Havaí
English: Hawaii

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Estados Unidos Havaí

State of Hawaii

Mokuʻāina o Hawaiʻi  (língua)

 
Bandeira de Havaí
Bandeira
Selo de Havaí
Selo
Apelido(s): The Aloha State, Paradise of the Pacific,[1] The Islands of Aloha
Lema: Ua Mau ke Ea o ka ‘Āina i ka Pono[2]
(do havaiano: A vida na terra é perpetuada através da justiça)
Hawaii in United States (zoom) (US50) (-grid).svg
Coordenadas21° 18' 41" N 157° 47' 47" O
CapitalHonolulu
Maior cidadeHonolulu
Condados5
GovernadorDavid Ige (D)
Vice-governadorDoug Chin (D)
Língua oficialInglês e havaiano
Representantes2
Colégio eleitoral4 votos
SenadoresMazie Hirono (D)
Brian Schatz (D)
LimitesOceano Pacífico em todas as direções.
Entrada na União21 de agosto de 1959 (50º)
Área
- Total28 311 km²
- Terra16 634,53 km²
 - Água11 678,49 km²
População (2017) [3]
 - Total1 427 538
    • Densidade 82,6 hab./km²
Informações
- Gentílicohavaiano[4]
- PIBUS$ 84.671 bilhões (38º)
- Renda médiaUS$ 64.514[5] (12º)
- IDH (2015)0,938 (11º) – muito alto[6]
- IDHA (2016)5,53 (10º)
- Comprimento2450 km
- Larguran/a km
- Altitude máximaMauna Kea (4205 m)[7][8]
- Altitude média920 m
- Altitude mínima0 m
- Fuso horárioUTC−10
ISO 3166-2US-HI
USPSHI, H.I.
Websitewww.hawaii.gov

O Havaí (pt-BR) ou Havai (pt)[nota 1] (em inglês: Hawaii; em havaiano: Hawai'i) é um dos 50 estados dos Estados Unidos. O Havaí localiza-se em um arquipélago no meio do Oceano Pacífico, podendo ser considerado o estado norte-americano mais isolado em relação ao resto do país. Sua capital e maior cidade, Honolulu, localiza-se a mais de 3100 km de qualquer outro Estado norte-americano. O Havaí é o Estado mais meridional de todo o país, sendo considerado parte dos Estados do Pacífico. Sua economia está baseada primariamente no turismo. Barack Obama é o único presidente dos Estados Unidos nascido no estado do Havaí.

O arquipélago que forma o Havaí é conhecido historicamente pelo nome de 'Ilhas Sanduíche' ("Sandwich Islands"). O arquipélago havaiano era povoado por polinésios, sendo que a região era governada por vários chefes polinésios locais, até 1810, quando Kamehameha I centralizou o governo do arquipélago, e instituiu uma monarquia. O Havaí é o único Estado dos Estados Unidos cujos nativos utilizaram-se da monarquia como forma de governo. Em 1894, o arquipélago tornou-se uma república, e quatro anos depois, em 1898, foi invadido militarmente e anexado pelos Estados Unidos, tornando-se um território estadunidense em 1900. Desde então, grande número de pessoas com ascendentes europeus, vindos de outras partes do país, bem como imigrantes asiáticos, instalaram-se no Havaí, dando à população local um aspecto altamente multicultural.

A base naval norte-americana de Pearl Harbor foi atacada por aeronaves da Marinha Imperial Japonesa, em 7 de dezembro de 1941. O ataque fez com que os Estados Unidos entrassem oficialmente na Segunda Guerra Mundial. Mais de 2400 pessoas morreram no ataque. Em 21 de agosto de 1959, o Havaí tornou-se o 50.º e último Estado a entrar à União.

História

Ver também: Reino do Havaí

Primeiros habitantes

Nativos polinésios viviam no arquipélago havaiano muito tempo antes da chegada dos primeiros europeus. Os atuais nativos havaianos são descendentes de polinésios que chegaram à região há alguns milhares de anos, vindos de outros arquipélagos do sul. Segundo registros, tais arquipélagos eram chamados de Hiva.

