia e o norte da Arábia.

A Revolta Jônia, em 499 a.C., e as revoltas associadas a ela ocorridas na Eólida, Dórida, Chipre e Cária, foram rebeliões militares iniciadas em diversas regiões da Ásia Menor contra o domínio persa, que duraram de 499 a 493 a.C. No cerne dessas revoltas estava a insatisfação das cidades-estado gregas do litoral da atual Turquia contra os tiranos indicados pela Pérsia para governá-los, além das ações individuais de dois tiranos específicos de Mileto, Histieu e Aristágoras. Em 499 a.C.. Aristágoras, então tirano milésio, deu início a uma expedição conjunta com o sátrapa persa Artafernes, que visava conquistar a ilha de Naxos, numa tentativa de se promover em Mileto, tanto financialmente quanto em termos de prestígio. A missão foi um fracasso, e percebendo que estava prestes a perder o poder, Aristágoras optou por incitar toda a Jônia a rebelar-se contra Dario, o Grande.

Os persas conseguiram debelar as cidades do litoral ocidental da Ásia Menor, até que finalmente estabelecer, em 493 a.C., um acordo de paz com as cidades jônias que foi geralmente considerado justo por ambos os lados.

A Revolta Jônia foi o primeiro grande conflito entre a Grécia e o Império Aquemênida, e como tal representa a primeira fase das chamadas Guerras Persas (ou Guerras Greco-Persas). A Ásia Menor voltou para o domínio persa, porém Dario jurou punir as cidades-estado gregas de Atenas e Erétria por seu apoio aos rebeldes durante a revolta.[36] Ao ver também que a situação política da Grécia representava uma ameaça contínua à estabilidade do seu império, Dario decidiu empreender a conquista de toda a Grécia. As tropas persas, no entanto, foram derrotadas na Batalha de Maratona, e Dario morreu sem ter a chance de iniciar uma nova invasão.

Xerxes I (519-465 a.C.; em persa antigo Xšayārša, "Heróis entre Reis"), filho de Dario, jurou concretizar o desejo de seu pai. Organizou uma invasão maciça; seu exército penetrou a Grécia pelo norte, encontrando pouca resistência na Macedônia e na Tessália, porém seu avanço foi interrompido por três dias por um pequeno destacamento grego, durante a Batalha de Termópilas. Uma batalha naval ocorrida simultaneamente, em Artemísio, acabou de maneira inconclusiva depois de tempestades ferozes destruíram navios de ambos os lados. Os gregos recuaram ao receber a notícia da derrota em Termópilas, e os persas mantiveram o controle inconteste de Artemísio e do mar Egeu.

Após sua vitória em Termópilas, Xerxes saqueou a cidade de Atenas, que havia sido evacuada, e preparou-se para encontrar os gregos no Istmo de Corinto e no golfo Sarônico. Em 480 a.C. os gregos conquistaram uma vitória decisiva sobre a frota persa na Batalha de Salamina, e forçaram Xerxes a recuar até Sárdis. O exército que ele havia deixado na Grécia sob o comando do general Mardônio reconquistou Atenas, porém acabou por ser destruído em 479 a.C., na Batalha de Plateia. A derrota final dos persas em Mícale encorajou as cidades-estado gregas da Ásia a se revoltarem, e marcaram o fim da expansão persa na Europa.

A fase cultural

Vaso de ouro aquemênida, com representações de leões
Bracelete antigo do período aquemênida, parte do Tesouro do Oxo, 500 a.C., Irã

Xerxes I foi sucedido por Artaxerxes I (465–424 a.C.), que mudou a capital de Persépolis para a Babilônia. Foi durante seu reinado que o elamita deixou de ser o idioma oficial, e o aramaico ganhou importância. Foi provavelmente durante seu reinado que o calendário solar foi introduzido como calendário nacional. Sob Artaxerxes, o zoroastrianismo se tornou a religião oficial de facto, e por este motivo até os dias de hoje o monarca é conhecido como o Constantino de sua fé.

Artaxerxes morreu em Susa, e seu corpo foi levado a Persépolis, para ser enterrado na sepultura de seus antepassados. Foi sucedido por seu filho mais velho, Xerxes II, que acabou por ser assassinado por um de seus meio-irmãos algumas semanas mais tarde. Dario II conquistou o apoio das tropas para si e marchou para o leste, capturando e executando o assassino, e coroando-se em seu lugar.

