Ilhas Turcas e Caicos

Turks and Caicos Islands
Ilhas Turcas e Caicos
Bandeira das Ilhas Turcas e Caicos
Brasão de armas das Ilhas Turcas e Caicos
BandeiraBrasão
Lema: Each Endeavouring, All Achieving
(Inglês: "Cada um se esforçando, todos alcançando")
Hino nacional: "Hino do Reino Unido"
Música Nacional: "We Salute This Land of Ours"
Gentílico: "das Ilhas Turcas e Caicos"; turquense[1]; turco-caicense

Localização Turcas e Caicos

Ilhas Turcas e Caicos
CapitalCockburn Town
21,459º N 71,139º W
Cidade mais populosaProvidenciales
Língua oficialInglês
GovernoTerritório britânico ultramarino
 - MonarcaIsabel II
 - GovernadorNigel Dakin
 - PremierSharlene Cartwright-Robinson
Área 
 - Total616,3 km² 
 - Água (%)Desprezível
População 
 - Estimativa para 201231 458 hab. 
 - Densidade51 hab./km² 
IDH0,930  – muito elevado
MoedaDólar dos Estados Unidos (USD)
Fuso horárioUTC-5 (UTC-5)
 - Verão (DST)UTC-4 (UTC-4)
Org. internacionaisComunidade das Caraíbas
Cód. ISOTCA
Cód. Internet.tc
Cód. telef.+1-649
Website governamentalhttp://www.gov.tc/

Mapa Turcas e Caicos

As Ilhas Turcas e Caicos[2][3][4][5][6] (em inglês, Turks and Caicos Islands) são um território britânico ultramarino dependente do Reino Unido, localizadas ao norte da ilha Hispaniola (onde se encontram o Haiti e a República Dominicana), no Mar do Caribe (Caraíbas), e compostas por dois grupos de ilhas tropicais do arquipélago Lucaiano: as ilhas Caicos (maiores) e as ilhas Turcas (menores). São conhecidas principalmente pelo turismo e como sendo um paraíso fiscal. A população total é de cerca de 31 500 habitantes,[7] 27 000 dos quais vivem em Providenciales, nas ilhas Caicos.

O nome "Ilhas Turcas" deve-se à abundância natural, no arquipélago, de uma certa espécie de cacto cuja forma recorda um fez turco. "Caicos" são "baixios ou recifes grandes que chegam às vezes a formar ilhotas".[8]

As Ilhas Turcas e Caicos ficam a sudoeste de Mayaguana, nas Bahamas e a norte da ilha Hispaniola. Cockburn Town, a capital desde 1766, situa-se na Grande Turca, a cerca de 1 042 km a és-sudeste de Miami, nos Estados Unidos. As ilhas têm um total de 430 km².[Nota 1] São geograficamente contíguas com as Bahamas, mas politicamente separadas destas.

O primeiro avistamento registado das ilhas hoje conhecidas como Turcas e Caicos ocorreu em 1512.[9] Nos séculos seguintes, as ilhas foram reivindicadas por diversas potências europeias, tendo o Império Britânico acabado por controlá-las. Durante muitos anos foram governadas indiretamente através das Bermudas, das Bahamas e da Jamaica. Desde que as Bahamas se tornaram independentes em 1973, as ilhas receberam o seu próprio governador e permaneceram um território ultramarino britânico autónomo separado até hoje. Em agosto de 2009, o Reino Unido suspendeu a autonomia das Ilhas Turcas e Caicos no seguimento de alegações de corrupção ministerial.[10] A autonomia foi restaurada após as eleições gerais de 2012.

História

As Ilhas Turcas e Caicos receberam esta denominação devido à existência de muitos melocactus, que em inglês são denominados "Turk's-cap cactus", e devido ao termo caya hico, que entre os lucaianos significa conjunto de ilhas. Os primeiros habitantes das ilhas foram o povo indígena Taíno, que atravessou o mar do caribe da Ilha de Hispaniola entre 500 e 800 A.C. Em conjunto com outros indígenas Taíno, que migraram da Ilha de Cuba para o Sul das Ilhas Bahamas à mesma época, ambos os povos se desenvolveram como "lucaianos". Por volta de 1.200 D.C, as Ilhas Turcas e Caicos foram recolonizadas por Taínos originários da Ilha de Hispaniola.

Após a chegada dos espanhóis nas Ilhas, no ano de 1492, estes passaram a capturar os indígenas Taíno e os lucaianos como escravos (tecnicamente, como trabalhadores para o sistema da encomienda), de modo a substituir a já diminuída e enfraquecida população nativa da Ilha de Hispaniola. Consequentemente, por volta de 1513 as Ilhas Bahamas localizadas mais ao Sul e as Ilhas Turcas e Caicos foram totalmente despovoadas, restando assim até o século XVII.

O primeiro europeu a documentar a existência das Ilhas foi o conquistador espanhol Juan Ponce de León, que o fez em 1512. Durante os séculos XVI, XVII e XVIII, as ilhas passaram pelos controles espanhol, francês e britânico, embora nenhum dos três jamais tenham estabelecido uma colônia fixa no local.

