História cultural

Costumes, sociabilidades, representação, um dos muitos objetos de estudo da História Cultural.
Mr. and Mrs. William Hallett
Thomas Gainsborough (1785),
National Gallery, Londres

História cultural (do termo alemão Kulturgeschichte ou Kulturhistorik), ao menos em sua definição comum a partir da década de 1970, frequentemente combina as abordagens da antropologia e da história para olhar para as tradições da cultura popular e interpretações culturais da experiência histórica e humana. A história cultural ocupa-se com a pesquisa e representação de determinada cultura em dado período e lugar. Ela não se dedica diretamente à história política ou à história oficial de países ou regiões. Na história cultural a cronologia não é tão relevante quanto na historiografia política.

Conceito

O conceito de uma "História da Cultura" nos remete ao fim do século XVIII e baseia-se na crença do Iluminismo de que se deve observar e estudar a contínua e permanente evolução (ou desenvolvimento) da humanidade, inclusive elementos e comportamentos decorrentes do acaso ou ainda inconscientes. Fazem parte também da vasta gama de fontes de estudo da história cultural, portanto, muitos referenciais cotidianos. O historiador Peter Burke, em seu livro "O que é História Cultural?", divide a histórica cultural em quatro fases:

  • 1ª - A clássica, entre 1800 e 1950
  • 2ª - História Social da Arte, que começou na década de 1930
  • 3ª - História da Cultura Popular, surgida na década de 1960
  • 4ª - Nova História Cultural, a partir da década de 1980

São elementos da história cultural: as relações familiares, a língua, as tradições, a religião, a arte e algumas ciências. Nesse ínterim, analisando a gama heterogênea de subsídios que compõe a história cultural, afirma-se que a mesma se trata de uma matéria interdisciplinar, ou ainda, multidisciplinar, visto que abarca várias fontes científicas de estudo, tais como: etnologia, geografia, antropologia, literatura, economia, entre outras. Por esta razão, vários autores que não são especificamente historiadores, contribuíram de maneira substancial para o desenvolvimento da História Cultural, sobretudo em suas duas últimas fases. Pode-se citar como exemplos que auxiliaram na construção dessa nova teoria cultural os autores Mikhail Bakhtin, Norbert Elias, Michel Foucault e Pierre Bourdieu.

A história cultural se sobrepõe, em sua abordagem, ao movimento francês da história das mentalidades e à chamada Nova História. Na França, um dos expoentes mais conhecidos da História Cultural é Roger Chartier.

A antropologia é uma ciência jovem, porém a compreensão do homem e das obras por ele produzidas alcançou profundos significados como, por exemplo, a necessidade de perceber as semelhanças, a grande diversidade de modos de existência do homem.

Os antropólogos culturais estudam as maneiras e descobertas para fazer frente a seus problemas, tais estudiosos da cultura procuram compreender como determinado modo pode atingir determinado fim. Tentar determinar como formas estabelecidas de tradição se transformam com o decorrer do tempo, e com o uso da influência da herança cultural.

Segundo Melville Herskovits, esta preocupação pela cultura acha-se presente em qualquer aspecto particular da existência humana que possa ser objeto de interesse imediato para um antropólogo.[1]

O homem vive em várias dimensões no espaço, ambiente natural, e exerce uma interminável influência. É membro de uma sociedade com seus companheiros, cooperando entre eles para a manutenção de seu grupo, porém o homem não é único. O que distingue o homem dos outros animais é a cultura, que reúne tudo isso, proporcionando assim ao homem o meio de adaptar-se as complexidades do mundo em que nasceu.

Há muitas definições de cultura. Entre elas, Herskovits destaca que cultura é a parte do ambiente feito pelo homem, nela está implícita que a vida do homem transcende em dois cenários: o habitat natural e seu ambiente social[1]. Para entender a natureza essencial da cultura é preciso entender que cultura é universal na experiência do homem, que ela é estável e também dinâmica, que está em constante mudança e que cultura enche e determina amplamente o curso de nossas vidas e raramente interfere no pensamento consciente.