Um outro grupo polinésio, vindo do Taiti, desembarcou no arquipélago havaiano cerca 700 d.C. Este grupo trouxe uma cultura diferente, tambores, plantas, uma outra religião e outros chefes.

Antes da chegada dos primeiros europeus, em 1778, os nativos do Havai viviam numa sociedade altamente organizada e autossuficiente, baseada no arrendamento de terras comunais, possuindo um sofisticado idioma, cultura e religião.

Descoberta europeia

Um dos primeiros exploradores europeus a desembarcar em terras havaianas foi o explorador britânico James Cook, em 18 de janeiro de 1778. De acordo com a página do Governo Regional dos Açores, já no século XVI as ilhas do Havaí foram avistadas por um navegador português ao serviço de Castela.[carece de fontes?]

Está documentada uma viagem no Pacífico por Juan Gaetan em 1542, que baptizou as Ilhas de Mesa, tendo La Pérouse identificado essas ilhas ao Havai.[10] O descobrimento por Juan Gaetan também foi reconhecido pelo geógrafo português J. Casado Giraldes em 1825:

«SANDWICH - (ilhas e arquipélago de), compõem-se de 11 ilhas[11] no oceano Pacífico, que foram descobertas em 1542, por Gaetan, espanhol, e terão 40 000 almas. O clima é assaz temperado, o terreno é fértil e fazem algum comércio.»[12]

e antes disso, a viagem de Juan Gaetan (e Bernard della Torre) é descrita num capítulo do volume 16 da grande compilação de Pieter de Hondt "História Geral das Viagens", publicado em 1758, vinte anos antes da viagem de Cook.[13]

Até 1900

Localização do Havaí no Oceano Pacifico.
Kamehameha, o unificador das ilhas havaianas que formou o Reino do Havaí.

Não obstante, Cook é que é creditado com a descoberta do arquipélago por ter sido o primeiro a registrar oficialmente a descoberta, bem como o primeiro a fornecer as suas coordenadas geográficas. Cook nomeou o arquipélago de Ilhas Sanduíche, em homenagem ao Duque de Sandwich, um lorde britânico, nome este que é ainda utilizado em alguns atlas.

Graças à descoberta e à posição geográfica do arquipélago do Havaí, este tornou-se um ponto de escala frequente de navios europeus fazendo longas viagens transpacíficas. Doenças contagiosas, causadas por micróbios transportados pelos marinheiros europeus e com as quais os nativos locais nunca tinham tido contato, mataram dezenas de milhares de nativos polinésios na região ao longo do século XIX.

Antes da chegada dos europeus o arquipélago havaiano estava fragmentado em uma série de tribos governadas por um chefe indígena. Algumas ilhas eram governadas por uma única tribo, enquanto que outras eram ocupadas por tribos diferentes. Tais tribos polinésias batalhavam entre si normalmente depois da morte de um chefe. Em 1782, um líder indígena, Kamehameha, iniciou uma longa guerra, que duraria 13 anos, contra outras chefes da região e outras ilhas. Auxiliado por armas modernas, comercializadas com os navegadores e comerciantes europeus e americanos que utilizavam ilha como escala em suas viagens, Kamehameha uniu todo o arquipélago, com exceção das ilhas de Kaua‘i e de Ni‘ihau, em 1795. Kamehameha comandou duas invasões contra estas ilhas, em 1796 e em 1803, que fracassaram devido a uma rebelião e a uma epidemia, respectivamente. Enquanto isto, Kamehameha instituiu um sistema de administração política baseada em padrões de governo do Ocidente. Kamehameha instituiu uma monarquia no Havaí, e apropriou-se de todas as terras do arquipélago, cedendo lotes de terra para famílias rurais.