A partir de 412 Dario II (423-404 a.C.), por insistência de Tissafernes, comandante das tropas persas na Ásia Menor, deu apoio primeiro a Atenas, depois a Esparta, que disputavam o confronto que veio a ser conhecido como Guerra do Peloponeso. Em 407 a.C., o filho de Dario, Ciro, o Jovem, foi indicado para substituir Tissafernes, e passou a apoiar ativa e exclusivamente Esparta, que acabou derrotando Atenas em 404 a.C. Naquele mesmo ano, Dario adoeceu e morreu, na Babilônia; em seu leito de morte, sua esposa babilônia, Parisátide, implorou a Dario que coroasse seu filho Ciro, o que Dario se recusou a fazer.

Dario foi sucedido por seu filho mais velho, Artaxerxes II. Plutarco relata (provavelmente com base em Ctésias) que Tissafernes, insatisfeito por ter perdido seu cargo, teria se aproximado do novo rei no dia de sua coroação para alertá-lo que seu irmão mais novo, Ciro, o Jovem, estava preparando para assassiná-lo durante a cerimônia. Artaxerxes ordenou a prisão de Ciro, e o teria executado se sua mãe, Parisátide, não tivesse intervindo. Ciro foi então designado sátrapa da Lídia, onde deu início a uma revolta armada. Ciro e Artaxerxes se enfrentaram na Batalha de Cunaxa, em 401 a.C., onde Ciro foi derrotado e morto.

Artaxerxes II (404-358 a.C.) foi o com o reinado mais longo, e foi durante este período de 45 anos de relativa paz e estabilidade que muitos dos monumentos do período foram construídos. Artaxerxes voltou a capital à Persépolis, que ele ampliou. A capital de verão, Ecbátana, também foi luxuosamente ampliada, decorada com colunas douradas e telhas de prata e cobre. A inovação extraordinária dos santuários zoroastristas também data de seu reinado, e foi provavelmente durante este período que a religião se disseminou pela Ásia Menor, Levante e Armênia. Esta benfeitoria, no entanto, embora servisse a um propósito religioso, não consistiu de um ato puramente abnegado; os templos serviam também como importantes fontes de renda. Os reis aquemênidas haviam tomado dos reis babilônios o conceito de um imposto obrigatório sobre os templos, um dízimo que todos os habitantes pagavam ao templo mais próximo de sua terra ou de sua fonte de renda.[37] Uma parte deste dízimo, denominada quppu ša šarri, "baú do rei" - uma instituição engenhosa introduzida originalmente por Nabonido - era então entregue ao soberano. Em retrospecto, Artaxerxes geralmente é visto como um homem de boa índole, mas que não tinha a consistência moral para ser um governante realmente bem-sucedido. Seis séculos mais tarde, no entanto, Ardeshir I, fundador do segundo império persa, se denominaria sucessor de Artaxerxes, testemunhando a importância que Artaxerxes ainda detinha sobre a psique persa.

A queda do império

Império Aquemênida por volta da época de Dario, o Grande e Xerxes
Batalha de Isso, entre Alexandre, o Grande (sobre o cavalo, à esquerda), e Dario III (sobre o veículo à direita), representada num mosaico em Pompeia que data do século I d.C.; Museu Nacional de Arqueologia, Nápoles, Itália

De acordo com Plutarco, o sucessor de Artaxerxes, Artaxerxes III (358-338 a.C.), subiu ao trono de maneira sangrenta, conquistando o poder após assassinar oito de seus meio-irmãos.[38] Em 343 a.C., Artaxerxes III derrotou Nectanebo II, expulsando-o do Egito, e fez da nação africana novamente uma satrapia persa. Em 338 a.C. Artaxerxes III morreu em circunstâncias pouco claras; segundo as fontes na escrita cuneiforme ele teria morrido de causas naturais, porém Diodoro Sículo, um historiador grego, relata que Artaxerxes teria sido assassinado por Bagoas, seu ministro.[39] enquanto Filipe da Macedônia uniu as cidades-estado gregas à força, e começou a planejar a invasão do império.