Colonização

Por volta de 1680, coletores de sal das Ilhas Bermudas se assentaram nas ilhas. Por diversas décadas ao longo do século XVIII, as ilhas se tornaram esconderijos populares dos piratas. Entre os anos de 1765 e 1783, as ilhas estiveram sob ocupação francesa. Após a Guerra de Independência dos Estados Unidos (1775-1783), grupos de combatentes leais à Grã-Bretanha fugiram para as colônias caribenhas, sendo alguns deles os primeiros colonizadores das ilhas Turcas e Caicos. Lá, desenvolveram plantações de algodão como importante fonte de renda, até tais terras serem desapropriadas para o desenvolvimento da crescente indústria do sal.

Em 1799, as Ilhas Turcas e Caicos foram anexadas pela Grã-Bretanha como parte das Ilhas Bahamas. À época, o sal marinho processado era uma das commodities mais exportadas pelas Índias Orientais, com o trabalho sendo realizado por escravos africanos. Ao longo do século XIX, o sal continuou a ser uma importante commodity.

Em 1807, a Grã-Bretanha proibiu o tráfico de escravos e, em 1833, proibiu a escravidão em suas colônias. Navios britânicos algumas vezes interceptaram navios negreiros no Caribe, e alguns deles naufragaram na costa das ilhas. Em 1837, o Esperanza, um navio negreiro português, naufragou nas Ilhas Caicos do Leste, uma das maiores ilhas. A tripulação e 200 negros africanos capturados sobreviveram, e parte destes náufragos pode ter estado entre os 189 africanos para os quais os colonizadores britânicos deram liberdade para colonizar as ilhas entre 1833 e 1840.

Em 1841, o Trovador, um navio negreiro espanhol ilegal, naufragou perto da costa das Ilhas Caicos do Leste. Os 20 homens da tripulação e os 192 africanos capturados sobreviveram, e os oficiais da colônia britânica os libertaram, e realizaram os procedimentos necessários para que 168 deles recebessem, por um ano, o cargo de aprendiz dos proprietários de terra na Ilha de Grand Turk. Isto aumentou a pequena população da colônia em 7% e gerou uma explosão demográfica momentânea. Já os outros 24 africanos sobreviventes foram levados à Nassau, junto com a tripulação espanhola, que foi presa no consulado cubano e processada no país. Uma carta de 1878 documenta que os Africanos do Trovador" e seus descendentes constituíram uma parcela essencial da "população proletária" das ilhas.

The O Farol de 1852 na Ilha de Grand Turk

Em 2004, arqueologistas marinhos ligados ao Museu Nacional das Ilhas Turcas e Caicos encontraram um navio afundado, denominado "Barco da Pedra Preta", cuja pesquisa subsequente sugeriu que poderia ser o Trovador. Em Novembro de 2008, uma expedição de uma cooperativa de arqueologia marinha fundada pela Agência Nacional de Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou que o navio tem artefatos com estilo e data de produção que os conecta ao Trovador.

Reorganização Política

Em 1848, a Grã-Bretanha determinou que as Ilhas Turcas e Caicos seriam uma colônia separada, submetida a um Presidente Conselheiro. Em 1873, as ilhas se tornaram colônia da Jamaica, e em 1894 o oficial-chefe da colônia teve sua denominação alterada para comissionário. Em 1917 o Primeiro Ministro canadense Robert Borden sugeriu que as Ilhas Turcas e Caicos fossem anexadas ao Canadá, mas a sua sugestão foi rechaçada pelo Primeiro Ministro britânico, David Lloyd George. As ilhas continuaram dependentes da Jamaica até 1959.

Em 4 de julho de 1959, as ilhas foram mais uma vez definidas como uma colônia separada, sendo o último comissionário denominado administrador. O governador da Jamaica continuou, então, como governador das ilhas. Quando a Jamaica obteve a sua independência da Grã-Bretanha em agosto de 1962, as Ilhas Turcas e Caicos se tornaram uma colônia da Coroa. Assim, a partir de 1965, o governador das Bahamas acumulava o cargo de governador das ilhas.

Quando as ilhas Bahamas obtiveram sua independência em 1973, as Ilhas Turcas e Caicos obtiveram o direito de ter seu próprio governador. Em 1974, Max Saltsman, líder do Novo Partido Democrático canadense, tentou usar a sua prerrogativa legislativa para anexas as ilhas ao Canadá, mas tal proposição não foi aprovada pela Câmara dos Comuns canadense.

Desta forma, desde agosto de 1976 as ilhas têm seu próprio governo, chefiado por um ministro-chefe, sendo o primeiro James Alexander George Smith McCartney.

Entretanto, os problemas políticos das ilhas no começo do século XXI, com denúncias de corrupção por parte do governo, resultaram na promulgação de uma nova constituição em 2006. Tal constituição autorizou, em 2009, que o Reino Unido passasse a controlar o governo local, tornando as ilhas Território Ultramarino do Reino Unido.

Em 2013, ressurgiu o interesse em anexar as Ilhas Turcas e Caicos pelo Canadá, quando o senador canadense Peter Goldring se reuniu com o primeiro ministro das ilhas, Rufus Ewink, em um coquetel no hotel Westin Harbour Castle, em Toronto, Canadá.

Atualmente, as ilhas são um dos 16 territórios não autônomos sob supervisão do Comitê de Descolonização das Nações Unidas, com o fim de eliminar o colonialismo.