Cerca de quinze anos depois, em 1810, Kaua‘i e Ni‘ihau concordaram em unir-se pacificamente ao Reino de Kamehameha. A dinastia Kamehameha governaria o arquipélago até 1872. Ao longo do século XIX, a economia do Havaí prosperaria, com a venda de madeira de alta qualidade para a China até a década de 1830, com a venda de água potável e suprimentos para navios fazendo viagens no Oceano Pacífico desde a década de 1820, com a venda de cana de açúcar desde 1830, e de abacaxis da década de 1880 em diante.

O filho de Kamehameha, Kamehameha II, tornou-se o monarca do arquipélago havaiano em 1819, após a morte de seu pai. Kamehameha II aboliu a prática da religião havaiana em lugares públicos, embora permitisse esta prática em lugares privados. Em 1820, o governo americano enviou um grupo de missionários e professores brancos protestantes, que eventualmente converteriam a maior parte da população do Havaí para o protestantismo. Criaram também uma forma escrita para o idioma havaiano e fundaram as primeiras escolas no Havaí.

Missionários católicos romanos espanhóis e franceses desembarcariam pela primeira vez em 1827. Porém, os católicos não foram inicialmente bem-recebidos pelos nativos havaianos, que então já eram em sua maioria protestantes. Em 1831, os havaianos forçaram a pequena população católica de descendência europeia a sair do arquipélago, enquanto que católicos de origem havaiana foram em sua maioria presos. Cinco anos depois, em 1836, uma fragata francesa bloqueou o porto de Honolulu, e obrigou Kamehameha II a liberar os católicos aprisionados e a permitir a liberdade de expressão religiosa. Um outro filho de Kamehameha, o Rei Kamehameha (Kauikeaouli) III criou a primeira constituição do Havaí em 1839, e um sólido governo central composto pelos poderes executivo, legislativo e judiciário. O governo americano reconheceu o Havaí como um país independente.

Desde a década de 1850 em diante, o Havaí começou a receber centenas de imigrantes asiáticos por ano. Inicialmente, os chineses foram os principais imigrantes. A imigração chinesa ao arquipélago data de 1789, embora esta imigração tenha sido mais forte de 1850 até o início do século XX. Posteriormente, na década de 1860, grandes números de polinésios instalaram-se no Havaí. Em meados da década de 1880 até a década de 1930, grandes números de japoneses instalaram-se no Havaí.

A imigração de origem portuguesa, mais concretamente dos Açores e da Madeira, também se fez sentir com muita força. Esta comunidade dedicou-se ao cultivo de cana-de-açúcar, misturando vasto património cultural com os costumes do povo do Havaí. Apesar de já não se falar português no Havaí, muito da culinária das ilhas tem traços portugueses. A existência de diversos nomes de família atesta a origem de muitos emigrantes oriundos de todo o Portugal (e em particular das ilhas). Boa prova disso reside na existência do ukelele, descendente directo do cavaquinho.[carece de fontes?]

Em 1874, Kalākaua tornou-se rei do Havaí. Ele promoveu os costumes e a cultura havaiana entre a população nativa. Porém, a população do Havaí, especialmente agricultores, não gostavam dos laços políticos e econômicos que Kalākaua tinha com o governo e comerciantes americanos. Entre outros atos, Kalākaua permitiu que os americanos construíssem uma base naval em Pearl Harbor. Kalākaua foi obrigado a criar uma nova constituição em 1887, que limitava seus poderes. Quando Kalākaua morreu, sua irmã, Liliuokalani, tornou-se rainha do Havaí. Lili‘uokalani apoiava a população havaiana em seu descontentamento contra a população de novos estrangeiros ou de descendência europeia. Porém, à época, comerciantes e agricultores americanos já controlavam muito da economia do Havaí. Em 1893, em uma invasão, tropas americanas e grupos militantes liderados por norte-americanos, alemães e britânicos, tomaram o Havaí e depuseram Liliuokalani.

Liliuokalani foi a última rainha do Reino do Havaí, deposta em 1893 por uma invasão armada dos EUA, sob apoio de cristãos protestantes.