Artaxerxes III foi sucedido por Artaxerxes IV, que antes de poder agir também foi envenenado por Bagoas. Este ainda teria matado também não só todos os filhos de Arses, mas muitos dos outros príncipes do império, e instaurado no trono Dario III (336-330 a.C.), um sobrinho de Artaxerxes IV. Dario, que anteriormente era sátrapa da Armênia, forçou pessoalmente Bagoas a se suicidar tomando veneno. Em 334 a.C., quando Dario havia apenas acabado de subjugar o Egito novamente, Alexandre e suas experientes tropas invadiram a Ásia Menor.

Os aquemênidas governaram o Egito por duas vezes diferentes, embora os egípcios por duas vezes também tenham reconquistado sua independência da Pérsia. Seguindo o modelo de Manetão, historiadores egípcios se referem aos períodos de domínio aquemênida no Egito como a XXVII dinastia egípcia (525-404 a.C.), até a morte de Dario II, e a XXXI dinastia egípcia (343-332 a.C.), que se iniciou após a derrota de Nectanebo II por Artaxerxes III.

Alexandre, o Grande derrotou os exércitos persas nas batalhas de Granico (334 a.C.) e Isso (333 a.C.), e, finalmente, em Gaugamela (331 a.C.). Em seguida, Alexandre marchou a Susa e Persépolis, que se rendeu no início de 330 a.C. De lá, Alexandre rumou para Pasárgada, para visitar a sepultura de Ciro, o Grande, o local onde estava enterrado o homem que ele conhecia pela Ciropédia.

No caos que se seguiu à invasão de Alexandre, a sepultura de Ciro foi arrombada e a maior parte dos objetos de valor que ela continha foram roubados. Alexandre, ao chegar nela e ver o que havia sido feito, ficou horrorizado e interrogou os magos, levando-os a julgamento.[40][41] De acordo com alguns relatos, a decisão de Alexandre de julgar os magos teria mais a ver com uma tentativa sua de diminuir a influência deles e dar uma demonstração de poder no império recém-conquistado do que propriamente uma preocupação genuína com a tumba de Ciro.[42] Ainda assim, Alexandre ordenou que Aristóbulo de Cassandreia restaurasse as condições da sepultura e seu interior, numa demonstração de respeito ao antigo monarca.[40] De lá, partiu para Ecbátana, onde Dario III havia se refugiado.

Dario III foi aprisionado por Besso, seu próprio parente, sátrapa da Báctria. À medida que Alexandre se aproximava, Besso ordenou que seus homens matassem Dario III e declarou-se sucessor de Dario, com o nome de Artaxerxes V, antes de recuar para a Ásia Central, deixando o corpo de Dario no caminho para Alexandre - que o levou para Persépolis e lhe deu um funeral com honrarias. Besso então liderou uma coalizão de tropas que pudesse se defender de Alexandre; no entanto, antes que ele pudesse se unir com seus aliados na parte leste do império,[43] Alexandre conseguiu encontrá-lo, e o levou a julgamento num tribunal persa sob seu controle, que o condenou à morte e o executou de "uma maneira bárbara e cruel".[44]

Apesar de ter logrado conquistar todo o Império Persa, Alexandre não foi capaz de instaurar em seu lugar uma alternativa estável.[45] Após sua morte, o gigantesco território que havia sido dominado pelos aquemênidas se fragmentou em diversos impérios menores, dos quais o mais importante era o Império Selêucida, governado pelos generais de Alexandre e seus descendentes. Estes, por sua vez, seriam sucedidos pelo Império Parta.

Estachar, um dos reinos vassalos do Império Parta, seria dominado por Pabaco, um sacerdote do templo local. O filho de Pabaco, Artaxes I, que deu a si mesmo este nome em homenagem a Artaxerxes II, acabaria por se revoltar contra os partas, derrotando-os e fundando o Império Sassânida, também conhecido como 'Segundo Império Persa'.

Descendentes nas dinastias iranianas posteriores

Dinastias posteriores do Império Persa, como os partas e os sassânidas, ocasionalmente alegaram descendência dos aquemênidas. Recentemente, houve alguma corroboração para a pretensão parta evidenciada numa doença hereditária (neurofibromatose), demonstrada através das descrições físicas dos governantes e das evidências de doenças familiares em moedas antigas.[46]