A invasão norte-americana causou grande descontentamento entre a população do Havaí, o que fez com que o próprio presidente americano à época, Grover Cleveland, aconselhasse que a rainha tivesse seu trono de volta. Tanto Lili‘uokalani (que recusou perdão publicamente aos líderes desta invasão) quanto os principais líderes desta invasão recusaram. Lili‘uokalani foi a última monarca do arquipélago. Ainda em 1894, uma república foi instituída, com um americano, Sanford Dole sendo presidente. A república foi abolida em 1898, quando uma parte do Congresso dos EUA criou uma resolução conjunta, que é usada especificamente internamente como um meio para adquirir o Reino do Havaí como seu novo território em agosto de 1898. Em 14 de junho de 1900, o Havaí tornou-se um território dos Estados Unidos.

1900 - presente

A localização estratégica do Havaí, no meio do Oceano Pacífico, fez com que o governo norte-americano iniciasse a construção de uma base naval primária no Havaí, através de uma grande expansão das instalações portuárias de Pearl Harbor, durante a Primeira Guerra Mundial. Em 1927, dois tenentes americanos realizaram o primeiro voo entre os Estados Unidos contíguos e o Havaí.

Em 7 de dezembro de 1941, a base naval americana de Pearl Harbor foi atacada por aviões da força aérea japonesa, pois estes já sabiam da intenção dos ianques de entrar na Guerra, para proteger os investimentos na Europa. Este ataque, que destruiu vários navios, aviões e instalações militares, bem como a morte de mais de 2,4 mil pessoas militares, fez com que os Estados Unidos oficialmente entrassem na Segunda Guerra Mundial ao lado dos Aliados. Lei marcial foi declarada no Havaí. O estado de lei marcial foi revogado somente em 1944. A grande população japonesa do Havaí fez com que muitos cidadãos americanos de origem europeia temessem sabotagem ou espionagem por parte dos americanos de descendência japonesa vivendo no oeste americano, inclusive no Havaí. Porém, ao contrário do que aconteceu no continente (especialmente na Califórnia), americanos de ascendência japonesa não foram obrigados a mudarem-se para campos de concentração.

Desde 1919, a população do Havaí exigiu a elevação do território para a categoria de Estado integrante dos EUA. Várias emendas foram introduzidas no Congresso dos EUA, pedindo pela elevação de estatuto do Havaí à categoria de Estado. Estas emendas foram rejeitadas inicialmente pelo Congresso por causa da grande população de origem asiática do Havaí. Então, os asiáticos eram vistos pelos norte-americanos como "inferiores". A Segunda Guerra Mundial aumentou o medo de muitos americanos de que asiáticos não seriam leais aos Estados Unidos caso este entrasse em guerra - em grande parte, por causa da grande população de ascendência japonesa do Havaí. Porém, muitos dos asiáticos do Havaí (inclusive japoneses) participaram ativamente dos esforços de guerra, e ainda mais ativamente durante a Guerra da Coreia.

Foi somente em 1957 que o Congresso americano aprovou a emenda que autorizava a elevação do Havaí à categoria de Estado.[14] Em 21 de agosto de 1959, o então presidente americano, Dwight D. Eisenhower, assinou a emenda que elevava o Havaí à categoria de Estado.[14] O Havaí tornou-se o 50º e último Estado americano a entrar à União.[14] A população do Havaí cresceria bastante durante as próximas décadas, e o Estado prosperou economicamente. O Havaí tornou-se um grande polo militar e turístico. Atualmente, milhões de turistas, a maioria, de outros estados americanos, visitam o Estado. Vários hotéis e estâncias turísticas foram construídos no Havaí ao longo das últimas décadas.

Desde a década de 1970, parte da população havaiana começou a apoiar um movimento que pede maior autonomia do Havaí em relação aos resto dos Estados Unidos. Este movimento pede por auto-soberania, sem remoção dos laços políticos e econômicos existentes com os Estados Unidos. Em 1993, o então presidente americano, Bill Clinton, aprovou uma resolução, onde o governo americano oficialmente desculpava-se do papel que tiveram durante a revolução de 1893.